Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela HEC.
De todas as especificações técnicas descritas no databook de cada componente, estávamos mais interessados na corrente máxima em modo contínuo, dada em ampères (A). Para encontrar a potência máxima teórica do componente em watts podemos usar a fórmula P = V x I, onde P é a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères.
Nós precisamos saber também em que temperatura o fabricante do componente mediu a sua corrente máxima (esta informação também pode ser encontrada no databook do componente). Quanto maior a temperatura, menor é a corrente que semicondutores conseguem fornecer. Correntes dadas a temperaturas menores do que 50º C não são boas, já que temperaturas abaixo desta não refletem as reais condições de trabalho da fonte de alimentação.
Lembre-se que isto não significa que a fonte de alimentação fornecerá a corrente máxima de cada componente, já que a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer depende de outros componentes usados – como o transformador, bobinas, capacitores, o layout da placa de circuito impresso, a bitola dos fios e até mesmo a largura das trilhas da placa de circuito impresso – e não apenas das especificações principais dos componentes que iremos analisar.
Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.
Esta fonte de alimentação usa uma ponte de retificação GBU806 em seu estágio primário, que pode fornecer até 8 A de corrente em modo contínuo (a 100ºC). Nenhum dissipador de calor foi usado para refrigerar este componente.
Na seção de chaveamento dois transistores de potência MOSFET 2SK2749 são usados na configuração de chaveamento direto com um transistor, porém modificado. Normalmente esta configuração utiliza apenas um transistor, mas nesta fonte de alimentação dois transistores foram conectados em paralelo de modo a dobrar a corrente máxima.
Cada um desses transistores suporta uma corrente máxima de 21 A (a 25ºC) em modo pulsante, que é o modo usado, já que o circuito PWM alimenta esses transistores com uma forma de onda quadrada.
Se você prestar atenção na Figura 11 verá uma pequena placa de cobre entre os transistores e o dissipador de calor de alumínio, que é usada para ajudar na dissipação do calor.
 clique para ampliar Figura 11: Transistores MOSFET usados no primário.
Nas Figuras 12 e 13 você pode ver os quatro retificadores Schottky usados no secundário desta fonte de alimentação. Como você pode ver, uma placa de cobre foi colocada entre o retificador de +5 V e o dissipador de calor para aumentar a dissipação térmica.
 clique para ampliar Figura 12: Retificadores de potência usados no secundário.
 clique para ampliar Figura 13: Retificadores de potência usados no secundário.
A saída de +12 V é produzida por dois retificadores Schottky MBR20100CT, cada um suportando até 20 A (a 133º C). Dessa forma a saída de +12 V tem uma corrente máxima teórica de 40 A ou 480 W. A corrente máxima que esta linha pode fornecer dependerá de outros componentes usados, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola do fio e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso.
A saída de + 5V é produzida por um retificador Schottky MBR6045PT capaz de suportar até 60 A (a 125º C). Isto equivale a 300 W. Claro que a corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola do fio e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso, como mencionamos anteriormente.
Aqui nós encontramos algo diferente de outras fontes de alimentação sem PFC que vimos até hoje. Normalmente a saída de +3,3 V em fontes de alimentação de baixo custo é feita por um regulador de tensão de 3,3 V conectado na saída de +5 V. Esta fonte de alimentação da HEC, no entanto, usa o mesmo projeto de fontes de alimentação topo de linha, usando um retificador Schottky independente para produzir sua saída de +3,3 V. E mais: nesta fonte de alimentação nós notamos um local para a instalação de um segundo retificador em paralelo, dobrando a quantidade de corrente suportada pela saída de +3,3V. Esta configuração é provavelmente usada por uma outra fonte de alimentação fabricada pela HEC que usa a mesma placa de circuito impresso usada pela WinPower 480 W.
A saída de +3,3 V é produzida por um outro retificador Schottky MBR6045PT que pode suportar até 60 A (a 125º C). Isto equivale a 198 W. Claro que a corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola do fio e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso, como mencionamos anteriormente.
Apesar das linhas +5 V e +3,3 V terem retificadores separados, elas compartilham a mesma saída do transformador. Portanto a corrente máxima que essas linhas podem fornecer dependerá muito do transformador.
Todos os capacitores eletrolíticos usados nesta fonte de alimentação são taiuaneses (da Teapo e da CapXon). Os dois grandes capacitores do dobrador de tensão são rotulados a uma temperatura de 85º C, enquanto que todos os outros capacitores menores são rotulados a uma temperatura de 105º C. |