Como o codec é o responsável pelas conversões digital/analógico e analógico/digital, a qualidade do áudio analógico depende exclusivamente da qualidade do codec usado na placa-mãe. Existem vários parâmetros que podem ser usados para julgar a qualidade de um codec de áudio. Abaixo nós listamos os principais parâmetros que você deve usar para comparar codecs (e conseqüentemente a qualidade do áudio on-board de uma placa-mãe) e os valores mais comuns para cada parâmetro. Quanto maior o número, melhor. - Canais: 2, 4, 6 (5.1), 8 (7.1) ou 10 (8+2).
- Resolução: 16 bits, 18 bits, 20 bits ou 24 bits.
- Taxa de amostragem: 44,1 KHz, 48 KHz, 96 KHz ou 192 KHz.
- Relação sinal/ruído (SNR): 80 até acima de 100 dB.
É importante notar que vários codecs oferecem um valor para suas entradas diferente do valor oferecido por suas saídas – por exemplo, oferecendo uma taxa de amostragem de até 192 KHz para suas saídas, mas apenas até 96 KHz para suas entradas (como é o caso do codec Realtek ALC888S mostrado na Figura 8). Isto acontece porque enquanto todos os usuários usam a saída de áudio da placa-mãe e podem julgar a qualidade de áudio ouvindo o áudio produzido pelo micro, apenas alguns poucos usuários usam a entrada “line in” da placa-mãe (vários usuários usam a entrada “mic in” para aplicações como Skype, mas como esta entrada é usada apenas para voz humana, a qualidade não precisa ser a melhor). Baseado neste fato os fabricantes de codecs oferecem codecs baratos com baixas especificações para suas entradas, que são escolhidos pelos fabricantes da placa-mãe de modo a reduzir custos. Todavia você encontrará codecs com alta qualidade para suas entradas em algumas placas-mãe topo de linha (e muito caras). A propósito, no datasheet (documento técnico) do codec ou página contendo as especificações técnicas no site do fabricante as saídas são normalmente referenciadas como “DAC” e as entradas são normalmente referenciadas como “ADC”. Isto ajudará você a descobrir as especificações de um dado codec. Vamos agora explicar em detalhe cada item da lista acima. O número de canais é a quantidade de saídas de som independentes que a placa de som possui. Antigamente as placas de som tinham somente dois canais – esquerdo e direito, isto é, som estéreo. Então veio o som surround básico com quatro canais, com duas caixas (esquerda e direita) na frente e duas caixas (esquerda e direita) atrás. Atualmente essas duas opções são encontradas apenas ou em placas-mãe muito antigas ou em placas-mãe muito simples. O número mínimo de canais que você encontrará atualmente é seis, também conhecido como 5.1. Este é o mesmo padrão de áudio usado pelos DVDs. Aqui nós temos duas caixas frontais, duas caixas traseiras, uma caixa central (principalmente usada para voz; por exemplo, em canais de notícias ou em filme quando o narrador ou personagem está falando o som sairá desta caixa) e uma canal subwoofer – também chamado LFE (Low Frequency Effects, Efeitos de Baixa Freqüência) –, que é responsável por criar uma experiência mais realista reforçando sons de baixa freqüência (graves). O áudio de oito canais, também chamado 7.1, oferece as mesmas especificações do áudio 5.1, mas com a adição de duas caixas entre a caixa frontal e a caixa traseira, uma em cada lado (esquerda e direita). Essas caixas também são conhecidas como caixas intermediárias. Este é o mesmo padrão usado por discos de alta definição, ou seja, HD-DVD e Blu-Ray. E finalmente a mais nova adição é o áudio de 10 canais, que é um nome inapropriado, já que ele não adiciona mais dois canais ao sistema surround, mas oferece dois canais independentes (esquerdo e direito) para os fones de ouvido. Este sistema é melhor descrito como 8+2. Em todos os outros sistemas o conector para fones de ouvido localizado no painel frontal do gabinete é conectado em paralelo com a saída de linha (caixas frontais) e