Uma fera no mundo hardware

Publicado em 23 de setembro de 1998 no jornal Zero Hora

Gabriel Torres tem apenas 24 anos, mas já é, reconhecidamente, um dos maiores especialistas brasileiros em hardware, manutenção e configuração de computadores. O seu conhecimento sobre máquinas está reunido em oito livros, todos da editora Axcel Books, que já venderam mais de 30 mil exemplares. Hardware Curso Completo 2ª Edição, que está chegando às livrarias, é a primeira obra de informática de um autor nacional a ser lançada em capa dura.

O jovem, que aos três anos já desmontava eletrônicos, mantém seu próprio curso no Instituto ORT, organização não-governamental de ensino técnico profissionalizante, no Rio de Janeiro, onde coordena o Laboratório de Tecnologias Avançadas. Sua página na Internet, (www.clubedohardware.com.br) classificada como um dos 10 melhores sites nacionais no concurso IW Best 97/98, tem orientado milhares de usuários de todo o país na hora de comprar uma máquina. Nesta entrevista, Torres conta como se tornou um craque no mundo do hadware.

Você é bastante jovem para ser um especialista em hardware. Com quantos anos começou a mexer com computadores?

Ganhei o meu primeiro microcomputador quando fiz 11 anos. Aos 14 já consertava micros profissionalmente. Eram modelos Apple II. Naquela época era preciso muito conhecimento em eletrônica para fazer esse tipo de trabalho. Por isso, eu lia todos os livros e revistas que encontrava sobre o assunto. Também aprendi muita coisa na prática. Depois só segui o caminho mais óbvio, fui estudar eletrônica. Sempre fui precoce nessa área. Segundo a minha avó, uma das primeiras palavras que aprendi a falar foi "pafuso". Aos três anos meu pai me pegou desmontando um gravador que ele tinha acabado de trazer de Manaus. Quando ele perguntou o que eu estava fazendo, respondi: " Tô consetâno, pai". Aos oito anos costumava assustar a minha mãe com os robôs que construia desmontando trenzinhos elétricos e adicionando peças que comprava. Acho que o meu destino foi traçado bem cedo.

O que mais chama a sua atenção nos computadores?

O marketing. Na maioria das vezes os usuários não usam as melhores ferramentas nem adquirem os melhores produtos pela pressão dos fabricantes. Como cada um diz ter o melhor produto, acaba ganhando aquele que tem mais dinheiro para investir em propaganda e marketing.

Tens um exemplo?

Tenho, e bem recente. A Intel divulgou que o seu processador Celeron seria um bom processador para usuários iniciantes. Ocorre que testamos esse processador em laboratório e ele é mais lento que o Pentium MMX. Acontece que ele é mais caro que o Pentium MMX. Muitos usuários acreditaram no marketing e compraram um processador mais caro e com desempenho inferior aos demais processadores do mercado.

Como você faz para se manter atualizado em meio a tantas novidades?

A Internet está aí para isso mesmo. Além disso, leio muitos livros.

Você certamente monta suas próprias máquinas. Quais os componentes de sua preferência?

Isso depende muito da aplicação do micro. Mas quem acompanha o meu trabalho há mais tempo, sabe que sou fã do processador AMD, o K6-2, que é mais rápido e barato do que o Pentium II.

Quais são as dúvidas mais freqüentes dos usuários?

Ih, todas as possíveis e imagináveis. Recebo, em média, 2 mil consultas de leitores por mês. Entre as mais comuns estão os "Hoax", nome dado à divulgação de notícias falsas via Internet. São e-mails que os usuários recebem de amigos divulgando vírus que não existem. Outras dúvidas são sobre a instalação do fax/modem, do kit multimídia e outros acessórios. O que mais chega são mensagens sobre falsificação de componentes, pois fui um dos primeiros a falar sobre o assunto em jornais, além de perguntas sobre componentes de baixa qualidade. Muitos compram o micro pelo menor preço, e depois descobrem que fizeram um péssimo negócio.

Os usuários costumam fazer perguntas bem estranhas e criar situações engraçadas. Lembra de alguma?

Uma engraçada foi a de um leitor que mandou um e-mail com a seguinte mensagem: "Gabriel, queria que você me ajudasse a configurar essa placa-mãe que segue em attach". E, em attach, o cara me mandou a foto de uma mulher nua. Acho que ele queria testar se eu realmente lia os e-mails que me eram enviados. Claro que respondi no mesmo tom: "para configurar essa placa-mãe terei que levá-la ao meu laboratório na sexta-feira à noite".

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