Usando seu 13º para um bom upgrade
Por Rafael Otto Coelho em 22 de outubro de 2005
Introdução
Manter-se com um computador atualizado é importante para muitas pessoas, e por razões muito diferentes. Há os que precisam sempre do maior desempenho possível, outros necessitam poder usar as versões mais atuais de aplicativos comerciais. Há os que querem estar atualizados para poder jogar os mais recentes lançamentos em games, os que querem uma máquina que não dê problema nunca, e os que simplesmente gostam de ter a máquina atualizada pelo simples prazer de saber que têm o melhor equipamento possível.
Comprar um computador novo a cada ano, ou a cada dois ou três anos, torna-se muito caro... A melhor alternativa é mesmo o upgrade, mantendo-se sempre atualizado. E que ocasião melhor para o upgrade do que quando se recebe o décimo terceiro salário? Alguns preferem usar a restituição do imposto de renda, mas nem todos a recebem...
Então, qual é a melhor sugestão para fazer um bom upgrade, gastando o mínimo possível para ter a máquina mais atualizada? Isso depende de cada caso. Neste artigo daremos algumas sugestões de upgrade gastando o menos possível.
Processador
Muitas pessoas identificam o micro pelo processador (“eu tenho um Pentium 4 de 3 GHz”, “meu computador é um Athlon XP 2400+”) mas hoje em dia, com a capacidade dos processadores e o tipo de aplicação que a maioria das pessoas usa, existem fatores até mais importantes do que o processador para se ter uma configuração equilibrada e atual.
Para a maioria dos usuários, que usa o computador basicamente para acessar a Internet e editar textos ou planilhas, não há necessidade real de usar um processador topo de linha. Ter um Pentium 4 de 3,6 GHz ou um Athlon 64 4000+ para apenas navegar na Internet e editar textos é um desperdício de dinheiro – dinheiro este que poderia estar sendo empregado para melhorar outras partes mais críticas do micro, tais como instalar mais memória RAM, comprar uma placa-mãe topo de linha e especialmente ter a melhor placa de vídeo que o seu dinheiro possa comprar (ponto crítico se você pretende rodar jogos).
Apenas pessoas que trabalham com grande processamento, como por exemplo, edição de vídeo, é que necessitam dos processadores mais rápidos do mercado. Usuários de jogos serão prejudicados por processadores lentos, porém é mais negócio investir em um processador médio e em uma boa placa de vídeo do que o contrário.
Assim, em nossa opinião, a real necessidade de upgrade do seu processador para o usuário "comum" só existe para quem tem um de menos de 1 GHz de clock. Se não for este o seu caso, recomendamos que outras partes do computador tenham prioridade.
Se você decidir por trocar o seu processador, fique atento. Em vários é necessário trocar também a placa-mãe, já que as placas utilizadas pelos processadores Pentium III, primeiros Pentium 4, Athlon mais antigos, etc, não suportarão os processadores atualmente disponíveis no mercado, principalmente pelo requisito de freqüência máxima do barramento (parâmetro também conhecido como clock externo ou FSB).
Sugerimos, caso você tenha optado por trocar o processador e a placa-mãe, evitar comprar processadores que usem soquete A (AMD) ou soquete 478 (Intel), por motivos que explicaremos mais adiante.
Memória
Nos casos de troca de placa-mãe, pode ser que você também tenha que trocar a memória RAM, pois na época dos processadores de 1 GHz o padrão mais comum de memórias era o PC133. Atualmente, o padrão é o uso de memórias DDR-SDRAM ou mesmo DDR2, que utilizam um soquete diferente e, por isso, não há como você aproveitar sua memória antiga em uma placa-mãe atual.
A memória, aliás, é um dos upgrades mais importantes e relativamente simples de serem feitos. Para a maioria das aplicações, o desempenho geral da máquina melhora com um aumento da quantidade de memória RAM, inclusive mais do que com um aumento na freqüência de trabalho do processador.
Hoje é inadmissível um computador trabalhar com menos de 256 MB de memória. E para quem quer uma máquina de bom desempenho, 512 MB ou mesmo 1GB são recomendáveis. Os jogos mais novos necessitam de, no mínimo, 512 MB de memória RAM.
Mas claro, lembrando que não é um bom negócio investir numa grande quantidade de memória de um padrão já ultrapassado. Se sua máquina não usa memórias DDR ou DDR2, é mais interessante pensar numa troca de placa-mãe e memória (deixando a troca do processador para mais tarde, se for o caso).
