O overclock da freqüência de operação externa do processador é feito alterando-se a configuração da placa-mãe, através de jumpers ou através do setup, dependendo do modelo da placa-mãe. As configurações de clock possíveis dependem da placa-mãe, mais especificamente de um circuito chamado gerador de clock. Os geradores de clock mais simples permitem somente as configurações de clock padrão (66 MHz, 100 MHz e 133 MHz). Os geradores de clock mais usados permitem várias configurações de clock, como, por exemplo, 66 MHz, 75 MHz, 83 MHz, 100 MHz, 110 MHz, 120 MHz e 133 MHz, possibilitando o overclock. Quanto mais avançado o circuito gerador de clock, mais freqüências de operação ele é capaz de gerar e maior é a sua freqüência de operação máxima. Na Figura 1 vemos o detalhe do gerador de clock Realtek RTM520-39D, usado por inúmeras placas-mãe.
 clique para ampliar Figura 1: Gerador de clock Realtek RTM520-39D
Se você aumentar o clock externo de um Pentium II-400 de 100 MHz para 110 MHz, por exemplo, você terá o seu processador trabalhando internamente a 440 MHz (já que este processador multiplica o seu clock externo por quatro). Além disso, o acesso à memória RAM será mais rápido, já que passará a ser feito a 110 MHz em vez de 100 MHz. O barramento PCI também terá o seu clock aumentado de 33 MHz para 36 MHz (no caso do barramento de 100 MHz, o clock do barramento PCI é obtido dividindo-se esse clock por três).
Isso significa duas coisas. Primeiro: aumentando o clock externo do processador você aumenta não só o desempenho de processamento da máquina, mas o desempenho do micro todo, já que você aumentará a velocidade de acesso de todos os dispositivos da máquina, como a memória RAM, a placa de vídeo e o disco rígido (o disco rígido é conectado ao micro através da porta IDE, que por sua vez é conectada internamente ao barramento PCI).
E, segundo, ao mesmo tempo que essa característica aumenta o desempenho do micro, ao mesmo tempo diminui as chances de o overclock funcionar, já que todos os componentes estarão trabalhando acima do clock especificado: memória RAM, chipset, placa de vídeo, disco rígido etc. É por esse motivo que o overclock pode não funcionar.
Dessa forma, se você pretende aumentar as chances de o overclock funcionar, além de escolher uma placa-mãe que possua um bom gerador de clock, você deve prestar atenção ao clock máximo que o fabricante do chipset diz que ele suporta. Por exemplo, o chipset Intel 810 é especificado para funcionar somente a até 100 MHz. Assim, se você configurar um clock acima de 100 MHz em uma placa-mãe que use esse chipset, o chipset estará trabalhando em overclock, diminuindo as chances de o overclock funcionar. Além disso, o ideal é você usar uma memória RAM que trabalhe com um clock acima do clock padrão do processador (por exemplo, usar uma memória PC-133 em vez de PC-100). |