Teste da Fonte de Alimentação eXtream 450 W
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 18 de março de 2008
Introdução
A eXtream 450 W (FEX-45T12) é uma fonte de alimentação bastante popular no mercado brasileiro. Neste teste verificaremos se esta fonte é capaz de fornecer sua potência rotulada bem como a desmontaremos para darmos uma olhada a fundo em seu projeto. Confira!
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Figura 1: Fonte de alimentação eXtream 450 W (FEX-45T12).
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Figura 2: Fonte de alimentação eXtream 450 W (FEX-45T12).Como você pode ver, esta fonte de alimentação tem uma ventoinha grande de 120 mm em sua parte inferior (a fonte de alimentação está de cabeça para baixo nas Figuras 1 e 2) e uma grade grande na parte traseira onde tradicionalmente encontramos uma ventoinha de 80 mm. Nós aprovamos este projeto, já que ele oferece não apenas um melhor fluxo de ar, mas também a fonte de alimentação produz menos ruído, já que a ventoinha pode girar a uma velocidade de rotação menor do que uma ventoinha de 80 mm para produzir o mesmo fluxo de ar.
Esta fonte de alimentação, no entanto, não tem PFC ativo. Na prática isto significa apenas que o fabricante não pode vender este produto na Europa (você pode ler mais sobre o PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação).
No que diz respeito à eficiência, o fabricante afirma que esta fonte tem uma eficiência mínima de 73%. Lembre-se que fontes de alimentação mais caras têm uma eficiência de pelo menos 80%. Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.
Esta fonte vem com quatro cabos de alimentação para periféricos: um cabo de alimentação auxiliar para placas de vídeo com conector de 6 pinos, um cabo contendo três conectores de alimentação padrão para periféricos, um cabo contendo dois conectores de alimentação padrão para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete, e um cabo contendo dois conectores de alimentação SATA.
A quantidade de conectores é mais do que o suficiente para o usuário médio que certamente não terá mais do que dois dispositivos SATA e que está montando um micro básico com uma boa placa de vídeo. No entanto, usuários com mais de dois dispositivos SATA (ou seja, mais de dois discos rígidos), precisarão usar adaptadores caso optem por comprar esta fonte.
O cabo de alimentação principal da placa-mãe tem um conector de 20/24 pinos e esta fonte de alimentação tem um conector ATX12V, mas não possuindo um conector EPS12V.
No que diz respeito à estética, esta fonte de alimentação usa um acabamento de nylon apenas no cabo de alimentação principal da placa-mãe e este acabamento parte de dentro da fonte.
Todos os fios são 18 AWG, o que é perfeito.
Esta fonte de alimentação é na verdade uma Super Flower SF-450P12N. A eXtream não faz a menor questão de esconder isso, pelo contrário, a logomarca da Super Flower está na caixa do produto e na etiqueta da fonte há o verdadeiro modelo dessa fonte, SF-450P12N. O interessante é que este modelo não está listado no site da Super Flower, significando ou que o site da Super Flower está completamente desatualizado (o que é mais provável, já que eles ainda estão anunciando a Computex 2007, que aconteceu em junho de 2007) ou eles simplesmente não fabricam mais esta fonte de alimentação, sendo um produto antigo e não mais fabricado. Nos EUA esta fonte é vendida como Kingwin ABT-450MM e interessante notar que no site da Kingwin eles informam que ela é capaz de fornecer a sua potência rotulada a 50º C, o que é fantástico se for verdade (vamos testar isso, é claro – se for verdade a eXtream deveria incluir esta informação em seu site). Já no site da eXtream diz que ela foi testada para o seu cálculo de MTBF (tempo médio entre falhas) a 25º C, informação também presente no site da Kingwin.
Vamos agora dar uma olhada a fundo na eXtream 450 W.
Por Dentro da eXtream 450 W
Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.
Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.
A primeira impressão que tivemos ao abrir esta fonte de alimentação foi a de estarmos diante de uma fonte muito simples (“genérica”) que foi colocada dentro de uma carcaça bacana, já que a placa de circuito impresso é muito pequena em relação à carcaça da fonte, como você pode ver na Figura 3. Vamos ver se foi apenas nossa impressão ou se realmente há alguma verdade por trás disto.
