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MTBF: um parâmetro muito mal compreendido
Autor: Gabriel TorresData: 25 de fevereiro de 2010 - 19:44 H

Publicado originalmente em: http://exectweets.com/2010/02/24/mean-time-between-failure-a-misleading-spec/.

Traduzido e republicado com autorização.

---

MTBF significa Mean Time Between Failures ou Tempo Médio Entre Falhas e muitos profissionais utilizam este valor para medir a confiabilidade de dispositivos de hardware, especialmente discos rígidos. Mas esta ideia normalmente está equivocada.

Para entender porque comparar MTBF de equipamentos diferentes pode ser um erro, nós precisamos primeiro entender como este parâmetro é medido.

Em um laboratório, o fabricante executa um teste usando uma quantidade “x” de amostras do produto a ser testado durante “y” horas.

Primeiro o fabricante calcula a quantidade total de horas em que os equipamentos ficaram ligados, também chamado TPOH (Total Power-On Hours). Isto é feito multiplicando-se a quantidade de dispositivos testados (“x”) pelo número de horas que o teste foi executado (“y”). Feito isso o TPOH é dividido pela quantidade de dispositivos que falharam no teste, e este resultado é o MTBF.

Por exemplo, se 1.000 dispositivos são testados por 30 dias seguidos (720 horas), nós temos um TPOH de 720.000 horas. Se durante este período apenas dez dispositivos apresentarem problemas, nós temos um MTBF de 72.000 horas.

Este número, no entanto, não significa que você deve esperar que o produto apresente problema, em média, após 72.000 horas, simplesmente porque cada dispositivo individual não foi testado 720.000 horas, mas apenas durante 720 horas.

E você não pode usar este número para comparar produtos que utilizam metodologias de teste de MTBF diferentes. Por exemplo, se você tem um produto com um MTBF de 72.000 horas, como no exemplo dado, e compará-lo com um produto com MTBF de 100.000 horas, isto não necessariamente significa que o segundo produto tem uma confiabilidade maior. O segundo fabricante pode ter usado uma combinação diferente de dispositivos testados e horas de funcionamento para obter este resultado. Como os resultados foram obtidos usando metodologias diferentes, eles não podem ser comparados.

Então o que o MTBF de um equipamento significa? Significa que no teste conduzido pelo fabricante, uma amostra apresenta problema a cada “x” horas de teste – o MTBF. Em nosso exemplo, um dispositivo apresenta problema a cada 72.000 horas de teste, em média. Mas sem saber exatamente a metodologia usada, é praticamente impossível fazer comparações corretas entre produtos.

Para piorar as coisas, a definição de falha pode variar entre fabricantes. Por exemplo, um fabricante testando o MTBF de um arranjo RAID1 pode considerar uma falha quando um dos discos rígidos apresenta problemas, mas outro fabricante pode não considerar esta falha se o sistema ainda continuar funcionando mesmo com um dos discos dando defeito (pois o disco de espelhamento entrou em ação impedindo o usuário de parar o trabalho e perder dados). A mesma coisa é válida para todos os outros tipos de equipamentos. Se uma fonte de alimentação desligou, mas não “queimou”, durante o cálculo do MTBF, o fabricante pode escolher não contar isto como uma falha (já que a fonte ainda está funcionando depois de religada). Mais uma vez, você não pode comparar valores de MTBF usando metodologias diferentes.

Confiabilidade dependerá de vários outros fatores que não são medidos pela metodologia de cálculo do MTBF. Como um exemplo prático, a temperatura padrão para testes de equipamento é de 25º C, mas várias vezes os componentes começam a apresentar problemas em temperaturas mais elevadas. Portanto, qualquer tipo de teste conduzido pelo fabricante não necessariamente reflete a realidade ambiental de onde o produto será usado.

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Segurança é isso aí!
Autor: Gabriel TorresData: 22 de fevereiro de 2010 - 16:23 H
Uma maneira muito interessante de esconder valores é usar um cofre que não se pareça com um cofre. Afinal de contas se um assaltante entrar em sua casa e você tiver um cofre, este será o alvo primário do ladrão e inclusive já ouvimos histórias de pessoas que foram obrigadas a abrir cofres com uma arma apontada na cabeça quando surpreendidos por assaltantes. Se você fizer uma busca por "diversion safes" no Google você vai encontrar tudo quando é tipo de cofre "disfarçado", de lata de Coca-Cola a filtro de linha. Você pode ver um exemplo aqui. Agora... Você usaria este "cofre" feito com uma cueca com uma "freiada de bicicleta"?
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Como a Microsoft Poderia Ajudar os Países em Desenvolvimento
Autor: Gabriel TorresData: 12 de fevereiro de 2010 - 19:40 H

