Teste da Fonte de Alimentação OCZ ProXStream 1000 W
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 19 de fevereiro de 2008

Introdução

Com PCs consumindo cada vez mais – especialmente micros topo de linha com várias placas de vídeo instaladas – fontes de alimentação de 1.000 W estão cada vez mais comuns. A OCZ acabou de lançar um novo produto de 1.000 W no mercado, a ProXStream 1000 W, voltada para consumidores sedentos por “potência” que estão dispostos a instalar três ou quatro placas de vídeo topo de linha (esta fonte tem quatro conectores de alimentação de seis pinos para placas de vídeo) e vários discos rígidos dentro do gabinete. O que é realmente diferente nesta fonte de alimentação se comparado com outras fontes a partir de 1.000 W é o seu tamanho, tendo o mesmo tamanho de qualquer fonte ATX devido ao seu interessante projeto interno usando duas placas de circuito impresso empilhadas. Nós desmontamos completamente esta nova fonte da OCZ para vermos como ela é internamente, qual projeto e quais componentes foram usados, além de testarmos para ver se ela é realmente capaz de fornecer a potência 1.000 W.

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Figura 1: Fonte de alimentação OCZ ProXStream 1000 W.

Como mencionamos, a primeira coisa que nos chamou atenção foi o tamanho físico desta fonte de alimentação, do mesmo tamanho de uma fonte ATX padrão, ou seja, ela é muito menor do que outras fontes de alimentação de 1.000 W disponíveis no mercado. Isto pôde ser feito usando duas placas de circuito impresso empilhadas dentro da fonte (você pode ter uma idéia deste projeto na Figura 3).

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Figura 2: Fonte de alimentação OCZ ProXStream 1000 W.

Como o tamanho foi aparentemente uma das principais preocupações da OCZ na hora de desenvolver esta fonte, eles usaram uma ventoinha de 80-mm na parte traseira fonte, de forma idêntica às fontes de alimentação ATX tradicionais (veja na Figura 2). Isto foi feito porque não havia espaço suficiente para uma ventoinha na parte inferior do produto, já que não há espaço disponível dentro da fonte para mais nada. Além disso, como esta fonte de alimentação usa duas placas de circuito impresso, uma ventoinha localizada na parte inferior da fonte não refrigeraria a placa de circuito impresso inferior, e uma ventoinha localizada na parte traseira pode refrigerar as duas placas.

Por causa deste projeto compacto com todos os circuitos amontoados dentro de uma caixa pequena e usando uma ventoinha pequena nós estávamos curiosos para ver se ela teria algum problema com a sua temperatura interna. Isto é algo que prestaremos especial atenção durante nossos testes.

Na parte frontal da fonte há uma grande grade que permite que o ar entre na fonte. Você pode ver que existem duas placas de circuito impresso dentro da fonte olhando através da grade.

Nós assumimos que esta fonte de alimentação tem uma alta eficiência (pelo menos de 80%), mas o que é estranho é que a informação precisa a respeito da eficiência não está disponível no site da OCZ nem no manual do produto ou em sua caixa. Durante nossos testes mediremos a eficiência e veremos se há alguma razão em particular para a OCZ não mencionar a eficiência desta fonte.

Fontes de alimentação com alta eficiência consomem menos energia da rede elétrica – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa. Fontes de alimentação convencionais possuem eficiência abaixo de 70%.

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Figura 3: Fonte de alimentação OCZ ProXStream 1000 W.

Esta fonte tem PFC ativo (Fator de Correção de Potência), que oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que esta fonte de alimentação esteja de acordo com leis européias, o que permite à OCZ vendê-la neste continente (você pode ler mais sobre PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação). Na Figura 1 você pode ver que esta fonte de alimentação não tem uma chave 110V/220V, característica esta presente em fontes de alimentação com PFC ativo.

