Ir ao conteúdo
Entre para seguir isso  

Algumas Opiniões Sobre o Mercado de Manutenção

       
 36.176 Visualizações    Editoriais  
 0 comentários

Opiniões de Gabriel Torres a respeito do mercado de informática.

Algumas Opiniões Sobre o Mercado de Manutenção
Gabriel Torres Editor executivo do Clube do Hardware

A entrevista abaixo foi dada a Marcelo Gregatti, responsável pelo portal da EscelsaNet e traz diversas opiniões pessoais sobre o mercado de manutenção de micros, que acredito serem de interesse de todos os visitantes do Clube do Hardware.

Você começou a escrever livros técnicos com qual intuito? Foi a convite de alguém ou iniciativa própria?

Eu havia criado o meu próprio Curso de Hardware e sentia necessidade de um material didático de qualidade. Os livros existentes na época podiam ser classificados em três categorias: de autores nacionais ruins (isto é, superficiais demais), de autores estrangeiros traduzidos (que possuíam inúmeros erros de tradução e não estavam adaptados à realidade brasileira) e os livros importados (que, além de caros, não dava para todos lerem, já que estavam em inglês). Sim, comecei a escrever por iniciativa própria.

Dos 13 livros que você possui hoje publicados, existe algum que você nos dias de hoje não escreveria? Porquê?

Não, eu adoro todos os livros que escrevi, apesar de os mais antigos estarem totalmente obsoletos.

Fazendo um panorama atual das assistências técnicas no Brasil, qual sua opinião geral?

O que mais falta nas assistências técnicas é profissionalismo. Por causa do problema educacional do nosso país, as pessoas não investem em sua própria formação profissional. Querem aprender tudo "de graça", e sem qualquer tipo de esforço. Só que nada cai do céu. Para se tornar um bom profissional deve-se investir muito tempo e determinação em sua profissão.

Você acredita que os técnicos de computadores de hoje, caso não se atualizem em novas tecnologias integradas do tipo telefonia móvel celular, web-tv entre outras estarão obsoletos?

Sim e não. Muitas dessas tecnologias estão começando a surgir agora e não sabemos ainda se irão "pegar". É bom estar antenado com as novas tecnologias, mas estudar a fundo uma tecnologia que poderá ficar obsoleta (isto é, "não pegar") pode acabar sendo perda de tempo. Eu acho que os técnicos tem de se preocupar em estudar as tecnologias diretamente ligadas à área de informática (novos processadores, por exemplo) do que praticar "futorologia". É incrível a quantidade de técnicos que sabem tudo sobre as novidades e projetos para o futuro, mas são profissionalmente ruins por não terem o conhecimento adequado das atuais e antigas tecnologias. Eu sou particularmente mais favorável que se estude as tecnologias antigas e consagradas, pois o que temos hoje é uma evolução do passado. Entendendo o passado, entendemos o presente e podemos dar palpites mais acertados em relação ao futuro.

Estamos observando hoje em dia, uma queda muito grande na valorização do serviço técnico de manutenção de micros. Na época do 386DX-40, um técnico cobrava R$50,00/hora e hoje vê-se técnicos cobrando R$10,00/hora. Porque isto está acontecendo? Falta de educação?

Falta de profissionalismo. Somente técnicos ruins cobrarão R$ 10 por hora. Técnicos bons continuarão cobrando R$ 50 ou até mais. Essa coisa de se basear nos outros é furada. Isto é, você deve fazer o seu próprio preço baseado em seu grau de profissionalismo e know-how. Não desmereça o seu serviço só porque há "técnicos" que cobram R$ 10. Com certeza a qualidade do serviço de um técnico de R$ 10,00 é muito inferior ao de um de R$ 50. Os clientes com o tempo acabam aprendendo isso: atraídos pelo preço, chamam um desses "técnicos" que cobram barato. Só que eles não resolvem o problema. E chamam outro, e mais outro, e mais outro, até que ele decide contratar um técnico de verdade (de R$ 50), que consegue resolver o problema dele. No final das contas, o técnico de R$ 10 acabou saindo mais caro...

Para um profissional que está em início de carreira, como ele deve proceder na hora de fazer um currículo?

No início da carreira você deve estudar muito. Minha opinião pessoal nesse ponto é que o profissional estude bastante tecnologias antigas e consagradas e, aos poucos, vá se inteirando sobre o que há de novo. Na hora de fazer um currículo, o ideal é destacar os seus conhecimentos (já que ele não terá muita experiência profissional) e, na entrevista para um emprego, ele acaba "arrebentando" se estiver bem preparado.

