Olá pessoal,   devido às dúvidas frequentes relacionadas com a noção de qualidade de fontes de alimentação, decidi criar este tópico. A escolha de uma fonte de alimentação vai muito além do simples "suporta ou não suporta", já que envolve a segurança do equipamento e do usuário, o gasto de energia elétrica e o aquecimento do computador. Por não ser o assunto direto do tópico, não explicarei tudo aqui. Se você quer entender mais sobre o assunto, encontrará valiosas informações no Clube do Hardware, como neste artigo. A fonte de alimentação é o componente de vital importância para o computador, o mais importante que, no entanto, costuma ser negligenciado. Não compre fonte ruim: esse "barato" vai sair MUITO caro depois.   Além de erros relacionados à qualidade e à procedência da fonte de alimentação, é comum vermos pessoas escolhendo fontes de potência elevada sem que isso sequer chegue perto de ser necessário para o computador. Se quer entender melhor sobre o dimensionamento de fontes, este e este tópicos podem ser de grande utilidade. Por fim, saiba que o uso de estabilizadores e nobreaks vagabundos coloca seu equipamento em risco enquanto não traz benefícios: sobre isso, assista a este vídeo e leia este e este tópicos.   Se você usa algum destes equipamentos: estabilizadores, módulos isoladores ou shortbreaks - nobreaks vagabundos, livre-se dele neste exato momento. Ele pode e vai atrapalhar sua fonte, podendo inclusive queimá-la e levar outros componentes junto. A mania errada de usar esses equipamentos só existe no Brasil e eles são feitos para enganar você, consumidor.   O objetivo será manter este tópico atualizado sempre que possível. Peço aos colegas usuários suas valiosas críticas e sugestões. Se vocês acham que algo deveria ser acrescentado ou não concordam com algo do que foi dito, por favor respondam abaixo. Peço também auxílio quanto à classificação dos fabricantes ao final do tópico. Se encontrarem algum erro de ortografia, favor apontar também.   Indo direto ao ponto: este tópico será útil tanto para aqueles que já possuem uma fonte e querem concluir algo sobre sua qualidade quanto para aqueles que desejam comprar uma fonte e procuram saber como julgar a qualidade da mesma. Será que sua fonte é um produto bomba? Será que seu equipamento está correndo risco? Será que você entrou ou pretendia entrar em uma fria?   A resposta correta e mais adequada para essas perguntas pode ser encontrada procurando análises de fontes de alimentação provenientes de sites e organizações confiáveis. Antes de qualquer coisa, procure por testes de sua fonte. O Clube do Hardware, por exemplo, dispõe de diversos testes completos de fontes de alimentação. Se você não encontrou testes confiáveis ou quer confirmar as informações apresentadas, pode seguir este pequeno guia para ter uma conclusão parcial (não posso dizer que à prova de falhas, mas muito certeira) sobre determinada fonte. Pois bem: o que analisar?   1) Marca.   Sim: em nosso caso, a marca da fonte importa. É o primeiro sinal para julgar a qualidade da fonte. Se sua fonte é de marca conceituada, com muito tempo de mercado e excelente histórico de produtos bem feitos, começamos bem: é altamente provável que ela seja boa. Se sua fonte é de marca desconhecida ou com histórico de produtos de baixa qualidade que enganam o consumidor, é altamente provável que você tenha uma bomba instalada em seu computador. Veja artigos e procure discussões sobre fontes da mesma marca que a sua: procure pelo histórico. Mais informações sobre marcas podem ser encontradas ao final desta leitura.   Atenção: "altamente provável" não significa "lei universal". Estamos tratando de indicativos, não de fatores decisivos. Portanto, é altamente recomendável sempre verificar cada modelo específico de fonte para garantir que você está comprando um produto seguro e com o maior custo x benefício da categoria. Não confie totalmente em marcas com bom histórico e nem despreze aquelas que cometeram alguns erros.   2) PFC ativo.   Uma maneira simples de analisar se sua fonte possui PFC ativo é observar a parte traseira dela. Se possuir a chavinha "110V/220V", não tem PFC ativo. A falta do PFC ativo é um forte indicador de fonte de baixa qualidade e/ou projeto antigo. Se você está analisando alguma fonte que pretende comprar, procure por vídeos de unboxing: alguns fabricantes e lojas podem manipular ou esconder fotos que revelariam a presença da maldita chavinha.   3) Certificação 80 Plus.   