Teste da Fonte de Alimentação Enermax Liberty DXX 500W
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 21 de abril de 2008
Introdução
A Liberty DXX 500 W, também conhecida como ELT500AWT, é uma das fontes de alimentação mais populares da Enermax e que vem com PFC ativo, alta eficiência, sistema de cabeamento modular, ventoinha de 120 mm e dois cabos de alimentação auxiliar para a placas de vídeo para alimentar seu sistema SLI ou CrossFire. Nós desmontamos completamente esta fonte e também a testamos para ver se ela realmente pode fornecer sua potência rotulada de 500 W. Confira.
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Figura 1: Fonte de alimentação Enermax Liberty DXX 500 W.
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Figura 2: Fonte de alimentação Enermax Liberty DXX 500 W.Como você pode ver, esta fonte de alimentação usa uma grande ventoinha de 120 mm de rolamento em sua parte inferior (a fonte de alimentação está de cabeça para baixo nas Figuras 1 e 2) e uma grande grade na parte traseira onde tradicionalmente temos uma ventoinha de 80 mm. Nós gostamos desta abordagem já que ela oferece não apenas um melhor fluxo de ar, mas a fonte de alimentação também produz menos ruído, já que a ventoinha pode girar a uma velocidade menor de modo a produzir o mesmo fluxo de ar de uma ventoinha de 80 mm.
Esta fonte de alimentação tem PFC ativo, que oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que a Enermax venda este produto na Europa (leia nosso tutorial sobre o PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação). No que diz respeito a eficiência, a Enermax diz que este produto tem uma eficiência de 80%. Claro que mediremos isto para ver se o que o fabricante afirma é verdade. Lembre-se que fontes de alimentação mais caras têm uma eficiência de pelo menos 80%. Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.
O cabo de alimentação principal da placa-mãe usa um conector de 20/24 pinos e esta fonte tem dois conectores ATX12V que juntos formam um conector EPS12V.
Nesta fonte de alimentação você pode monitorar a velocidade de rotação da ventoinha através do computador, recurso não muito comum. Se você quiser usar este recurso, você tem que instalar o cabo da ventoinha que sai de dentro da fonte (cabo com dois fios mostrado na Figura 2) em qualquer conector de alimentação para ventoinha de três pinos da placa-mãe.
Como mencionamos esta fonte usa um sistema de cabeamento modular, com os cabos vindo dentro de um estojo, mostrado na Figura 3. Nós gostamos de sistemas de cabeamento modular já que você pode instalar apenas os cabos que realmente usará, aumentando assim o fluxo de ar dentro do micro já que menos cabos ficarão sobrando no interior do gabinete.
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Figura 3: Cabos para periféricos.Esta fonte de alimentação vem com seis cabos de alimentação para periféricos: um cabo de alimentação auxiliar para placa de vídeo com conector de 6/8 pinos, um cabo de alimentação auxiliar para placa de vídeo com conector de seis pinos, dois cabos contendo dois conectores de alimentação para periféricos padrão e dois conectores de alimentação SATA cada e dois cabos contendo dois conectores de alimentação para periféricos padrão, dois conectores de alimentação SATA e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada. Como você pode ver esta é uma configuração atípica, já que normalmente os fabricantes não colocam conectores de alimentação SATA e conectores de alimentação para periféricos no mesmo cabo.
Portanto esta fonte tem um total de oito conectores de alimentação SATA e oito conectores de alimentação para periféricos, o que é muito mais do que o suficiente para qualquer usuário médio. O problema, no entanto, é que é difícil usar ao mesmo tempo os conectores de alimentação SATA e os conectores de alimentação para periféricos que estão instalados no mesmo cabo, já que eles ficam muito próximos uns dos outros. Por exemplo, se você tem dois discos rígidos SATA e uma unidade óptica que ainda usa conectores de alimentação para periféricos, você precisará usar pelo menos dois cabos, já que o cabo usado para alimentar os dois discos rígidos não é longo o suficiente para alimentar a unidade óptica ao mesmo tempo.