Nós assumimos que esta fonte de alimentação tem uma alta eficiência (pelo menos de 80%), mas o que é estranho é que a informação precisa a respeito da eficiência não está disponível no site da OCZ nem no manual do produto ou em sua caixa.

Fontes de alimentação com alta eficiência consomem menos energia da rede elétrica – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência entre 50% e 60%.

Esta fonte de alimentação vem com oito cabos de alimentação para periféricos: quatro cabos de alimentação auxiliar PCI Express para alimentar até quatro placas de vídeo, dois cabos de alimentação para periféricos contendo três conectores de alimentação padrão e um conector de alimentação para unidade de disquetes cada e dois cabos de alimentação Serial ATA contendo três conectores de alimentação cada.

Esta fonte de alimentação vem ainda com um cabo de alimentação da placa-mãe com 20/24 pinos, um cabo ATX12V e um cabo EPS12V.

Todos os fios são de 18 AWG e nós achamos que a OCZ deveria ter usado fios de 16 AWG, que são mais grossos.

O acabamento dos cabos parte de dentro da fonte de alimentação – algo que sempre criticamos. Ou seja, nesta fonte este acabamento é simplesmente perfeito.

Através do seu número UL (E190414) nós descobrimos que esta fonte de alimentação é na verdade fabricada pela FSP, a mesma empresa que fabrica várias outras fontes de alimentação da OCZ.

Vamos dar uma olhada na OCZ ProXStream 1000 W por dentro.

Por Dentro da OCZ ProXStream 1000 W

Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.

Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.

Nós podemos apontar várias diferenças entre esta fonte de alimentação e uma fonte genérica: a qualidade da construção da placa de circuito impresso; o uso de mais componentes no estágio de filtragem de transientes; a potência de todos os componentes; o projeto; etc.

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Figura 4: Por dentro da OCZ ProXStream 1000 W.

Como mencionamos anteriormente, esta fonte de alimentação tem duas placas de circuito impresso, como você pode ver na Figura 5.

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Figura 5: Por dentro da OCZ ProXStream 1000 W.

Na placa de baixo fica o primário desta fonte de alimentação mais a fonte de alimentação que produz a saída +5VSB – esta saída, também conhecida como standby, é sempre independente do resto da fonte de alimentação, sendo produzida por um circuito separado, pois esta saída fica ligada o tempo todo, ao contrário do resto da fonte de alimentação, que é ligada apenas quando você liga o seu micro. O primário inclui o estágio de filtragem de transientes, o PFC ativo e os transistores chaveadores.

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Figura 6: Placa de circuito impresso inferior.

Na placa de circuito impresso superior nós temos o transformador e o secundário, que inclui retificadores, filtros e estágios de proteção.

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Figura 7: Placa de circuito impresso superior.

Vamos dar uma olhada mais a fundo no primário desta fonte de alimentação.

Primário

Como mencionamos o primário está localizado na placa de circuito impresso inferior, junto com a fonte de alimentação que produz a saída +5VSB. Este estágio inclui o estágio de filtragem de transientes, que tem alguns componentes soldados diretamente no plugue do cabo de alimentação.

Como mencionamos em outros artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.

Esta fonte de alimentação tem muito mais componentes do que o necessário neste estágio, como você pode ver nas Figuras 8 e 9. Para uma melhor visualização nós removemos as pontes de retificação, os diodos do PFC e os quatro transistores (dois para a seção de chaveamento e dois para o PFC ativo) na Figura 9. Ainda na Figura 9 estamos descrevendo alguns componentes que não fazem parte do estágio de filtragem de transiente só para sua aprendizagem.

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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).

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Figura 9: Estágio de filtragem de transientes (parte 2).

