Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela Cooler Master.
De todas as especificações técnicas descritas no databook de cada componente, estávamos mais interessados na corrente máxima em modo contínuo, dada em ampères (A). Para encontrar a potência máxima teórica do componente em watts podemos usar a fórmula P = V x I, onde P é a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères.
Lembre-se que isto não significa que a fonte de alimentação fornecerá a corrente máxima de cada componente, já que a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer depende de outros componentes usados – como o transformador, bobinas, o layout da placa de circuito impresso e a bitola dos fios – não apenas das especificações principais dos componentes que iremos analisar.
Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.
Esta fonte de alimentação usa duas pontes de retificação U8KBA80R em paralelo em seu estágio primário. Como cada ponte suporta até 8 A de corrente de forma contínua, a corrente máxima suportada pela seção de retificação do primário desta fonte é 16 A.
 clique para ampliar Figura 12: Pontes de retificação desta fonte de alimentação.
Na seção de chaveamento os transistores principais são dois 20N60C3. A corrente máxima de cada um desses transistores é de 45 A.
 clique para ampliar Figura 13: Transistor de chaveamento principal.
Mas estávamos mesmo interessados no secundário desta fonte de alimentação. Aqui a Cooler Master usou uma abordagem diferente de todas as fontes de alimentação que já vimos até hoje.
Cada tensão positiva precisa de dois diodos de potência. Esses diodos podem usar duas configurações diferentes, veja na Figura 14. Na configuração “A”, que é a mais comum em fontes de alimentação genéricas, duas saídas do transformador são usados, mais o terra. Cada diodo será ativado por vez: o segundo diodo é alimentado com o inverso da onda quadrada do primeiro. Por isso que na saída temos tensão contínua. Aqui o capacitor e a bobina funcionam como um circuito de filtragem normal.
Na configuração “B”, que é a mais comum em fontes de alimentação de alto desempenho – incluindo este modelo da Cooler Master – apenas uma saída do transformador é usada, mais o terra. Aqui quando D1 não está conduzindo – ou seja, quando a onda quadrada está em 0 V ou menos – a bobina e os capacitores são descarregados por D2, “tapando o buraco”, fazendo com que a tensão de saída seja contínua.
 clique para ampliar Figura 14: Configurações típicas dos diodos de potência.
Normalmente esses dois diodos são idênticos, mas nesta fonte de alimentação eles são diferentes, o que é um pouco esquisito. Quando dois diodos idênticos são usados, a corrente máxima teórica que cada linha de tensão pode fornecer é simplesmente o dobro da corrente máxima de cada diodo. Portanto, se dois diodos de 10 A forem usados, a corrente máxima teórica será 20 A (a potência máxima teórica pode ser calculada multiplicando este número pela tensão de saída).
Dissemos “teórica” porque a corrente máxima que cada linha de saída pode realmente fornecer depende também de outros componentes, como o transformador e mais ainda da bobina e do capacitor eletrolítico usado se o circuito “B” for usado.
Na fonte de alimentação iGreen Power 430 W o segundo diodo (D2) para cada tensão de saída tem especificações cavalares. Isto aumentaria a corrente máxima (e, logo, também a potência) que cada saída pode fornecer durante o tempo em que o segundo diodo fosse o responsável por fornecer a tensão armazenada no capacitor e na bobina de saída. No entanto, a corrente máxima será limitada agora pelas especificações do capacitor e da bobina.
Nós removemos os retificadores da fonte de alimentação e na Figura 15 você pode ver quatro dos sete retificadores de potência usados. O primeiro é usado pela saída de +5VSB e os outros três são usados como o primeiro diodo (D1) para as outras saídas positivas. Na Figura 16 você pode ver os três retificadores de potência usados como o segundo diodo (D2).
 clique para ampliar Figura 15: Retificadores da iGreen Power 430 W.
 clique para ampliar Figura 16: Retificadores da iGreen Power 430 W.
Para a tensão +12 V um retificador Schottky STPS30L60CT é usado como o primeiro diodo (D1), que pode fornecer uma corrente máxima de 30 A. Para o segundo diodo (D2) um retificador Schottky S60SC6M é usado, com uma impressionante corrente máxima de 120 A. A corrente máxima será limitada pelo o que a bobina e o capacitor podem fornecer e, por isso, achamos praticamente impossível esta fonte fornece qualquer valor próximo a esse. Se assumirmos que este segundo retificador também fornecerá 30 A, achamos a corrente máxima teórica de 60 A ou uma potência máxima teórica de 720 W para esta saída. Como esta é uma fonte de alimentação de 430 W, os retificadores de potência usados para esta tensão de +12 V são muito mais parrudos do que o necessário.
Para a tensão de + 5VSB um retificador Schottky STPS20H100CT é usado. Este componente tem uma corrente máxima de 10 A para cada diodo e como seus diodos estão ligados em paralelo, a corrente máxima teórica para a tensão de +5VSB é 20 A. Isto resulta em uma potência de saída máxima teórica de 100 W para esta tensão. A tensão de +5VSB está claramente usando um componente com uma potência/corrente muito maior do que o necessário.
Analisar as tensões de +5V e +3,3 V é um pouco mais complicado, já que elas são geradas a partir da mesma saída do transformador em vez de usar saídas individuais. Isto significa que a corrente máxima que essas duas linhas podem fornecer são limitadas pela corrente máxima que o transformador pode fornecer em sua única saída.
Em fontes de alimentação mais baratas a tensão de +3,3 V é produzida por um regulador de tensão instalado na saída de +5 V. Nesta fonte de alimentação, no entanto, a saída de +3,3 V é produzida por retificadores individuais, o que é muito bom.
Cada uma dessas saídas utiliza um retificador Schottky STPD2045CT como D1, que tem uma corrente máxima de 20 A e um retificador Schottky S40SC4C como D2, que tem uma corrente máxima de 40 A. Mais uma vez, achamos muito improvável que este segundo retificador forneça uma corrente próxima a essa, já que ela será limitada pela bobina e o capacitor usados. Se assumirmos que cada uma dessas linhas podem fornecer 40 A, acharemos a potência máxima teórica de 200 W para a saída de +5 V e 132 W para a saída de +3,3 V.
Todos os capacitores eletrolíticos usados na iGreen Power 430 W foram fabricados pela Ltec, de Taiwan. |