Teste da Fonte de Alimentação BFG 800 W
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 25 de fevereiro de 2008
Introdução
A BFG, tradicional fabricante de placas de vídeo, recentemente entrou no mercado de fontes de alimentação. O modelo deles de 800 W tem duas ventoinhas de 80 mm para refrigerar a fonte e o micro e tem dois (BFGR800WPSU) ou quatro (BFGR800WPSULE) conectores de alimentação auxiliar PCI Express para alimentar duas (BFGR800WPSU) ou quatro (BFGR800WPSULE) quatro placas de vídeo na configuração SLI ou CrossFire. Vamos dar uma olhada a fundo nesta fonte de alimentação e ver se ela realmente pode fornecer os 800 W rotulados. Confira.
Atualmente existem duas versões desta fonte de alimentação. A primeira versão, chamada BFGR800WPSU, possui dois conectores para placas de vídeo e logo após o seu lançamento a BFG descobriu que os cabos para a alimentação de placas de vídeo eram curtos demais. Por isso eles lançaram uma segunda versão, chamada BFGR800WPSULE, com quatro conectores para placas de vídeo e cabos mais longos. A caixa do produto é a mesma, com o modelo mais novo trazendo uma etiqueta dizendo "NEW Limited Edition - Features Four PCI Express Power Connectors".
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Figura 1: Fonte de alimentação BFG 800 W.
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Figura 2: Fonte de alimentação BFG 800 W.Como você pode ver nas Figuras 1 e 2 esta fonte não tem nenhum recurso sofisticado como sistema de cabeamento modular e seu visual é muito simples. Como mencionamos, esta fonte tem duas ventoinhas de 80 mm, uma localizada na parte traseira e outra na parte frontal da fonte.
Esta fonte tem PFC ativo (Fator de Correção de Potência), um recurso padrão em fontes de alimentação topo de linha (você pode isto não só através da etiqueta na Figura 1, mas também pela ausência de uma chave 110V/220V, que não está presente em fontes de alimentação com este recurso). O circuito de PFC ativo oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que esta fonte de alimentação esteja de acordo com leis européias, o que permite à BFG vendê-la neste continente (você pode ler mais sobre PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação).
A BFG, no entanto, não menciona nada em relação à eficiência na caixa do produto ou em seu site na Internet. Isto é algo que devemos verificar cuidadosamente durante nossos testes.
Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.
Esta fonte de alimentação vem com sete (BFGR800WPSU) ou nove (BFGR800WPSULE) cabos de alimentação para periféricos: dois (BFGR800WPSU) ou quatro (BFGR800WPSULE) cabos de alimentação auxiliar PCI Express para placas de vídeo com conectores de seis pinos, dois cabos contendo três conectores de alimentação padrão para periféricos e um conector de alimentação para unidade de disquetes cada, um cabo contendo dois conectores de alimentação padrão para periféricos e dois cabos contendo três conectores de alimentação Serial ATA cada.
A primeira versão desta fonte tem o problema de ter apenas dois conectores de alimentação para placas de vídeo. Se você precisar de quatro conectores, escolha o modelo "Edição Limitada", que traz todos os quatro conectores. Note que a primeira versão é mais barata do que a segunda justamente por conta disso.
Como dissemos, após o lançamento da primeira versão desta fonte de alimentação a BFG descobriu que os cabos de alimentação para as placas de vídeo não eram longos o suficiente para algumas configurações SLI e CrossFire e por isso eles lançaram um plugue extensor que custa nos EUA US$ 5 cada (ou de graça caso você ligue para o suporte deles e forneça o número de série da sua fonte). Este plugue extensor usa um conector de 6/8 pinos e, portanto se você tem uma placa de vídeo que requer um conector de oito pinos você também precisará comprar este extensor.
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Figura 3: Plugues extensores para a BFG 800 W.Já na segunda versão da fonte ("Limited Edition") a BFG manteve esses dois cabos (que medem aproximadamente 40 cm e usam conectores em azul claro) e adicionou mais dois cabos PCI Express medindo aproximadamente 51 cm cada (com conectores em azul escuro).
