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Impostômetro
Autor: Gabriel TorresData: 25 de agosto de 2006 - 13:43 H

Continuando a discussão que iniciei em A Falácia da “Peça de Graça” e do “Teste Grátis”, decidi criar este “impostômetro”, listando o quanto pagamos de imposto de importação até o presente momento. A minha intenção é atualizar esta planilha sempre em que pagarmos este tributo. Lembro que este é o custo que temos que arcar para recebermos material “de graça” dos fabricantes.

Ano

Valor

2000

R$ 136,15

2001

R$ 248,47

2002

R$ 2.345,14

2003

R$ 3.001,34

2004

R$ 3.428,47

2005

R$ 1.593,21

2006

R$ 3.299,29

Total

R$ 14.052,07

A queda brusca de 2004 para 2005 deveu-se à nossa decisão de não testarmos mais determinados tipos de componentes por conta do custo em recebê-los, em especial coolers, que são componentes baratos e que muitas vezes pagávamos mais em impostos do que se comprássemos eles no mercado. Já o aumento de 2005 para 2006 deveu-se ao recebimento de fontes de alimentação, que agora estamos “dando uma olhada”.

Lembro ainda que obviamente os valores acima não correspondem a todos os produtos que recebemos para testes. Como já disse aqui, os fabricantes localizados no Brasil emprestam peças, logo não temos custos com imposto de importação para estas peças. Outra coisa que devemos levar em conta é que eu viajo para o exterior com freqüência (EUA e Taiwan) e sempre aproveito para trazer material para testes dentro da minha cota (para quem não sabe, quando viajamos para o exterior podemos trazer até US$ 500 em mercadorias sem pagar imposto). Isto representa uma importante economia.

Esta planilha também não reflete os casos onde o fiscal da Receita Federal arbitrou um valor muito maior que o valor de mercado do produto, fazendo com que os impostos a serem pagos custassem muito mais do que o valor do produto no mercado brasileiro. Nesses casos, nós recusamos o recebimento e o material foi apreendido e indo parar nos famosos leilões da Receita (se é que não foram desviados lá dentro). Casos como esse são possíveis de serem solucionados, porém contratando um despachante aduaneiro, o que de qualquer forma impossibilita a liberação do material por um custo tolerável por conta dos honorários.

Gostaria de lembrar também que o custo total para produzir os testes publicados em nosso site é muito maior do que este, visto que o imposto de importação é apenas uma das variáveis da equação. Teríamos ainda que somar o custo com peças para equipar o nosso laboratório, eletricidade e mão-de-obra, sem falar na hospedagem do site (atualmente utilizamos 5 servidores dedicados).

Tive a ousadia de abrir parte da nossa planilha de custos para que você entenda que não existe almoço grátis, ainda mais em nosso país.

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ATI: Reciclando Placas Antigas com Novos Nomes
Autor: Gabriel TorresData: 24 de agosto de 2006 - 12:07 H

A ATI lançou ontem três novos chips. Não sei se você prestou atenção nas especificações dos chips, mas a Radeon X1300 XT e a Radeon X1650 Pro são na verdade uma Radeon X1600 Pro e uma Radeon X1600 XT usando novos nomes.

Enquanto que todos os demais membros da família Radeon X1300 têm quatro motores para processamento de pixel shader, a Radeon X1300 XT tem 12, igualzinho à Radeon X1600 Pro. A Radeon X1300 XT e a Radeon X1600 Pro rodam no mesmo clock (500 MHz) e acessam a memória na mesma quantidade de bits (128 bits). A única diferença entre elas é o clock da memória, que é 800 MHz na Radeon X1300 XT e 780 MHz na Radeon X1600 Pro – um aumento de 2,5%, o que é insignificante e provavelmente nem vai dar diferença em testes de desempenho.

Quase a mesma coisa acontece entre a Radeon X1600 XT e a Radeon X1650 Pro. Ambas têm 12 motores para processamento de pixel shader e acessam a memória na mesma quantidade de bits (128 bits). A Radeon X1650 Pro roda a 600 MHz enquanto que a Radeon X1600 XT roda a 590 MHz – um ridículo aumento de 1,7% –, enquanto que o novo modelo acessa a memória a 1,4 GHz, contra 1,38 GHz na Radeon X1600 XT – um aumento de apenas 1,45%. Apostamos que a Radeon X1650 Pro vai obter o mesmo desempenho da Radeon X1600 XT em testes de desempenho.

Sinceramente, qual é o objetivo em lançar essas “novas” placas de vídeo? Apenas dizer “ei, nós queremos fazer você acreditar que estamos lançando produtos novos”? Simplesmente ridículo.

A Radeon X1950 XTX, no entanto, é definitivamente um novo produto. Ela tem as mesmas especificações técnicas da Radeon X1900 XTX mas acessa a sua memória a 2 GHz e usa os novíssimos chips GDDR4 (a Radeon X1900 XTX acessa a sua memória a 1,55 GHz).

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A Falácia da “Peça de Graça” e do “Teste Grátis”
Autor: Gabriel TorresData: 22 de agosto de 2006 - 15:13 H

Vira-e-mexe alguém brinca comigo dizendo alguma gracinha do tipo “você é sortudo de receber material de graça dos fabricantes”. Como a maioria dos nossos leitores realmente acha que a gente ganha as peças que testamos sem qualquer custo, resolvi sentar e explicar que o que realmente acontece por aqui.

Vamos separar os fabricantes em dois tipos: os que têm representação no Brasil (seja através de escritório, assessoria de imprensa ou distribuidor oficial) e os que não têm.