Na Figura 10 mostramos uma visão completa da placa de circuito impresso inferior ainda com os componentes mencionados acima removidos para mostrar a você os outros componentes que encontramos lá. No canto superior direito você pode ver a fonte de alimentação +5VSB (também conhecida como standby), que é independente do resto da fonte de alimentação, já que ela continua fornecendo sua tensão mesmo com a fonte de alimentação desligada. Você pode facilmente identificar seu próprio transformador e seu próprio circuito integrado regulador de tensão (o componente preso ao dissipador de calor). E no canto inferior direito você pode ver o circuito integrado que controla tanto o circuito PWM quanto o circuito PFC: um ML4800CP.

Todos os capacitores eletrolíticos grandes encontrados nesta placa de circuito impresso são do circuito PFC ativo e eles são conectados em paralelo – o que significa que a capacitância deles é somada: como existem seis capacitores de 100 µF em paralelo, a capacitância total é de 600 µF x 450 V. Outras fontes de alimentação normalmente usam apenas um ou dois capacitores com a mesma capacitância total e tensão e, portanto, a opção de usar seis capacitores pequenos em vez de apenas um ou dois capacitores maiores está mais relacionado com o espaço disponível dentro da fonte de alimentação – o uso de um único capacitor maior não permitiria o uso de duas placas de circuito impresso empilhadas. A propósito, todos esses capacitores são rotulados a 105°C e são japoneses, da Rubycon. Infelizmente o secundário esta fonte de alimentação não usa capacitores da Rubycon, mas sim da taiuanesa OST.

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Figura 10: Visão geral da placa de circuito impresso inferior.

Primário (Cont.)

Esta fonte de alimentação usa duas pontes de retificação D15XB60, que podem fornecer até 15 A, rotuladas a 100° C. Ela também usa dois diodos de potência conectados em paralelo em seu circuito PFC ativo, onde o normal é a utilização de apenas um. A ponte de retificação e os dois diodos do PFC estão localizados no mesmo dissipador, que você pode ver na Figura 11.

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Figura 11: Diodos do PFC ativo e ponte de retificação.

O circuito PFC ativo desta fonte de alimentação utiliza dois transistores de potência MOSFET 20N60C3 e a seção de chaveamento usa mais dois deles. Várias outras fontes de alimentação de diferentes potências , como a Cooler Master iGreen Power 430 W, Antec Neo 550 HE, OCZ StealthXStream 600 W, Zalman ZM600-HP, Corsair HX620W, OCZ GameXstream 700 W e a Thermaltake Toughpower 750 W, só para citar algumas, usam esses mesmo transistores em seus circuitos PFC ativo. Na seção de chaveamento, no entanto, apenas a OCZ ProXStream 1000 W usa esses transistores; essas outras fontes de alimentação usam outros transistores, alguns com especificações maiores.

Esses transistores 20N60C3 podem fornecer até 20 A a 25° C ou até 12,5 A a 100° C em modo contínuo (veja como a corrente máxima diminui muito dependendo da temperatura; como a potência é diretamente proporcional à corrente, diminuindo a corrente máxima disponível diminuimos também a potência máxima disponível) ou 60 A em modo pulsante, que é o modo usado.

Os dois transistores chaveadores usam a configuração direto com dois transistores. Uma descrição detalhada desta configuração incluindo diagramas esquemáticos pode ser encontrada em nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.

Os quatro 20N60C3 são encontrados no mesmo dissipador de calor, como mostrado na Figura 12.

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Figura 12: Dois desses transistores são usados pelo circuito PFC ativo e os outros dois são usados na seção de chaveamento.

Vamos agora dar uma olhada no secundário desta fonte de alimentação.

Secundário

Como já explicamos, o transformador principal e o secundário desta fonte de alimentação estão localizados na placa de circuito impresso superior. Nós já postamos uma foto desta placa na Figura 7, mas na Figura 13 você pode ver essa placa sem seus dissipadores de calor.

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Figura 13: Visão geral da placa de circuito impresso superior.