A mídia internacional e os fabricantes de hardware há muito tempo falam sobre os mercados emergentes e seu potencial, literalmente bilhões de pessoas que não têm nem mesmo acesso a um computador. Com as vendas de computadores de mesa estagnadas em nações desenvolvidas, países emergentes são certamente a bola da vez: eles poderiam vender mais computadores para esses países do que já venderam no mundo desenvolvido. Eles até já inventaram um termo para os países com mais potencial: BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). O problema é que, salvo raras exceções, a maioria das empresas não tem ideia de como chegar neste mercado em hibernação. Como brasileiro, eu tenho uma perspectiva diferente nesta questão, e eu gostaria de compartilhar algumas ideias de como as empresas poderiam ajudar os países em desenvolvimento..

O problema, em minha opinião, é que a maioria das pessoas está vendo este problema de um ângulo errado. Um bom exemplo é a iniciativa OLPC (One Laptop per Child ou Um Laptop por Criança). Esta iniciativa, co-fundada pelo famoso Nicholas Negroponte, meteu os pés pelas mãos simplesmente porque desenvolveram um modelo de negócio onde seus clientes são os governos. Em resumo, eles desenvolveriam e montariam laptops para escolas em países em desenvolvimento e venderiam esses computadores para os governos, que por sua vez instalariam os portáteis nas escolas. Acredite no que estou dizendo, isto simplesmente não funciona por causa da ineficiência dos governos. Com raras exceções, os governos são lentos, burocráticos e não têm a necessária vontade/energia para abraçar uma causa como esta. A maioria dos governantes em países em desenvolvimento é altamente corrupta e só entra na carreira política para enriquecimento próprio através de vários esquemas (incluindo receber comissões de fabricantes). O OLPC só funcionaria se os políticos pudessem ver uma maneira de colocar algum no bolso, mas com a mídia em cima isto dificilmente seria o caso.

Mas, se através governo não é a solução, qual ela seria então? Em minha opinião o desenvolvimento do mercado de computadores em países em desenvolvimento poderia ser altamente acelerado se grandes empresas privadas abraçassem a causa. E ninguém melhor do que a Microsoft para esta tarefa.

Bill Gates doou bilhões de dólares do próprio bolso para caridade. Mas eu não estou falando aqui de caridade. Estou falando em ajudar os países em desenvolvimento, aumentando seus lucros e combatendo a pirataria, tudo ao mesmo tempo.

No mundo em desenvolvimento, a maioria das pessoas monta seus próprios computadores em vez de comprá-los de fabricantes conhecidos. Isto acontece por diferentes razões, mas todas têm a mesma explicação: é mais barato.

Ok, mas o que eles instalam nesses computadores? Nem precisa levantar seu tapa-olho para responder. Mas porquê? Pense um pouco. Nos EUA se você quiser instalar a versão mais completa do Windows 7 e a versão mais completa do Microsoft Office, você gastará US$ 720 (talvez um pouco menos se você encontrar uma loja que esteja dando descontos) – mais do que o custo de um computador básico nos EUA. Ok, este exemplo é injusto, pois as versões básicas desses programas atenderiam às suas necessidades. Mas neste caso você ainda gastaria US$ 300 (talvez um pouco menos se você encontrar uma loja que esteja dando descontos; a Microsoft oferece para fabricantes de computadores uma versão do sistema operacional chamada “Starter” que é mais barata, mas o usuário final não pode comprar esta versão diretamente da Microsoft). Eu verifiquei que pelo menos aqui no Brasil os preços praticados para o conjunto Windows 7 Home + Microsoft Office Home e Student são absolutamente os mesmos do mercado norte-americano, depois de convertidos para real.

Isto é injusto, não acha? Se já é caro para os gringos imagina para nós brasileiros! Só para lhe dar alguns números, o salário mínimo federal nos EUA é de US$ 7,50 por hora (US$ 1.485 ou R$ 2.673 por mês para uma jornada semanal de 44 horas). No Brasil o salário mínimo federal é de R$ 510 (ou cerca de US$ 182,15) por mês, ou US$ 0,92 por hora, se uma pessoa trabalha 44 horas semanais. Claro que quem tem computador por aqui ganha mais do que um salário mínimo; o mesmo ocorre nos EUA.