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Figura 3: Visão geral.
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Figura 4: Visão geral.
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Figura 5: Visão geral.Como mencionamos em outros testes e artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.
Esta fonte de alimentação tem um capacitor X a mais do que o necessário, mas ela tem apenas uma bobina de ferrite em vez de duas.
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Figura 6: Estágio de filtragem de transientes.Uma característica muito interessante desta fonte de alimentação é que seu fusível está acondicionado dentro de uma proteção de borracha à prova de fogo. Portanto, esta proteção evitará que a faísca produzida na hora que o fusível queima de provocar um incêndio.
Vamos falar agora em mais profundidade sobre os componentes usados na eXtream 450 W.
Análise do Primário
Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pelo fabricante.
O projeto usado nesta fonte de alimentação é ridículo, já que ele usa o mesmo projeto de fontes AT e ATX antigas: em vez de usar um projeto moderno com transistores MOSFET na seção de chaveamento, ela usa transistores convencionais (transistores unijunção). O projeto usado no secundário também é obsoleto, como veremos na próxima página.
O principal problema deste projeto é a eficiência. Os transistores FET têm alta impedância e, quanto maior a impedância, menos potência o componente irá consumir do circuito para sua própria operação – o que significa menores níveis de consumo e desperdício de energia. Como esta fonte de alimentação utiliza transistores comuns em seu estágio de chaveamento, é muito improvável que ela tenha uma alta eficiência.
Este projeto é também usado em outras duas fontes de alimentação populares sem PFC que testamos recentemente, a Seventeam ST-420BKV e a Huntkey Green Star 450 W.
Esta fonte de alimentação usa uma ponte de retificação RS605 em seu estágio primário, que pode fornecer até 6 A (a 75° C).
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Figura 7: Ponte de retificação.Na seção de chaveamento dois transistores NPN de potência 2SC2625 são usados. Eles podem fornecer até 10 A em modo continuo ou até 20 A em modo pulsante, que é o caso. Ambos valores são rotulado a 25°C.
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Figura 8: Transistores chaveadores.Na Figura 9 você pode ver o diagrama esquemático de uma antiga fonte de alimentação AT. A eXtream 450 W (FEX-45T12) utiliza o mesmo esquema básico em seu primário e em seu secundário. Isto é simplesmente ridículo para uma fonte de alimentação vendida em 2008.
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Figura 9: Diagrama esquemático de uma fonte de alimentação AT antiga. Esta fonte da eXtream utiliza este mesmo projeto.Análise do Secundário
Esta fonte utiliza três retificadores Schottky em seu secundário. O problema é como eles são conectados. Em vez de usar o mesmo projeto adotado por todas as fontes de alimentação atuais, a fonte de alimentação testada usa um projeto obsoleto. Para ver a diferença entre eles, dê uma olhada na seção Secundário do nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas. Esta fonte de alimentação usa o projeto descrito como “A” neste tutorial, enquanto praticamente todas as fontes de alimentação atualmente disponíveis no mercado utilizam o projeto descrito como “B”.
A saída de +12V é produzida por um retificador Schottky S30D60C que podem fornecer até 30 A (a 25°C), o que equivale a 360 W. A corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola dos fios e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso. É também importante notar que praticamente todas as fontes de alimentação atuais usam dois retificadores conectados em paralelo na linha de +12V em vez de apenas um.
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Figura 10: Retificador de +12V.A saída de +5V é produzida por um retificador Schottky S60D40C que suporta até 60 A (a 25°C). Dessa forma a corrente máxima teórica que a linha de +5V pode fornecer é de 300 W. Claro que a corrente máxima (e conseqüentemente a potência) que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola dos fios e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso, como dissemos anteriormente.
A saída de +3,3V é produzida por outro retificador Schottky S60D40C que pode suportar até 60 A (a 25°C). Dessa forma a corrente máxima teórica que a linha de +3,3V pode fornecer é de 198 W. Claro que a corrente máxima (e conseqüentemente a potência) que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola dos fios e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso, como dissemos anteriormente.