A propósito, se for investir na troca de memória, procure sempre que possível comprar memória mais rápida do que o necessário. Por exemplo, um computador baseado num Athlon XP 2400+ teoricamente não precisa de uma memória mais rápida do que o padrão DDR266/PC2100, mas é interessante comprar uma DDR333/PC2700 ou, melhor ainda, uma PC3200/DDR400, pois aí, num futuro upgrade, a memória poderá ser aproveitada. A diferença de preço é pequena ou mesmo inexistente.
Placa de vídeo
Nenhuma peça do computador é mais crítica para os amantes de games do que a placa de vídeo. Os jogos atuais são bastante exigentes em termos de poder de processamento, mas dificilmente um processador com clock superior a 1,5 GHz vai impedir você de rodar algum. Já as placas de vídeo são outro departamento...
Se seu micro atual tem vídeo on-board, você terá de instalar uma placa de vídeo de verdade nele. Esse é o upgrade mais importante de ser feito em micros desta categoria. A não ser que você só use o micro para rodar processador de textos, planilhas e acessar a Internet, é claro. Mas atualmente é pouco provável que alguém não rode pelo menos joguinho vez por outra. Se for este o seu caso, você terá de verificar se a sua placa-mãe tem um slot para permitir a instalação de uma placa de vídeo “de verdade”, do contrário você precisará fazer um upgrade da placa-mãe.
Uma placa de vídeo ainda encontrada no mercado, e, acredite, em alguns casos oferecida como uma “super placa aceleradora”, a Geforce MX4000, vai impedir você de jogar os últimos lançamentos. Na melhor das hipóteses você vai conseguir rodar o jogo configurando ele na menor resolução e diminuindo a qualidade da imagem ao máximo. Os melhores efeitos visuais, que dão o ar de realismo ao game, não funcionarão.
Isso é devido a dois fatores: baixa velocidade de processamento e incompatibilidade com os últimos padrões de efeitos. Esses padrões são definidos pela versão do DirectX (drivers da Microsoft que fazem a interface entre os jogos e o hardware). A versão atual do DirectX é a 9.0c. O ideal é ter uma placa que use um chip já compatível com o DirectX 9, mas nem sempre uma placa mais nova é mais rápida. Por exemplo, a Geforce FX5200 é compatível com DirectX 9, enquanto uma Geforce 4 Ti4200 está apenas de acordo com DirectX 8.1. Apesar de a GeForce 4 Ti4200 não ser capaz de mostrar a “última palavra” em termos de efeitos visuais, ela é mais rápida do que a primeira.
Placas baseadas no chip GeForce FX5200 ou Radeon 9550 são o mínimo para quem quer desempenho e compatibilidade, com preço baixo (custam em torno de R$ 300). Mas para quem é mesmo “gamer”, o ideal é gastar um pouco mais (aproximadamente R$ 600) e investir em uma Geforce 6200 ou uma Radeon 9600XT. Placas intermediárias relativamente mais antigas porém já baseadas no DirectX 9, como a Radeon 9600 Pro e a GeForce FX 5700, apresentam excelente relação custo/benefício e podem ser a opção para aqueles que querem ter um bom desempenho sem gastar muito.
Mas se você tiver real possibilidade de gastar um pouco mais, uma Geforce 6600GT ou uma Radeon X800 GTO são, em nossa opinião, as placas com melhor relação custo/benefício para quem quer uma placa de alto desempenho mas não quer pagar os tubos para ter a placa mais rápida do mercado. Mas preste atenção ao tipo de slot (AGP ou PCI Express, ver abaixo).
Para ajudar na escolha, recomendamos a leitura dos nossos tutoriais “Tabela Comparativa dos Chips da ATI” e “Tabela Comparativa dos Chips da nVidia” para saber quais são as diferenças técnicas entre os vários chips gráficos existentes no mercado hoje. Nossos testes de placas de vídeo também poderão ser úteis em sua decisão, é claro.
Outro detalhe a ser considerado é o padrão de slot usado pela placa de vídeo. Hoje o padrão PCI Express já está ganhando mercado rapidamente, enquanto o padrão AGP tende a ficar obsoleto no ano que vem. Portanto, se você vai trocar a placa-mãe e a placa de vídeo ao mesmo tempo, pense seriamente em partir para esse novo padrão.
