Teste da Fonte de Alimentação Seventeam ST-420BKV
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 09 de março de 2008

Introdução

Chegou a hora da verdade. Nós já havíamos desmontado a Seventeam ST-420BKV, uma fonte de alimentação de 420 W sem PFC muito popular no mercado brasileiro e que concorre diretamente com a TR2-430W da Thermaltake, mas ainda não tínhamos testado para ver se ela realmente consegue fornecer os 420 W rotulados. Como será que ela se saiu em nossos testes de carga? Isto é o que veremos neste teste!

Apesar de seu desenho externo parecer com o de produtos topo de linha – utilização de uma ventoinha grande de 120 mm em sua parte inferior e uma grade em sua parte traseira –, a ST-420BKV não é uma fonte topo de linha, sendo uma fonte de baixo custo. Isto ficará bem mais claro quando  mostrarmos a análise de como essa fonte funciona por dentro.

O modelo que desmontamos nós compramos no distribuidor oficial no final do ano passado e veio com carcaça de aço revestido de zinco, parecendo um produto de baixíssima qualidade. O distribuidor oficial passou a importar o modelo com pintura automotiva preta, que melhora sensivelmente a percepção de qualidade do produto. Portanto, apesar de nas nossas fotos você ver esta fonte com carcaça cinza, os modelos disponíveis nas lojas hoje são pretos.


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Figura 1: Seventeam ST-420BKV.

Esta fonte de alimentação tem um recurso que nunca vimos antes: um conector de 12 V para a alimentação de dispositivos externos, tais como caixas acústicas e discos rígidos externos (veja na Figura 2).


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Figura 2: Seventeam ST-420BKV.

Na Figura 2 você pode ver ainda que esta fonte de alimentação tem uma chave 110/220 V, indicando que ela não tem circuito de PFC (fonte de alimentação com PFC ativo não tem chave 110/220 V).

Apesar de se tratar de uma fonte de alimentação simples, o cabo de alimentação principal da placa-mãe (e somente ele) utiliza uma proteção plástica.

Na Figura 3 você pode ver uma grande falha de acabamento: os cabos saem de um grande buraco na carcaça da fonte e não existe um acabamento para preencher o espaço vazio.


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Figura 3: Grande buraco por onde sai os cabos. Deveria haver um acabamento cobrindo o espaço vazio.

Esta fonte tem quatro cabos de alimentação para periféricos: um cabo de alimentação Serial ATA contendo dois conectores cada; dois cabos de alimentação para periféricos contendo dois conectores padrão e um conector de alimentação para unidade de disquete cada; e um cabo de alimentação para periférico contendo dois conectores padrão. Esta fonte de alimentação não tem nenhum conector de alimentação PCI Express auxiliar e portanto você precisará usar um adaptador para sua placa de vídeo PCI Express de alto desempenho.

O cabo de alimentação principal da placa-mãe tem um conector de 20 pinos com uma extensão de 4 pinos para que ele seja transformado em um conector de 24 pinos.


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Figura 4: Conector de alimentação principal da placa-mãe.

A bitola dos fios usados em todos os cabos é de 18 AWG, mas a bitola dos fios dos conectores da unidade de disquete é de 22 AWG.

Apesar desta fonte de alimentação ter uma etiqueta da UL, nela não estava contido o número de registro. A Seventeam entrou em contato conosco nos enviando uma cópia completa dos seus registros na UL e informando que o seu número de registro é E141400, sendo que pudemos confirmar isso online.

