A Ressurreição do LCoS
Por Steve Kovsky e Cássio Lima em 08 de setembro de 2006

Introdução

Até um ano atrás as opções de TV disponíveis no mercado estavam praticamente limitadas a três tipos principais de tecnologia: CRT, LCD e DLP.

Os videófilos estavam desiludidos com o aparente fracasso de uma tecnologia de TV promissora: o cristal líquido sobre silício (LcoS, Liquid Crystal on Silicon). Os principais mantenedores da tecnologia LCoS até então – Intel e Philips – tinham desistidos de colocar no mercado produtos baseados nesta tecnologia.

Atualmente, no entanto, parece que os mantenedores da “morta” tecnologia para TV LCoS foram precipitados. Neste artigo, daremos uma olhada nas TVs LCoS e falaremos a respeito do seu milagroso reaparecimento e discutiremos também porque você consideraria a possibilidade de comprar uma TV LCoS.

Uma recente pesquisa realizada pela empresa Current Analysis indica que a tecnologia LCoS teve o seu surpreendente retorno em 2005, expandindo de um único modelo encontrado nas prateleiras das lojas nos EUA em janeiro daquele ano para um dúzia de telas LCoS um ano depois.

Entendendo o LCoS

Se você voltar ao terceiro trimestre de 2004, as notícias vieram como uma seqüência de dois socos: Primeiro, a Philips anunciou que estava abandonando a tecnologia LCoS, e em seguida, a Intel fez o mesmo. Esta notícia pegou muitos consumidores e especialistas da indústria de surpresa, já que eles estavam esperando a tecnologia LCoS como uma tecnologia de vídeo promissora que combinava o melhor dos dois mundos – a LCoS misturava os melhores atributos da tecnologia de cristal líquido (LCD) com a DLP (originalmente um acrônimo para Digital Light Processing, processamento digital de luz, apesar de hoje em dia ser uma marca registrada da Texas Instruments).

Como nas TVs convencionais e nas TVs LCD, a tecnologia LCoS utiliza minúsculos cristais líquidos para criar os pixels coloridos que compõem a imagem na tela. Através da aplicação de uma carga elétrica em uma célula preenchida com cristais líquidos, o estado do cristal é alterado para permitir ou bloquear a passagem da luz – tornando o pixel aceso ou apagado. A arquitetura do LCoS também herda características da tecnologia DLP, que usa espelhos microscópicos para direcionar a luz. Em um sistema LcoS, a camada de cristal líquido fica sobre o substrato do espelho reflexivo. Em vez de acender uma luz de fundo diretamente através da camada do LCD, a luz é emitida do espelho por trás do cristal liquido.

Existem várias vantagens inerentes à tecnologia LCoS:

  • Ao contrário da tecnologia DLP convencional, não existem partes móveis – não há micro espelhos que se movem nem rodas de cor giratórias. Esta última está por trás do “efeito arco-íris” que irrita alguns usuários de TVs DLP.
  • Ao contrário das TVs de LCD, as linhas da matriz que separa os pixels é menor, eliminando o “efeito veneziana” – linhas pretas que aparecem entre os pixels.

Portanto, como não gostar desta tecnologia? Bem, além de outras desvantagens que se tornaram evidentes no processo de fabricação, o alto custo foi o maior culpado. A tecnologia LCoS favorece a produção de telas maiores e com maiores definições. Por serem grandes, elas provaram custar mais do que a maioria dos consumidores estava preparada para pagar em 2004 ou no início de 2005 – particularmente quando uma variedade de outras excelentes e mais acessíveis tecnologias estavam disponíveis. Tecnologia de Plasma, em particular, tornou-se consideravelmente mais barata, e sua combinação de telas grandes com a sua espessura fizeram com que a maioria dos compradores pensassem duas vezes antes de comprarem uma gigantesca TV de projeção.

O Ressurgimento do LCoS

Após a Intel e a Philips terem parado de fabricar produtos com tecnologia LCoS, a maioria dos consumidores deduziram que esta tecnologia era uma experiência mal-sucedida. A Thomson (com a marca RCA) e a Toshiba (que usou telas LCoS da Hitachi) já tinham se queimado com a primeira geração de produtos LCoS e bateram em retirada.
 
Em janeiro de 2005 os pesquisadores de campo da Current Analysis poderiam encontrar apenas alguns modelos 55PL9773/17 de 55 polegadas da Philips baseados na tecnologia LCoS restantes nas lojas, sendo vendidos em promoção por US$ 1.799. Em fevereiro de 2005, a Mitsubishi entrou na briga com sua gigantesca TV de 82 polegadas WL-82913. Custando US$ 14.999, a TV parecia confirmar o fato de que a tecnologia LCoS estava longe de alcançar os consumidores normais e por isso não chegou em grande escala aos canais de distribuição.