No que diz respeito à estética o acabamento plástico usado pelos cabos parte de dentro da fonte (veja na Figura 2), o que é excelente.
Esta fonte vem com cinco prendedores de cabos de Velcro e dois de nylon para ajudá-lo a organizar os cabos dentro do seu micro, ajudando assim no fluxo de ar interno.
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Figura 4: Prendedores de cabos que vêm com o produto.Os fios usados no cabo de alimentação principal da placa-mãe desta fonte possuem bitola 16 AWG, o que é excelente, mas os fios usados em todos os outros conectores possuem bitola 18 AWG sendo, portanto, um pouco mais finos. Seria interessante ver todos os fios com bitola 16 AWG. No modelo "Edição Limitada", os dois cabos de alimentação adicionais (conectores em azul escuro) usam apenas dois fios (em vez de seis), porém mais grossos, usando fio bitola 14 AWG, que são divididos em seis fios 18 AWG em cada conector.
Esta fonte de alimentação é na verdade fabricada pela Topower.
Por Dentro da BFG 800 W
Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.
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Figura 5: Visão Geral.
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Figura 6: Visão Geral.
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Figura 7: Visão Geral.Como mencionamos em outros artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.
Nesta seção esta fonte de alimentação é impecável, já que ela tem mais componentes do que o necessário – dois capacitores X extras, dois capacitores Y extras e uma bobina extra.
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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes.Em praticamente todas as fontes de alimentação que vimos recentemente alguns componentes do estágio de filtragem de transientes estão ligados no conector do cabo de alimentação, o que não é o caso desta fonte.
Uma característica muito interessante desta fonte de alimentação é que seu fusível está acondicionado dentro de uma proteção de borracha à prova de fogo. Portanto, esta proteção evitará que a faísca produzida na hora que o fusível queima de provocar um incêndio.
Agora vamos discutir em mais detalhes sobre os componentes usados na BFG 800 W.
Análise do Primário
Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela BFG.
De todas as especificações técnicas descritas no databook de cada componente, estávamos mais interessados na corrente máxima em modo contínuo, dada em ampères (A). Para encontrar a potência máxima teórica do componente em watts podemos usar a fórmula P = V x I, onde P é a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères.
Nós precisamos saber também em que temperatura o fabricante do componente mediu a sua corrente máxima (esta informação também pode ser encontrada no databook do componente). Quanto maior a temperatura, menor é a corrente que semicondutores conseguem fornecer. Correntes dadas a temperaturas menores do que 50º C não são boas, já que temperaturas abaixo desta não refletem as reais condições de trabalho da fonte de alimentação.
Lembre-se que isto não significa que a fonte de alimentação fornecerá a corrente máxima de cada componente, já que a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer depende de outros componentes usados – como o transformador, bobinas, capacitores, o layout da placa de circuito impresso e a bitola dos fios – não apenas das especificações principais dos componentes que iremos analisar.
Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.
Esta fonte de alimentação usa duas pontes de retificação GBU606 em seu estágio primário, que pode fornecer até 6 A (a 100º C) cada, portanto a corrente total que a seção de retificação desta fonte pode fornecer é de 12 A.
No circuito PFC desta fonte são usados três transistores MOSFET em vez de apenas dois como acontece com a grande maioria das fontes de alimentação existentes no mercado (as únicas outras fontes que vimos usar três transistores em vez de dois foram a OCZ StealthXStream 600 W e a Zalman ZM600-HP). Os transistores usados são o 20N60C3, o mesmo usado por várias outras fontes que testamos, que são capazes de fornecer até 300 A a 25º C em modo pulsante (que é o caso) ou 45º C a 25º C ou 20 A a 110º C em modo contínuo.
