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Minha História Profissional – Parte 6
Autor: Gabriel TorresData: 28 de dezembro de 2009 - 21:19 H

Parei a história contando como o meu amigo Marcelo Abramovitz (que foi meu primeiro aluno, estagiário e assistente) e eu consertávamos todos os computadores da escola técnica onde estudei e tudo quanto era equipamento eletrônico (especialmente TVs, o Marcelo tinha uma certa fixação por televisores, vai entender) a gente via pela frente. Aliás, encontrei mais uma foto dele no nosso primeiro laboratório, na verdade um cubículo de uns três metros quadrados dentro do laboratório de eletrônica avançada do Instituto de Tecnologia ORT. Repare o osciloscópio e o gerador de barras que usávamos para consertar TVs. Clique aqui se você perdeu as demais partes desta série..

Marcelo Abramovitz
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Marcelo Abramovitz em nosso laboratório em 1993.

Em 1994 os alunos do 3º ano de eletrônica me perguntaram se eu não poderia dar aulas de hardware para eles. Eu respondi que sim, eles encaminharam o pedido à coordenação da escola, que aprovou as aulas, que foram ministradas alguns dias por semana à tarde. Para este curso eu escrevi uma pequena apostila. Foi a primeira vez que dei aulas para uma turma.

Eu sou o moreno ao centro (esta foto foi tirada logo após eu ter retornado de férias em Maceió no Laboratório de Robótica da escola, que na época estava sem coordenador e com isso eu o usava às vezes para dar aulas para esta turma). Sem comentários sobre a pochete, por favor...

Gabriel Torres
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Turma do terceiro ano de eletrônica do Instituto de Tecnologia ORT, em 1994.

Após esta experiência, em 1995 o Marcelo colocou uma “pressão” para eu montar o meu próprio curso de montagem e manutenção de computadores. Ele foi realmente um amigão, ligou e foi pessoalmente a tudo quanto é curso sobre o assunto que existia na época no Rio de Janeiro (não eram muitos) para colher informações, da ementa ao preço e formas de pagamento, sem eu pedir. Em outras palavras, ele tomou a iniciativa.

Existiam dois extremos: os cursos de dois dias que prometiam a você a montar um micro, mas que na realidade só havia uma máquina e o instrutor era quem montava tudo e você só assistia e um curso na UERJ que durava nove meses e ensinava eletrônica digital, técnicas de solda etc.

Eu achava que os extremos eram ruins. Cursos de dois dias eram apenas informativos e mesmo sendo possível aprender a montar um micro em dois dias, o aluno não aprendia o funcionamento dos componentes. Com isso, com as frequentes mudanças no mercado, alunos desses cursos não seriam capazes de acompanhar as mudanças do mercado. Em outras palavras, se deixassem para montar um computador um ano depois eles teriam de fazer um novo curso.

Já o curso da UERJ ensinava além do necessário. Eletrônica digital? Solda? Para que, se conserto de computadores não é feito mais na base da troca de componentes eletrônicos?

Então resolvi criar um curso formativo, inicialmente com 42 horas de carga horária, ao qual simplesmente chamei de “Curso de Hardware” (o número de horas-aula foi crescendo na medida em que eu via que precisava de mais tempo para explicar “tudo”, passando logo para 60 horas e finalmente para 75 horas). A idéia era um meio-termo: eu ensinaria a teoria, mas teria muita prática também (montagem e manutenção). Turmas com 10 alunos e a promessa que todos os alunos poderiam montar pelo menos um computador sozinhos durante o curso.

Aí começou a “ralação”. Eu tinha o espaço, um laboratório que eu poderia usar para dar o curso a tarde e/ou a noite na escola e recebemos apoio total da escola para tocar a idéia. Só que havia um problema. A escola é uma organização sem fins lucrativos, não possuindo qualquer verba para a compra de equipamentos ou investimento em publicidade. Por outro lado, eles me dariam todo o apoio necessário na parte humana (atendimento pessoal e telefônico, xerox de graça, ligar para potenciais clientes, divulgação entre os atuais e ex-alunos do 2º grau e de outros cursos livres que eles já tiveram, etc).

