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Coisas que me aporrinham

       
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Gabriel Torres fala sobre críticas não-construtivas recebidas.

Coisas que me aporrinham
Gabriel Torres Editor executivo do Clube do Hardware

Como todos vocês já sabem, eu não uso nem nunca usei o espaço do Clube do Hardware para as minhas broncas pessoais. Raramente falo de mim mesmo ou exponho detalhes da operação do Clube do Hardware, como o conteúdo dos e-mails mal-criados que recebo. Prefiro usar o Clube do Hardware para o que ele se propõe: ser um site de informações técnicas. Mas nos últimos três meses venho recebendo reclamações de alguns visitantes a respeito do Clube do Hardware e duras críticas ao meu respeito. Críticas são sempre bem-vindas. Aliás, se não fossem elas, o Clube do Hardware nunca teria chegado onde ele chegou. Mas críticas construtivas, é claro. Críticas sem fundamento eu não dou a menor bola, pois não servem para absolutamente nada. Mas as críticas que tenho recebido ultimamente têm me tirado do sério. As reclamações mais comuns são que eu não atualizo mais o site, que o Clube do Hardware agora só tem propaganda e que eu sou um mercenário e que só penso em dinheiro.

O problema todo é que quem manda esse tipo de e-mail nunca pensou no que está falando, é só vê o lado aparente das coisas. Como disse, quase nunca exponho o lado operacional do Clube do Hardware, e creio que chegou a hora de explicar algumas coisas para ver se o pessoal se toca da besteira que estão dizendo por aí.

Vamos por partes. O Clube do Hardware existe há mais de cinco anos. Aliás, fará seis anos agora em maio de 2002. Nesse tempo todo, arquei com todas as despesas de manter um site desse porte do ar, mesmo que na maior parte das vezes tomando prejuízo feio mês após mês. Se você duvida disso, basta ligar para qualquer empresa de hospedagem de sites e perguntar quanto custa ter um servidor dedicado Pentium III-1000 com tráfego de 100 GB por mês e com um link de 45 Mbps. Fora o custo com funcionários e o custo de escrever material, que é o maior custo (usa o tempo que eu poderia estar usando para escrever novos livros, por exemplo).

Isso sem contar o fato de que, para criticar, aparece um monte de gente. Para ajudar, ninguém. Temos de arcar tudo com nossos próprios recursos. As pessoas reclamam que deveríamos ter testado o produto x ou o produto y... Como se tivéssemos a obrigação de ter dinheiro para comprar os produtos, já que quase nenhum fabricante nos cede material. E todos sabemos que o material de ponta na área de hardware não é nem um pouco barato.

No passado, eu até tentei arcar com os custos de manter o Clube do Hardware criando um serviço premium, que era um serviço de consultoria, onde os usuários pagavam uma quantia (R$ 50 por três meses) e poderiam enviar dúvidas técnicas que eu respondia. Após um ano no ar, o serviço não deu certo, provando a cultura do nosso mercado que a maioria das pessoas não quer pagar para ter a informação correta. Preferem ela de graça, mesmo que seja uma informação errada.

Dessa forma, a única maneira de pagar os custos do Clube do Hardware é através de propaganda, seja através de banners, seja através do nosso boletim de notícias. A maioria das pessoas não tem idéia de como é difícil conseguir anunciantes. Os pequenos anunciantes reclamam que os anúncios são muito caros, e os grandes anunciantes preferem gastar muito mais anunciando em uma página inteira de jornal ou revista do que colocando um banner na página inicial do Clube do Hardware por um décimo do preço.

Só conseguimos captar grandes anunciantes após atacarmos o país onde eles estão localizados: Taiwan. Como muita gente já sabe, em meados de 2001 abrimos um escritório em Taiwan, mais especificamente em Taipé, capital de Taiwan, para conseguirmos captar grandes anunciantes. A partir de outubro de 2001 estamos conseguindo, mês a mês, fechar contratos com os grandes anunciantes na área de hardware de PCs. O nosso primeiro anunciante internacional foi a VIA e, em seguida, a Gigabyte. No momento em que escrevo esse editorial, temos na página inicial do Clube do Hardware anúncios da VIA, Gigabyte, MSI, Chaintech, Intel, AMD, SiS e Soyo.

