A Intel lançou recentemente o seu novo modelo de chipset para processadores Pentium 4, o Intel 845. O chipset, para quem não sabe, é o conjunto de circuitos de uma placa-mãe. Entre outras coisas, o chipset define o tipo e a quantidade máxima de memória RAM que a placa-mãe aceita.
O Pentium 4 utiliza um barramento externo de 100 MHz, porém transferindo quatro dados por pulso de clock em vez de um, como é o usual. Com isso, o seu barramento externo possui um desempenho quatro vezes superior ao de processadores tradicionais que usam um barramento externo de 100 MHz, como o Pentium II acima de 350 MHz e vários modelos do Pentium III. Daí o porque da Intel estar divulgando que o Pentium 4 possui um barramento de 400 MHz. Na verdade, o barramento do Pentium 4 não é de 400 MHz, mas sim de 100 MHz, mas tem o mesmo desempenho como se ele estivesse operando a 400 MHz, já que transfere quatro dados por pulso de clock, em vez de apenas um.
Essa idéia não é exatamente nova. Os processadores Athlon e Duron operam em um esquema parecido, transferindo dois dados por pulso de clock em vez de um. Esses processadores da AMD podem operar externamente a 100 MHz ou 133 MHz, mas como transferem dois dados por pulso de clock, possuem um desempenho como se estivessem operando externamente a 200 MHz ou 266 MHz (embora fisicamente o clock seja de 100 MHz ou 133 MHz).
O grande problema em transferir mais dados por pulso de clock é em relação à memória RAM. A memória RAM tradicionalmente transfere apenas um único dado por pulso de clock. O único tipo de memória capaz de acompanhar a velocidade externa do Pentium 4 é a memória Direct Rambus (D-RDRAM), e por isso os primeiros chipsets para Pentium 4 lançados pela Intel - o Intel 850 e o Intel 860 - aceitam somente esse tipo de memória. O grande problema com a memória Rambus é o seu alto preço. Assim, uma máquina utilizando o processador Pentium 4 acaba saindo uma pequena fortuna, já que todos os componentes necessários para montar essa máquina foram lançados recentemente no mercado (processador, placa-mãe, memória e fonte de alimentação) e todos nós sabemos que quando um componente acaba de ser lançado seu preço está lá nas alturas.
A AMD nesse ponto foi muito mais esperta. Os primeiros chipsets para Athlon e Duron lançados no mercado aceitavam memórias SDRAM PC-100 e PC-133 tradicionais (e extremamente baratas). Tudo bem que isso fazia com que o recurso do processador transferir dois dados por pulso de clock para a memória não fosse aproveitado, já que as memórias SDRAM transferem apenas um dado por clock, mas em compensação acelerou a entrada desses processadores no mercado, já que as memórias DDR-SDRAM e Rambus, que são memórias que conseguem transferir dois dados por pulso de clock, eram (e ainda são) muito caras, o que tornaria um micro com esses processadores um absurdo de caro na época, além da dificuldade de se encontrar esse tipo de memória no mercado. Ou seja, os processadores Athlon e Duron em conjunto com memórias SDRAM estão operando abaixo de sua capacidade máxima de transferência.
A importância desse novo chipset da Intel é justamente essa: ele aceita memórias SDRAM PC-100 e PC-133 tradicionais, barateando o preço dos micros baseados no processador Pentium 4. Em contrapartida, o desempenho do barramento do processador será quatro vezes menor do que a sua capacidade máxima. |