Teste da Fonte de Alimentação WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 11 de março de 2008

Introdução

Esta fonte “brasileira” de 650 W, que faz parte da série Thunder Power da WiseCase, se parece muito com uma fonte de alimentação topo de linha, já que ela é maior do que fontes de alimentação tradicionais e usa um projeto com dois transformadores, recurso este que só vimos antes em fontes na faixa de 1.000 W, como a Enermax Galaxy 1000W e a Tagan TurboJet TG1100-U95 1.100 W. Esta fonte também é mais barata do que os produtos concorrentes de marcas mais conhecidas. Será que ela é um bom produto? É exatamente isto que iremos descobrir neste teste. Confira!

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Figura 1: Fonte de alimentação WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC.

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Figura 2: Fonte de alimentação WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC.

Como mencionamos, esta fonte de alimentação é maior do que fontes tradicionais, tendo 19 cm de profundidade, enquanto que fontes de alimentação tradicionais possuem 14 cm de profundidade. Portanto a primeira coisa que você precisa verificar antes de comprar esta fonte é se ela cabe no seu gabinete. Isto não deve ser um problema se você tiver um bom gabinete.

Esta fonte tem duas ventoinhas de 80 mm, uma na parte frontal e outra na parte traseira. Nós preferimos fontes de alimentação que têm uma ventoinha grande de 120 mm ou 140 mm na parte inferior, já que esta configuração oferece um melhor fluxo de ar e menor nível de ruído, mas talvez este tipo de ventoinha não coubesse nesta fonte por causa do tamanho dos dissipadores de calor dentro dela.

Assim como todas as fontes de alimentação topo de linha disponíveis no mercado hoje, esta fonte da WiseCase tem PFC ativo e alta eficiência (pelo menos 80%, segundo o fabricante). O PFC ativo oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que o fabricante venda este produto na Europa (você pode ler mais sobre o PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação).

Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.

Este fonte de alimentação vem com seis cabos de alimentação para periféricos: dois cabos de alimentação auxiliar para as placas de vídeo com conectores de 6 pinos, dois cabos contendo tês conectores de alimentação para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada e dois cabos contendo três conectores de alimentação SATA cada.

A quantidade de conectores é suficiente até mesmo para usuários entusiastas com um grande arranjo RAID e duas placas de vídeo rodando na configuração SLI ou CrossFire.

O cabo de alimentação principal da placa-mãe tem um conector de 20/24 pinos e esta fonte vem com ambos conectores ATX12V e EPS12V.

No que diz respeito à estética, a WiseCase fez um excelente trabalho. Todos os fios usam um acabamento de nylon que parte de dentro da fonte e vai até o final do cabo usando uma borracha de alta qualidade para fazer o acabamento, como você pode ver na Figura 3.

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Figura 3: Acabamento de nylon reveste o cabo inteiro.

Todos os fios usados na fonte são 18 AWG, o que está correto para uma fonte de alimentação desta faixa de potência.

Esta fonte é fabricada pela ATNG, que também fabrica outras fontes vendidas no mercado norte-americano como Rosewill e StarTech.com. Nos EUA esta fonte mesma fonte da WiseCase é vendida como StarTech.com WattSmart 650 W, custando, em média, US$ 135,00 (no Brasil ela custa, em média, R$ 475,00).

Tome só um cuidado. Na caixa desta fonte e no site da WiseCase há um logotipo do Inmetro que pode levá-lo a achar que esta fonte foi homologada por este instituto, o que não é o caso. Se você reparar nas letras miúdas abaixo do logotipo verá que apenas o cabo de força foi certificado pelo Inmetro.

Vamos agora dar uma olhada no interior desta fonte de alimentação.

Por Dentro da WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC

Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.

Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.

Nós podemos apontar várias diferenças entre esta fonte de alimentação e uma fonte genérica: a qualidade da construção da placa de circuito impresso; o uso de mais componentes no estágio de filtragem de transientes; o circuito PFC ativo; a potência de todos os componentes; o projeto; etc.

