Para quem não está acostumado, à primeira vista esta parece ser uma ótima fonte de alimentação, especialmente se você comparar seu estágio de filtragem de transientes com o de outras fontes de alimentação de baixo custo, mesmo esta fonte não tendo um varistor. Mas quando olhamos mais detalhadamente esta fonte, tomamos um susto: seu projeto é simplesmente ridículo. Em vez de usar um projeto moderno com transistores MOSFET, seu primário utiliza o mesmo projeto usado em fontes de alimentação AT. Isto mesmo, você não leu errado: esta fonte de alimentação utiliza um projeto de fontes AT, para lá de obsoleto, em seu primário. Nós nem mesmo falamos sobre este projeto em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas por achar que ninguém mais usaria um projeto como este. A propósito, este é o mesmo desenho usado pela Seventeam ST-420BKV.
O principal problema deste projeto é a eficiência. Os transistores FET têm alta impedância e, quanto maior a impedância, menos potência o componente irá consumir do circuito para sua própria operação – o que significa menores níveis de consumo e desperdício de energia. Como esta fonte de alimentação utiliza transistores comuns em seu estágio de chaveamento, ela não pode ter uma eficiência alta – fontes de alimentação que utilizam transistores comuns têm uma eficiência típica entre 50% e 60%.
Uma fonte de alimentação com eficiência de 60% significa que 40% do que ela consome da rede elétrica é desperdiçado dentro da fonte. Por exemplo, se o seu computador está consumindo 300W da fonte de alimentação, a fonte está na verdade consumindo 500 W da rede elétrica – o resto é consumido pela fonte e desperdiçado na forma de calor. Sim, isto é muito ruim, pois resulta em aumento na conta de luz.
Fontes de alimentação sem PFC “de marca” concorrentes não utilizam mais este projeto; todas elas utilizam transistores MOSFET em uma das configurações descrita em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas. É simplesmente inadmissível que um fabricante use um projeto obsoleto como este nos dias de hoje.
Bem, vamos dar uma olhada melhor em seu primário. Como comentamos na página anterior, em vez de usar uma ponte retificadora, esta fonte usa quatro diodos 1N5408, que suportam até 3 A cada, ou seja, 12 A no total.
Na seção de chaveamento são usados dois transistores NPN de potência 2SD209L na mesma configuração usada em fontes de alimentação AT antigas, como mencionamos anteriormente. Cada transistor tem uma corrente máxima rotulada de 12 A (a 25ºC). Só a título de comparação, a Seventeam ST-420BKV usa dois transistores de 15 A.
 clique para ampliar Figura 16: Dois transistores NPN de potência são usados na seção de chaveamento.
Na Figura 17 você pode ver o diagrama esquemático de uma antiga fonte de alimentação AT. O estágio primário da Leadership Gamer Wireless 700 W utiliza exatamente o mesmo esquema. O secundário é diferente, mas falaremos sobre isto adiante.
 clique para ampliar Figura 17: Diagrama esquemático de uma fonte de alimentação AT antiga. Esta fonte utiliza o mesmo projeto em seu primário.
Esta fonte de alimentação utiliza três retificadores Schottky em seu secundário, um para cada saída positiva (+12 V, +5 V e +3,3 V). A única vantagem dessa fonte em relação às fontes “totalmente” genéricas é que nesta fonte a saída de +3,3 V usa um retificador em separado, porém compartilhando a mesma saída do transformador que é usada pela saída de +5 V. Em fontes ATX antigas, a saída de +3,3 V era feita usando um regulador de tensão conectado à saída +5 V.
 clique para ampliar Figura 18: Retificadores de potência usados no secundário.
A saída de +12 V é produzida por um retificador Schottky F16C20C, que suporta até 16 A (a 150º C). Dessa forma a saída de +12 V tem uma potência máxima teórica de 192 W, uma discrepância absurda para o que está rotulado na etiqueta (falaremos mais sobre isso na próxima página). A corrente máxima que esta linha pode fornecer dependerá de outros componentes usados, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola do fio e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso.
A saída de + 5V é produzida por um retificador Schottky SBL3045, que suporta até 30 A (a 105º C). Dessa forma a saída de +5 V tem uma potência máxima teórica de 150 W. Mais uma discrepância absurda que falaremos na próxima página.
A saída de +3,3 V também é produzida por um retificador Schottky SBL3045. Dessa forma a saída de +3,3 V tem uma potência máxima teórica de 99 W. Outra discrepância que abordaremos a seguir.
Apesar de as linhas +5 V e +3,3 V terem retificadores separados, elas compartilham a mesma saída do transformador. Portanto a corrente máxima que essas linhas podem fornecer dependerá muito do transformador. |