O mais engraçado é: em vez dos visitantes ficarem felizes que finalmente estamos conseguindo nosso objetivo, que é o de atrair a atenção dos grandes fabricantes para o nosso site e mais ainda, para o mercado Latinoamericano, que normalmente eles desprezam, a única coisa que ganhamos são reclamações e críticas.

Gente, acorda! Botem os neurônios para funcionar! Mais propaganda significa que teremos mais dinheiro para comprar material para testes, para contratar funcionários para atualizar o site com mais freqüência e por aí vai! Fora o contato que estamos tendo com os fabricantes que está nos permitindo ter acesso a informações antes de elas chegarem no mercado! Basta ver que temos atualizado a página inicial do Clube com notícias diariamente! E dá para acreditar que tem gente reclamando que nós temos colocando notícias na página inicial do Clube do Hardware? Caramba! Tem gente que é muito burra! Como se notícias, isto é, ficar por dentro do que está acontecendo no mercado e dos últimos lançamentos em um mercado tão dinâmico como esse, não fosse conteúdo obrigatório para todo bom profissional (e entusiasta) da área!

Então fico recebendo um monte de e-mails de pessoas pedindo para tirarmos a propaganda... Caramba! O próximo que fizer isso eu vou mandar escrever para o Thomas Pabst, do Tom's Hardware Guide, e mandar ele tirar as propagandas do site dele... Esse pessoal parece que nunca entrou em nenhum site internacional sobre hardware... Em todos eles existe propaganda! É a única forma de mater no ar uma estrutura como essa!

Outros pensam só no momento instantâneo "poxa, o Gabriel está agora ganhando muito dinheiro com todos esses grandes anunciantes". Ok. Mas e os outros cinco anos para trás onde eu só tomei ferro? Parece que o pessoal se esquece disso, que mesmo estando faturando agora, continuamos no prejuízo.

A resposta que normalmente dou para esses críticos, e admito que não é a das mais educadas, é a seguinte. Para removermos as propagandas do Clube do Hardware, temos duas opções para nos mantermos: ou mandamos a conta das nossas despesas para a sua casa para você pagar, já que você está tão incomodado com as propagandas, ou então tiramos o site do ar, que é até melhor, pois assim não temos mais prejuízo e não receberemos mais e-mails de babacas como você.

Pessoal, na ponta da caneta, o Clube do Hardware é um projeto, que pelo menos por enquanto, não vale a pena, financeiramente falando. Se eu fosse somente me basear em nossas planilhas, já teria fechado o Clube do Hardware há muito tempo.

O que o Clube do Hardware me dá é projeção, isto é, nome no mercado. Isso todo mundo sabe. O meu negócio principal é escrever livros e ter o Clube do Hardware como ponto de divulgação foi um dos fatores primordiais para me consolidar como o autor brasileiro mais bem sucedido na área de informática. Não estou querendo me gabar. Isso é fato. Os números mostram isso.

Outro ponto comum de críticas é em relação ao preço cobrado em meus livros. Várias pessoas reclamam dos preços, mais caros do que os concorrentes. Esse pessoal não tem a menor idéia de como funciona o mercado editorial, por isso critica. Então deixa eu explicar rapidamente. O autor de um livro ganha direitos autorais. O valor de venda do livro não vai para o autor, mas sim para a livraria. Quem ganha dinheiro com livros não é o autor, mas sim a livraria e a editora. Só para vocês terem uma idéia, a livraria compra os livros pela metade do preço e revende normalmente pelo preço de tabela. Se ela não der desconto algum, a margem de lucro é de 100%! E depois tem livreiro que fica chorando falando que livro não dá dinheiro... Papo para boi dormir!