Qual é a solução? Baixar o preço do software? Mesmo baixando o preço do Windows 7 e do Microsoft Office ainda assim seria muito caro.

Eu tenho uma ideia melhor. Porque não oferecer o Windows XP e versões anteriores do Microsoft Office juntos por um preço imbatível que ajudaria países em desenvolvimento e, ao mesmo tempo, se livraria da pirataria? Eu acho que a Microsoft já ganhou muito dinheiro com esses produtos (você consegue me responder porque com o lançamento do Windows 7 o Windows XP Professional ainda custa US$ 300 nos EUA?). Porque não vender esses produtos por um preço simbólico? Eles começariam a ganhar dinheiro de pessoas que de outra forma não comprariam seus produtos com um software considerado “antigo”, aumentado assim a vida útil de seus produtos. No que diz respeito a suporte, a Microsoft poderia simplesmente lançar essas versões sem nenhum tipo de suporte – nós estamos falando de pessoas que instalam cópias piratas e estão acostumadas a não receber nenhum tipo de suporte de qualquer forma.

E que tal adotar o Linux em países em desenvolvimento? No papel parece uma maravilha, mas isto não funciona – e já estou aqui prevendo mensagens de ódio da comunidade Linux. Mas a verdade é a seguinte, as pessoas querem rodar o mesmo software que roda na escola ou no curso onde aprenderam a usar um computador (e empresas como a Microsoft e Adobe trabalham muito bem para que o mercado de educação adote apenas seus produtos). Eles querem exatamente os mesmos programas, e não programas similares que fazem a mesma coisa. Para que perder tempo instalando e aprendendo Linux e StarOffice se elas podem simplesmente instalar o "piratão"? Infelizmente as pessoas em países em desenvolvimento não vêem a pirataria como um crime, especialmente quando não há em quem se espelhar.

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Campus Party 2010: O Hardware dos Campuseiros
Autor: Roney BelhassofData: 03 de fevereiro de 2010 - 23:26 H

Uma das minhas missões na Campus Party Brasil 2010 era tentar descobrir um pouco das preferências de hardware das tribos de ciberpessoas..

Qual é a placa de vídeo preferida do pessoal de Games? A tribo de Linux ainda tem que evitar essa ou aquela marca? O que é importante para a galera de casemod? E o povo de robótica, que tipo de hardware os atrai? Quais são as melhores fontes de informação?

A Campus Party é uma sobrecarga de tudo: Informação, lazer e interação. Por 5 dias passei cerca de 50 horas ignorando os 10Gbps de banda e me aproximando de pessoas, tentando aprender com elas o máximo possível e descobri algumas coisas boas, outras ruins.

Uma coisa boa é a qualidade dos jogos que temos hoje! Como o Crysis 2 que dizem ter travado um servidor da Nasa de tão complexo, e essa é uma má notícia... Você pode não precisar de uma máquina com 5 placas de vídeo Nvidia dentro como a que vi lá rodando esse jogo, nem de um monitor 3D de 1.400 Reais, mas certamente sua diversão será muito maior se o seu bolso for bem fundo e estiver cheio!

O pessoal de casemod tem exigências menores de hardware até porque o barato deles é justamente a modificação do gabinete do computador. Tivemos a oportunidade de conhecer "Kratos", mod criado pelo campeão mudial Maciel Barreto.

Mas não se deixe enganar, parte da arte do casemod é o overclock e até refrigeração a hidrogênio está valendo na disputa com a máquina de cinco placas de vídeo da área de games. Até o fim desse artigo não ficamos sabendo se eles obtiveram sucesso.

Se para os casemodders (Ah! A cibercultura e seu estranho vocabulário!) as placas mãe e de vídeo são apenas coadjuvantes para a galera de robótica elas geralmente sequer fazem parte do projeto já que os robôs são construídos com módulos Lego NXT ou, entre o pessoal mais hardcore, Vex.

Aquele hardware com que estamos acostumados, com teclado e monitor só fazem parte do jogo na hora de projetar os robôs com ferramentas como o Solid Works. Vimos um membro da equipe de uma universidade de Guarulhos que tem vários prêmios e, depois de ganhá-los agora ele deve dar origem a um outro robô catador de lixo.

Outra tribo que sempre teve suas restrições de hardware é a dos sistemas operacionais alternativos... Lembro como sofri nos meus tempos de OS/2 para obter os drivers ou escolher o hardware certo. Falei lá com alguns usuários de Linux e de quebra ouvi histórias sobre os bastidores da briga Microsoft X OpenOffice e de lendas como a do hacker que chantegeou o Brasil ou do brasileiro fã da Microsoft que pagou 180 mil para ver o código fonte do Windows e depois disso migrou para Linux.