O projeto usado no secundário é único. Na verdade, esta é a primeira fonte de alimentação que vimos usando tal projeto. Em vez de usar retificadores de potência Schottky após o transformador, a retificação e a regulação são feitas usando transistores de potência MOSFET. Esta fonte de alimentação usa nove transistores de potência MOSFET FDP047AN08A0, cada um capaz de fornecer até 15 A a 25°C em modo contínuo ou 80 A em modo pulsante (que é o modo usado), também rotulado a 25°C. Isto é igual a 73 A a 50°C, 62 A a 85°C ou 56,5 A a 100°C, calculado usando a fórmula presente no datasheet desses transistores.

Como você pode ver, a corrente máxima que um semicondutor consegue fornecer varia de acordo com a sua temperatura de funcionamento. Por isso que é muito importante saber em que temperatura o fabricante rotulou suas fontes de alimentação. Quando não especificada normalmente a fonte de alimentação é rotulada a 25°C, uma temperatura que a fonte de alimentação nunca trabalhará (uma temperatura típica de funcionamento é de cerca de 40°C), o que significa que a potência máxima rotulada será atingida apenas no laboratório do fabricante com a temperatura interna da fonte de alimentação controlada a 25°C, mas nunca em casa, onde a fonte de alimentação estará funcionando com uma temperatura muito maior.

A propósito, não encontramos nenhuma referência a respeito da temperatura na qual esta fonte foi rotulada no site da OCZ, na caixa do produto ou em seu manual. Nós falaremos mais sobre isso na próxima página.

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Figura 14: Sete dos nove transistores de potência MOSFET usados. Você pode ainda ver o sensor de temperatura.

Cada saída positiva (+12 V, +5 V e +3,3 V) usa dois transistores, os outros três transistores são usados nos circuitos de controle e proteção. Nesta fonte de alimentação as saídas +5V e + 3,3V usam saídas independentes do transformador. Normalmente em fontes de alimentação topo de linha essas duas saídas usam retificadores separados, mas conectadas à uma mesma saída do transformador, o que limita a corrente máxima cada saída pode alcançar.

Vamos fazer algumas contas usando a corrente máxima teórica suportada por cada transistor, sempre tendo em mente que é apenas um exercício, já que a corrente máxima (e conseqüentemente a potência) que uma fonte de alimentação pode na verdade fornecer dependerá de vários outros fatores tais como o transformador, bobinas, capacitores, o projeto da placa de circuito impresso, a bitola dos fios e até mesmo a largura das trilhas da placa de circuito impresso.

Considerando a corrente máxima do transistor a 50°C (73 A), a saída de +3,3 V teria uma potência máxima de 480 W, a saída de + 5V teria uma potência máxima de 730 W e as saídas de + 12V teriam uma potência máxima de 1.752 W. Isto é realmente impressionante e mostra que pelo menos em teoria os transistores usados no secundário estão funcionando muito abaixo da capacidade máxima – que é sensacional.

Vamos agora falar um pouco mais sobre as especificações de potência desta fonte de alimentação.

Análise da Potência

Na Figura 15 você pode ver a etiqueta contendo todas as especificações de alimentação desta fonte de alimentação.

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Figura 15: Etiqueta da fonte de alimentação.

A saída de +3,3 V está rotulada a 28 A ou 92,4 W e a saída +5 V está rotulada a 30 A ou 150 W. O engraçado é que na etiqueta diz que a potência máxima combinada para essas duas saídas é de 150 W – o que é estranho, já que nesta fonte de alimentação as duas saídas não compartilham qualquer componente. Talvez a fonte foi rotulada desta maneira para ficar de acordo com o padrão ATX.

Como você pode ver, esta fonte de alimentação tem quatro barramentos de +12V, cada um rotulado a 20 A ou 240 W. Isto daria uma potência total de 960 W, mas a etiqueta diz que a corrente combinada máxima para as saídas de +12V é de 70 A, o que é igual a 840 W.

Somando este 840 W aos 150 W de potência combinada de +3,3 V e +5 V nós temos 990 W, mas a etiqueta diz que a potência máxima combinada para essas saídas é de 976,5 W. Somando isto à potência máxima da saída +5VSB (17,5 W) e a potência máxima da saída -12V (6 W) nós temos exatamente 1.000 W.