Eu, na época, não tinha dinheiro algum para comprar o material que seria necessário. Mas eu dei meu jeito. Peguei US$ 2.000 emprestados com a minha namorada na época e tentei ao máximo que pude pegar material emprestado, especialmente o material mais caro, além de sair catando placas queimadas com tudo quanto era amigo que eu tinha que trabalhava consertando computadores e de lojistas que eu conhecia. Esse material queimado era para mostrar nas aulas teóricas (sem medo de que alguém fosse queimar o material) e também para montar os computadores “com defeito” das aulas práticas (eu montava vários computadores com defeito e dividia a turma em grupos e cada grupo tinha o desafio de consertar o computador com problemas).

Só para você entender como era a ralação, vamos supor que eu quisesse usar um material emprestado. Eu tinha de pegá-lo com um amigo de manhã, usá-lo na turma da tarde e na turma da noite, e depois devolver o material na manhã seguinte, antes de ir ao trabalho. Preparar os computadores das aulas práticas era uma correria, pois eu tinha de prepará-los antes de cada aula, e eu comecei com duas turmas por dia! Bem, pelo menos eu tinha o Marcelo para me ajudar. E muita, mas muita disposição. Note que eu saía da escola depois das 22:00 H e chegava lá no dia seguinte por volta das 9:00 H, isso quando eu não chegava antes. Essa rotina de trabalhar 12-13 horas por dia passou a ser o meu normal por alguns anos (e piorou quando eu me meti a escrever livros).

Quanto ao material que eu comprei, eu tinha que fazer o dinheiro que peguei emprestado render ao máximo, por isso comprei material usado. Na época o processador topo de linha era o 486 (486DX4-100 era o mais topo de linha e o 486DX2-66 era o intermediário), o Pentium havia sido lançado mas era novidade e quase ninguém tinha dinheiro para ter um. Então o que eu comprei foram muitas placas-mãe de 386 que estava sobrando do pessoal que estava fazendo upgrade para 486, corri atrás de tudo quanto era amigo que tinha feito este upgrade e queria ganhar uma graninha me passando o material que havia sobrado (naquela época não havia um mercado forte para produtos usados como tem hoje, até porque a Internet ainda não existia comercialmente). Seria como se a gente tivesse montando um curso de hardware hoje usando Pentium 4: não é ruim, mas não é topo de linha.

Eu precisava de material didático para este curso e escrevi uma segunda apostila. Enquanto escrevia a apostila pensei que seria melhor escrever logo um livro, pois senti que havia uma lacuna no mercado, como comentei na parte anterior desta série. Então comecei a escrever o livro, temporariamente chamado de “Curso de Hardware” (pelo visto não sou tão criativo assim para títulos – este era o mesmo nome do curso) e que acabou sendo lançado como “Hardware Curso Completo” em 1996. Mas não vamos nos adiantar. O ano de 1996 foi possivelmente o mais importante do meu início profissional, mas vou precisar de mais tempo para escrever sobre ele.

Mas vamos continuar em 1995 por enquanto. O curso deu certo, graças à ajuda que tive do Marcelo. Tínhamos dinheiro de menos, porém tempo e criatividade de sobra. Marcelo teve a brilhante idéia de fazer cartazes do curso (afinal, tínhamos xerox de graça e que, para nossa sorte, a escola tinha papel A3) e sair colocando nas principais faculdades do Rio de Janeiro (em particular nas de engenharia e informática). Ele pensou, acertadamente, que quem estava frequentando faculdade estava interessado em se educar, em aprender mais.

