HighPoint RocketMate 1000
Por Gabriel Torres em 10 de julho de 2003
Introdução
Uma solução bastante conhecida para quem precisa transportar um disco rígido para lá e para cá é o uso de gavetas para disco rígido. Para quem não conhece, uma gaveta para disco rígido é literalmente uma gaveta, instalada em uma baia de 5 1/4" e que permite que você instale o disco rígido dentro dela. Para trocar o disco rígido de micro (por exemplo, levar o disco de casa para o trabalho), basta remover a gaveta e instalá-la no outro micro (o outro micro precisará ter a baia onde a gaveta é encaixada instalada).
O problema dessas gavetas é que você não pode colocar e tirar o disco rígido com o micro ligado (aliás, algumas pessoas já queimaram discos rígidos dessa forma) e também há a necessidade de se reconfigurar o setup do micro (a não ser que você configure o setup a detectar automaticamente o disco rígido a cada boot, opção que é padrão hoje em dia). Outra desvantagem é que os micros para receberem a gaveta precisam ter a baia (receptáculo) da gaveta instalada no gabinete, o que pode tomar bastante tempo.
Outras três soluções mais modernas para ter um HD removível no micro são usando as portas USB, Firewire (IEEE 1394) e Serial ATA. O problema das portas USB e Firewire é o desempenho. Embora o padrão USB 2.0 transfira a 480 Mbps e o FireWire a 400 Mbps, isso equivale a transmissões a 60 MB/s e a 50 MB/s, respectivamente (a taxa de transferência do disco rígido é listada em MB/s, pois a transmissão é paralela, enquanto as taxas dessas portas são listadas em Mbps, pois as transmissões são seriais; para converter Mbps em MB/s, dividimos por oito). Na prática as taxas obtidas são ainda menores, pois a taxa divulgada é a máxima, que inclui informações de controle, além dos dados. Podemos dizer que, na prática, a taxa do USB 2.0 é na faixa de 48 MB/s e a do Firewire é na faixa de 40 MB/s. Por outro lado, as portas USB 2.0 e Firewire traz como grande vantagem o fato do periférico (no caso, o disco rígido) poder ser instalado mesmo com o micro ligado.
Com discos rígidos topo de linha na casa dos 133 MB/s, é patente a queda de desempenho quando usamos portas USB 2.0 ou Firewire para conectar um disco rígido ao micro.
O padrão Serial ATA aparece como a melhor solução para o uso de um disco rígido removível no micro, mantendo o alto desempenho, já que a taxa de transferência dessa porta é de 1.500 Mbps ou 150 MB/s - maior, portanto, que as portas IDE ATA-133. Além de trazer como grande vantagem a possibilidade de conectarmos o disco rígido ao micro mesmo com ele ligado.
As placas-mãe topo de linha hoje já vêm com portas Serial ATA. O problema, a um primeiro olhar, está no fato de as portas Serial ATA estarem presentes do lado de dentro do micro, e não do lado de fora, o que impede de conectarmos com facilidade um disco rígido "de transporte". Entretanto, se você tem acompanhado nossos testes, várias placas-mãe têm vindo com conectores que colocam as portas Serial ATA do micro do lado de fora, como é o caso da Gigabyte GA-7VAXP Ultra e da Gigabyte GA-8KNXP.
Se há como colocarmos as portas Serial ATA do lado de fora do micro, então só fica faltando uma coisa: um gabinete para proteger o disco rígido. Afinal, você não vai querer ver o seu disco rígido "pendurado" do lado de fora do micro de qualquer maneira, com o risco de ele escorregar, bater em uma parte metálica qualquer do gabinete e dar um curto em sua placa lógica. Além disso, esse tipo de gabinete serve para proteger o disco rígido durante o seu transporte.
O RocketMate 1000 da HighPoint é justamente isso: um gabinete para colocarmos um disco rígido do lado de fora do micro.
O RocketMate 1000
O RocketMate 1000 é fabricado pela HighPoint, tradicional fabricante de chips RAID para placas-mãe. Ela agora está entrando de sola no mercado de discos Serial ATA não só com o RocketMate, mas também com placas que adicionam portas Serial ATA em micros sem este recurso (daqui a pouco voltaremos a falar sobre isso). Como comentamos, trata-se de um gabinete para colocar o disco rígido do lado de fora do micro.
O RocketMate 1000 é conectado ao micro através de uma porta Serial ATA. O detalhe importante e que faz toda a diferença é que o disco rígido instalado dentro do RocketMate 1000 não precisa ser Serial ATA. Esse periférico é para discos rígidos IDE comuns. Há uma interface dentro do RocketMate 1000 que faz a conversão de Serial ATA para ATA-133, usando um chip Marvell 88i8030. Falaremos mais sobre isso daqui a pouco.