É interessante notar que a Enermax vende cabos adicionais para esta fonte de alimentação, se você precisar de uma configuração diferente de cabos.
Nesta fonte de alimentação todos os fios são 18 AWG, o que é perfeito para faixa de potência desta fonte.
No que diz respeito a estética, a Enermax usou acabamento de nylon em todos os cabos e eles partem de dentro da fonte.
Vamos agora dar uma olhada em mais profundidade nesta fonte de alimentação.
Por Dentro da Liberty DXX 500W
Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.
Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.
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Figura 4: Visão geral.
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Figura 5: Visão geral.
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Figura 6: Visão geral.Como mencionamos em outros artigos e testes, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.
Esta fonte é impecável, já que ela tem uma bobina de ferrite extra e dois capacitores Y extras neste estágio, mais um capacitor X adicional após a ponte de retificação e dois núcleos de ferrite, um no cabo de alimentação principal CA e outro no cabo que conecta o estágio de filtragem de transientes na placa de circuito impresso principal (nesta fonte o estágio de filtragem de transientes está localizado em uma placa de circuito impresso separada, veja na Figura 7). Nesta fonte o varistor (MOV) está instalado após a ponte de retificação, uma configuração típica de fontes que usam projetos antigos.
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Figura 7: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).
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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes (parte 2).Agora vamos discutir em mais detalhes sobre os componentes usados na Liberty DXX 500 W.
Análise do Primário
Vamos agora dar uma olhada a fundo no interior da Enermax Liberty DXX 500 W. Para uma melhor compreensão do que falaremos aqui e na próxima página sugerimos a leitura do nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.
Esta fonte de alimentação usa uma ponte de retificação GBU10J em seu estágio primário, que pode fornecer até 10 A (a 100°C). Esta ponte está presa a um dissipador de calor próprio.
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Figura 9: Ponte de retificação.No circuito PFC ativo esta fonte usa dois transistores de potência MOSFET IRFP460A, cada um capaz de fornecer até 20 A a 25°C ou 13 A a 100°C (aqui você pode ver o que a diferença que a temperatura faz).
Na seção de chaveamento dois transistores de potência MOSFET 2SK2746 são usado, cada um capaz de fornecer até 7 A a 25°C em modo contínuo ou 21 A a 25°C em modo pulsante.
Aqui encontramos a principal diferença entre esta fonte e outras boas fontes de alimentação disponíveis no mercado hoje. Apesar de a seção de chaveamento ter dois transistores, eles não usam a tradicional configuração de chaveamento direto com dois transistores (two-transistor forward), mas em vez disso os dois transistores são conectados em paralelo usando uma configuração de chaveamento direto com um único transistor (single-transistor forward).
Os transistores chaveadores, os transistores do PFC ativo, o diodo do PFC e o transistor chaveador de +5VSB estão localizados no mesmo dissipador de calor.
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Figura 10: Transistores chaveadores, transistor do PFC ativo e transistor de +5VSB da fonte de alimentação.
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Figura 11: Diodo do PFC ativo, transistor do PFC ativo e transistor chaveador.O circuito PFC ativo é controlado por um circuito integrado UCC3818, que está localizado em uma pequena placa de circuito impresso presa na placa de circuito impresso principal.
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Figura 12: Controlador do PFC ativo.Análise do Secundário
Esta fonte de alimentação usa quatro retificadores Schottky em seu secundário, porém eles são conectados de maneira diferente de outras fontes de alimentação.
Atualmente em fontes de alimentação com quatro retificadores nós normalmente temos dois deles conectados em paralelo retificando a linha de +12V, um retificando a linha de +5 V e outro retificando a linha de +3,3 V. Isto reflete a utilização da fonte de alimentação de hoje em dia, onde a maior parte da potência é extraída das saídas de +12V. Antigamente a maior parte da potência era concentrada nas saídas de +5 V.
