O segundo maior problema com praticamente todos os testes de fontes de alimentação é o uso de uma carga inadequada.
Alguns sites usam micros comuns em seus testes de fontes de alimentação. O problema é que fontes de alimentação de alto desempenho atualmente podem fornecer pelo menos 600 W e micros comuns não conseguem extrair toda potência que a fonte pode fornecer. Mesmo se você usar um micro topo de linha com dois processadores, vários discos rígidos e até mesmo com quatro placas de vídeo, não conseguirá dizer qual a quantidade de potência que o micro está puxando em um determinado momento e nem mesmo a quantidade de potência que foi capaz de extrair da fonte, já que não está usando qualquer dispositivo de medida.
Uma metodologia que algumas publicações usam é configurar uma carga passiva, conectando a fonte de alimentação a uma série de resistores de fio. Com isto você pode dizer qual é a quantidade de corrente e de potência que a fonte de alimentação está fornecendo aplicando a lei de Ohm (I = V/R ou P = V^2 / R), já que a tensão e a resistência são conhecidas. Apesar de esta ser uma idéia interessante, também existem alguns problemas com sua utilização. Primeiro, você precisará construir uma rede de resistores para cada saída a ser testada ao mesmo tempo (já vimos algumas publicações adicionarem uma rede de resistores em apenas uma das saídas da fonte ou em todas as saídas, mas em momentos diferentes, não ao mesmo tempo). Segundo, você pode ver fumaça saindo dos resistores, já que eles esquentarão muito e poderão queimar (algumas publicações colocam ventoinhas sobre os resistores). Terceiro, este é um teste de carga passiva e os computadores são sistemas dinâmicos, o que significa que eles podem extrair muita potência em um dado momento e então reduzir o consumo segundos depois e então aumentar o consumo novamente após mais alguns segundos. Com uma carga passiva igual a esta você também não será capaz de medir automaticamente várias características importantes como eficiência e proteções.
Eficiência é a relação entre a quantidade de potência que a fonte de alimentação consegue fornecer e a quantidade de potência que a fonte extrai da rede elétrica. Com a metodologia descrita acima a eficiência pode ser calculada se você incluir um medidor de potência AC na entrada AC da fonte de alimentação. Como você terá a quantidade de potência DC que a fonte está fornecendo e a quantidade de potência AC que a fonte está puxando da rede elétrica, a eficiência será dada pela fórmula potência DC / potência AC.
A melhor maneira de testar fontes de alimentação é usar um testador de carga ativo, como o Chroma 8000. Esta máquina medirá com precisão a corrente máxima e a potência que a fonte de alimentação é capaz de fornecer e também medirá vários outros parâmetros e recursos, como todas as proteções da fonte. O único problema com esta ferramenta é que ela custa, nos EUA, quase US$ 50.000.
Existem outros testadores de carga no mercado que têm uma série de resistores de fio internamente e portanto os comentários sobre carga de resistor são também válidos para tais máquinas.
Nós mencionamos na página anterior a metodologia sugerida por um dos engenheiros da Intel, o Andrew Watts. Sua metodologia consiste em adicionar um sensor de corrente em cada saída da fonte de alimentação e conectá-los a um osciloscópio digital e a um coletor de dados e, em seguida, conectar o coletor de dados ao micro e rodar um programa de monitoramento. Esta metodologia é muito interessante. O problema é que você ainda precisa de um micro para gerar a carga do sistema. Se você quiser dar uma olhada melhor nesta metodologia – que pode ser mais barata do que comprar um Chroma -, clique aqui para fazer o download da apresentação em PDF. Abaixo você pode ver também algumas fotos da placa criada pelo Adrew para conectar os sensores de corrente entre a fonte de alimentação e o micro (os conectores BNC são usados para conectar o osciloscópio digital) e também algumas fotos do sistema montado e funcionando.
Note que o osciloscópio e o micro conectado ao coletor de dados está medindo a corrente consumida pelo micro (e consequentemente a potência, através da fórmula P = V x I), não as tensões da fonte de alimentação.
 clique para ampliar Figura 1: Placa com os sensores de corrente.
 clique para ampliar Figura 2: Placa conectada entre a fonte de alimentação e o micro usada como carga.
 clique para ampliar Figura 3: Coletor de dados, multímetro digital e osciloscópio digital.
 clique para ampliar Figura 4: Programa de monitoramento (ele está medindo o consumo da fonte).
Como você pode ver na Figura 4, o programa pode dizer o consumo da fonte para cada saída, o consumo total da fonte e também a eficiência da fonte. |