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Figura 9: Uma das pontes de retificação e transistores do PFC ativo.Na seção de chaveamento dois outros transistores de potência MOSFET 20N60C3 são usados na configuração de chaveamento direto com dois transistores. Apesar de esses transistores terem as mesmas especificações dos transistores usados no circuito PFC ativo, eles possuem um encapsulamento maior, aumentando a dissipação térmica.
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Figura 10: Diodo do PFC ativo, transistores chaveadores e a segunda ponte de retificação.Esta fonte de alimentação usa um circuito integrado CM6800, que engloba um controlador de PFC ativo e um controlador PWM. Este circuito está localizado em uma pequena placa de circuito impresso mostrada na Figura 11.
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Figura 11: Circuito integrado controlador do PFC ativo e PWM.Análise do Secundário
Esta fonte usa oito retificadores Schottky em seu secundário.
A saída de +12 V é produzida por quatro retificadores Schottky 48CTQ060 instalados em paralelo, cada um suportando até 40 A (a 111º C). Dessa forma a saída de +12 V tem uma corrente máxima teórica de 160 A ou 1.920 W. A corrente máxima que esta linha pode fornecer dependerá de outros componentes usados, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor e da bitola do fio.
A saída de + 5V é produzida por dois retificadores Schottky STPS30L45CT instalados em paralelo, cada um suportando até 30 A (a 135º C). Dessa forma a saída de +5 V tem uma corrente máxima teórica de 60 A ou 300 W. Claro que a corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor e da bitola do fio, como mencionamos antes.
A saída de +3,3 V também é produzida por outros dois retificadores Schottky STPS30L45CT instalados em paralelo, cada um suportando até 40 A (a 135º C). Dessa forma a saída de +3,3 V tem uma corrente máxima teórica de 60 A ou 198 W. Claro que a corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor e da bitola do fio, como mencionamos antes.
Apesar de esta fonte ter um retificador separado para a saída de +3,3 V, este retificador é ligado na mesma saída do transformador que a linha de +5 V. Portanto a corrente máxima que essas linhas podem fornecer dependerá muito do transformador.
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Figura 12: Quatro dos oito retificadores Schottky usados no secundário. O diodo à esquerda é usado pela saída +5VSB.
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Figura 13: Os outros quatro retificadores.Nesta fonte o sensor térmico está instalado dentro da bobina de +12 V. O propósito deste sensor é desligar a fonte em caso de uma situação se superaquecimento e também para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte.
Nesta fonte o capacitor do PFC ativo é rotulado a 85º C, enquanto que os capacitores eletrolíticos do secundário são rotulados a 105º C e são fabricados pela CapXon, uma empresa taiuanesa.
Análise da Potência
Na Figura 14 você pode ver a etiqueta contendo todas as especificações de alimentação da BFG 800 W. A BFG não disse a que temperatura esta fonte está rotulada (mas não se preocupe, pois testaremos isto).
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Figura 14: Etiqueta da fonte de alimentação.Como você pode ver esta fonte de alimentação tem quatro barramentos virtuais, cada um rotulado a 20 A. Esses barramentos estão distribuídos da seguinte forma:
- +12V1: Cabo de alimentação principal da placa-mãe.
- +12V2: Cabos EPS12V e ATX12V.
- +12V3: Um dos cabos SATA, um dos cabos PCI Express (placa de vídeo) e um dos cabos de alimentação para periféricos contendo três conectores.
- +12V4: O outro cabo SATA, o outro cabo PCI Express (placa de vídeo), o outro cabo de alimentação para periféricos contendo três conectores e o cabo de alimentação para periféricos contendo dois conectores.
No caso do modelo "Edição Limitada", os dois cabos PCI Express extras estão conectados em paralelo aos dois cabos já existentes, portanto neste modelos temos dois conectores para placas de vídeo no barramento +12V3 (um azul claro e outro azul escuro) e dois no barramento +12V4 (um azul claro e outro azul escuro)
Nós achamos que a BFG vez um excelente trabalho no balanceamento dos barramentos. Várias fontes de alimentação conectam os cabos EPS12V e ATX12V em barramentos diferentes, o que não faz sentido já que eles não são usados ao mesmo tempo (talvez haja uma ou duas placas-mãe topo de linha que faça isto, mas elas são a exceção, não a regra).