Nesta fonte de alimentação, no entanto, os dois retificadores que são conectados em paralelo são responsáveis pelas saídas de +5 V e eles são usado, ao mesmo tempo, para ajudar na retificação da linha de +12V. Esta é a primeira vez que vimos uma configuração exótica como essa. Para ajudar a você entender esta configuração, nós desenhamos um diagrama simplificado do secundário desta fonte na Figura 13.
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Figura 13: O secundário.Todos os quatro retificadores Schottky são os mesmos: DF40S4. Cada retificador pode fornecer até 40 A a 106°C. Isto resulta em uma potência máxima teórica de 132 W para a saída de +3,3 V, 400 W para a saída de +5 V e 480 W para a saída de +12 V. A corrente máxima que cada linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor e da bitola dos fios usados.
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Figura 14: Retificadores do secundário.
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Figura 15: Retificador do secundário e regulador de tensão de -12 V.Esta fonte de alimentação usa um sensor térmico no dissipador de calor do seu secundário (veja a Figura 16; para tirar esta foto nós removemos o dissipador de calor do secundário), que é usado para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte e também para desligar a fonte em caso de superaquecimento.
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Figura 16: Sensor térmico.Esta fonte de alimentação usa um circuito integrado para monitoramento PS223 (veja na Figura 16), que é responsável pelas proteções da fonte, como OCP (sobrecarga de corrente). Este circuito integrado também oferece proteções contra sobretensão (OVP), subtensão (UVP) e superaquecimento (OTP), mas ele não traz proteção contra sobrecarga de potência (OPP).
O capacitor do PFC ativo é japonês da Chemi-Com e é rotulado a 85°C, enquanto que os capacitores eletrolíticos do secundário são rotulados a 105°C.
Análise da Potencia
Na Figura 17 você pode ver a etiqueta desta fonte de alimentação contendo todas suas especificações de potência.
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Figura 17: Etiqueta da fonte de alimentação.Como você pode ver esta fonte de alimentação tem dois barramentos virtuais de +12V, +12V1 e +12V2, e dentro da fonte você pode ver claramente que cada barramento está conectado separadamente ao circuito integrado de monitoramento, que é responsável pela proteção contra sobrecarga de corrente (OCP). Durante nossos testes, no entanto, nós não conseguimos fazer este circuito desligar a fonte de alimentação, como falaremos mais tarde.
Nesta fonte de alimentação cada barramento virtual está conectado da seguinte forma:
- +12V1: Cabo principal da placa-mãe, sistema de cabeamento modular.
- +12V2: Conectores ATX12V/EPS12V.
Esta é a distribuição tradicional para fontes de alimentação com dois barramentos virtuais. Nós, no entanto, não achamos que esta seja a melhor distribuição para um micro com duas placas de vídeo porque as placas são conectadas no mesmo barramento e se você usar modelos topo de linha elas podem fazer com que a fonte desarme devido à ativação da proteção contra sobrecarga de corrente da fonte de alimentação mesmo elas estando trabalhando dentro de suas especificações.
O sistema de cabeamento modular é conectado na placa de circuito impresso principal usando dois fios 18 AWG para a linha de +3,3 V, quatro fios 18 AWG para a linha de +5 V, dois fios 12 AWG para a linha de +12 V e três fios 12 AWG para o sinal de terra. Esses fios de 12 AWG são muito grossos, o que é excelente.
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Figura 18: Fios usados para conectar o sistema de cabeamento modular na placa de circuito impresso principal.Vamos agora ver se esta fonte pode realmente fornecer 500 W de potência.
Testes de Carga
Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação.
Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Este foi o mesmo padrão de carga usado em outras fontes de alimentação de 500 W que testamos recentemente, como a Antec EarthWatts 500 W.