Apesar de esta fonte de alimentação ter um retificador separado para a saída de +3,3 V, este retificador é conectado na mesma saída da linha de +5V do transformador. Portanto a corrente máxima que essas linhas podem fornecer juntas será limitada pelo transformador.
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Figura 11: Retificadores de +3,3 V e +5 V.Está muito claro para nós que esta fonte de alimentação usa um projeto obsoleto adaptado para atender as demandas atuais do mercado – em outras palavras adicionar conectores de alimentação SATA em uma fonte de alimentação antiga não significa que a fonte de alimentação seja nova! Nós falamos isso porque os retificadores de +5 V e +3,3 V são capazes de fornecer muito mais corrente (e conseqüentemente potência) do que o retificador de +12 V. Este era um cenário típico encontrado em fontes de alimentação de sete anos atrás. Atualmente a maior parte da potência de um PC é extraída da linha de +12 V, já que os componentes que extraem mais potência – processadores e placas de vídeo – são conectados na linha de +12 V.
O sensor térmico desta fonte de alimentação está localizado dentro da bobina de +12 V, como você pode ver na Figura 12. Este sensor é usado para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte e também para desligar a fonte em caso de superaquecimento, em fontes de alimentação que implementam a proteção contra temperatura elevada (OTP).
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Figura 12: Sensor térmico.Nesta fonte de alimentação os capacitores eletrolíticos grandes do dobrador de tensão são rotulados a 85°C, enquanto que os capacitores eletrolíticos do secundário são rotulados a 105°C. Nós não conseguimos descobrir os fabricantes deles.
Análise da Potência
Esta fonte de alimentação tem as seguintes especificações:
- +3.3 V: 21 A
- +5 V: 26 A
- +12V1: 16 A
- +12V2: 17 A
- -12 V: 0,6 A
- +5VSB: 2,5 A
Como você pode ver esta fonte de alimentação tem dois barramentos virtuais, o primeiro rotulado a 16 A e o segundo rotulado a 17 A. No barramento +12V1 nós temos todos os conectores para periféricos e o cabo de alimentação auxiliar da placa de vídeo, enquanto que no barramento +12V2 nós temos o cabo de alimentação principal da placa-mãe e o cabo ATX12V.
Vamos agora ver se esta fonte de alimentação pode fornecer seus 450 W.
Testes de Carga
Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 44,8°C e 50°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 50°C e 56°C.
Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.
Neste teste nós incluímos um sexto padrão, também puxando 100% da carga da fonte de alimentação (450 W), mas com uma configuração de corrente diferente. No teste número cinco nós respeitamos o limite impresso na etiqueta da fonte de alimentação para a potência combinada das saídas de +12 V, que é de 336 W. Para respeitar este limite nós tivemos que manter as correntes de +12 V menores do que gostaríamos e aumentando as correntes nas saídas de +5 V e +3,3 V para atingir os 450 W. No teste número seis nós não respeitamos o limite de potência combinada na linha de +12 V para esta fonte de alimentação e a testamos do jeito que queríamos, extraindo mais corrente das saídas de +12 V e menos das saídas de +5 V e de +3,3 V, já que esta configuração reflete melhor uma utilização típica de um PC atual.
Nós também queríamos fazer esses teste porque fomos criticados por não respeitarmos o limite combinado das saídas de +12 V em nosso teste da Huntkey Green Star 450 W. Algumas pessoas disseram que talvez este tivesse sido o motivo pelo qual a fonte de alimentação da Huntkey explodiu quando tentamos extrair 450 W dela. Portanto neste presente teste nós testaremos a fonte de alimentação dentro desses dois cenários com 100% de sua carga nominal para ver o que acontece.
+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector ATX12V da fonte de alimentação.
Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.