O único problema que vimos é que não há uma maneira para identificar a qual barramento cada um dos cabos SATA, PCI Express (placa de vídeo) e para periféricos estão conectados sem abrir a fonte de alimentação, já que não há nada os identificando externamente! Isto é uma vergonha. A BFG deveria ter rotulado esses cabos com “1” e “2” para que pudéssemos saber quais cabos estão compartilhando qual barramento.
Testes de Carga
Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 46°C e 50°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 49°C e 52°C.
Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.
+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação.
Entrada
Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
+12V1
5,5 A (66 W)
12 A (144 W)
18 A (216 W)
25 A (300 W)
30 A (360 W)
+12V2
5,5 A (66 W)
11 A (132 W)
17 A (204 W)
22 A (264 W)
29 A (348 W)
+5V
2 A (10 W)
4 A (20 W)
6 A (30 W)
8 A (40 W)
8 A (40 W)
+3,3 V
2 A (6,6 W)
4 A (13,2 W)
6 A (19,8 W)
8 A (26,4 W)
8 A (26,4 W)
+5VSB
1 A (5 W)
1 A (5 W)
1,5 A (7,5 W)
2 A (10 W)
3 A (15 W)
-12 V
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,8 A (9,6 W)
Total
160 W
320 W
483 W
646 W
799 W
% Carga Máx
19,9%
40,0%
60,0%
80,8%
100,0%
Resulto
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Estabilidade da Tensão
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Ripple e Ruído
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Potência CA
188 W
375 W
580 W
801 W
1.038 W
Eficiência
85,1%
85,3%
83,3%
80,6%
77,0%
Nós ficamos satisfeitos com esses resultados. A BFG 800 W conseguiu fornecer sua potência rotulada a uma temperatura variando entre 45°C e 50°C mantendo uma alta eficiência no testes 1 (20% da carga), 2 (40% da carga) e 3 (60% da carga). No teste 4 (80% da carga) a eficiência caiu para 80,6%, mas isto ainda está bom. O problema foi quando a fonte forneceu sua carga completa de 800 W, quando eficiência caiu abaixo 80%: 77%. Este é o motivo pelo qual a BFG não divulgou a eficiência desta fonte de alimentação.
Nós ficamos realmente impressionados com o baixo nível de ruído elétrico produzido por esta fonte em suas saídas de +12V, o menor nível de ruído que vimos até hoje. No teste 1 (20% da carga) nós vimos apenas 15 mV de ruído na linha de +12 V, aumentando para a faixa dos 20 mV para os testes 2, 3 e 4 e chegando a no máximo 36,2 mV com a fonte fornecendo sua potência total. Este nível é muito menor do que o limite de 120 mV e estamos falando de uma fonte de alimentação com um nível de ruído 3,5 vezes menor do que o limite, o que é sensacional. Por outro lado com a fonte de alimentação fornecendo 800 W o nível de ruído na linha de +5V foi de 27 mV e na linha de +3,3 V foi de 25,4 mV. Apesar de esses números estarem abaixo do limite de 50 mV para essas linhas, nós esperávamos algo menor aqui, por volta de 15 a 20 mV, especialmente quando temos um bom filtro na linha de +12 V. Todos esses números são de pico-a-pico. Abaixo nós mostramos o nível de ruído encontrado nas saídas da fonte de alimentação enquanto que a fonte estava operando em sua carga máxima (teste de número cinco).
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Figura 15: Nível de ruído na entrada de +12V1 do testador de carga.
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Figura 16: Nível de ruído na entrada de +12V2 do testador de carga.
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Figura 17: Nível de ruído na entrada de +5V do testador de carga.
