Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela Tagan – especialmente porque estamos falando de uma fonte de alimentação de mais de 1.000 watts.
Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.
Esta fonte de alimentação usa duas pontes de retificação GBU1006 em seu estágio primário, que pode fornecer até 10 A de corrente em modo contínuo (a 100ºC) cada. Dessa forma a corrente total que a seção de retificação desta fonte de alimentação pode suportar é de 20 A. Só para efeito de comparação, a Enermax Galaxy 1000 W usa duas pontes de 20 A, o que significa que ela pode suportar o dobro: 40 A.
O circuito PFC ativo desta fonte de alimentação utiliza três transistores de potência MOSFET (20N60C3 – o mesmo usado por várias outras fontes de alimentação que já vimos, como a Antec Neo 550 HE, Cooler Master iGreen Power 430 W, Corsair HX620W, Thermaltake Toughpower 750 W, OCZ GameXstream 700 W e Zalman ZM600-HP). Esta fonte da Tagan, a OCZ GameXstream 700 W e a Zalman ZM600-HP são as únicas que vimos com um projeto como este. Todas as outras fontes de alimentação de alto desempenho que vimos até hoje usavam apenas dois transistores (exceto a Enermax Galaxy 1000 W, que usa quatro transistores). Cada transistor 20N60C3 pode suportar até 300 A (a 25ºC) em modo pulsante (que é o caso).
Em vez de usar apenas um capacitor eletrolítico em seu circuito PFC ativo, esta fonte usa dois de 1.200 µF x 200 V ligados em série, que equivale a um capacitor de 600 µF x 400 V. Outras fontes com circuito PFC ativo que vimos têm capacitores com valores mais baixos, tipicamente 470 µF e até mesmo 165 µF no caso da Enermax Galaxy 1000 W (que usa dois 330 µF x 450 V em paralelo). Os capacitores eletrolíticos usados aqui são japoneses da Toshin Kogyo (TK), mas os capacitores eletrolíticos encontrados no secundário são da taiuanesa Teapo.
Os componentes do PFC ativo (bobina, diodo, e termistor NTC) desta fonte de alimentação estão posicionados em locais diferentes se comparados com a configuração mais usual. Para elucidar isto, desenhamos o esquema do circuito PFC ativo desta fonte de alimentação e comparamos com o projeto mais usual, veja na Figura 21.
 clique para ampliar Figura 21: PFC ativo.
Na seção de chaveamento desta fonte são usados quarto transistores de potência MOSFET 20N60C3, o mesmo tipo usado no circuito PFC ativo. Sem olhar para o circuito desta fonte de alimentação acharíamos que a Tagan usou o mesmo projeto que a Enermax usou em sua Galaxy 1000 W: dois transistores alimentando cada transformador, fazendo dois circuitos primário e secundário completamente separados. No entanto, ao olharmos cuidadosamente para este circuito, nós descobrimos que a Tagan (ou melhor, a Topower) decidiu usar um projeto que, bem, definitivamente não usaríamos se fossemos seus engenheiros.
Para uma melhor compreensão do que iremos explicar desenhamos um diagrama em blocos simples do que achamos ser um excelente projeto para uma fonte de alimentação de 1.000 W (na verdade, o mesmo projeto usado pela Enermax Galaxy 1000 W) e o projeto usado pela Tagan TurboJet 1100 W. Preste atenção cuidadosamente na Figura 22.
 clique para ampliar Figura 22: Projeto usado pela Tagan TurboJet TG1100-U95.
Em nosso projeto recomendado, existem dois circuitos primários e secundários completos e independentes, como se fossem duas fontes de alimentação completas dentro da carcaça de uma. Na verdade a única coisa que esses dois circuitos compartilham são as linhas +Bus e –Bus do circuito PFC ativo. Este projeto é o único que pode realmente fornecer mais de 1.000 watts de potência.
Na Tagan TurboJet TG1100-U95 existe apenas um circuito chaveador. Apesar de existirem quatro transistores, dois deles são conectados em paralelo aos outros dois apenas para aumentar a corrente/potência que este único circuito chaveador pode fornecer (o projeto do chaveador, a propósito, é de chaveamento direto com dois transistores). O que é irônico é que em termos de custo os dois projetos custam a mesma coisa.
Portanto apesar de esta fonte da Tagan ter dois transformadores, eles não são independentes, já que os mesmos transistores os alimentam.
Mas o que realmente é ruim nessa fonte é o que a Topower escolheu usar em seu secundário. Como você pode ver, esta fonte de alimentação tem apenas um estágio de filtragem de +12V. Desta forma a saída de todos os retificadores de +12V são ligadas juntas e filtradas por apenas duas bobinas (uma grande e uma outra menor) e três capacitores eletrolíticos. Como mencionamos exaustivamente em artigos anteriores, as bobinas e os capacitores são os principais responsáveis por limitar a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer, já que os retificadores usados geralmente possuem uma potência muito acima do que a fonte é capaz de fornecer. Com base no tamanho das bobinas e capacitores eletrolíticos encontrados aqui podemos com certeza afirmar que esta fonte de alimentação não pode fornecer os 960 W rotulados pela Tagan para sua potência combinada de +12 V. Esta potência poderia apenas ser obtida se esta fonte de alimentação usasse duas seções de filtragem de +12 V independentes.
Nós não temos um testador de carga dinâmica, mas nossos amigos do Planet3Dnow.de têm um (um Chroma 8000). Eles testaram esta fonte de alimentação da Tagan a 25º C e ela queimou quando eles tentaram aumentar a potência além de 768 W nas linhas de +12 V, o que corrobora o que dissemos acima. Só a título de informação, eles testaram a Galaxy 1000 W da Enermax e ela forneceu até 1.050 W a 50º C, o que é realmente impressionante. |