Para turbinar as vendas deste produto, o distribuidor afirma que as fontes Seventeam são as únicas homologadas pelo Inmetro. Aqui vale uma explicação importante. Dizer a fonte é homologada pelo Inmetro ou qualquer outro instituto (como o próprio UL, o equivalente do Inmetro nos EUA) não quer dizer muita coisa. Significa apenas que a fonte corresponde às especificações técnicas usando a metodologia declarada pelo fabricante. Se o fabricante diz que a fonte é de 420 W a 25º C, o instituto vai testá-la esta temperatura. O problema é que nenhuma fonte opera a 25º C, a temperatura típica de uma fonte fica entre 35º C e 40º C. Quanto maior a temperatura, menor a potência que a fonte vai entregar. O mesmo vale para as demais características como, por exemplo, a eficiência. No caso dessa fonte o fabricante diz "eficiência típica de 65% em carga máxima". O instituto vai apemas averiguar se isso é verdade ou não. Mas veja que não há referência alguma para quando a carga é outra, e o instituto não vai medir a eficiência da fonte quando ela estiver entregando 250 W, por exemplo. Isso pode significar que a fonte quando não está operando em carga máxima entregue só 50%, por exemplo. a homologação por um intituto não é garantia que a fonte é boa; a homologação garante apenas que a fonte funciona dentro dos parâmetros declarados pelo fabricante em seu manual. Como agora nós temos todos os equipamentos necessários para testar fontes, nós vamos ver se esta fonte realmente é capaz de fornecer seus 420 W e qual é a sua eficiência.

Nós decidimos desmontar completamente esta fonte de alimentação para darmos uma olhada.

Por Dentro da ST-420BKV

Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.

Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.

Nas Figuras 5 e 6 você tem uma visão geral do interior desta fonte de alimentação.


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Figura 5: Por Dentro da ST-420BKV.


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Figura 6: Por Dentro da ST-420BKV.

Como mencionamos em outros artigos e testes, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.

Neste estágio a Seventeam ST-420BKV é impecável – ela tem mais componentes do que o mínimo necessário: além dos componentes listados acima ela tem ainda dois capacitores de poliéster metalizados extras (capacitores X), dois capacitores cerâmicos extras (capacitores Y) e duas bobinas de ferrite, veja nas Figuras 7 e 8.

Na nossa primeira análise desta fonte nós afirmamos que ela não tinha um varistor, mas um funcionário do distribuidor oficial no Brasil nos deu a dica de onde comemos mosca: esta fonte tem dois varistores espremidos entre os dois capacitores eletrolíticos do dobrador de tensão (os dois grandes capacitores do primário), sendo que eles estão localizados após a ponte retificadora, e não antes como é o projeto mais comum. Pedimos desculpas a todos por este nosso equívoco, causado pela localização não-convencional desses componentes.


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Figura 7: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).


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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes (parte 2).

Uma outra característica muito interessante desta fonte de alimentação é que seu fusível está acondicionado dentro de uma proteção de borracha à prova de fogo. Portanto, esta proteção evitará que a faísca produzida na hora que o fusível queima de provocar um incêndio.

Vamos falar agora em mais profundidade sobre os componentes usados na Seventeam ST-420BKV.

Análise do Primário

Para quem não está acostumado, à primeira vista esta parece ser uma ótima fonte de alimentação, especialmente se você comparar seu estágio de filtragem de transientes com o de outras fontes de alimentação de baixo custo. Mas quando olhamos mais detalhadamente esta fonte, tomamos um susto: o projeto usado em seu primário é ridículo se comparado com outros produtos disponíveis no mercado hoje. Em vez de usar um projeto moderno com transistores MOSFET, seu primário utiliza o mesmo projeto usado em fontes de alimentação AT, usando transistores convencionais (transistores unijunção). Isto mesmo, você não leu errado: esta fonte de alimentação utiliza um projeto de fontes AT, para lá de obsoleto, em seu primário. Nós nem mesmo falamos sobre este projeto em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas por achar que ninguém mais usaria um projeto como este.

O principal problema deste projeto é a eficiência. Os transistores FET têm alta impedância e, quanto maior a impedância, menos potência o componente irá consumir do circuito para sua própria operação – o que significa menores níveis de consumo e desperdício de energia. Como esta fonte de alimentação utiliza transistores comuns em seu estágio de chaveamento, ela não pode ter uma eficiência alta – fontes de alimentação que utilizam transistores comuns têm uma eficiência típica entre 50% e 60% (a Seventeam afirma que a eficiência típica desta fonte de alimentação é de 65%). Claro que verificaremos a eficiência desta fonte de alimentação durante nossos testes.