Entrada
Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
Teste 6
+12V1
3 A (36 W)
6,5 A (78 W)
10 A (120 W)
13 A (156 W)
14 A (168 W)
17 A (204 W)
+12V2
3 A (36 W)
6,5 A (78 W)
9 A (108 W)
12,5 A (150 W)
14 A (168 W)
15 A (180 W)
+5V
1 A (5 W)
2 A (10 W)
4 A (20 W)
5 A (25 W)
12 A (60 W)
6 A (30 W)
+3,3 V
1 A (3,3 W)
2 A (6,6 W)
4 A (13,2 W)
5 A (16,5 W)
12 A (39,6 W)
6 A (19,8 W)
+5VSB
1 A (5 W)
1 A (5 W)
1 A (5 W)
1,5 A (7,5 W)
2 A (10 W)
2 A (10 W)
-12 V
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,6 A (7,2 W)
0,5 A (6 W)
Total
91,2 W
183,3 W
271,2 W
358,9 W
449,5 W
445 W
% Carga Máx
20,3%
40,7%
60,3%
79,8%
99,9%
98,9%
Resultado
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Estabilidade da tensão
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Ripple e ruído
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Potência AC
115 W
224 W
336 W
454 W
595 W
584 W
Eficiência
79,3%
81,8%
80,7%
79,1%
75,5%
76,2%
Projeto obsoleto ou não esta fonte de alimentação conseguiu realmente fornecer sua potência rotulada a 50°C. Além disso, ela sobreviveu em ambos os nossos cenários para os testes de 100% da sua carga: respeitando a potência máxima combinada para a linha de +12 V descrita na etiqueta da fonte de alimentação ou não.
A eficiência poderia ter sido melhor, mas de qualquer forma atingiu um bom resultado para uma fonte de alimentação baseada em um projeto antigo, ultrapassando 80% nos testes número dois (40% da carga) e três (60% da carga). Portanto se você usar esta fonte de alimentação com um micro básico que extraia entre 180 W e 279 W você terá uma boa eficiência.
A regulação da tensão também foi excelente, dentro da faixa de 3% dos valores nominais, exceto na saída de -12V, que ficou em -11,20 V no teste um, -11,55 V no teste dois e -12,45V nos testes cinco e seis. Apesar de o padrão ATX12V definir uma tolerância para a saída de -12V de 10% nós gostaríamos de ver um valor mais próximo da tensão nominal de -12V.
Os destaques desta fonte de alimentação foram o ruído elétrico e o ripple (oscilação), que foram muito baixos. Quando extraímos a carga máxima de 450 W desta fonte de alimentação o ruído na saída de +12V1 foi de 24,6 mV, na saída de +12V2 foi de 29,8 mV, na saída de +5V foi de 20,8 mV e na saída de +3,3 V foi de 23,6 mV (valores para o padrão número cinco). Só para lembrar, os valores máximos admissíveis são de 120 mV para a saída de +12V e 50 mV para a saída de +5 V e +3,3 V.
Esta fonte de alimentação apresentou mais ripple (oscilação) do que ruído (ripple é uma oscilação na saída da fonte, enquanto que ruído são os picos presentes em cima desta oscilação; todas as outras fontes de alimentação que vimos até hoje apresentaram mais ruído do que oscilação – compare as imagens abaixo com as imagens obtidas em outras fontes de alimentação para ver a diferença), mas isto não muda o fato de que ela esteve abaixo das especificações máximas.
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Figura 13: Nível de ruído na entrada +12V1 do testador de carga.
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Figura 14: Nível de ruído na entrada +12V2 do testador de carga.
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Figura 15: Nível de ruído na entrada +5V do testador de carga.
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Figura 16: Nível de ruído na entrada +3,3V do testador de carga.Testes de Carga (Cont.)
Após os testes de carga básicos nós tentamos extrair ainda mais potência da eXtream 450 W mantendo-a funcionando com suas tensões e nível de ruído dentro da sua faixa de operação normal.
Começando do teste número seis apresentado na página anterior, nós começamos a aumentar as correntes em +12V até o máximo que conseguimos. Ao configurarmos nosso testador de carga para extrair 20 A de cada uma das suas entradas de +12 V a fonte de alimentação não ligou, mostrando que a proteção contra sobrecarga de potência (OPP) entrou em ação – o que é excelente.