Como mencionamos a OCZ não divulgou a que temperatura eles rotularam sua fonte de alimentação, mas não se preocupe pois testaremos este parâmetro durante nossos testes de carga.

No que diz respeito à distribuição de potência, como mencionamos esta fonte tem quatro barramentos virtuais de +12V, + 12V1 (fio amarelo com listra preta), +12V2 (fio amarelo sólido), +12V3 (fio amarelo com listra azul) e +12V4 (fio amarelo com listra verde). Na OCZ ProXStream 1000 W a distribuição de potência funciona da seguinte forma:

  • +12V1: Conector EPS12V.
  • +12V2: Todos os cabos para periféricos, conector de alimentação principal da placa-mãe de 20/24 pinos, conector ATX12V.
  • +12V3: Conectores PCIE1 e PCIE2.
  • +12V4: Conectores PCIE3 e PCIE4.

Nós achamos que existem dois problemas aqui. O EPS12V é o único conector no barramento +12V1. Portanto se sua placa-mãe tem um conector EPS12V, use-o em vez do conector ATX12V. Isto oferecerá uma melhor distribuição de potência. Para o usuário comum com uma placa-mãe com apenas um processador uma melhor distribuição de potência seria com o conector ATX12V no barramento +12V1 junto com o conector EPS12V, mas provavelmente a OCZ não fez isso tendo em mente os usuários com dois processadores na máquina.

O segundo problema é o nome dos conectores PCIE. Se você tem apenas duas placas de vídeo em seu micro usando SLI ou Crossfire, você provavelmente conectará o plugue PCIE1 na primeira placa e o plugue PCIE2 na segunda placa. Afinal esta é a maneira como está rotulada. Você obterá uma melhor distribuição de potência se você conectar o cabo PCIE1 na primeira placa e o cabo PCIE3 (e não o cabo PCIE2) na segunda placa. Nós achamos que a OCZ/FSP deveria ter rotulado esses conectores de maneira diferente (ou seja, rotular o PCIE2 como “PCIE3” e o PCIE3 como “PCIE2”).

Porque isso é importante? A corrente máxima rotulada para cada barramento é o nível quanto o circuito de proteção de sobrecorrente (OCP) entra em ação (na verdade ele entra em ação no nível um pouco acima do rotulado). Se você tem duas placas de vídeo topo de linha conectadas no mesmo barramento e se elas juntas consumirem mais do que 240 W, a proteção contra sobrecorrente desligará a fonte, mesmo com seu micro teoricamente funcionando dentro de suas especificações. Colocando cada placa em um barramento separado evita que isto aconteça, já que agora você terá um limite de 240 W para cada placa (480 W no total).

Testes de Carga

Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 45°C e 49°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 50°C e 68°C (falaremos mais sobre este elevado nível de temperatura).

Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga.

Para o quinto teste, onde queríamos extrair 1.000 W desta fonte de alimentação, nós tivemos um problema não relacionado com a fonte, mas sim com nosso testador de carga. Nosso testador de carga (um SunMoon SM-268) tem duas entradas de +12V, cada uma com um limite de 400 W ou 33 A. Para este teste em particular nós queríamos extrair mais do que 33 A, mas não conseguimos, já que fomos limitados por nosso equipamento. Portanto de modo a obter 1.000 W tivemos que aumentar a quantidade de corrente (e conseqüentemente de potência) extraída das saídas de +5 V e +3,3V. Este não era o cenário ideal (queríamos colocar nas entradas +12V 36 A e nas entradas +5V e +3,3 V 14 A em vez de 22 A) porque atualmente um micro topo de linha concentrará sua potência nas saídas de +12V e não nas saídas de +5 V e +3,3V. Isto acontece porque os cabos de alimentação auxiliar da placa de vídeo têm apenas fios de +12V, e a razão pela qual fontes de alimentação de potências elevadas existirem é justamente para alimentarem micros com duas ou mais placas de vídeo topo de linha.