O preço do livro não sou eu quem defino, mas sim a editora. Ela tem as suas próprias planilhas de cálculo para chegar ao preço final. Mas se vocês repararem, os livros da Axcel Books, minha editora, são mais caros do que os da concorrência porque usam um papel de melhor qualidade, o fotolito é feito em chapa (os da concorrência são feitos em papel vegetal, por isso as ilustrações ficam mal impressas) e meus dois livros mais vendidos são comercializados em capa dura. Tudo isso aumenta o custo, mas em compensação torna o meu trabalho de uma qualidade muito superior ao dos livros concorrentes. Isso só falando no aspecto de acabamento, é claro.

Várias pessoas, não podendo arcar com esses custos, pede doações. Recebo pelo menos três pedidos de gente querendo livro de graça por dia. Olha, através do nosso site os livros são vendidos com desconto e ainda podendo parcelar em várias vezes (o Hardware Curso Completo 4ª Edição, por exemplo, pode ser comprado com 20% de desconto e pago em cinco vezes sem juros). Dessa forma, acho que a crítica de que o livro é caro é verdadeira, mas no final se mostra infundada, já que os meus livros não são um brinquedo, algo que você vai "gastar" dinheiro com eles, mas sim são ferramentas, objetos de estudo para você melhorar profissionalmente. Infelizmente, por conta dos problemas educacionais de nosso país, a mentalidade reinante é que livros são um "gasto" e não um investimento.

Engraçado que os livros de medicina, por exemplo, custam aí na faixa de R$ 300. Cada. E um bom médico precisa de uma porção deles. A diferença é que eles encaram como um investimento. Se as pessoas encarassem livros como um investimento, com certeza a situação profissional e financeira dessas pessoas que fazem esse tipo de crítica hoje seria totalmente diferente.

Veja o meu caso, por exemplo. Tem meses que gasto mais de R$ 1.000 em livros. Antigamente, quando eu não tinha dinheiro, pegava na biblioteca ou emprestado com amigos. Será que o meu sucesso profissional não é diretamente proporcional a quantidade de livros que leio?

Outro ponto que devo deixar claro é que eu não vendo os meus livros. Os livros comercializados através do meu site são vendidos pelo Submarino. Isso ocorre porque no passado eu cheguei a vender meus livros, mas foi tanta aporrinhação que resolvi terceirizar.

Por fim, resta falar sobre o projeto dos CDs-ROM Clube do Hardware. Foi uma idéia boa, que está começando a ter seus resultados financeiros que está permitindo que a gente comece a investir pesado no Clube do Hardware já agora a partir de fevereiro, se tudo der certo.

Esse projeto está servindo para percebermos como tem gente burra no mundo. E engraçado que são as mesmas pessoas que nos criticam. Só um exemplo: um sujeito depositou em nossa conta o dinheiro para receber um CD de manhã e de tarde ele já estava reclamando que o CD não havia ainda chegado! Dá para acreditar? E ficou espalhando por aí que a gente atrasa a entrega do CD! E olha que quando a gente acha que já viu de tudo, sempre tem um que consegue superar o "record" anterior.

Acho que, depois desse super desabafo, deve ter ficado claro o meu ponto de vista. Resumindo:

1. O Clube do Hardware é um projeto que dá prejuízo.

2. A única forma de pagarmos nossas despesas é através de propaganda. Essa mesma técnica é usada por todos os outros sites internacionais.

3. Outra forma de acabarmos com o prejuízo seria fechando o Clube do Hardware.

4. Não ganho dinheiro com o Clube do Hardware. O ganho é divulgar o meu trabalho, o meu nome.

5. Projetos paralelos como a venda de CDs permitem gerar caixa para a compra de material para futuros testes.

6. Quem estipula o preço dos meus livros não sou eu, é a editora. Não sou eu que vendo meus livros. Quem ganha dinheiro com meus livros são as livrarias e a editora.

Se depois disso tudo você ainda tem críticas não construtivas a fazer, vá...

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Comentários de usuários


hueheuheuh Gostei Muuittttooo

PARABENS Gabriel Torres e equipe do Clube do Hardware!!!

desejo muito Sucesso a vocês !!! :-BEER

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