Feito isto nós configuramos nosso testador de carga para extrair 20 A de sua entrada +12V1 e 19 A de sua entrada +12V2 e a fonte de alimentação funcionou bem por alguns minutos, e então “morreu” silenciosamente. Quando nós a desmontamos testamos os principais componentes e nenhum deles estavam queimados – apenas o fusível. Nós substituímos o fusível (de 7 A lento) e conseguimos ressuscitar a nossa fonte de alimentação.
Após termos ressuscitado a fonte de alimentação nós configuramos o testador para extrair 19 A de cada entrada de 12 V e a fonte de alimentação funcionou bem a uma temperatura ambiente de 50°C. Os resultados completos deste teste podem ser vistos abaixo.
Entrada
Máximo
+12V1
19 A (216 W)
+12V2
19 A (216 W)
+5V
6 A (30 W)
+3,3 V
6 A (19,8 W)
+5VSB
3 A (15 W)
-12 V
0,5 A (6 W)
Total
515 W
% Carga Máx
114,4%
Potência AC
705 W
Eficiência
73,0%
Portanto, basicamente a proteção contra sobrecarga de potência desta fonte de alimentação está configurada um pouco acima de onde ela deveria estar configurada. De qualquer maneira, apesar de esta fonte de alimentação ter “morrido” durante nossos testes de sobrecarga, nós conseguimos facilmente trazê-la de volta dos mortos simplesmente trocando seu fusível. O problema é que trocar o fusível dentro da fonte de alimentação de um computador é um processo muito complicado para o usuário comum, já que nesta fonte o fusível está soldado diretamente na placa de circuito impresso e não instalado em um porta-fusíveis.
O ruído e o ripple estavam, mais uma vez, dentro das especificações, em 29 mV na entrada +12V1 do nosso testador de carga, 30,4 mV na entrada +12V2, 17,6 mV na entrada de +5 V e 15,6 mV na entrada de +3,3 V. Esses valores são tensões de pico-a-pico e podem ser vistos nas figuras abaixo.
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Figura 17: Nível de ruído na entrada +12V1 do testador de carga.
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Figura 18: Nível de ruído na entrada +12V2 do testador de carga.
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Figura 19: Nível de ruído na entrada +5V do testador de carga.
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Figura 20: Nível de ruído na entrada +3,3V do testador de carga.Nós testamos a proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) deixando apenas o conector de alimentação principal da placa-mãe instalado em nosso testador de carga e o configuramos para extrair 28 A da fonte de alimentação. Como a fonte de alimentação funcionou bem, nós podemos assumir que esta fonte não tem um circuito OCP ou que ele está configurado com um valor um acima de 28 A.
A proteção contra curto-circuito foi testada e funcionou bem.
A ventoinha desta fonte de alimentação roda lentamente e produz muito pouco ruído. Esta fonte funcionou de 6 a 7 graus Celsius acima da temperatura ambiente, o que é bom, mas uma temperatura um pouco acima da de outras fontes de alimentação que testamos, onde elas tipicamente ficaram entre 2°C e 5°C acima da temperatura ambiente.
Principais Características
As principais especificações técnicas da fonte de alimentação eXtream 450 W são:
- ATX12V 2.2.
- Potência nominal rotulada: 450 W.
- Potência máxima medida: 515 W a 50°C.
- Eficiência nominal: mínimo de 73%.
- Eficiência medida: entre 75,5% e 81,8% em 115 V.
- PFC ativo: Não.
- Conectores da placa-mãe: um conector 20/24 pinos e um conector ATX12V.
- Conectores para Periféricos: um cabo de alimentação auxiliar para placas de vídeo com conector de 6 pinos, um cabo contendo três conectores de alimentação para periféricos, um cabo contendo dois conectores de alimentação para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete, e um cabo contendo dois conectores de alimentação SATA.
- Proteções: sobrecarga de tensão (OVP), subtensão (UVP) e sobrecarga de potência (OPP). Informação fornecida pelo fabricante, veja o texto para o teste desses recursos.