Por outro lado nós extrairmos um total de 66 A (800 W) das saídas de +12V e a etiqueta da fonte de alimentação diz que o limite para a saída de +12V é 70 A (840 W), portanto ficamos muito próximo do limite rotulado.

Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga. +12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação, que é o único conector no barramento virtual de +12V1 da fonte testada. Lembre-se que esta fonte de alimentação usa um projeto com quatro barramentos virtuais e durante nossos testes o primeiro barramento (+12V1) foi conectado sozinho na entrada +12V2 do nosso equipamento, enquanto que os barramentos +12V2 e +12V3 foram conectados juntos na entrada +12V1 de nosso testador. O barramento virtual de +12V4 da fonte de alimentação não foi conectado ao nosso testador, já que ele tem apenas um conector de alimentação para placas de vídeo. Veja na página anterior mais detalhes de como os quatro barramentos são distribuídos nesta fonte.

Entrada

Teste 1

Teste 2

Teste 3

Teste 4

Teste 5

+12V1

8 A (96 W)

14 A (168 W)

22 A (264 W)

30 A (360 W)

33 A (396 W)

+12V2

8 A (96 W)

14 A (168 W)

22 A (264 W)

28 A (336 W)

33 A (396 W)

+5V

2  A (10 W)

6 A (30 W)

8 A (40 W)

10 A (50 W)

22,5 A (112,5 W)

+3,3 V

2 A (6,6 W)

6 A (19,8 W)

8 A (26,4 W)

10 A (33 W)

22 A (72,6 W)

+5VSB

1 A (5 W)

2 A (10 W)

2 A (10 W)

3 A (15 W)

3,5 A (17,5 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

Total

220 W

396 W

604 W

794 W

995 W

% Carga Máx

22%

39,6%

60%

79,4%

99,5%

Resultado

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Estabilidade da Tensão

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Ripple e Ruído

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Eficiência

84,6%

84,2%

82,7%

79,6%

74,5%

Apesar de esta fonte ter sido aprovada em nossos testes de carga, nós temos alguns comentários importantes a fazer. Primeiro nosso teste de carga total não foi feito como gostaríamos, como já explicamos.

Segundo, a eficiência desta fonte de alimentação caiu para abaixo de 80% em nossos testes quatro (800 W) e cinco (1.000 W) e esta é a razão pela qual a OCZ não divulgou a eficiência desta fonte. Quando extraimos 800 W a eficiência foi de praticamente 80% (79,6%), mas puxando 1.000 W da fonte a eficiência caiu para 74,5% e estávamos extraindo 1.335 W da rede elétrica para produzir esses 1.000W, desperdiçando 335 W de energia para só para ter nosso sistema funcionando.

Além disso durante nosso quarto e quinto testes começamos a ouvir um zumbido agudo vindo da fonte. Nós conduzimos alguns testes para descobrir quando exatamente este ruído começava e descobrimos que toda vez que extraíamos mais de 22 A das saídas de 12 V o ruído aparecia. O zumbido não é muito alto e como neste ponto a velocidade de rotação da ventoinha estará no máximo – produzindo muito ruído – você não o escutará.

Mas o maior problema com esta fonte foi sua temperatura. Nós suspeitávamos que por causa do seu tamanho reduzido e o uso de uma ventoinha de 80 mm – que é muito pequena para uma fonte de alimentação de 1.000 W – que esta fonte se superaqueceria. Nossas suspeitas foram comprovadas. Com outras fontes de alimentação que testamos a sua temperatura ficou apenas de um a três graus Celsius acima da temperatura ambiente – por exemplo, 47°C quando a temperatura ambiente era 45°C. Mas com esta fonte de alimentação isto não aconteceu. No primeiro teste a diferença foi de cinco graus, no segundo teste a diferença foi de quatro graus, no terceiro teste a diferença foi de sete graus e no quarto teste a diferença foi de nove graus. Mas o problema real foi quando extraímos 1.000 W da fonte: ela atingiu 68°C enquanto a temperatura ambiente era de 49°C.