Uma fonte de alimentação com eficiência de 60% significa que 40% do que ela consome da rede elétrica é desperdiçado dentro da fonte. Por exemplo, se o seu computador está consumindo 300W da fonte de alimentação, a fonte está na verdade consumindo 500 W da rede elétrica – o resto é consumido pela fonte e desperdiçado na forma de calor. Sim, isto é muito ruim, pois resulta em aumento na conta de luz.

Como mencionamos anteriormente, esta fonte não tem um circuito PFC. A falta deste circuito não tem nenhuma implicação prática além do fato da Seventeam não poder vender este produto na Europa. Fontes de alimentação sem PFC “de marca” concorrentes não utilizam mais este projeto; todas elas utilizam transistores MOSFET em uma das configurações descrita em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas. É simplesmente inadmissível que um fabricante use um projeto obsoleto como este em 2008.

Bem, vamos dar uma olhada melhor em seu primário. Esta fonte utiliza uma ponte retificadora PBU1005, que pode fornecer até 10 A (a 100ºC). Nenhum dissipador de calor foi usado para refrigerar este componente.

Na seção de chaveamento são usados dois transistores NPN de potência 2SC3320 na mesma configuração usada em fontes de alimentação AT antigas, como mencionamos anteriormente. Cada transistor tem uma corrente máxima rotulada de 15 A (a 25ºC).


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Figura 9: Dois transistores NPN de potência são usados na seção de chaveamento.

Na Figura 10 você pode ver o diagrama esquemático de uma antiga fonte de alimentação AT. O estágio primário da Seventeam ST-420BKV utiliza exatamente o mesmo esquema. O secundário é diferente, mas falaremos sobre isto adiante.


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Figura 10: Diagrama esquemático de uma fonte de alimentação AT antiga. Esta fonte utiliza o mesmo projeto em seu primário.

Análise do Secundário

Esta fonte utiliza quatro retificadores Schottky em seu secundário: um SBL4060PT e três SBL4040PT, todos eles capazes de fornecer até 40 A (a 100ºC).

A saída de +12V utiliza um SBL4040PT que pode fornecer até 480 W. A corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente o transformador, a bobina, o capacitor, a bitola dos fios e até mesmo a largura das trilhas da placa de circuito impresso.

A saída de +5V utiliza dois SBL4040PT em paralelo e pode fornecer até 80 A ou 400 W. Engraçado que normalmente a saída de +12 V é que utiliza dois retificadores em paralelo.

Aqui nós encontramos algo diferente de outras fontes de alimentação sem PFC de baixo custo que vimos até hoje. Normalmente a saída de +3,3 V em fontes de alimentação de baixo custo é feita por um regulador de tensão de 3,3 V conectado na saída de +5 V. Esta fonte de alimentação da Seventeam, no entanto, usa o mesmo projeto de fontes de alimentação topo de linha, usando um retificador Schottky independente para produzir sua saída de +3,3 V. Portanto, apesar de no seu primário ter sido usado um projeto de fontes de alimentação AT antigas, no secundário foi utiliza um projeto moderno.

A saída de +3,3V é produzida por um SBL4060PT que pode fornecer até 132 W. Lembre-se sempre que a corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola do fio e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso.


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Figura 11: Retificadores de potência usados no secundário.


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Figura 12: Retificadores de potência usados no secundário.

Apesar das linhas +5 V e +3,3 V terem retificadores separados, elas compartilham a mesma saída do transformador. Portanto a corrente máxima que essas linhas podem fornecer dependerá muito do transformador.

Na Figura 13 você pode ver o sensor térmico no dissipador de calor do secundário que comanda o desligamento da fonte de alimentação em caso de superaquecimento (nós removemos o dissipador do secundário para tiramos esta foto) e também controla a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura da fonte.


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Figura 13: Sensor térmico encontrado no dissipador de calor do secundário.