Caso vá trocar apenas a placa de vídeo e manter a placa-mãe (ou vice-versa), o slot AGP ainda é uma opção. Mas pense bem... Daqui a um ano ou dois, vai ser impossível fazer um upgrade pegando peças atuais e mantendo a plataforma AGP.
Armazenamento
Disco Rígido
Diz um ditado antigo da informática que não importa o tamanho de seu disco rígido, ele estará cheio poucas semanas após a compra. Hoje em dia, com disco rígidos de 120 GB ou mais, isso é pouco provável. Por exemplo, para encher 120 GB de músicas em formato MP3 baixando-as por acesso discado ou mesmo banda larga, são necessários meses de download, no mínimo. Somente se você for um colecionador de vídeos, trabalhar com edição de vídeo (mesmo caseira), ou quiser ter dezenas de games instalados no seu micro, você realmente precisará de muito espaço. Na maioria dos casos, se você tem um disco de 40 GB ou até mesmo de 20 GB, isso provavelmente é suficiente, e não há necessidade de colocar a troca de disco entre as suas prioridades.
Mas se você for comprar um novo HD, não economize. A diferença de preços entre discos de 80 GB, 120 GB e 160 GB é pequena, então pense em 120 GB ou mais. Afinal, nunca se sabe o quanto de espaço você precisará daqui a algum tempo.
Outra coisa importante diz respeito à interface. Existem atualmente no mercado discos com interface ATA133 e SATA. Embora apenas as placas-mãe mais atuais sejam compatíveis com os discos SATA, se a sua tiver esse recurso, compre um, pois a interface SATA tende a se tornar o padrão vigente em pouco tempo.
Gravadores de DVD
Caso precise fazer um upgrade de unidade óptica, nem pense duas vezes: hoje em dia quase não há mais sentido em não ter uma gravadora de DVD. Claro, se a máquina vai ser usada apenas para digitação de textos e não vai haver necessidade de fazer backups que ocupem mais de 700 MB, uma gravadora de CD vai servir. Mas se a máquina for de uso mais geral, uma gravadora de DVD vai ser uma excelente opção, por causa da amplitude de opções que abre e o custo relativamente baixo.
Placa-mãe
A necessidade de troca da placa-mãe é a mais difícil de definir. Em geral recomendamos a troca da placa-mãe quando o kit “placa-mãe, processador e memória” será todo trocado. E, a recíproca é verdadeira, quando há necessidade de trocar a placa-mãe (por uma queima, por exemplo), aproveita-se para trocar memória e processador, se possível.
O único caso “obrigatório” que vemos é quando seu micro tem vídeo on-board e você quer instalar uma placa de vídeo “de verdade” nele e sua placa não tem um slot AGP ou PCI-E para a instalação da nova placa de vídeo.
A questão é que a placa-mãe define que tipo de processador, memória e placa de vídeo que você poderá usar. Assim, dificilmente é um bom negócio investir numa placa-mãe que não seja compatível com processadores e memórias atualmente topo de linha, ou quase topo de linha. Sempre há diversos processadores no mercado, das duas empresas líderes, mas mesmo que você vá comprar um modelo dos mais baratos, não compre uma placa que não aceite processadores mais rápidos do que estes.
Para exemplificar, hoje você poderia comprar um processador Celeron D de 2,4 GHz, e existem placas que, apesar de trabalharem bem com ele, não aceitam por exemplo um Pentium 4 de 3,2 GHz (por não aceitarem o clock externo de 800 MHz). Assim, se no ano que vem você for fazer um upgrade de processador, terá que trocar novamente a placa-mãe. Se comprar agora uma placa que aceite o Pentium 4 de 3,2 GHz, poderá fazer esse upgrade futuro sem trocar a placa-mãe. E existem opções com esse recurso e com preços semelhantes às encontradas no mercado sem essa compatibilidade.
Normalmente, pensando em upgrades futuros, é interessante adquirir uma placa-mãe “superdimensionada” para o seu processador, deixando a troca do mesmo para o futuro.
Hoje, para piorar, o mercado está em período de “metamorfose” de soquetes. Os processadores Intel ainda são encontrados no soquete 478, mas a tendência é que este desapareça em pouco tempo, abrindo espaço para o ainda recente soquete 775. Assim, se você optar por uma placa-mãe soquete 478, tenha em mente que, da próxima vez que quiser o processador, possivelmente terá de trocar a placa-mãe. A AMD também apresenta a mesma questão: no mercado você encontrará processadores Sempron de soquete A (também conhecido como soquete 462), embora este soquete esteja saindo de linha. Os Athlon 64 soquete 939 (incluindo os de núcleo duplo) e os Sempron soquete 754 estão rapidamente se popularizando.