O ruído elétrico estava dentro das especificações, alcançando 68 mV pico-a-pico nas saídas de +12V durante o quinto teste. Algumas pessoas gastariam de ver algo abaixo de 60 mV aqui, mas nós achamos o ruído estava razoável, especialmente porque estávamos extraindo 1.000 W desta fonte. Em cargas mais baixas o ruído também se manteve baixo (45 mV com 60% de carga, por exemplo).

Após esses teste nós tentamos extrair ainda mais potência da OCZ ProXStream 1000 W. O problema foi que as saídas de +12V já estavam funcionando no máximo por causa do limite da nossa máquina. Portanto a única opção que tínhamos era aumentar a corrente/potência das linhas de +5V e +3,3V, que nos permitira extrair mais potência desta fonte, mas não refletindo a realidade, já que um micro de alto desempenho voltado para jogos não puxaria tanto dessas duas saídas. Nós fizemos isto apenas como um exercício – como estamos explicando, esses resultados são inconsistentes já que nós deveríamos ter extraído mais corrente das saídas de +12V.

Abaixo você pode ver a quantidade de potência máxima que conseguimos extrair desta fonte mantendo-a funcionado com suas tensões e nível de ruído elétrico dentro da faixa de operação normal. Quando tentamos extrair mais do que 24 A das saídas de +5V e +3,3V ainda estavam dentro das especificações, mas o ruído elétrico aumento para níveis que não gostaríamos. A 25 A o ruído na saída de +5 V ficou acima de 50 mV. A 24 A o nível de ruído na saída de +5V foi de 22,8 mV pico-a-pico e na saída de +12V o ruído foi de 70 mV.

Entrada

Máximo de pico

+12V1

33 A (396 W)

+12V2

33 A (396 W)

+5V

24 A (120 W)

+3,3 V

24 A (79.2 W)

+5VSB

3.5 A (17.5 W)

-12 V

0.5 A (6 W)

Total

1,015 W

% Carga Máx

101,5%

Eficiência

74,5%

Nessas condições a temperatura da fonte foi de 68°C, a temperatura ambiente estava em 52,7°C e estávamos extraindo 1.363 W da rede elétrica.

A proteção contra curto-circuito para as saídas de +5 V e +12V funcionou bem, mas parece, no entanto, que esta fonte não tem proteção contra sobre carga de potência (OCP), ou ela está configurada acima de 33 A – enquanto de acordo com a etiqueta da fonte de alimentação o limite para cada barramento de +12V é de 20 A. Como você pode ver acima extraímos 33 A do conector EPS12V que estava conectado na entrada +12V2 de nosso testador de carga e a fonte de alimentação continuou trabalhando bem em vez de desligar.

No que diz respeito a proteção contra sobrecarga de potência (OPP) nós não conseguimos testá-la por causa do limite de 33 A de nosso testador de carga.

Um recurso que vimos em ação foi a velocidade de rotação da ventoinha mudar dependendo da temperatura da fonte. Mas como esta fonte funciona em temperaturas elevadas durante nossos testes sua ventoinha trabalhou girando em sua velocidade máxima o tempo todo, produzindo um ruído muito alto e inconveniente.