O Marcelo, assim como eu, era um exagerado. Ainda bem. Ele ia pessoalmente nas faculdades e colava pelo menos 50 cartazes em cada faculdade. E na semana seguinte ele retornava para ver o que tinha acontecido, pois era comum arrancarem os cartazes, assim ele recolocava os cartazes e sempre tínhamos cartazes colados (só uma dica se você for um dia fazer isso, é preciso pedir autorização para colar cartazes, em pouco tempo o Marcelo sabia o caminho das pedras em todas as faculdades). Outra idéia que ele teve, muito boba, mas altamente eficiente. O retorno aumentou quando o Marcelo resolveu pintar as letras que compunham a palavra “HARDWARE” do cartaz (que eram impressas “vazadas”) de vermelho com pilot. Então nós passávamos boa parte do dia pintando os cartazes (xerox colorida de pobre, he he he), pois afinal de contas ele pregava 50 cartazes por dia.

Na ficha de inscrição do curso tínhamos um campo onde perguntávamos como o aluno soube do curso, e aí sabíamos as faculdades que davam maior retorno (para constar: PUC, UFRJ e UERJ). Isso também nos permitiu traçar um perfil sócio-econômico das pessoas que estavam procurando o curso para podermos cobrar de acordo. Decidimos que deveríamos cobrar mais do que os cursos de dois dias, principalmente para nos destacar. E como sempre reinvestíamos parte do faturamento, sempre tínhamos equipamento de sobra para todos os alunos poderem montar computadores sozinhos (um computador por aluno). Rapidamente ganhamos a fama de curso mais caro do Rio de Janeiro, mas qualidade tem preço.

Pela primeira vez na vida ganhei dinheiro “de verdade” (até o momento estava ganhando pouco mais de um salário mínimo por mês, lembre-se). Com o dinheiro que ganhei das minhas primeiras três turmas eu paguei a minha dívida com a minha namorada, comprei o meu primeiro carro e consegui realizar o meu primeiro sonho de consumo, que explico em mais detalhes adiante. Mas primeiro vamos ao carro.

Meu primeiro carro foi um Fusca 1979 branco perolado que mais tarde foi batizado de Mentex pelo Tadeu (que foi aluno de uma das minhas primeiras turmas e que acabou trabalhando comigo, primeiro como assistente, depois virando meu sócio em uma loja de informática que eu tive). Me custou R$ 3.100 e muito mais em consertos, visto que eu era muito barbeiro: vivia amassando os para-lamas nas pilastras da garagem da escola – quem nunca dirigiu um Fusca não tem idéia de como é dirigir um carro que parece um disco voador (redondo).

Gabriel Torres
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Eu e o meu primeiro carro (Fusca 1979). Quanta saudade... (do cabelo que eu tinha, não do carro!)

O primeiro sonho de consumo que realizei? Comprei um par de pickups (Gemini XL1800Q II - eu ainda não tinha bala na agulha para comprar Technics SL-1200MK2), um mixer (Gemini PDM-7024) e um amplificador (Cygnus PA 400). As caixas de som eu já tinha (lembra?). A case eu comprei no ano seguinte. Eu tinha todo esse material até 2006, quando comecei a vender tudo o que eu tinha antes de me mudar para os EUA.

Mixer Gemini PDM-7024
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Mixer.

Pickup Gemini XL1800Q II
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Pickup.

Amplificador Cygnus PA 400
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Amplificador.

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Afinal, há alguma fonte de alimentação ”nacional“ que presta?
Autor: Gabriel TorresData: 22 de dezembro de 2009 - 18:02 H

Com o fim do ano chegando resolvemos dar uma pausa para levantar algumas estatísticas sobre as fontes de marcas “nacionais”. Até o momento testamos nada menos do que 36 fontes de empresas brasileiras (esta conta só inclui marcas “nacionais”, tais como C3Tech, Leadership, eXtream, Wisecase, Clone, Power Strike, etc). Destas, apenas 10 não receberam o nosso famigerado selo “Produto Bomba”, isto é, apenas 28% das fontes “nacionais” que testamos até o momento não oferecem risco de uso. E das fontes nacionais que testamos até agora, apenas duas (C3Tech PSH750V e WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC) – ou seja, 5,5% – receberam o nosso selo “Produto Recomendado”..