Nem toda fonte que tem Certificação 80 Plus é boa (isso está muito longe de ser realidade), mas quase toda fonte boa tem Certificação 80 Plus. Se a fonte possui a Certificação, bom sinal. Mas tenha cuidado: é possível que o Selo da fonte em questão seja falsificado, ou seja, que tenha sido colocado sem a fonte ter sido sequer submetida aos testes. Verifique a presença do modelo no site da Ecova. Vale lembrar que a Ecova testa apenas a eficiência da fonte: ter alta eficiência é sinal de projeto atual e bem feito, mas não significa que isso será realidade e que a fonte é segura. Importante ressaltar que os testes são realizados em temperatura ambiente - o que não corresponde à temperatura dentro de um gabinete de computador - e que não possuem padrão fixo. Importante lembrar também que são feitos em países de clima mais frio que o nosso. Portanto, os resultados de eficiência obtidos nos testes deles serão, na maioria das vezes, diferentes do que se vê na prática. O Selo é um sinal, não uma garantia, e tem diversas falhas.   4) Preço.   Se você encontrou fonte de suposta potência com preço muito baixo quando comparando às fontes de mesma potência com qualidade comprovada, desconfie! É extremamente comum empresas mentirem a potência de suas fontes de alimentação no Brasil, assim como outras informações.   5) Distribuição de cabos.   Se sua fonte realmente tem a potência que alega ter, deve ter configuração de cabos compatível. Não faz sentido, por exemplo, uma fonte de 700W, 600W ou até mesmo 500W com apenas um conector PCI-E de seis ou oito pinos para a placa de vídeo. Compare com fontes conhecidas e confiáveis de mesma potência declarada. Se a configuração de cabos da sua é simples demais para a potência prometida, desconfie: você pode estar diante de um belo produto bomba.   6) Distribuição de potência.   Os computadores atuais dependem muito da linha de +12V. Se a fonte possui muita potência nas linhas de +3.3V e +5V e pouca potência na linha de +12V, considerando o padrão de potência, é suspeita de projeto antigo: é bomba e/ou inadequada para computadores modernos. Você não entende isso? Calma. É simples: procure a distribuição de potência de fontes confiáveis e de boas marcas, com mesma potência declarada, certificadas e que são conhecidas e testadas. Observe a distribuição de potência nas linhas. Se a fonte que você tem ou está olhando apresenta muita discrepância do que você viu ali, desconfie.   7) Diferença entre a potência total prometida e a potência entregue pela linha de +12V.   Quando a diferença entre a potência total prometida e aquela que é entregue pela linha de +12V é muito discrepante, temos mais um indicativo de fonte ruim, com projeto antigo e/ou mentira na potência prometida. Quando a diferença for maior que 50W, comece a suspeitar.   8) Presença de duas ou mais linhas de +12V.   Há benefícios e desvantagens em ter mais de uma linha de +12V, assim como há benefícios e desvantagens em manter tudo na mesma linha. O que você precisa saber: atualmente, a tendência é que as fontes apresentem apenas uma linha de +12V. Se sua fonte apresenta mais de uma linha, pode ser indicativo de projeto mais antigo. Isso não quer dizer que a fonte é ruim, já que alguns fabricantes optam por fazer a distribuição de duas ou mais linhas em fontes de excelente qualidade.   9) Distribuição "bizarra" de linhas de +12V.   Além da presença de mais de uma linha de +12V, observe como essas linhas estão divididas. Coisas bizarras como a presença de quatro linhas de +12V ou números muito discrepantes entre as linhas não costumam ser algo muito interessante e também podem revelar projeto antigo. Logicamente, assim como no fator anterior, isso não quer dizer que sua fonte é ruim, mas pode ser um indicativo.   10) Aparência.   Sim. Você leu direito. Fontes de boa qualidade geralmente são pintadas, bem acabadas e apresentam etiquetas simples de entender e de bom gosto. É válido apontar isso como algum sinal de qualidade, mas não seja ingênuo: tem muita fonte "bonita" que não presta e muita fonte "feia" que presta. Isso vale também para os cabos da fonte e até mesmo para a embalagem da fonte.   11) Peso.   Se você tiver a oportunidade de comparar o peso da sua fonte ou da fonte que quer comprar com o peso de uma conhecida fonte de boa qualidade e mesma potência declarada, faça. Fontes de boa qualidade usam mais componentes e, além disso, são componentes melhores. Também costumam caprichar no acabamento e na estrutura de seu produto. Tudo isso geralmente pesa mais. No entanto, é necessário ressaltar que isso não é conclusivo e que o peso de uma fonte pode ser influenciado por fatores que não tornam o produto bom. Você pode encontrar fontes de baixa qualidade mais pesadas que fontes confiáveis, assim como pode ocorrer o contrário.   