Como dissemos anteriormente, esta fonte de alimentação usa um projeto com dois transformadores e você pode ver claramente os dois transformadores nas fotos abaixo.

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Figura 4: Visão geral.

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Figura 5: Visão geral.

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Figura 6: Visão geral.

Como mencionamos em outros artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.

Nesta seção esta fonte de alimentação é impecável, já que ela tem mais componentes do que o necessário – um capacitor X adicional, dois capacitores Y adicionais e um núcleo de ferrite no cabo que liga a rede elétrica à placa de circuito impresso. Ela tem ainda um porta-fusível, recurso raro de ser visto hoje em dia, já que praticamente todos os fabricantes soldam o fusível diretamente na placa de circuito impresso.

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Figura 7: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).

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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes (parte 2).

Agora vamos discutir em mais detalhes sobre os componentes usados na WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC.

Análise do Primário

Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela WiseCase.

De todas as especificações técnicas descritas no databook de cada componente, estávamos mais interessados na corrente máxima em modo contínuo, dada em ampères (A). Para encontrar a potência máxima teórica do componente em watts podemos usar a fórmula P = V x I, onde P é a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères.

Nós precisamos saber também em que temperatura o fabricante do componente mediu a sua corrente máxima (esta informação também pode ser encontrada no databook do componente). Quanto maior a temperatura, menor é a corrente que semicondutores conseguem fornecer. Correntes dadas a temperaturas menores do que 50º C não são boas, já que temperaturas abaixo desta não refletem as reais condições de trabalho da fonte de alimentação.

Lembre-se que isto não significa que a fonte de alimentação fornecerá a corrente máxima de cada componente, já que a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer depende de outros componentes usados – como o transformador, bobinas, capacitores, o layout da placa de circuito impresso e a bitola dos fios – não apenas das especificações principais dos componentes que iremos analisar.

Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.

Esta fonte de alimentação usa uma ponte de retificação KBU10J com um dissipador de calor instalado. Esta ponte pode fornecer até 10 A a 75°C.

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Figura 9: Ponte de retificação.

O fabricante, no entanto, fez a gentileza de raspar os nomes de todos os principais componentes, impossibilitando a identificação. Esta foi a primeira vez que vimos um trabalho desta natureza.

Esta fonte de alimentação usa dois transistores de potência MOSFET em seu circuito PFC ativo e dois outros transistores de potência MOSFET em sua seção de chaveamento usados na tradicional configuração de chaveamento direto com dois transistores (two-transistor forward). Com base em nossa experiência nós achamos que esta fonte usa quatro transistores 20N60C3, que são capazes de fornecer até 45 A a 25°C em modo pulsante. Esses transistores e o diodo do PFC ativo estão localizados no mesmo dissipador de calor.

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Figura 10: PFC ativo e transistores chaveadores.

O circuito integrado responsável por controlar os circuitos PFC e PWM também estava raspado, mas nós acreditamos que ele seja um CM6800, já que este é o circuito integrado mais popular para essas funções.

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Figura 11: Circuito integrado controlador do PFC ativo e PWM.

Análise do Secundário

Esta fonte usa quatro retificadores Schottky em seu secundário, mas eles também estavam raspados, impossibilitando a identificação.

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Figura 12: Dois dos quatro retificadores Schottky usados no secundário.

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Figura 13: Os outros dois retificadores usados no secundário.

Nós, no entanto, estávamos muito curiosos para descobrir qual configuração estava sendo usada pelos dois transformadores. Existem várias maneiras de usar dois transformadores em uma fonte de alimentação para PCs. Em todas elas as principais saídas (+12V, +5V e +3,3V) usam saídas independentes do transformador e retificadores independentes.