Muitas peças que compõem os computadores estão sendo falsificadas, principalmente chipsets e processadores, onde o usuário leigo não faz nem idéia do que está comprando. Caso seja constatado algum ítem falso, a quem o usuário deve recorrer?

O problema da falsificação é que muitos lojistas, por não serem técnicos, também estão por fora. Caso o usuário constante uma memória cache ou um processador falsificado, o precedimento ético a ser tomado é entrar em contato imediatamente com o lojista, explicando CALMAMENTE o fato (nada de exaltações), até porque, como disse, o próprio lojista pode não estar a par da situação e não ser totalmente "culpado" (a única culpa dele nesse caso é a falta de profissionalismo de não querer estar atualizado). Na maioria das vezes o lojista acaba trocando o equipamento e ele mesmo acaba ficando chateado (para não usar outra palavra mais pesada) com o fornecedor dele, e resolve agir contra esse tipo de esquema. Mas se o camarada for irredutível, aí sim o usuário deve recorrer ao Procon/Decon, que resolve esse caso facilmente, marcando uma audiência de reconciliação.

Computadores com memórias de video, som, modem e placa de rede on-board, possuem um rendimento e qualidade inferior aos outros?

Sim. Como você pode constatar em nossos testes publicados no Clube do Hardware, placas-mães com dispositivos on-board possuem desempenho muito inferior. Mas, em contrapartida, o micro torna-se muito mais barato. Dessa forma, há de ser feita a escolha: um micro muito barato, com desempenho de 20 a 30% abaixo do ideal ou então um micro trabalhando no topo de seu desempenho, porém mais caro.

Até que ponto uma boa placa-mãe e um bom disco rígido podem influenciar na performance de uma máquina?

Há diferenças gritantes de desempenho entre placas-mães. Por exemplo, a placa-mãe FIC VA-503 chega a ser mais de 10% mais rápida que a PCChips M598. Muitas vezes acontece de o usuário comprar um micro com uma placa-mãe ruim e achar que o micro inteiro que é ruim. Todos os dias vemos pessoas reclamando que o K6-2 é ruim, que vive travando, mas estudando melhor o caso, descobrimos que a placa-mãe do sujeito é uma M598...

Quanto ao disco rígido, o seu desempenho influi diretamente no desempenho geral da máquina. Como o sistema operacional está constantemente usando um recurso chamado memória virtual - que é a técnica de se gravar informações contidas na memória RAM no disco rígido do micro -, o disco rígido influi no desempenho da máquina, já que, se o processador precisar de alguma informação que foi colocada no disco rígido, é necessário primeiro carregá-la na memória RAM, e isso demora alguns milisegundos, já que o disco rígido é um sistema mecânico. Só para lembrar, a memória RAM trabalha na casa dos nanosegundos, ou seja, na ordem de 1.000 vezes mais rápida.

Para terminarmos, como não poderia deixar de ser... Linux ou Windows?

Comparar o Linux com Windows é como comparar bananas com maçãs. A única semelhança é que ambos são frutas, isto é, sistemas operacionais. O mercado do Linux não é o mesmo do Windows. O Linux é voltado para servidores de rede (mercado corporativo) e, no mercado SOHO, o máximo que pega é a fatia dos heavy-users. A esmagadora maioria dos usuários continuará usando o Windows, por causa do marketing da Microsoft e pela comodidade. Lembro um detalhe importante: apesar de o Linux ser um sistema "grátis", a sua manutenção é bem mais cara do que o Windows (técnicos especialistas em Linux são mais caros do que técnicos especialistas em Windows) e, daí, o grande argumento dos defensores do Linux - que o sistema é grátis - é um grande "furo". Estatísticas mostram que as empresas gastam mais dinheiro com a manutenção/suporte do que com a compra de equipamentos e de softwares. Essa "guerrinha" Windows vs. Linux lembra muito a mesma "guerrinha" Windows 95 vs. OS/2: milhões de usuários "xiitas" querendo provar que o "seu" sistema é melhor. E o que aconteceu? Eu, por escrever para a maioria e não para a minoria, tenho de usar Windows.

Compartilhar



  Denunciar Artigo
Entre para seguir isso  

Artigos similares


Comentários de usuários


Não há comentários para mostrar.



Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário






Sobre o Clube do Hardware

No ar desde 1996, o Clube do Hardware é uma das maiores, mais antigas e mais respeitadas publicações sobre tecnologia do Brasil. Leia mais

Direitos autorais

Não permitimos a cópia ou reprodução do conteúdo do nosso site, fórum, newsletters e redes sociais, mesmo citando-se a fonte. Leia mais

×