Finalmente, em abril de 2005, um perceptível desaquecimento no mercado LCoS deu-se início. O primeiro sinal de retorno à vida veio da Sony, que lançou o tão esperado Qualia KDS70Q006 usando a tecnologia proprietária da empresa SXRD, uma variação do LCoS. O lançamento da TV de 70 polegadas, com um preço inicial de US$ 12.999, fez pouco para melhorar a percepção do LcoS: muito grande, muito cara e muito tarde. No entanto, a qualidade de imagem impressionante do sistema, aliado com a carismática marca da Sony, teve o efeito de revigorar o interesse em produtos LCoS – mesmo que eles ainda gerem pouca demanda.

A JVC abriu as torneiras para sua segunda geração HD-ILA da família de TVs LCoS a partir de maio de 2005. A empresa continuamente colocava pelo menos um novo modelo no mercado por mês até o final do ano. O mais importante, o preço médio inicial dessas TVs LCoS era de apenas US$ 3.200, colocando a tecnologia LCoS de volta ao alcance dos pobres mortais. A Sony seguiu a JVC, lançando mais dois modelos SXRD em novembro: a KDS-R50XBR1 de 50 polegadas e a KDS-R60XBR1 de 60 polegadas, custando em média US$ 3.879 e US$ 4.874, respectivamente. Agora a bola começou a rolar.

A maior disponibilidade da tecnologia LcoS somada à uma impressionante queda de 38% no preço médio de TVs LCoS durante o ano de 2005 – e com a ajuda da marca Sony – criou um retorno para o LCoS no mercado. Como resultado, a tecnologia começou a ocupar uma fatia do mercado de varejo nos EUA no final do segundo semestre do ano. Na verdade, lá pelo final do ano, a LCoS tinha crescido de uma participação no mercado na prateleiras americanas de 0% (porcentagem de produtos para venda em cadeias de lojas nos EUA) para um empate com TVs LCD na categoria da até 40 polegadas. Tanto as TVs LCoS e quanto as TVs LCD atualmente permanecem com cerca de 5% de disponibilidade de produtos entre as principais cadeias de lojas de varejo nos EUA.

Conclusões

O futuro da tecnologia LCoS parece infinitamente maior do que foi há um ano. A LG anunciou planos para lançar um modelo 1080p de 71 polegadas. A Hitachi também é esperada, tendo anunciou em novembro de 2005 planos de lançar novos modelos de 60 e 70 polegadas. A Syntax, mais conhecida como fornecedora de TVs LCD de baixo custo, também tem modelos LCoS no mercado, adquiridos através do seu controle acionário da empresa Brillian, que é especializada na tecnologia LCoS: um modelo da Syntax de 50 polegadas ficou brevemente disponível no mercado norte-americano no ano passado nas lojas CompUSA por US$ 1.899. E, por fim, a Canon, que espera entrar no mercado de TV digital no final deste ano com uma revolucionária tecnologia chamada SED (Surface-conduction Electron-emitter Display, Tela de Superfície Condutiva Emissora de Elétrons), tem também uma unidade óptica LCoS que atualmente é vendida em projetores encontrados mercado.

Nesta conjuntura, a tecnologia LCoS parece ter ressurgido como uma Fênix, da suas próprias cinzas. Com marcas grandes e pequenas incentivando esta tecnologia, ela deve continuar presente no mercado de telas grandes durante o ano de 2006, talvez até mesmo dobrando sua participação de mercado até o início de 2007. O crescente interesse em telas com resoluções de 1080p – mesmo com a ausência de conteúdo realmente de 1080p pelas emissoras de TV dos EUA – dará uma razão para os consumidores considerarem as TVs LCoS como uma opção de compra no ano que vem.

Para os consumidores prontos para assistirem conteúdo HDTV, a número cada vez maior de opções é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição. Escolher a TV certa para sua casa nunca foi tão difícil. Além das excelentes tecnologias como DLP, LCD e LCoS, existe ums seleção crescente de painéis LCD e de plasma que estão se tornando cada vez maiores e mais baratos. Se os fabricantes de TVs LCoS continuarem a oferecer TVs com uma excelente qualidade de imagem com preços competitivos, a tecnologia híbrida irá certamente ocupar o mercado de home-theaters topo de linha.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1273

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