Aqui nós temos uma das vantagens da arquitetura com dois transformadores: as saídas de +5V e +3,3 V são completamente independentes. Em fontes de alimentação que usam apenas um transformador as saídas de +3,3 V e de +5 V compartilham a mesma saída do transformador, mesmo quando eles têm retificadores independentes. Neste caso a corrente máxima que essas saídas conseguem extrair ao mesmo tempo dependerá do transformador. Com dois transformadores elas não são apenas completamente independentes; elas são obtidas de transformadores diferentes: a saída de +5 V vem do primeiro transformador enquanto que a saída de +3,3 V vem do segundo transformador.

As duas principais diferenças entre as arquiteturas com dois transformadores disponíveis são como o primário e o secundário são obtidos. No lado do primário, a fonte de alimentação pode ter apenas uma seção de chaveamento alimentando ambos os transformadores (o que é mais barato) ou uma seção de chaveamento independente para cada transformador (o que é melhor, porém mais caro). No lado do secundário, a fonte de alimentação pode simplesmente juntar as saídas dos retificadores de +12V, usando apenas uma seção de filtragem (o que é mais barato) ou a fonte de alimentação pode ter duas saídas de +12V independentes, cada uma com seu próprio estágio de filtragem (o que é melhor, porém mais caro).

Normalmente fontes de alimentação com secundários separados também terão chaveadores separados, enquanto que fontes de alimentação que juntam as saídas de +12V também juntarão os chaveadores de modo a diminuir custos.

A vantagem da implementação mais cara é que você tem realmente duas fontes de alimentação independentes de +12V, cada uma alimentando componentes diferentes no computadore. Esta implementação oferece um maior limite de corrente (e conseqüentemente potência) e também uma saída mais “limpa”, ou seja, com menos ruído elétrico. Isto acontece porque o ruído produzido em dos barramentos de +12V não se propagará para o outro barramento.

Na Figura 14 nós mostramos a diferença entre esses dois projetos. A WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC usa o projeto mais barato. Outra fonte que usa o mesmo projeto é a Tagan TurboJet TG1100-U95 1.100 W. A Enermax Galaxy 1000 W usa o projeto mais caro.

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Figura 14: As duas diferentes maneiras de se implementar dois transformadores.

O sensor térmico desta fonte de alimentação está localizado no dissipador de calor do secundário, como você pode ver na Figura 15. Este sensor é usado para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte e também para desligá-la em caso de superaquecimento, desde que a fonte tenha proteção contra superaquecimento (OTP).

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Figura 15: Sensor térmico.

Nesta fonte de alimentação todos os capacitores são fabricados pela Teapo (uma empresa taiuanesa). O capacitor do PFC é rotulado a 85°C, enquanto que os capacitores eletrolíticos do secundário são rotulados a 105°C.

Análise da Potência

Esta fonte de alimentação tem as seguintes especificações:

  • +3,3 V: 24 A
  • +5 V: 30 A
  • +12V1: 18 A
  • +12V2: 18 A
  • +12V3: 18 A
  • +12V4: 18 A
  • -12 V: 0,5 A
  • +5VSB: 3 A

Como você pode ver esta fonte de alimentação tem quatro barramentos virtuais. Dentro da fonte esses barramentos são conectados no mesmo lugar, mas cada um usa um circuito de proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) independente, normalmente configurado com um valor um pouco acima do que o que está impresso na etiqueta.

Os barramentos virtuais de +12V desta fonte de alimentação estão assim distribuídos:

  • +12V1 (fio amarelo com listra preta): conectores ATX12V e EPS12V.
  • +12V2 (fio amarelo sólido): conector auxiliar PCI Express.
  • +12V3 (fio amarelo com listra azul): conector auxiliar PCI Express.
  • +12V4 (fio amarelo com listra verde): cabo de alimentação principal da placa-mãe e todos os cabos para periféricos.