A última tribo com quem interagi foi a minha própria, blogueiros... Bem na verdade praticamente todo mundo é meio blogueiro online se lembrarmos que Web Logger eram pessoas que falavam online no único lugar disponível: blogs. Hoje todo mundo tuita, escreve em comunidades no Orkut, Facebook, Ning ou deixa comentários em blogs e deveriam ser considerados blogueiros. Bem, mas tem uma galera que faz da expressão online sua principal atividade e acabam formando mais uma tribo cuja exigência de hardware provavelmente está mais no tamanho (minúsculo) do computador do que no seu poder de processamento. É a tribo dos netbooks, notebooks e smartphones que podem ser levados até no elevador.

Depois de todas essas incursões qual foi a minha conclusão? Bem, não pude e nem seria possível, falar com todos os campuseiros então decidi pegar as opiniões de alguns representantes de cada tribo que escolhi um pouco por instinto e um pouco por sentir que eram pessoas movidas pela paixão.

Aqui vão os meus resultados.

Tribo de Games
De acordo com José Fernandes e Alex Fernandes (curiosamente não são irmãos) essa é uma configuração aproximada de uma boa máquina para games:

  • Core 2 Duo 3.0 E8500 com overclock para 4.0
  • 4GB de RAM ou mais
  • Placa de vídeo NVidia 295
  • Placa mãe ASUS

Tribo Linux
Foi um prazer conversar com o Jorge Willians (dentista, quem diria!) e o Edgard Costa. Acho que foram os campuseiros mais engajados que encontrei!

Para essa tribo as exigências de hardware são bem mais modestas pois, apesar dos Linuxes terem interfaces gráficas bem atraentes eles são mais leves que a maioria dos concorrentes. A única restrição mais séria parece estar nas placas de vídeo pois alguns grandes fabricantes ainda não disponibilizam versões oficiais para suas placas obrigando o usuário a cumprir um roteiro meio complexo para fazer o vídeo funcionar.

A solução para eles é dar preferência a computadores de marcas mais conhecidas como a DELL ou Sony que parecem estar atentas também ao mercado Linux.

A marca mais elogiada por eles foi a Intel. Quem diria...

Essa é a configuração que eles me passaram para um bom computador Linux:

  • 2GB de RAM
  • Processador Atlon64
  • Placa mãe Asus ou Intel
  • Placa de video Intel (evitar a ATI)

Tribo de Robótica
Como disse essa tribo não pensa tanto em computadores, mas pelo menos em dois momentos eles os usam: na hora de pesquisar esquemas eletrônicos no Google (e cair de vez em quando no Clube do Hardware) ou no Eletronica.org e modelar os projetos no SolidWorks, mas pelo que vi lá eles também são adeptos dos notebooks, provavelmente para poder levá-los para as competições de robótica.

Tribo de Casemod
Nessa tribo dei a sorte de encontrar logo de cara com o campeão e o vice-campeão mundiais, Maciel Barreto da Bahia e Miguel Povh (cursando direito, quem diria?).

Segue a lista de preferências deles:

  • Core quad
  • 4GB de RAM
  • 1TB de HD
  • Resfriamento especial
  • Placa mãe Biostar, ASUS P5 e também citaram as da Intel
  • Placa de vídeo ATI (preferem ela às Nvidia), Gforce 9800

Vale citar que o site preferido deles é o forum do casemodbr.

Tribo de Blogueiros
Essa era a tribo com mais notebooks e netbooks, como disse o negócio é poder escrever no blog ou no Twitter a qualquer hora e a portabilidade se torna vital. Alguns levaram o X-Box para jogar (aliás tinham alguns na área de jogos também).

Talvez por não ser uma tribo onde gibabytes ou gigahertz impressionam as grifes parecem ter um pouco mais de peso e lá estavam Vaios, Macs e Dells Mini em maior quantidade, mas isso pode ser apenas uma impressão minha.

Nota final
Em cada papo que eu tinha sempre explicava que além de gostar de estar ali entre pessoas parecidas comigo estava lá para estudar cibercultura e fazer alguns artigos para o Clube do Hardware e os elogios ao CDH foram unânimes! Mesmo quem não vinha aqui em busca de informações frequentemente é trazido pelo Google e gosta do que encontra! É uma honra poder representar um veículo respeitado!

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