Assim, se você for trocar placa-mãe e processador, pense muito bem antes de ficar com um desses soquetes “condenados”.
Outro detalhe que já foi comentado é em relação ao slot para placas de vídeo. Hoje são encontradas no mercado placas-mãe com slot AGP e PCI Express. Só recomendamos manter a plataforma AGP caso você tenha necessidade de manter sua placa de vídeo. Se você tem uma boa placa de vídeo AGP, obviamente não vale a pena ter de trocá-la por uma inferior apenas para pegar uma placa-mãe mais atualizada.
Gabinete e Fonte
Caso o seu gabinete não seja um ATX de 4 baias, daqueles onde a fonte fica acima da placa-mãe e não ao lado dela, tenha em mente que você precisará trocar o gabinete também. Os processadores e coolers atuais não podem ser usados nos gabinetes mais antigos (3 baias), onde a posição da fonte impede uma boa circulação de ar.
Os processadores atuais da Intel, por exemplo, têm um padrão de gabinetes recomendado que exige, entre outras coisas, uma furação na lateral do computador e um duto de ar que permita que o cooler do processador sugue o ar de fora da máquina para resfriá-lo. Leia o artigo Montando Corretamente PCs com o Pentium 4 Prescott para saber mais sobre isso.
A fonte é outra questão a ser considerada. Todas as placas-mãe atuais exigem fontes de alimentação compatíveis com o padrão ATX12V (popularmente conhecidas como “fontes para Pentium 4”) ou com o padrão ATX 2.0.
Se o seu computador é um pouco mais antigo, provavelmente sua fonte não atende a esse padrão, nesse caso a fonte deverá ser trocada.
Ao comprar uma fonte, pense seriamente em deixar de lado as fontes “genéricas” e ir atrás de uma fonte de potência real. Essas fontes custam por volta de R$ 150 ou mais, mas acredite, valem cada centavo investido. Montar um micro com um processador topo de linha, placa de vídeo último tipo, tudo do bom e do melhor, e colocar o mesmo “pendurado” numa fonte de R$ 50 é, no mínimo, extremamente arriscado. A fonte de baixa qualidade pode comprometer a estabilidade do sistema, causando travamentos e resets aleatórios, ou mesmo provocar queima de componentes.
Leia nosso tutorial “Fontes de Alimentação” para aprender mais sobre este importante assunto.
Monitor de vídeo
Se você tem ainda um monitor de 14 polegadas ou mesmo de 15, não sabe o que está perdendo. Claro que um monitor CRT (tubo de raios catódicos) de 15 ainda é uma opção viável pelo seu baixo custo, mas caso você tenha um pouco mais de espaço em sua mesa e está pensando em comprar um monitor novo, considere comprar um de 17 polegadas. A diferença de preço entre um monitor de 15” e um de 17” é mínima em relação ao conforto extra que o “grandão” representa. Mesmo monitores de 19” estão com preços bastante acessíveis.
Caso o problema seja espaço pequeno (mais apertado do que o orçamento), pense em comprar um monitor de cristal líquido (LCD). Esses monitores tiveram uma queda de preço acentuadíssima nos últimos meses, sendo encontrados hoje na faixa dos R$ 800 (para um LCD de 15”). A qualidade de imagem vale a pena.
Lembre, ao decidir entre um LCD de 15” ou um CRT de 17”, que nesse último (como em todos os monitores e TVs que usam tubo de imagem) há uma perda de mais de 1 polegada nas bordas da imagem. Assim, um monitor CRT de 17 polegadas vai ter uma área útil (visível) de 16” ou menos, enquanto um monitor de 15” LCD vai ter uma área útil de 15 polegadas realmente.
Outra questão a ser lembrada é que os monitores LCD precisam rodar sempre em sua “resolução nativa” para melhor qualidade. Por exemplo, o monitor Samsung SyncMaster 710N (um LCD de 17”) tem resolução nativa de 1280 x 1024, então você terá de usá-lo tempo todo nessa resolução.
Leia nosso tutorial “Tudo o Que Você Precisa Saber Sobre Monitores LCD” para entender mais sobre o assunto e saber tudo o que é necessário antes de se decidir por um modelo LCD.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1106
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