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Figura 18: Nível de ruído na entrada de +3,3V do testador de carga.A estabilidade das saídas também foi excelente. Todas as tensões estiveram dentro da margem de 3% de seus tensões nominal, exceto a +5VSB no teste 1, que estava fornecendo 5,19 V (3,8% acima da tensão nominal) e a +5V nos testes 1, 2 e 5, que estava fornecendo 5,17 V (3,4% acima da tensão nominal). Esses valores são excelentes já que eles estão abaixo da tolerância máxima de 5% (em nossa metodologia nós usamos 3% como nosso objetivo, que é uma margem ainda menor).
Testes de Carga (Cont.)
Após esses testes nós tentamos extrair ainda mais potência da BFG 800 W. Abaixo você pode ver a quantidade máxima de potência que conseguimos extrair desta fonte mantendo-a funcionando com suas tensões e nível de ruído dentro da sua faixa de operação normal. Durante este teste a temperatura ambiente era de 51°C e a fonte de alimentação estava trabalhando a 57º C.
Entrada
Máximo
+12V1
33 A (396 W)
+12V2
30 A (360 W)
+5V
9 A (45 W)
+3,3 V
9 A (29,7 W)
+5VSB
3 A (15 W)
-12 V
0,8 A (9,6 W)
Total
855 W
% Carga Máx
106,9%
Potência CA
1.137 W
Eficiência
75,2%
Aqui o nível de ruído aumentou para 44,4 mV na linha de +12V, 31,4 mV na linha de +5V e 25,2 mV na linha de +3,3 V, que são valores excelentes.
O problema, no entanto, foi que após menos de cinco minutos de funcionamento nesta configuração a fonte de alimentação simplesmente “morreu”. Nós tentamos ligá-la com 20% da carga e nada. Nós aguardamos até que sua temperatura caísse para abaixo de 30º C e, mais uma vez, nada. Nós “matamos” a BFG 800 W!
Após abrirmos a fonte nós descobrimos que queimamos um dos quatro retificadores da linha de +12V, o que é estranho, já que estávamos extraindo 63 A das saídas de 12 V e o limite teórico combinado dos retificadores era de 160 A, como vimos quando analisamos o secundário desta fonte. Será que podemos dizer que tivemos o azar de testar um produto com defeito?
De qualquer maneira, isto é ruim. Uma fonte de alimentação não pode queimar assim só porque foi sobrecarregada. Na verdade é exatamente por isso que a proteção contra sobrecarga de potência (OPP, Over Power Protection) existe, para evitar que esse tipo de coisa aconteça.
Outra hipótese é que este retificador queimou devido ao superaquecimento (durante este teste a carcaça da fonte de alimentação estava medindo 57º C, portanto imagine a temperatura do dissipador de calor do secundário) e a proteção contra temperatura elevada (OTP, Over Temperature Protection) não entrou em ação. Isto faz sentido já que o sensor de temperatura desta fonte não está instalado no dissipador de calor do secundário, mas dentro da bobina de +12V.
A proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) pareceu estar configurada a 30 A – apesar de a etiqueta da fonte dizer que o limite para cada barramento é de 20 A –, já que não conseguimos extrair mais do que 30 A da entrada de +12V2, onde tínhamos um dos barramentos (+12V2) conectado sozinho.
Durante nossos testes pudemos ver a velocidade de rotação das ventoinhas mudar de acordo com o aumento de temperatura da fonte. Abaixo de 30º C as ventoinhas giraram lentamente, praticamente não produzindo ruído, e acima desta temperatura elas começaram aumentar suas velocidades de rotação, aumentando também o nível de ruído.
Principais Características
As principais especificações técnicas da fonte de alimentação BFG 800 W são:
- ATX12V 2.2.
- Potência nominal rotulada: 800 W.
- Potência máxima medida: 850 W a 50º C (veja o texto).
- Eficiência rotulada: Não disponível.
- Eficiência medida: Entre 77% e 85,3% em 115 V.
- PFC ativo: Sim.