Para o teste de carga de 100% nós usamos dois padrões. No primeiro, teste número cinco, nós respeitamos o limite máximo combinado para os barramentos de +12 V impresso na etiqueta da fonte (384 W). De modo a respeitar este limite, no entanto, nós testamos a fonte de alimentação com mais corrente nas linhas de +5 V e +3,3 V do que gostaríamos. Portanto nós incluímos um sexto padrão também extraindo 500 W da Liberty DXX 500 W mas extraindo mais corrente da linha de +12 V e menos corrente das linhas de +5 V e +3,3 V, usando o mesmo padrão usado no teste da fonte de alimentação mencionada acima da Antec, porém extraindo mais corrente (e conseqüentemente potência) que os dois barramentos de +12 V poderiam oficialmente fornecer juntos.
Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.
+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação. Como nesta fonte o único dispositivo conectado em seu barramento de +12V2 é realmente o conector EPS12V, neste teste +12V1 e +12V2 nas tabelas e gráficos mostrados abaixo realmente representam os barramentos +12V1 e +12V2 da fonte de alimentação.
Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.
Entrada
Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
Teste 6
+12V1
4 A (48 W)
8 A (96 W)
11 A (132 W)
14 A (168 W)
16 A (192 W)
17 A (204 W)
+12V2
3 A (36 W)
6 A (72 W)
10 A (120 W)
14 A (168 W)
16 A (192 W)
17 A (204 W)
+5V
1 A (5 W)
2 A (10 W)
4 A (20 W)
6 A (30 W)
12 A (60 W)
9 A (45 W)
+3,3 V
1 A (3,3 W)
2 A (6,6 W)
4 A (13,2 W)
6 A (19,8 W)
11 A (36,3 W)
9 A (29,7 W)
+5VSB
1 A (5 W)
1 A (5 W)
1,5 A (7,5 W)
2 A (10 W)
3 A (15 W)
3 A (15 W)
-12 V
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,6 A (7,2 W)
0,6 A (7,2 W)
Total
103,9 W
195,6 W
297,1 W
397,9 W
499,7 W
499,1 W
% Carga Máx
20,8%
39,1%
59,4%
79,6%
99,9%
99,8%
Temp. Ambiente
45,2º C
48,6º C
46,º C
45,4º C
48,5º C
47,5º C
Temp. Fonte
50,3º C
44,1º C
50,8º C
51,1º C
56,3º C
53,4º C
Resultado
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Estabilidade da tensão
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Ripple e ruído
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Potência CA
129 W
237 W
366 W
510 W
657 W
656 W
Eficiência
80,5%
82,5%
81,2%
78,0%
76,1%
76,1%
O principal problema desta fonte de alimentação é a sua eficiência, como você pode ver. Ela conseguiu manter a eficiência acima de 80% apenas nos testes número um (20% da carga ou 104 W), número dois (40% da carga ou 196 W) e número três (60% da carga ou 297 W). Só para lembrar, na Corsair VX450W e na Antec EarthWatts 500 W (que são internamente a mesma fonte) nós vimos uma eficiência de 82% quando a fonte de alimentação estava fornecendo 500 W e a eficiência atingiu acima de 85% nos testes um, dois e três, onde esta fonte da Enermax conseguiu chegar até 82,5%.
A regulação da tensão durante todos os testes foi excelente, com todas as saídas dentro de um limite de 3% da tensão nominal – a especificação ATX define que todas as saídas precisam estar dentro de um limite de 5% da tensão nominal – exceto a saída de +5V, que estava entre 5,16 V e 5,17 V durante todos os testes. Esses números, no entanto, ainda estão dentro da margem de 5% que é definida pela especificação ATX para esta saída. Claro que sempre queremos ver valores próximos ao da tensão nominal.
O principal destaque deste produto foi o nível de oscilação (ripple) e ruído, muito baixo. Porém quando nós movemos de 80% da carga para 100% o nível de ruído nas saídas de +12 V quase dobrou, passando de 18 mV para 32,4 mV em +12V1 e de 21,4 mV para 34,4 mV em +12V2 (resultados para o padrão número cinco). Mesmo com este aumento o nível de ruído ainda estava baixo e muito distante do limite de 120 mV. O nível de ruído em +5 V foi de 16,2 mV e em +3,3 V foi de 15 mV, também para o padrão número cinco. O padrão número seis apresentou resultados similares, que ainda são parecidos com os resultados apresentados pela Antec EarthWatts 500 W e pela Corsair VX450W.