12) Presença de expressões como "Watts reais", "fonte gamer", "potência real", "fonte real" e derivados:   Watt é uma unidade de medida. Não existem "Watts reais", porque senão deveriam existir "Watts irreais", ou quem sabe "fantasmagóricos", "do além", "sinistros" e coisa do tipo. Além disso, sua fonte existe, correto? É um pedaço de matéria, com massa, ocupando espaço? Então é um corpo existente. Ou seja, ela é real!   Isso é indicativo de fonte boa? Não! Essa expressão incorreta infelizmente pegou no Brasil e muita gente acha que isso é sinal de fonte boa. Não! Como resultado, tem muita empresa picareta que adora escrever isso para promover seus produtos. Se você ler essas coisas, o efeito é o de ficar longe: é sinal de fonte bomba. É claro que isso também não é nada decisivo, já que há empresas decentes que "caíram no jeitinho" e começaram a escrever isso também, ou mesmo lojas que acrescentam isso em seus anúncios.   Existe fonte que presta e entrega o que promete com segurança e fonte que não presta e não entrega, podendo até explodir. É algo simples. Toda fonte é real, já que ela existe. Saiba diferenciar a fonte que presta da fonte que não presta. Ponto.   Observação: essas expressões podem ser decorrentes de lojas e vendedores, não do fabricante. Portanto, procure observar sua presença na caixa do produto.   13) LEDs bonitinhos, heatpipes e dual fan.   Se a fonte possui LEDs bonitinhos, que legal, não quer dizer que é boa. Isso é mais um apelativo de marcas que buscam atrair o consumidor com a proposta de um produto "gamer", sendo que se trata de algo que muitas vezes não presta. E presença de heatpipes "parrudos" aparecendo na saída de ar da fonte? Algumas pessoas interpretam isso como sinal de que o fabricante "preocupa-se e é muito cuidadoso com o calor gerado", o que pode acabar sendo verdade em algumas ocasiões, mas pode ser interpretado também como: "esse negócio esquenta tanto que precisou de heatpipes, a eficiência deve ser ruim". A presença dos heatpipes pode também ser só mais um fator do tipo "olha que bonitinho, sou uma fonte gamer (e como adoram essa palavra, não é mesmo?)". O mesmo raciocínio é aplicado às tais fontes com dual fan: se precisa de dois, pode acabar (ou não) sendo a consequência de baixa eficiência e maior liberação de calor.   14) Etiquetas escondidas, confusas e incoerentes.   Uma boa marca de fontes não tem nada a esconder. Se você observa que fotos e anúncios de tal fonte procuram esconder a etiqueta, desconfie.  As etiquetas de bons produtos são curtas e claras, bem simples de entender. Os dados são coerentes e bem organizados. Se você encontrar fontes com etiquetas confusas, com diversas medições de potência máxima presentes (do tipo "potência de pico", "potência nominal" e "potência real"), com informações sem sentido e coisa do tipo, desconfie.   15) Nome com número apelativo.   Há empresas que colocam números chamativos no nome dos modelos de suas fontes dando a entender que se trata da potência das mesmas. Cuidado. Muitas vezes a potência prometida é outra totalmente diferente. Não é porque a fonte chama "XingLingChan 600KT" que ela promete ou entrega 600W.    ~~~~--------------------------------~~~~   Para finalizar, listas a serem constantemente atualizadas com marcas confiáveis, marcas não confiáveis e marcas "meio termo". A lista de marcas confiáveis contém aquelas com histórico de produtos de ótima qualidade: logicamente, não quer dizer que tudo o que colocaram no mercado foi bom ou que nunca disseram alguma "mentirinha" para o consumidor.   A lista de marcas não confiáveis inclui o contrário: aquelas que possuem histórico de produtos de baixa qualidade e que podem oferecer risco ao seu computador (o que também não quer dizer que tudo o que colocam no mercado é ruim, mas que a grande maioria é). A lista de marcas com caracterização "meio termo" inclui aquelas com histórico de produzir tanto fontes boas quanto fontes ruins, sendo a proporção de cada caso considerável, incluindo também as marcas de produtos medíocres e marcas antigas e/ou que não mais comercializam fontes, cujo projeto antigo dos produtos não é mais condizente com padrões modernos.   *Marcas recomendadas: Seasonic; Silverstone; Antec; Corsair; XFX; PCYes!; EVGA.   *Marcas "meio termo", verificar atentamente cada modelo:   Seventeam; Zalman; Cooler Master; Thermaltake; Cougar; C3Tech; AeroCool; OCZ (já saiu do mercado faz tempo, muitas fontes seguras, mas de projeto antigo).   *Marcas não recomendadas (lista da vergonha): BlueCase; BR One; WiseCase; PCTop (Argus); PowerX (Argus); F-New; Fortrek; One Power; HRCS; Empire; Pixxo; K-MEX; Coletek; Duex; Casemall; Spire; Multilaser; GBT; Mymax; Leadership; Lite; Vinik; Xigmatek (pelas mentiras e muitos produtos ruins se passando por fontes melhores).