Esta fonte de alimentação utiliza dois capacitores eletrolíticos da japonesa Toshin Kogyo (TK) em seu dobrador de tensão (rotulado a 85ºC), mas todos os outros capacitores eletrolíticos são taiuaneses, da CapXon (todos rotulados a 105º C).

Análise da Potência

Na Figura 14 você pode ver a etiqueta contendo todas as especificações de alimentação da ST-420BKV.


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Figura 14: Etiqueta da fonte de alimentação.

Como você pode ver na etiqueta, existem dois barramentos virtuais de +12V, cada um capaz de fornecer até 16 A, mas com uma máximo combinado de 26 A. Dentro da fonte de alimentação esses dois barramentos são conectados no mesmo local – no barramento de +12V proveniente dos retificadores de +12 V. O que acontece é que cada barramento virtual tem seu próprio circuito de proteção contra sobrecarga de corrente (OCP), que desliga a fonte caso você extraia mais do que 16 A em cada barramento ou 26 A no total, no caso desta fonte. Normalmente o circuito OCP é configurado com um valor um pouco acima do que está impresso na etiqueta. Durante nossos testes nós verificaremos se o circuito OCP está realmente ativo.

Todos os fios de +12V (amarelos) são conectado no primeiro barramento (+12V1), com exceção dos fios do conector ATX12V, que são conectados no barramento de +12V2 e usam fios amarelos com listras pretas. Esta distribuição está correta para uma fonte de alimentação que não tem cabos de alimentação para placas de vídeo ou muitos cabos de alimentação para periféricos.

Vamos ver agora se esta fonte é capaz de fornecer sua potência rotulada.

Testes de Carga

Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 45°C e 49°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 48°C e 52°C.

Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.

+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector ATX12V da fonte de alimentação.  Como este conector era o único ligado no barramento +12V2 da fonte de alimentação, as entradas de +12V1 e +12V2 do nosso testador de carga estavam realmente conectadas no barramentos virtuais de +12V1 e +12V2 da fonte de alimentação testada.

Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.

Entrada

Teste 1

Teste 2

Teste 3

Teste 4

Teste 5

+12V1

3 A (36 W)

6 A (72 W)

9,5 A (114 W)

12 A (144 W)

15 A (180 W)

+12V2

2,5 A (30 W)

6 A (72 W)

8 A (96 W)

11,5 A (138 W)

14,5 A (174 W)

+5V

1 A (5 A)

2 A (10 W)

4 A (20 W)

5 A (25 W)

6 A (30 W)

+3,3 V

1 A (3,3 A)

2 A (6,6 W)

4 A (13,2 W)

5 A (16,5 W)

6 A (19,8 W)

+5VSB

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1,5 A (7,5 W)

2 A (10 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,8 A (9,6 W)

Total

91,2 W

171,8 W

255,1 W

337,6 W

423,8 W

% Carga Máx

21,7%

40,90%

60,74%

80,38%

100,90%

Resultado

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Estabilidade da tensão

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Ripple e ruído

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Potência AC

124 W

222 W

332 W

450 W

595 W

Eficiência

73,5%

77,4%

76,8%

75,0%

71,2%

Nós temos de admitir que a ST-420BKV superou as nossas expectativas. Nós estávamos esperando um baixo desempenho desta fonte, com uma eficiência medíocre e que ela não fosse capaz de fornecer sua potência rotulada. Apesar de a sua eficiência ter sido abaixo de 80%, ela não foi inferior a 70% como esperávamos. Portanto esta fonte de alimentação não é tão ruim, especialmente quando olhamos para o projeto que foi utilizado. Sem falar que ela foi capaz de fornecer sua potência nominal com uma temperatura ambiente de 49,5°C, o que é impressionante.

