O projeto usado nesta fonte de alimentação é simplesmente ridículo. Em vez de usar um projeto moderno com transistores MOSFET, seu primário utiliza o mesmo projeto usado em fontes de alimentação AT. Isto mesmo, você não leu errado: esta fonte de alimentação utiliza um projeto de fontes AT, para lá de obsoleto, em seu primário. Nós nem mesmo falamos sobre este projeto em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas por achar que ninguém mais usaria um projeto como este.
O principal problema deste projeto é a eficiência. Os transistores FET têm alta impedância e, quanto maior a impedância, menos potência o componente irá consumir do circuito para sua própria operação – o que significa menores níveis de consumo e desperdício de energia. Como esta fonte de alimentação utiliza transistores comuns em seu estágio de chaveamento, ela não pode ter uma eficiência alta – fontes de alimentação que utilizam transistores comuns têm uma eficiência típica entre 50% e 60%.
Uma fonte de alimentação com eficiência de 60% significa que 40% do que ela consome da rede elétrica é desperdiçado dentro da fonte. Por exemplo, se o seu computador está consumindo 300W da fonte de alimentação, a fonte está na verdade consumindo 500 W da rede elétrica – o resto é consumido pela fonte e desperdiçado na forma de calor. Sim, isto é muito ruim, pois resulta em aumento na conta de luz.
Fontes de alimentação sem PFC “de marca” concorrentes não utilizam mais este projeto; todas elas utilizam transistores MOSFET em uma das configurações descrita em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas. É simplesmente inadmissível que um fabricante use um projeto obsoleto como este nos dias de hoje.
Bem, vamos dar uma olhada melhor em seu primário. Esta fonte usa uma ponte retificadora KBL406, que pode fornecer até 4 A (a 50ºC). Nenhum dissipador de calor foi usado para refrigerar este componente. Este é o retificador mais sem vergonha que vimos até hoje.
Na seção de chaveamento são usados dois transistores NPN de potência 2SC2625 na mesma configuração usada em fontes de alimentação AT antigas, como mencionamos anteriormente. Cada transistor tem uma corrente máxima rotulada de 10 A a 25º C (ou 20 A em corrente de pico).
 clique para ampliar Figura 12: Dois transistores NPN de potência são usados na seção de chaveamento.
Na Figura 13 você pode ver o diagrama esquemático de uma antiga fonte de alimentação AT. O estágio primário da Leadership Casemod 550 W utiliza exatamente o mesmo esquema. O secundário é um pouco diferente, mas falaremos sobre isto adiante.
 clique para ampliar Figura 13: Diagrama esquemático de uma fonte de alimentação AT antiga. Esta fonte utiliza o mesmo projeto em seu primário.
Esta fonte de alimentação utiliza três retificadores Schottky em seu secundário, um para cada saída positiva (+12 V, +5 V e +3,3 V). A única vantagem dessa fonte em relação às fontes “totalmente” genéricas é que nesta fonte a saída de +3,3 V usa um retificador em separado, porém compartilhando a mesma saída do transformador que é usada pela saída de +5 V. Em fontes ATX antigas, a saída de +3,3 V era feita usando um regulador de tensão conectado à saída +5 V.
 clique para ampliar Figura 14: Retificadores de potência usados no secundário.
A saída de +12 V é produzida por um retificador Schottky STPR1020CT, que suporta até 10 A (a 110º C). Dessa forma a saída de +12 V tem uma potência máxima teórica de 120 W, uma discrepância absurda para o que está rotulado na etiqueta (falaremos mais sobre isso na próxima página). A corrente máxima que esta linha pode fornecer dependerá de outros componentes usados, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola do fio e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso.
A saída de + 5V é produzida por um retificador Schottky SBL3040PT, que suporta até 30 A (a 95º C). Dessa forma a saída de +5 V tem uma potência máxima teórica de 150 W. Mais uma discrepância absurda que falaremos na próxima página.
A saída de +3,3 V também é produzida por um retificador Schottky SBL3040PT (30 A a 95ºC). Dessa forma a saída de +3,3 V tem uma potência máxima teórica de 99 W. Outra discrepância que abordaremos a seguir.
Apesar de as linhas +5 V e +3,3 V terem retificadores separados, elas compartilham a mesma saída do transformador. Portanto a corrente máxima que essas linhas podem fornecer dependerá muito do transformador. |