- Conectores da placa-mãe: Um conector 20/24 pinos, um conector ATX12V e um conector EPS12V.
- Conectores dos periféricos: Dois (BFGR800WPSU) or four (BFGR800WPSU) cabos de alimentação para placas de vídeo (seis pinos), dois cabos contendo três conectores de alimentação para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada, um cabo contendo dois conectores de alimentação para periféricos e dois cabos contendo três conectores de alimentação SATA cada.
- Proteções: Informação não disponível.
- Garantia: Vitalícia, nos EUA, e 10 anos para clientes europeus. No Brasil a garantia dependerá do distribuidor.
- Mais informações: http://www.bfgtech.com
- Verdadeiro fabricante: Topower.
- Preço médio nos EUA*: US$ 100,00 (BFGR100WPSU) ou US$ 130,00 (BFGR100WPSULE).
* Pesquisado em Tigerdirect.com no dia da publicação deste teste.
Conclusões
Esta fonte de alimentação da BFG pode realmente fornecer 800 W de potência a 50º C, o que é extraordinário. O nível de ruído elétrico nas saídas de +12V é o menor que já vimos até hoje (36 mV contra 90 mV na Corsair TX750W, por exemplo), mas por outro lado gostaríamos de ver um nível de ruído menor nas saídas de +5 V e +3,3 V, apesar de estarem dentro das especificações.
Nos EUA o modelo "Edição Limitada" desta fonte de alimentação pode ser encontrado por apenas US$ 130, enquanto que a primeira versão que tem apenas dois cabos para placas de vídeo pode ser encontrado por apenas US$ 100 na TigerDirect.com, e você ganha ainda garantia vitalícia na terra do Tio Sam (na Europa a garantia é de 10 anos). Sem dúvida esta é a fonte de alimentação que oferece a melhor relação custo/benefício do mercado hoje para usuários norte-americanos e europeus. O problema é que não estamos nos EUA nem na Europa. Algumas perguntas que não saem da nossa cabeça são: se essa fonte chegar ao Brasil, por quanto ela será vendida? E como será a sua garantia?
Lembrando mais uma vez que a primeira versão, BFGR800WPSU, não oferece quatro cabos de alimentação para placas de vídeo, algo que não faz sentido para uma fonte de 800 W. Neste modelo os dois cabos de alimentação são muito curtos dependendo da placa de vídeo que você tem (a BFG disponibiliza uma extensão para resolver esses dois problemas se você ligar para o setor de suporte deles e fornecer o número de série da fonte). O modelo BFGR800PSULE ("Edição Limitada") corrige esse problema adicionando mais dois cabos longos. De qualquer forma, em ambos os produtos os conectores de alimentação da placa de vídeo são de 6 pinos, não de 6/8. Produtos concorrentes podem ainda ter mais conectores SATA e para periféricos.
Outro problema com esta fonte é a sua eficiência quando ela atinge sua carga máxima, abaixo de 80% – apesar de esta fonte atingir uma eficiência entre 80% e 85% durante cargas mais leves.
Mas o que para nós foi realmente uma grande decepção foi o fato de termos queimado este fonte quando a sobrecarregamos (provavelmente por superaquecimento do dissipador de calor do secundário). Alguns podem argumentar que se uma fonte de alimentação trabalha dentro das especificações propostas pelo fabricante ela é um bom produto, mas nós não concordamos com isto. Nós achamos que esta fonte deveria ter desligado em vez de queimado. Tudo bem que você pode substituir a fonte de graça nos EUA pelo resto da sua vida, mas estamos no Brasil, e será que o distribuidor vai honrar a garantia da BFG? E como seria essa garantia, troca imediata ou teríamos de esperar? De qualquer maneira, nós precisamos dar à BFG o benefício da dúvida e talvez tivemos a infelicidade de recebermos um produto defeituoso.
Por esses motivos, mais a indefinição de como será o preço deste produto e sua garantia aqui no Brasil é que nós não recomendamos este produto.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1460
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