Nós achamos que esta distribuição é simplesmente perfeita, já que os cabos que realmente demandam por potência (placas de vídeo e processador – ou seja, EPS12V/ATX12V) são independentes e não são compartilhados com o cabo de alimentação principal da placa-mãe ou com nenhum cabo para periféricos.

Vamos ver agora se esta fonte de alimentação pode realmente fornecer 650 W de potência.

Testes de Carga

Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 44°C e 48°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 49°C e 53°C.

Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.

+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação.

Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.

Entrada

Teste 1

Teste 2

Teste 3

Teste 4

Teste 5

+12V1

5 A (60 W)

10 A (120 W)

14,5 A (174 W)

20 A (240 W)

28 A (336 W)

+12V2

4,5 A (54 W)

9,5 A (114 W)

14 A (168 W)

18,5 A (222 W)

20 A (240 W)

+5V

1 A (5 W)

2 A (10 W)

4 A (20 W)

5 A (25 W)

6 A (30 W)

+3,3 V

1 A (3,3 W)

2 A (6,6 W)

4 A (13,2 W)

5 A (16,5 W)

6 A (19,8 W)

+5VSB

1 A (5 W)

1,5 A (7,5 W)

2 A (10 W)

2,5 A (12,5)

3 A (15 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

Total

135,3 W

266,3 W

394 W

522,9 W

644,9 W

% Carga Máx

20,8%

41,0%

60,6%

80,4%

99,2%

Resultado

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Estabilidade da tensão

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Ripple e ruído

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Potência AC

162 W

309 W

459 W

621 W

785 W

Eficiência

83,5%

86,2%

85,8%

84,2%

82,2%

A WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC pôde realmente fornecer sua potência rotulada, o que é excelente. A estabilidade da tensão e a eficiência foram os destaques desta fonte. Todas as tensões ficaram realmente estáveis, dentro de um limite de 3% da tensão nominal em todos os nossos testes – o que é realmente ótimo, já que o limite é de 5% –, exceto a saída de +3,3 V durante o teste de número um, que ficou em +3,41 V – mais ainda dentro do limite de 5% estabelecido pelo padrão ATX.

Nós ficamos realmente impressionados com a eficiência desta fonte de alimentação, sempre acima de 82%, atingindo o máximo de 86,2% no segundo teste.

No entanto o principal problema com a WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC foi o nível de ruído elétrico gerado. Apesar de ela estar dentro das especificações ATX (ou seja, ruído abaixo de 120 mV para as saídas de +12V e abaixo de 50 mV para as saídas de +5V e +3,3 V) ela quase foi reprovada no teste número cinco, onde o nível de ruído na entrada +12V2 do nosso testador atingiu 115,4 mnV. Em todos os teste o nível de ruído nas entradas de +12V do nosso testador de carga estava muito alta, como você pode ver na tabela abaixo. O nível de ruído nas entradas de +5 V e +3,3 V ficou em um bom nível.

Entrada

Teste 1

Teste 2

Teste 3

Teste 4

Teste 5

+12V1

53,2 mV

68,8 mV

80,4 mV

90,2 mV

109 mV

+12V2

55,4 mV

72 mV

83,8 mV

96 mV

115,4 mV

+5V

15 mV

19 mV

20,2 mV

22,8 mV

24 mV

+3,3 V

11,8 mV

17,2 mV

14,2 mV

14,2 mV

17 mV

Abaixo você pode ver as telas capturadas do nosso osciloscópio para o teste número cinco.

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Figura 16: Nível de ruído na entrada de +12V1 do testador de carga.

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Figura 17: Nível de ruído na entrada de +12V2 do testador de carga.

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Figura 18: Nível de ruído na entrada de +5V do testador de carga.

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Figura 19: Nível de ruído na entrada de +3,3V do testador de carga.

Teste de Carga (Cont.)

Após os testes descritos na página anterior nós tentamos extrair ainda mais potência da WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC, mas o principal problema foi o ruído. Ao extrairmos 650 W nós já estávamos perto do limite de 120 mV definido pelo padrão ATX e ao tentarmos extrair um pouco mais o nível de ruído ultrapassou este valor.