A estabilidade da tensão foi um dos destaques durante nossos testes. Todas as saídas estavam dentro da faixa de 3% da tensão nominal durante todos os testes, o que é sensacional, já que a especificação ATX diz que a regulação deve estar dentro da faixa de 5%. Traduzindo: as tensões estiveram mais próximas dos seus valores nominais do que o estabelecido pelo padrão ATX. A única exceção foi a saída de -12V durante os testes um e dois, que ficou em -10.96V e -11,40V, respectivamente. Apesar de esses valores ainda estarem dentro da especificação ATX (a saída -12V tem uma tolerância de 10%, enquanto que as outras saídas têm uma tolerância de 5%) nós queríamos ver valores mais próximos a -12V, especialmente no primeiro teste.

O ruído elétrico também ficou em um nível muito baixo, sempre abaixo de 29 mV nas saídas de +12V, abaixo de 26 mV na saída de +5V e abaixo de 22 mV na saída de +3,3V – a especificação ATX define um nível de ruído máximo de 120 mV para as saídas de +12V e 50 mV para as saídas de +5 V e +3,3V. Nós gostaríamos de ter visto níveis de ruído menores nas saídas +5V e +3,3 V, apesar de eles estarem dentro das especificações – fontes de alimentação topo de linha têm um nível de ruído abaixo de 10 mV nessas saídas.

Abaixo você pode ver o nível de ruído que encontramos nas saídas desta fonte de alimentação enquanto que ela operava em sua carga máxima (teste número cinco): o nível de ruído no barramento +12V1 foi de 28,6 mV, no barramento +12V2 foi de 26,8 mV, no barramento de +5V foi de 25,6 mV e no barramento de +3,3V foi de 22 mV.


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Figura 15: Nível de ruído no barramento +12V1.


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Figura 16: Nível de ruído no barramento +12V2.


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Figura 17: Nível de ruído no barramento +5V.


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Figura 18: Nível de ruído no barramento +3,3V.

Testes de Carga (Cont.)

Após esses testes nós tentamos extrair ainda mais potência da Seventeam ST-420BKV. Abaixo você pode ver a quantidade máxima de potência que conseguimos extrair desta fonte mantendo-a funcionando com suas tensões e nível de ruído dentro da sua faixa de operação normal. Durante este teste a temperatura ambiente era de 44°C e a fonte de alimentação estava trabalhando a 50º C.

Entrada

Máximo

+12V1

15 A (180 W)

+12V2

15 A (180 W)

+5V

9 A (45 W)

+3,3 V

9 A (29,7 W)

+5VSB

2 A (10 W)

-12 V

0,8 A (9,6 W)

Total

457,8 W

% Carga Máx

109%

Potência AC

659 W

Eficiência

69,5%

Nós tentamos extrair ainda mais potência, mas a fonte de alimentação desligou, mostrando que a proteção contra sobrecarga de potência (OPP) estava ativa. Nós também vimos a proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) em ação em dois momentos. Primeiro nós tentamos determinar se o circuito OCP estava ativo e em que nível de corrente ele estava configurado. Para isto nós configurarmos nosso testador para extrair uma corrente menor em +12V1 (5A) e aumentamos a corrente em +12V2 até que a fonte de alimentação desligasse. Nós descobrimos que se extraíssemos mais do que 18A do barramento +12V2 a fonte de alimentação desligava, portanto o OCP estava configurado a 18A, 2 A acima do que estava escrito na etiqueta da fonte de alimentação, o que é normal. Então nós tentamos extrair 18 A dos dois barramentos de +12V ao mesmo tempo, mas a fonte de alimentação desarmava. Então nós lembramos o que o fabricante disse na etiqueta que a corrente máxima combinada para as saídas de +12V era 24 A. O máximo que conseguimos extrair foi 15 A em cada barramento (30 A no total), portanto o circuito OCP mais uma vez estava configurado um pouco acima do que estava escrito na etiqueta.

O importante é o seguinte: nesta fonte ambos os circuitos OPP e OCP estão ativo e funcionando adequadamente. Como mencionamos, quanto tentamos extrair mais potência a fonte de alimentação desarmava ou simplesmente não ligava. A ST-420BKV sobreviveu aos nossos testes, continuando funcionando normalmente após a nossa “sessão tortura”.

O circuito de proteção contra curto-circuito funcionou bem.