O único problema do RocketMate 1000 é que ele não usa um conector padrão Serial ATA. Ele usa um plugue proprietário da HighPoint, chamado e.SATA. Para poder usar o RocketMate 1000 no micro, há duas opções. Se o seu micro já tem portas Serial ATA, você precisará comprar um plugue que converte o conector usado na porta Serial ATA em um conector e.SATA da HighPoint. Esse conector chama-se e.SATA B11. Se o seu micro não tiver portas Serial ATA, então uma solução é comprar uma placa PCI contendo portas Serial ATA da HighPoint, que usa o tal conector e.SATA. A placa mais simples e que é a recomendada para o RocketMate 1000 é a Rocket 1511, que tem apenas uma porta Serial ATA externa, usando o conector e.SATA. Nós também recebemos essa placa para testes e falaremos dela em separado.
Vamos falar especificamente do RocketMate 1000. Na Figura 1 nós vemos a sua caixa e a caixa do adaptador e.SATA.
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Figura 1: Caixa do RocketMate 1000 e do plugue e.SATA B11.O RocketMate 1000 vem muito bem acomodado em sua caixa. Ele usa uma fonte de alimentação externa (ou seja, não usa a fonte do micro), que vem junto com ele.
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Figura 2: RocketMate 1000 e seu transformador, dentro de sua caixa.Ele é bastante portátil. Veja na Figura 3 o tamanho do RocketMate 1000 comparado ao de uma caneta. Esse gabinete lembra muito o gabinete dos Zip drives externos. Ele inclusive tem pés de borracha na lateral, permitindo que ele fique em pé, ocupando menos espaço na mesa ou sobre o gabinete, de forma idêntica ao que ocorre com o Zip drive externo.
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Figura 3: RocketMate 1000.Na Figura 4 nós vemos a parte traseira do RocketMate 1000: chave liga-desliga, conector da fonte de alimentação, e conector e.SATA.
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Figura 4: Vista traseira do RocketMate 1000.Como falamos, o RocketMate 1000, apesar de ser conectado ao micro via Serial ATA, usa conectores proprietários. Na Figura 5 nós vemos o cabo que liga o RocketMate 1000 ao micro. Do lado esquerdo está o plugue que é ligado ao micro e, do lado direito, está o plugue que é ligado ao RocketMate 1000.
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Figura 5: Cabo usado pelo RocketMate 1000.Se você quiser usar o RocketMate 1000 em um micro que já tenha uma porta Serial ATA, você precisará instalar o adaptador e.SATA B11, que converte o conector Serial ATA padrão em e.SATA. Na Figura 6 nós vemos o aspecto desse adaptador.
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Figura 6: Adaptador e.SATA B11, vendido separadamente.Instalação
A instalação de um disco rígido dentro do RocketMate 1000 é muito fácil. Basta você soltar os dois parafusos existentes em sua parte traseira (Figura 4) e puxar a parte traseira, como mostramos na Figura 7.
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Figura 7: Abrindo o RocketMate 1000.Em seguida, basta conectar o plugue da fonte de alimentação e encaixar o disco rígido na porta IDE existente. Você terá ainda que aparafusar o disco rígido na bandeja, por baixo, usando os parafusos que vêm junto com o aparelho.
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Figura 8: Bandeja do RocketMate 1000.
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Figura 9: Disco rígido instalado no RocketMate 1000.Em seguida, basta colocar a bandeja com o disco rígido de volta ao corpo do RocketMate 1000 e aparafusá-lo de volta.
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Figura 10: Fechando o RocketMate 1000.Como curiosidade, nós desmontamos o circuito existente no interior do RocketMate 1000. Ele usa um chip Marvell 88i8030 para fazer a conversão entre Serial ATA e ATA-133.
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Figura 11: O RocketMate 1000 usa chip Marvell 88i8030.Em teoria, um disco rígido instalado no RocketMate 1000 era para ter o mesmo desempenho de um disco rígido instalado em uma porta IDE comum na placa-mãe. Por isso, estávamos extremamente curiosos para saber se isso de fato acontecia ou não. Por isso, realizamos alguns testes de desempenho com o RocketMate 1000. Primeiro, ligamos ele na porta Serial ATA da placa-mãe. Depois ligamos ele na placa Rocket 1511 da HighPoint, que é a placa recomendada para uso em conjunto com ele. E depois ligamos o nosso disco rígido diretamente na porta IDE da placa-mãe.
Como Testamos
Em nossos testes de desempenho usamos a configuração listada abaixo.
Configuração de Hardware
- Processador: Athlon XP 2200+
- Placa-mãe: EPoX 8RDA3+
- Memória: Dois módulos PC3200 TwinMOS com 256 MB cada, em configuração DDR Dual Channel
- Disco rígido: Maxtor DiamondMax 9 Plus (60 GB, ATA-133)
- Placa de Vídeo: Gigabyte Radeon 9800 Pro
- Resolução de vídeo: 800x600x32
Configuração de Software
- Windows XP Professional em português, instalado em NTFS
- Service Pack 1A
- Direct X 9.0A
- Versão do driver nForce: 2.41
- Versão do driver HighPoint: 1.0
- Versão do driver SiliconImage: 1.0.0.28
Equipamentos antigos usavam uma condificação em formato diferente. Nestes casos, use o formulário abaixo.Versão do driver de vídeo ATI: 7.88 (6.14.10.6343)
Programas UsadosAdotamos uma margem de erro de 3%. Com isso, diferenças de desempenho inferiores a 3% não podem ser consideradas significativas. Em outras palavras, produtos onde a diferença de desempenho seja inferior a 3% deverão ser considerados como tendo desempenhos similares.