Portanto nós temos dois resultados para a potência máxima. O primeiro, mostrado abaixo, é com a fonte de alimentação funcionando dentro das especificações ATX, ou seja, com o nível de ruído abaixo de 120 mV em +12V (durante este teste a temperatura ambiente era de 50,7°C e a temperatura na carcaça da fonte de alimentação era de 48,8°C). O segundo resultado é a potência máxima que conseguimos extrair, mas com o nível de ruído fora das especificações.

Entrada

Máximo

+12V1

30 A (360 W)

+12V2

20 A (240 W)

+5V

6 A (30 W)

+3,3 V

6 A (19,8 W)

+5VSB

3 A (15 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

Total

666 W

% Carga Máx

102,7%

Potência AC

816 W

Eficiência

81,6%

Com a fonte de alimentação trabalhando nesta configuração o nível de ruído foi de 115 mV em +12V1 e 120 mV em +12V.

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Figura 20: Nível de ruído na entrada de +12V1 do testador de carga.

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Figura 21: Nível de ruído na entrada de +12V2 do testador de carga.

O problema foi que nós conseguimos extrair ainda mais potência desta fonte, mas o nível de ruído ficou acima do máximo admissível e um usuário não tem como saber que isto está acontecendo. Nós conseguimos extrair até 793 W com esta fonte de alimentação extraindo 33 A em +12V1 e 27 A em +12V2, mas neste cenário nós vimos um ruído de 149,4 mV na entrada +12V1 e 153 mV na entrada +12V2. Nós estávamos extraindo 995 W da rede elétrica, portanto a eficiência foi de 79.7%. A temperatura ambiente era em 50°C e a temperatura na carcaça da fonte era de 49°C.

Nós tentamos extrair ainda mais potência da fonte, mas ela não ligou – mostrando que a proteção contra sobrecarga de potência (OPP) entrou em ação, o que é excelente: isto nos permitiu ir além do limite da fonte de alimentação, mas não alto o suficiente a ponto que queimarmos a fonte.

Nesta fonte a proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) está desabilitada ou está configurada com um valor acima de 33 A. Nós fizemos um teste simples: configuramos a entrada +12V1 do nosso testador de carga em 3 A e então configuramos a entrada +12V2 para puxar 33 A, e a fonte de alimentação funcionou bem. Como a etiqueta diz que esta fonte permite uma corrente máxima de 18 A por barramento, a fonte de alimentação deveria ter desarmado, já que estávamos extraindo 33 A do barramento virtual de +12V1 da fonte de alimentação (não fique confuso aqui, os nomes +12V1 e +12V2 mencionados acima são os nomes das entradas localizadas no nosso testador de carga), já que ligamos o conector EPS12V da fonte de alimentação na entrada de +12V2 do nosso testador de carga e mantivemos o conector ATX12V desconectado do testador.

A proteção contra curto-circuito (SCP) funcionou bem para ambas as linhas de +5V e +12 V.

Durante nossos testes nós vimos a velocidade de rotação da ventoinha mudar de acordo com o aumento de temperatura da fonte. Abaixo de 30°C a ventoinha girou lentamente, praticamente não fazendo ruído, e acima desta temperatura ela começou a aumentar sua velocidade de rotação, o que também aumentou o nível de ruído.

Nós ficamos impressionados com o sistema de refrigeração usado por esta fonte. Suas duas ventoinhas de 80 mm foram capazes de manter a temperatura na carcaça da fonte na temperatura ambiente ou um grau Celsius abaixo da temperatura dentro da nossa caixa térmica. Normalmente durante nossos testes a temperatura da carcaça da fonte fica entre 2°C e 5°C acima da temperatura dentro da nossa caixa térmica.