- Garantia: Informação não disponível.
- Preço médio nos EUA*: US$ 35,00.
- Preço médio no Brasil: Nós compramos o modelo testado por R$ 170,00 no Rio de Janeiro/RJ.
*Pesquisado no NewEgg.com no dia da publicação deste teste.
Conclusões
Tecnicamente falando, esta fonte de alimentação usa um projeto muito antigo: ela usa transistores unijunção na seção de chaveamento, os retificadores do secundário são configurados da mesma forma que acontece nas fontes de alimentação antigas e os retificadores de +5 V e +3,3 V possuem um limite de corrente muito acima do retificador de +12V, que era uma configuração típica de anos atrás, onde o PC extraía mais potência das linhas de +5V e +3,3 V e não da linha de +12V como acontece hoje.
Nós também ficamos impressionados com o baixo nível de ripple (oscilação) e ruído produzido por esta fonte de alimentação.
A boa notícia é que nesta fonte a proteção contra sobrecarga funciona e ela não explodiu durante nossos testes. No entanto, durante um de nossos testes de sobrecarga o fusível queimou, e com isso podemos deduzir que o circuito de proteção contra sobrecarga (OPP) deveria ser configurado com um valor um pouco abaixo para evitar que isto aconteça. Após substituirmos o fusível a fonte de alimentação continuou funcionando bem. O fusível é uma proteção, mas o problema é que a maioria dos usuários não tem o conhecimento necessário para trocar o fusível de uma fonte de alimentação, já que ele está soldado na placa de circuito impresso da fonte.
A eficiência não foi ruim para uma fonte de alimentação que usa um projeto antigo. Com a fonte de alimentação funcionando entre 40% e 60% da sua potência rotulada a eficiência foi acima de 80%, caindo para abaixo deste valor com outros padrões de carga. Portanto se você comprar esta fonte de alimentação e instalá-la em um micro básico puxando entre 180 W e 270 W ela terá uma eficiência decente. Você pode calcular a quantidade de potência que seu micro puxará usando esta excelente calculadora de fontes de alimentação.
Como ponto negativo nós temos a quantidade de conectores disponíveis, apenas cinco conectores para periféricos e apenas dois conectores SATA. Se você tem mais do que dois dispositivos SATA (por exemplo, dois discos rígidos) então você precisará usar um adaptador para converter os plugues de alimentação para periféricos em plugues de alimentação SATA. Ela também vem com apenas um conector de alimentação para a placa de vídeo e não vem com um conector EPS12V, mas para o público a qual esta fonte se destina – usuários que estão montando um micro básico – isso não chega a ser um problema.
Para variar temos o famigerado “custo Brasil”. Uma fonte idêntica a esta (Kingwin ABT-450MM) custa, nos EUA, entre US$ 35 e US$ 40. Ou seja, para um americano uma fonte dessas custa a mesma coisa que, para um brasileiro, custa uma fonte “genérica”. No Brasil compramos esta fonte por R$ 170, o que não chega a ser um absurdo de caro que impeça um usuário de tê-la, mas também não é uma fonte baratinha como é no exterior. Mas a boa notícia é que você estará comprando uma fonte de 450 W e levando para casa na verdade uma fonte de 500 W.
O único motivo para não darmos o nosso selo de produto recomendado para esta fonte é a questão do fusível, que queimou durante nossos testes de sobrecarga (como dissemos, bastou trocar o fusível e a fonte voltou a funcionar; lembrando que o fusível é uma proteção), a eficiência, que não ficou acima de 80% em todos os testes.
Mas, como dissemos, esta é uma boa fonte, melhor que a Huntkey Green Star 450 W, já que este modelo da Huntkey só foi capaz de entregar 360 W durante os nossos testes. No geral ela é melhor que a Seventeam ST-420BKV (esta fonte da eXtream tem maior eficiência, maior potência máxima e vem com cabo para alimentação da placa de vídeo, recurso não presente neste modelo da Seveteam), embora a fonte da Seventeam tenha um circuito de proteção contra sobrecarga melhor calibrado e custar um pouco menos.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1472
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