O primeiro grupo, que inclui marcas como AMD, Intel, ATI, nVidia, Samsung e MSI, nos envia material para testes em caráter de empréstimo. Ou seja, ao contrário do que ocorre com mídias de outros países, o material não fica para nós. E normalmente ainda temos de arcar com o custo (frete) da devolução do material.

Essa coisa de termos de devolver o material é um porre e é a razão pela qual demoramos uma eternidade para atualizarmos nossas metodologias de teste: quando queremos mudar algo em nossa bancada – por exemplo, aumentar a quantidade de memória RAM da máquina de testes – temos de coletar novamente os dados de todas as placas já testadas. Como não temos mais as placas, torna-se um procedimento complicadíssimo. Eu já falei bastante deste problema naquele editorial onde desci o pau na Intel porque ela não queria mandar processadores Pentium D para testes.

O segundo grupo pode ser dividido em dois subgrupos: os que não querem mandar material para testes porque não entendem nada de marketing e ignoram sua importância (atualmente somente a ASUS e a sua subsidiária ASROCK fazem parte deste grupo) e os demais fabricantes, que querem colaborar conosco enviando material.

Deste último grupo nós recebemos o material “de graça”, mas tem um porém. O custo do imposto de importação corre por nossa conta. Mensalmente nós pagamos uma baba em impostos para que você tenha acesso a testes dos últimos lançamentos. Só que não há nada “de graça” aí, agradeça ao Sr. Presidente: o imposto de importação é de 100%* se o material for enviado via courrier (Fedex, UPS, DHL, TNT, etc) ou de 60% sobre o valor do produto mais o custo da postagem se o material for enviado pelo correio – o que acaba dando a mesma coisa se o produto custar até US$ 100. Ou seja, a gente paga o valor do produto para recebê-lo!

* Em relação aos 100% de imposto, o cálculo é o seguinte: 60% de imposto de importação sobre o valor do produto mais 19% de ICMS sobre o valor do produto mais o valor do imposto de importação (sim, imposto sobre imposto), mais a “taxa de desembaraço” cobrada pelo courrier, normalmente de US$ 10 a US$ 20. Para um produto que custa US$ 100 (uma placa-mãe, por exemplo), o valor dos impostos será de US$ 60 (II) + US$ 30,40 (ICMS) + US$ 10 (tarifa de desembaraço), ou seja, US$ 100,40, 100% do valor do produto.

Isso quando a Receita Federal não implica conosco. Em muitos casos eles contestam o valor do produto que o fabricante declarou e arbitram um novo valor, baseado no valor de um produto similar no mercado nacional. Isto mesmo, você leu certo. Eles calculam o valor do produto com base no valor de um produto similar já dentro do mercado nacional, já com todos os impostos aplicados. Quando isso ocorre pagamos mais caro do que o produto vale, só para termos acesso a ele antes da sua chegada ao mercado.

E não adianta pedir para os fabricantes colocarem um valor “simbólico” ou menor (subfaturar), é pior ainda. Quando isso ocorre, o fiscal da Receita aplica uma multa de 50%, calculada entre a diferença do valor declarado e o valor arbitrado.

Não acredita nesta história toda? Veja abaixo a nota de importação de uma fonte de alimentação que acabamos de receber via Correio (eu apaguei meus dados pessoais por motivos de segurança), para a qual foi arbitrado um valor de US$ 200. Pagamos R$ 355 para recebê-la.

Imposto de Importação
clique para ampliar

Eu não vou discorrer aqui sobre o que eu acho do sistema tributário brasileiro pois pretendo escrever um novo editorial na série Impostos Que Matam criticando o imposto de importação. Em resumo acho que esse sistema só estimula o contrabando.

O que fazemos com o material que recebemos “de graça” (ou seria melhor dizer “que somos obrigados a comprar do governo brasileiro”) e que não vamos mais usar? Nós sorteamos gratuitamente aqui todos os meses – e tome mais custo, visto que enviamos as peças por Sedex, em geral para cidades bem distantes da nossa. Aliás, depois preciso escrever algo sobre como é complicado e caro registrar um sorteio na Caixa Econômica Federal (basicamente temos que pagar 100% em impostos – olha o nosso presidente “camarada” aí de novo).

O que outros sites similares ao nosso no exterior fazem? Eles vendem o material. Isto pode ser comprovado por esta afirmação do Nathan Kirsch do site LegitReviews: “most review sites sell or e-bay their product samples after the review”. E olha que os sites norte-americanos não precisam pagar nada para receber os produtos.

Nós tentamos fazer isso durante um tempo para tentar tapar essa enorme cratera em nosso orçamento, mas fomos duramente criticados, recebemos uma enxurrada de e-mails nos acusando das palavras mais obscenas, e vários e-mails nos “denunciando” para os fabricantes (como se os fabricantes não soubessem).

Isso me lembra aquela piada do vendedor de caranguejos. O cara tinha três cestos, dois tampados e um destampado. Passou um freguês e perguntou se ele não tinha medo que os caranguejos do cesto destampado fugissem. Ele respondeu: “Não preciso me preocupar, pois esses aí são caranguejos brasileiros, quando um sobe os outros todos o puxam para baixo”.

Isso só comprova o que eu costumo falar: temos de ser pelo menos três vezes melhores do que qualquer estrangeiro na mesma posição para termos sucesso no Brasil.

Em resumo, apesar de o teste de um produto ser uma propaganda “grátis” para o fabricante, nós sempre arcamos com algum custo, seja o do envio do material de volta, o do imposto de importação, e, no caso dos testes escritos por outras pessoas que não eu, o custo da mão-de-obra. Ou seja, nós PAGAMOS (e, dependendo do material, muito) para que os nossos testes sejam publicados.

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