Principais Características

As principais especificações técnicas da fonte de alimentação WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC são:

  • ATX12V 2.2.
  • Potência nominal rotulada: 650 W.
  • Potência máxima medida: 666 W a 50,7°C (ou 793 W a 50°C com o nível de ruído em +12V fora das especificações).
  • Eficiência nominal: mínimo de 80%.
  • Eficiência medida: entre 82,2% e 86,2% em 115 V.
  • PFC ativo: Sim.
  • Conectores da placa-mãe: um conector 20/24 pinos, um conector ATX12V e um conector EPS12V.
  • Conectores para periféricos: dois cabos de alimentação auxiliar para as placas de vídeo com conectores de 6 pinos, dois cabos contendo tês conectores de alimentação para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada e dois cabos contendo três conectores de alimentação SATA cada.
  • Proteções: Informação não disponível. Durante nossos testes pudemos testar que esta fonte tem proteção contra sobrecarga de potência (OLP) e contra curto-circuito (SCP) e que elas estavam funcionando bem. A proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) falhou durante o teste.
  • Garantia: A conferir.
  • Verdadeiro fabricante: ATNG
  • Mais informações: http://www.wisecase.com.br
  • Preço médio nos EUA *: US$ 135,00.
  • Preço médio no Brasil: R$ 375,00.

* Pesquisado no Shopping.com no dia da publicação deste teste.

Conclusões

A WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC pode realmente fornecer seus 650 W rotulado a uma temperatura ambiente de 50°C, o que é excelente.

Nos EUA esta fonte custa em média US$ 135 (lá ela é vendida como StarTech.com WattSmart 650 W), enquanto que no Brasil ela custa, em média, R$ 475, ou seja, o dobro do preço – o nosso famoso “custo Brasil”. De qualquer forma para o mercado brasileiro ela continua sendo uma fonte relativamente barata para o desempenho que proporciona, sendo mais barata do que produtos da mesma faixa de potência de marcas mais tradicionais.

A quantidade de cabos que ela tem – dois conectores auxiliares PCI Express de seis pinos para placas de vídeo, seis conectores de alimentação SATA e seis conectores de alimentação para periféricos – faz dela um bom produto mesmo para “gamemaníacos” que querem montar um micro com um arranjo RAID, duas ou mais unidades ópticas e duas placas de vídeo topo de alto desempenho configuradas no modo SLI ou CrossFire.

Outra coisa boa sobre esta fonte é a sua eficiência, entre 82,2% e 86,2% dependendo da carga.

Se sistema de refrigeração mostrou-se muito eficiente, mantendo a carcaça da fonte com o mesmo nível de temperatura presente dentro da nossa caixa térmica (normalmente durante nossos testes a temperatura da fonte fica entre 2°C e 5°C acima da temperatura dentro da caixa térmica).

Mas o principal problema com esta fonte é o seu nível de ruído elétrico. Quando extraímos 650 W ela praticamente atingiu o limite de 120 mV para as saídas de +12V. Ao extrairmos um pouco mais do que 650 W o nível de ruído nas saídas de +12 V ultrapassou o limite de 120 mV e o problema é que usuários não têm como saber que isto ocorre sem ler um teste como o nosso.

Por outro lado, esta fonte não explodirá se você tentar extrair mais potência do que ela pode fornecer.

Como nota final, o projeto com dois transformadores não ajudou esta fonte de alimentação. Nós vimos outras fontes na faixa de 600-700 W que têm apenas um transformador e são capazes de fornecer a potência rotulada a 50°C com um nível de ruído muito menor.

Infelizmente por causa do alto nível de ruído elétrico gerado por esta fonte não temos como honrá-la com o nosso selo de produto recomendado. Por outro lado, esta fonte pode ser uma boa opção se você estiver procurando por uma fonte para o seu micro de alto desempenho que realmente consiga entregar 650 W e quiser economizar uma grana, pois no Brasil ela é mais barata do que fontes topo de linha mais famosas.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1466

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