Das marcas testadas, até o momento a única que tem mostrado ser a menos pior é a eXtream: das quatro fontes que testamos desta marca, nenhuma recebeu nosso selo “Produto Bomba” (mas também nenhuma recebeu nosso selo “Produto Recomendado”), sendo a única marca nacional até o momento a conseguir isto. Triste, mas é a nossa realidade.

É importante ter em mente que recentemente estamos nos concentrando em fontes de baixo custo, e estas estatísticas possivelmente melhorarão conforme a gente teste fontes mais caras, o que certamente faremos no ano que entra.

Ah, sim. A lista das outras oito fontes que não oferecem risco de uso:

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Cinco Coisas que Você Precisa Saber Sobre Fontes de Alimentação
Autor: Gabriel TorresData: 15 de dezembro de 2009 - 17:33 H

Eu comecei a colaborar com um novo site chamado ExecTweets, em uma seção chamada IT Experts Blog. A minha primeira colaboração é um artigo sobre as cinco coisas que você deve saber sobre fontes de alimentação. Traduzimos este primeiro artigo e o publicamos abaixo..

--- 

A fonte de alimentação é o componente mais negligenciado do computador. A maioria dos usuários dedicará uma grande quantidade de tempo escolhendo um novo processador, uma placa de vídeo e uma placa-mãe, mas quando se trata da escolha da fonte de alimentação usuários tentam economizar, o que está errado. Ignorar a escolha correta da fonte pode trazer sérias consequências como o aumento da sua conta de luz ou, em casos extremos, a queima de componentes.

A eficiência é um parâmetro que mede o quanto uma fonte de alimentação consome para seu próprio funcionamento, sendo um percentual entre a potência que está sendo puxada da rede elétrica e a potência que está sendo entregue aos componentes do computador. Por exemplo, se uma fonte tem eficiência de 80% , isto significa que quando ela está fornecendo para o computador 200 W na verdade ela está puxando 250 W da rede elétrica (80% de 250 W é 200 W). Esta diferença de 50 W entre as duas é a quantidade de energia que a fonte de alimentação consome para funcionar e é completamente desperdiçada, mas você paga por ela.

Uma fonte de alimentação com maior eficiência consumirá menos energia da rede elétrica para produzir a mesma potência em suas saídas. Se você substituir a fonte do exemplo anterior por uma com eficiência de 90%, agora 222 W estariam sendo puxados da rede elétrica, economizando 28 W comparando à uma fonte com eficiência de 80%. Como você pode ver, uma fonte com maior  eficiência reduzirá sua conta de luz. Portanto, você deve comprar uma fonte com a maior eficiência possível que couber em seu orçamento.

Nós queremos basicamente cinco coisas em uma fonte de alimentação:

Primeiro, que ela seja um produto honesto e que possa fornecer sua potência rotulada. Infelizmente o usuário comum não pode dizer isto apenas lendo a caixa da fonte. Nos EUA, no entanto, é raro encontrar uma fonte que não consiga fornecer o que está escrito na caixa. No Brasil a história é outra. Nosso mercado está inundado de fontes vagabundas montadas a partir de lixo tecnológico de países desenvolvidos.

Segundo, a maior eficiência possível, como já explicamos.

A terceira coisa que queremos é que todas as saídas da fonte operem dentro da faixa permitida durante todo o tempo. Se você tem uma fonte que por exemplo está fornecendo +13 V em vez de +12 V isto sobrecarregará seus componentes internos e pode inclusive fazer com que o computador trave e, em casos extremos, queime as peças do micro.

Nós também queremos que as saídas da fonte sejam  as  mais “limpas” possíveis, sem ruído elétrico ou flutuações (“oscilações”, também chamadas de “ripple”).

E finalmente nós queremos que a fonte tenha proteções para caso algo de errado aconteça ela desligue sozinha, reduzindo o risco de queimar os seus componentes internos e as peças do micro.
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