Testes de Desempenho
Realizamos três testes, usando dois programas, o HDTach e o PCMark2002. Primeiro ligamos o nosso disco rígido Maxtor DiamondMaxPlus 9 (ATA-133, 60 GB) diretamente na porta ATA-133 da placa-mãe. Depois, instalamos o disco rígido no RocketMate 1000 e conectamos o disco rígido ao micro através da porta Serial ATA da placa-mãe, que era baseada no chip SiliconImage SiI3112A, usando o adaptador B11. E depois instalamos o disco rígido ao micro usando a placa HighPoint Rocket 1511, que é baseada nos chips HighPoint HPT302N e Marvell 88i8030, sendo esta a placa recomendada para o RocketMate 1000. Vamos aos resultados.
No gráfico abaixo você confere as taxas de transferência medidas pelo HDTach. As taxas de transferência média e máxima foram as mesmas, independentemente de que porta foi usada. Ou seja, segundo o HD Tach, o nosso disco rígido ATA-133 manteve o mesmo desempenho quando estava do lado de fora do micro usando o RocketMate 1000 do que quando estava dentro do micro usando a porta ATA-133 padrão. Esse é um excelente resultado. Além disso, a taxa de transferência mínima foi bem maior quando usamos a placa da HighPoint no HDTach. Possivelmente isso se deve a um buffer de dados maior usado no chip HPT302N.
HDTach, Taxa de Transferência Entretanto, no HDTach houve diferença importante no tempo de acesso do disco rígido. O tempo de acesso no gráfico abaixo está em milissegundos e, quando menor, melhor, pois mais rápido é de se acessar o disco rígido. Como você pode ver, o tempo de acesso quando usamos as portas Serial ATA é um pouco maior do que quando usamos a porta ATA-133.
HDTach, Tempo de Acesso (quanto menor, melhor) Já no teste de desempenho de disco do programa PCMark2002, os resultados foram um pouco diferentes, como você confere no gráfico abaixo. Neste programa, o disco rígido usando o RocketMate 1000 quando conectado à porta Serial ATA da própria placa-mãe obteve o mesmo desempenho do que quando conectado diretamente à porta IDE ATA-133 da placa-mãe. Entretanto, o desempenho do disco usando o RocketMate 1000 quando conectado à placa HighPoint Rocket 1511 foi 20,88% menor do que quando conectado à porta Serial ATA da placa-mãe ou quando conectado à porta ATA-133 da placa-mãe.
PCMark2002 Conclusões
O RocketMate 1000 é uma excelente solução para ter um disco rígido do lado de fora do micro. O gabinete, além de ter um design moderno, é resistente e bastante portátil, do tamanho de um Zip drive externo. Se você precisa carregar um disco rígido para cima e para baixo, o RocketMate 1000 é uma excelente solução.
Além disso, ficamos impressionados com o desempenho do produto: o nosso disco rígido obteve nele o mesmo desempenho de quando ele estava conectado diretamente na porta IDE ATA-133 do micro.
Ele é encontrado entre US$ 50 e US$ 70 nos EUA. É um preço um pouco salgado para o nosso mercado, mas em nossa opinião vale a pena, pois o desempenho é realmente excepcional, sendo muito melhor do que soluções do tipo "gaveta" e do que soluções externas baseadas no USB 2.0 ou no Firewire.
Em nossa opinião há dois pequenos problemas em relação a este produto. Primeiro, ele usa um conector fora de padrão, chamado e.SATA, que obriga você a comprar um plugue adaptador chamado e.SATA B11 (que custa US$ 13 nos EUA) caso queira ligá-lo a uma porta Serial ATA já existente no micro. O segundo problema que detectamos está em relação à temperatura do disco rígido dentro do RocketMate 1000. O nosso disco rígido ficou tão quente que não conseguíamos nem tocar nele. É bom lembrar que o disco rígido usado era de alto desempenho, que em seu uso normal aquece-se muito mais do que um disco popular.
Se o seu micro não tiver uma porta Serial ATA, você terá de comprar uma placa e.SATA da HighPoint. A mais simples é a Rocket 1511, que custa na faixa de US$ 40 nos EUA. Nós publicamos um teste em separado dessa placa.
Lembramos ainda que você terá que ter ou uma placa Rocket 1511 ou um e.SATA B11 (caso a sua placa-mãe já tenha porta Serial ATA) em cada micro onde você queira acoplar o RocketMate 1000, aumentando o custo total. Por exemplo, se você tem um micro em casa e outro no trabalho e caso os dois tenham portas Serial ATA, o seu custo total será de 2x e.SATA B11 + 1x RocketMate 1000 = US$ 86. No caso de os dois micros não terem porta Serial ATA, o seu custo será 2x Rocket 1511 + 1x RocketMate 1000 = US$ 140. Se forem mais micros, o custo aumenta.
Ou seja, não é uma solução tão barata.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/143
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