Nós conseguimos configurar a fonte de alimentação para fornecer ainda mais potência, mas ela desligava sozinha após alguns minutos.

Nessas condições o nível de ruído continuou dentro das especificações, em 29,4 mV no barramento +12V1, 25,6 mV no barramento +12V2, 24,8 mV no barramento de +5V e 19,6 mV no barramento de +3,3V. Isto é realmente bom.

O principal problema de colocar esta fonte para fornecer 450 W é a sua eficiência, abaixo da marca de 70%. Como você pode ver, nós estávamos extraindo 660 W da rede para produzir 450 W.


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Figura 19: Nível de ruído no barramento +12V1 com a fonte de alimentação fornecendo 450 W.


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Figura 20: Nível de ruído no barramento +12V2 com a fonte de alimentação fornecendo 450 W.


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Figura 21: Nível de ruído no barramento de +5V com a fonte de alimentação fornecendo 450 W.


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Figura 22: Nível de ruído no barramento de +3,3V com a fonte de alimentação fornecendo 450 W.

Outro recurso interessante desta fonte é sua ventoinha. Quando a fonte de alimentação está “fria”, a ventoinha gira muito lentamente, quase não produzindo ruído. Mas assim que a temperatura da fonte atingiu 30°C a ventoinha começou a girar mais rápido, fazendo muito barulho.

Principais Características

As principais especificações técnicas da fonte de alimentação Seventeam ST-420BKV são:

  • ATX 2.0.
  • Potência nominal rotulada: 420 W. 
  • Potência máxima medida: 457,8 W a 44°C.
  • Eficiência nominal: 65%. 
  • Eficiência medida: 71,2% a 77,4% em 115 V.
  • PFC ativo: Não. 
  • Conectores da placa-mãe: Um conector 20/24 pinos e um conector ATX12V. 
  • Conectores para periféricos: um cabo de alimentação Serial ATA contendo dois conectores cada; dois cabos de alimentação para periféricos contendo dois conectores padrão e um conector de alimentação para unidade de disquete cada; e um cabo de alimentação para periférico contendo dois conectores padrão.
  • Proteções: Sobrecarga de potência e sobre tensão.
  • Mais informações: http://www.seventeam.com.tw
  • Preço médio no Brasil: Nós compramos o modelo testado por R$ 160,00 no Rio de Janeiro/RJ.

Conclusões

Esta fonte de alimentação nos surpreendeu. Por causa do projeto usado em seu primário – o mesmo usado por antigas fontes de alimentação AT – nós estávamos esperando uma fonte de alimentação que não fosse capaz de fornecer sua potência rotulada e que teria uma eficiência inferior a 70%. Ledo engano.

A Seventeam ST-420BKV foi capaz de fornecer até 450 W a 44°C (420 W a 49,5°C), que é um resultado extraordinário. A eficiência desta fonte ficou entre 70% e 80%, dependendo da carga.

Como ponto negativo devemos apontar a baixa quantidade de plugues SATA – apenas dois – e nenhum cabo de alimentação para placas de vídeo. Portanto se você quiser instalar mais de dois dispositivos SATA e/ou usar uma placa de vídeo que necessite de um conector de alimentação auxiliar PCI Express, você precisará usar adaptadores.

Claro que o ideal seria comprar uma fonte de alimentação com eficiência de pelo menos 80%, mas se você quer uma fonte de alimentação barata que realmente forneça sua potência rotulada para instalar em seu micro com uma configuração básica, a Seventeam ST-420BKV é certamente uma opção.

Infelizmente por conta da sua eficiência abaixo de 80% e a ausência de mais plugues não podemos dar a esta fonte o nosso selo de produto recomendado, muito embora ela seja um bom produto se você estiver montando um PC simples ou até mesmo com uma configuração intermediária e quiser ter uma fonte que seja realmente capaz de entregar a sua potência rotulada. E lembre-se: ela sobreviveu à nossa “sessão tortura” sem queimar, mostrando que todas as suas proteções estão funcionando adequadamente.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1304

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