conseqüentemente oferece o mesmo som que é enviado para as caixas frontais. No sistema 8+2 o conector para fones de ouvido frontal é independente das caixas de som frontais e programas podem enviar um sinal de áudio diferente para os fones de ouvido enquanto estiver tocando outro som nas caixas frontais. Pense em jogos que usam tecnologia de voz sobre IP (VoIP) como o Battlefield, onde os usuários podem conversar entre sim através de fones de ouvido e microfones, e você rapidamente verá os benefícios deste sistema: usuários não ouvirão no fones de ouvido os sons do jogo como explosões e tiros, apenas as conversas com outros usuários, enquanto mantém os sons dos jogos tocando ao mesmo tempo em todas as caixas. A resolução ou taxa de amostragem são dois parâmetros que tomariam muito tempo para explicarmos exatamente o que são. Nós já escrevemos um tutorial chamado Como Conversores Analógico/Digital Funcionam onde explicamos esses parâmetros em detalhes. Se você não quer ler este tutorial basta saber que quanto maior esses números, melhor é a qualidade de áudio. E finalmente nós temos a relação sinal/ruído, também chamada SNR (Signal-to-Noise Ratio), que mede o nível de ruído produzido pelo codec. Em nossa opinião este é o parâmetro que o usuário médio deveria prestar atenção. Lembre-se que o que estamos falando aqui é o ruído produzido pelo codec, não o ruído que já está embutido na fonte de áudio. Este parâmetro não tem nada a ver com o ruído que já está dentro de um arquivo de vídeo ou um arquivo MP3 que você tenha. Para entender o que estamos falando, faça uma experiência simples. Em casa, encontre um aparelho de som que ainda tenha um toca-fitas. Coloque uma fita para tocar, pressione a tecla “pause” e aumente o volume. Você ouvirá muito ruído (tecnicamente chamado ruído branco) que está sendo produzido pelo toca fitas e não está dentro da fita que você está tocando (já que ela está parada). Este é o ruído que estamos falando. Claro que você não quer uma placa-mãe que insira ruído em seu som. A relação sinal/ruído é medida em uma unidade chamada decibel (dB). Quanto maior este número, melhor. Idealmente você deveria ter uma placa-mãe com um codec que tenha uma relação sinal/ruído de pelo menos 100 dB para a melhor qualidade de áudio possível. Codecs mais simples oferecem uma relação sinal/ruído de 96 dB ou 97 dB, que é “quase lá” e oferecerá uma qualidade de áudio muito boa para o usuário comum. O problema, no entanto, é a relação sinal/ruído para as entradas de áudio. A relação sinal/ruído divulgada pelo fabricante da placa-mãe ou do codec é para as saídas analógicas do codec. Como explicamos os fabricantes de placas-mãe normalmente escolhem um codec com especificações de entrada mais baixas do que as especificações de saída. Se você planeja trabalhar com captura e edição de áudio analógico – converter fitas VHS para DVD, converter fitas e LPs para MP3 ou CD e tarefas similares – então você deve comprar uma placa-mãe (ou uma placa de som avulsa) que use um codec que ofereça uma relação sinal/ruído de pelo menos 95 dB em sua entrada. Abaixo disto você ouvirá ruído em seu trabalho, o que é ruim já que sujará seu nome perante aos seus clientes. Infelizmente codecs simples oferecem uma relação sinal/ruído de entrada de 90 dB ou de até mesmo 85 dB, o que é um valor muito ruim. Claro que você apenas precisa se preocupar com esta questão se você for trabalhar com captura e edição de áudio analógico. Se este não é o seu caso – como não é o caso da maioria dos usuários – você não deve se preocupar com isto. Agora que você conhece as especificações básicas de um codec você será capaz de comparar a qualidade de áudio de diferentes codecs (e de placas-mãe) disponíveis no mercado.Para facilitar compilamos uma série de tabelas contendo as especificações básicas dos principais codecs de áudio encontrados no mercado. |