Principais Características

As principais especificações técnicas da fonte de alimentação OCZ ProXStream 1000 W são:

  • ATX12V 2.2.
  • Potência nominal rotulada: 1.100 W.
  • Potência máxima medida: 1.015 W a 53º C.
  • Temperatura nominal rotulada: Não disponível.
  • Eficiência rotulada: Não disponível.
  • Eficiência medida: Entre 74,5% e 84,6% em 115 V.
  • PFC ativo: Sim.
  • Conectores da placa-mãe: Um conector 20/24 pinos, um conector ATX12V e um conector EPS12V.
  • Conectores para periféricos: quatro cabos de alimentação PCI Express auxiliares para alimentar até quatro placas de vídeo, dois cabos de alimentação para periféricos contendo três conectores de alimentação padrão e um conector de alimentação para a unidade de disquete e dois cabos de alimentação Serial ATA contendo três conectores de alimentação SATA cada.
  • Proteções: curto-circuito, sobrecorrente, sobretensão e temperatura elevada.
  • Garantia: 3 anos nos EUA. No Brasil a garantia dependerá do distribuidor/revendedor.
  • Mais informações: http://www.ocztechnology.com
  • Verdadeiro fabricante: FSP.
  • Preço médios nos EUA*: US$ 270,00.

* Pesquisado no Shopping.com no dia da publicação desse artigo primeiras impressões.

Conclusões

Com já dissemos várias vezes, nossa arquitetura preferida para fontes de alimentação começando em 1.000 W é o projeto usando dois transformadores, o que faz com que a fonte de alimentação tenha dois barramentos reais e independentes de +12V. Esse projeto oferece um maior limite de corrente e também assegura que o transformador não limitará a corrente máxima que o micro consegue extrair da fonte de alimentação.

Apesar de ainda acharmos isso, nós ficamos realmente surpresos com a arquitetura usada na OCZ ProXStream 1000 W, já que ela usa transistores de potência MOSFET de alta corrente para fazer a retificação em vez de usar retificadores de potência Schottky. Na verdade, esta é a primeira vez que vimos uma fonte de alimentação usando esta arquitetura.

Isto permitiu a OCZ ProXStream 1000W realmente fornecer 1.000 W em uma temperatura ambiente de  50°C, o que é extraordinário – mas, infelizmente, isto não é traduzido em um produto extraordinário.

À primeira vista criar uma fonte de alimentação de 1.000 W usando o mesmo tamanho de fontes ATX comuns parece ser uma boa idéia, mas o problema é que fontes de alimentação nesta faixa de potência não cabem neste tamanho. A OCZ optou por usar um projeto usando duas placas de circuito impresso empilhadas e uma pequena ventoinha de 80 mm em sua parte traseira, fazendo com que este produto enfrentasse um sério problema térmico: quanto extraímos 1.000 W a temperatura da fonte subiu para 68°C (com esta temperatura você pode inclusive queimar a mão, caso toque nela).

Baseado no que vimos achamos que a melhor solução para fontes de alimentação de 1.000 W ainda é o uso de uma carcaça maior com uma ventoinha de 120 mm ou 140 mm instalada em sua parte inferior.

Além da ventoinha de 80 mm não ser capaz de dissipar corretamente a quantidade de calor produzido pela fonte de alimentação ela também gerou muito ruído, já que trabalhou o tempo todo em sua velocidade de rotação máxima durante nossos testes.

Enquanto esta fonte obteve uma eficiência no mesmo nível de outras fontes de alimentação de alta eficiência (83-84%) quanto ela foi submetida a uma carga de até 60% de sua capacidade (ou seja, até 600 W), mas quando nós carregamos ela com 800 W sua eficiência caiu para 79,6% e em sua carga total sua eficiência caiu para 74,5%.

Apesar de esta fonte ser mais barata do que outras fontes de alimentação de 1.000 W disponíveis no mercado e ela realmente conseguir fornecer 1.000 W a 50°C, nós não a recomendamos principalmente por causa da sua temperatura de funcionamento, já que ela superaquecerá o micro.

Como lembrete, se você comprar esta fonte e usá-la com apenas duas placas de vídeo no modo SLI ou CrossFire, certifique-se de usar os conectores PCIE1 e PCIE3 (e não os conectores PCIE1 e PCIE2) para uma melhor distribuição de potência.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1421

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