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Figura 19: Nível de ruído na entrada de +12V1 do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.
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Figura 20: Nível de ruído na entrada de +12V2 do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.
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Figura 21: Nível de ruído na entrada de +5V do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.
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Figura 22: Nível de ruído na entrada de +3,3V do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.Vamos agora ver se conseguimos extrair mais potência desta fonte.
Testes de Carga (Cont.)
Como de costume nós fizemos com que esta fonte trabalhasse acima de suas especificações para ver o que acontecia.
Primeiro nós tentamos ver se a proteção contra sobrecarga de corrente estava ativa e em que nível. Para testar isto nós removemos todos os cabos do nosso testador de carga deixando apenas o cabo principal da placa-mãe e aumentamos a corrente em +12V1 para 28 A. A fonte de alimentação não desligou. Como na etiqueta diz que cada barramento de +12V tem um limite de 22 A, a fonte de alimentação deveria ter desligado quando extraímos 28 A. Como realmente vimos que cada barramento estava fisicamente conectado no circuito integrado de monitoramento responsável pelo circuito de proteção, nós supomos que a proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) estava configurado com um valor maior do que o impresso na etiqueta. Nós poderíamos continuar aumentando a corrente em +12V1, mas a tensão na linha de +12 V começou a diminuir.
Nosso próximo passo foi descobrir qual era a quantidade máxima de potência que esta fonte poderia fornecer mantendo-a funcionando dentro de suas especificações.
Começando do padrão número seis (veja na página anterior) nós aumentamos a corrente em ambos os barramentos de +12 V para 24 A e aumentamos também a corrente nos barramentos de +5 V e +3,3 V para 10 A cada. Com este padrão nós estávamos extraindo 681,2 W da fonte, mas as tensões estavam fora das especificações – a tensão em +12V1 estava em 10 V, por exemplo. A proteção contra subtensão (UVP) não entrou em ação como deveria; ou ela estava desabilitada (que não achamos que seja o caso já que o chip de monitoramento suporta este recurso) ou ela estava configurada para entrar em ação apenas quando as tensões estivessem muito mais abaixo de seus valores nominais (o que é mais provável).
Feito isto nós configuramos ambos os barramentos de +12V1 e +12V2 para extrair 22 A, mantendo as saídas de +5V e +3,3 V em 10 A. Nesta configuração a fonte de alimentação estava fornecendo 617 W e nós estávamos extraindo 852 W da rede elétrica, o que significa uma eficiência de 72,4 %. Após dois minutos nesta configuração a fonte de alimentação desligou, o que significa que uma de suas proteções entrou em ação.
Nós então diminuímos a corrente em +12V1 e +12V2 para 21 A, fazendo com que a fonte de alimentação fornecesse 596 W e extraísse 819 W da rede elétrica – portanto a eficiência foi de 72,8%. O problema foi que após um minuto e meio nesta configuração a fonte de alimentação silenciosamente morreu. Após abrirmos a fonte e testarmos todos os principais componentes descobrimos que o retificador de +12V queimou.
A Enermax diz que este produto tem proteção contra sobrecarga de potência (OPP ou OLP; ambos são acrônimos e significam a mesma coisa), porém o circuito integrado de monitoramento não oferece tal recurso. Se a fonte de alimentação realmente tiver este recurso implementado fora deste chip (o que não parece ser o caso), ele está configurado com um valor muito alto e, portanto, não conseguimos vê-lo em ação.
Como a fonte de alimentação queimou muito rápido nós não conseguimos verificar o nível de ruído em todas as saídas (nós conseguimos ver apenas para a saída de +12V1, que foi de 47 mV).
Portanto não pudemos determinar se a fonte de alimentação pode fornecer mais do que 500 W de forma contínua.
A proteção contra curto-circuito (SCP) funcionou bem para as linhas de +5V e +12V.
Quando a ventoinha da fonte de alimentação gira lentamente ela é muito silenciosa, mas assim que ela começa girar mais rápido em sua velocidade de rotação máxima o nível de ruído é muito alto.
Principais Características
As principais especificações técnicas da fonte de alimentação Enermax DXX 500 W são:
- ATX12V 2.2.
- Potência nominal rotulada: 500 W.
- Potência máxima medida: 500 W a 48,5°C.
- Eficiência rotulada: 80%.
- Eficiência medida: Entre 76,1% e 82,5% em 115 V.
- PFC ativo: Sim.
- Conectores da placa-mãe: Um conector 20/24 pinos e dois conectores ATX12V que juntos formam um conector EPS12V.
- Conectores para placas de vídeo: dois conectores, um de 6 pinos e outro de 6/8 pinos.
- Conectores para periféricos: Oito, quatro cabos com dois conectores de alimentação para periféricos cada.
- Conectores SATA: Oito, quatro cabos com dois conectores de alimentação SATA cada.
- Proteções: sobretensão (OVP, não testada), subtensão (UVP, testada e não funcionando), sobrecarga de corrente (OCP, testada e não funcionando), sobrecarga de potência (OPP, testada e não funcionando), curto-circutio (SCP, testada e funcionando) e contra superaquecimento (OTP, não testada).
- Garantia: 3 anos nos EUA. No Brasil a garantia dependerá do distribuidor.
- Mais informações: http://www.enermaxusa.com
- Preço Médio no EUA*: US$ 120,00.
*Pesquisado no Shooping.com no dia da publicação desse teste.
Conclusões
Para sermos honestos ficamos decepcionados com a Enermax Liberty DXX 500 W, já que esperávamos mais dela, especialmente por ela ser tão “famosa” no Brasil e o pessoal realmente achar que esta é uma excelente fonte – o que, infelizmente, não é o caso.
Apesar de ela ter uma ventoinha de 120 mm, sistema de cabeamento modular suportando dois cabos de alimentação auxiliares para placas de vídeo – um deles com um conector de 6/8 pinos –, mais conectores do que a maioria das fontes de alimentação simples e um nível de ruído e oscilação muito baixo e conseguir realmente fornecer 500 W a 48,5°C, sua eficiência foi baixa, ficando abaixo de 80% se você extrair mais do que 300 W dela.
Esta fonte usa um projeto diferente em seu secundário, que mostrou não ser bom. Junto com a decisão de usar um projeto com chaveamento direto com um transistor em seu primário em vez do tradicional chaveamento direto com dois transistores, o projeto usado por esta fonte de alimentação provou não ser o mais eficiente.
Praticamente todas as proteções falharam durante os testes, mostrando que elas estavam desabilitadas ou configuradas com um valor muito alto: esta fonte não sobreviveu aos nossos testes de carga.
Nós sabemos que usuários comuns provavelmente não sobrecarregarão suas fontes, mas é sempre bom saber que a fonte desligará diante de uma situação de sobrecarga em vez de simplesmente queimar – ainda mais no Brasil onde distribuidores e lojistas dão uma garantia muito curta, especialmente se comparada com a garantia original nos EUA.
Usuários que estejam montando um micro simples provavelmente não extrairão mais de 300 W dos seus micros. Portanto, se você é um deles provavelmente não se deparará com situações de sobrecarga e problemas de eficiência dos quais estamos falando. No entanto, quando você pensa que a Corsair VX450W e a Antec EarthWatts 500 W são mais baratas e produtos melhores – ambas são internamente a mesma fonte e oferececem uma eficiência muito maior e suas proteções funcionam muito bem –, não faz sentido comprar a Enermax Liberty DXX 500 W hoje.
Lembre-se que esta fonte de alimentação já está no mercado há um tempo e isto não significa que todos os produtos a Enermax têm esses mesmos problemas. Não se preocupe: nós testaremos as fontes de alimentação mais modernas da Enermax em breve.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1186
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