Teste da Fonte de Alimentação Cooler Master Real Power Pro 850 W
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 08 de abril de 2008
Introdução
A Real Power Pro é a série de fontes de alimentação topo de linha da Cooler Master, cujo modelos vão de 550 W a 1.250 W. Nós testamos o modelo de 850 W (também conhecido como RS-850-EMBA), que tem uma grande ventoinha de 135 mm, projeto com dois transformadores e seis barramentos virtuais de +12 V, e é voltada para micros equipados com três ou quatro placas de vídeo. De acordo com a Cooler Master esta fonte foi rotulada a 50°C e pode fornecer até 1.000 W durante picos. Vamos ver se isto é verdade, além da nossa tradicional análise minuciosa desta fonte.
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Figura 1: Cooler Master Real Power Pro 850 W.
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Figura 2: Cooler Master Real Power Pro 850 W.Como você pode ver, esta fonte de alimentação usa uma grande ventoinha de 135 mm “de bucha” em sua parte inferior (a fonte de alimentação está de cabeça para baixo nas Figuras 1 e 2) e uma grande grade na parte traseira onde tradicionalmente temos uma ventoinha de 80 mm. Nós gostamos desta abordagem já que ela oferece não apenas um melhor fluxo de ar, mas a fonte de alimentação também produz menos ruído, já que a ventoinha pode girar a uma velocidade menor de modo a produzir o mesmo fluxo de ar de uma ventoinha de 80 mm.
Esta fonte de alimentação, assim como todas as outras fontes topo de linha, tem PFC ativo, que oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que a Cooler Master venda este produto na Europa (leia nosso tutorial sobre o PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação). No que diz respeito a eficiência, a Cooler Master diz que este produto tem uma eficiência de 81% a 170 W, 85% a 425 W e 82% a 850 W. Claro que mediremos isto para ver se o que o fabricante afirma é verdade. Lembre-se que fontes de alimentação mais caras têm uma eficiência de pelo menos 80%. Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.
O cabo de alimentação principal da placa-mãe usa um conector de 24 pinos (sem opção para transformá-lo em um conector de 20 pinos) e esta fonte tem um conector ATX12V e um conector EPS12V.
Esta fonte de alimentação vem com oito cabos de alimentação para periféricos: dois cabos de alimentação auxiliar para placas de vídeo com conectores de 6 pinos, dois cabos de alimentação auxiliar para placas de vídeo com conectores de 6/8 pinos, dois cabos contendo três conectores de alimentação para periféricos padrão e um conector para a unidade de disquete cada e dois cabos com quatro conectores de alimentação SATA cada.
Algo bem bacana nesta fonte é que cada cabo está devidamente etiquetado, o que é muito útil pois o conector de alimentação auxiliar de 8 pinos para placas de vídeo e o conector EPS12V são muito parecidos.
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Figura 3: Os cabos para placa de vídeo, ATX12V e EPS12V são etiquetados.A quantidade de conectores é mais do que suficiente até mesmo para usuários ultra fanáticos dispostos a montar um micro com três ou quatro placas de vídeo, um processador topo de linha e muitos discos rígidos. Outra coisa bacana nesta fonte é que cada conector da placa de vídeo é instalado em um barramento de +12 V independente, o que oferece uma melhor distribuição de potência e maior proteção. Nós falaremos em mais detalhes sobre na seção “Análise da Potência”.
Apesar de esta fonte ter uma incrível quantidade de plugues de alimentação SATA – oito – para uma melhor distribuição de potência e para facilitar a instalação de um micro com muitos discos rígidos e unidade ópticas nós achamos que seria melhor se a Cooler Master tivesse usado três cabos com três plugues SATA cada em vez de apenas dois cabos com quatro plugues SATA cada.
Nesta fonte de alimentação os fios da placa-mãe, cabos para periféricos e SATA possuem bitola 18 AWG, enquanto que os fios nos EPS12V, ATX12V e todos cabos para placas de vídeo são de bitola 16 AWG, o que é perfeito.
No que diz respeito à estética, a Cooler Master usou acabamento de nylon em todos os cabos, mas esta proteção parte de dentro da fonte apenas no cabo principal da placa-mãe.
Esta fonte de alimentação é fabricada pela Enhance Electronics e em seu site não há nenhum modelo idêntico à Real Power Pro 850 W, o que nos leva a acreditar que este modelo é fabricado exclusivamente para a Cooler Master.
Vamos agora dar uma olhada em mais profundidade nesta fonte de alimentação.
Por Dentro da Real Power Pro 850 W
Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.
Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.
Esta fonte de alimentação usa um projeto com dois transformadores, como você pode ver nas figuras abaixo (fontes de alimentação tradicionalmente usam apenas um transformador). Em teoria este projeto permite que a fonte de alimentação forneça mais corrente para seu secundário. Este mesmo projeto é usado em algumas outras fontes de alimentação que já vimos como a WiseCase WSNG-650WR-2*8+APFC, a Tagan TurboJet TG1100-U95 1.100 W e a Enermax Galaxy 1000 W.
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Figura 4: Visão geral.
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Figura 5: Visão geral.
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Figura 6: Visão geral.Como mencionamos em outros artigos e testes, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.
Nesta seção esta fonte de alimentação é impecável, já que ela dois capacitores Y e um capacitor X a mais do que o necessário, mais um anel de ferrite no cabo de alimentação principal.
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Figura 7: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).
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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes (parte 2).Agora vamos discutir em mais detalhes sobre os componentes usados na Real Power Pro 850 W.
Análise do Primário
Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela Cooler Master.
De todas as especificações técnicas descritas no databook de cada componente, estávamos mais interessados na corrente máxima em modo contínuo, dada em ampères (A). Para encontrar a potência máxima teórica do componente em watts podemos usar a fórmula P = V x I, onde P é a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères.
Nós precisamos saber também em que temperatura o fabricante do componente mediu a sua corrente máxima (esta informação também pode ser encontrada no databook do componente). Quanto maior a temperatura, menor é a corrente que semicondutores conseguem fornecer. Correntes dadas a temperaturas menores do que 50º C não são boas, já que temperaturas abaixo desta não refletem as reais condições de trabalho da fonte de alimentação.
Lembre-se que isto não significa que a fonte de alimentação fornecerá a corrente máxima de cada componente, já que a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer depende de outros componentes usados – como o transformador, bobinas, capacitores, o layout da placa de circuito impresso e a bitola dos fios – não apenas das especificações principais dos componentes que iremos analisar.
Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.
Esta fonte de alimentação usa duas pontes de retificação GBU1006 conectadas em paralelo em seu primário, que podem fornecer até 10 A (100°C ) cada. Portanto o circuito de retificação CA suporta até 20 A.
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Figura 9: Pontes de retificação.Esta fonte de alimentação usa dois transistores de potência MOSFET STW25NM50N em seu circuito PFC ativo, que suportam até 22 A (25°C) ou 14 A (100°C) em modo continuo ou até 88 A (25°C) em modo pulsante cada.
Na seção de chaveamento esta fonte de alimentação usa dois transistores de potência MOSFET STW20NM50 na configuração de chaveamento direto com dois transistores (two-transistor forward), que podem fornecer até 20 A (25°C) ou 12,6 A (100°C) em modo contínuo ou até 80 A (25°C) em modo pulsante, que é o modo usado.
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Figura 10: Transistores chaveadores, diodo e transistores do PFC ativo.Como mencionamos esta fonte de alimentação usa um projeto com dois transformadores. A configuração usada é realmente interessante. Em vez dos primários desses dois transformadores serem conectados em paralelo, eles são conectados em série.
O primário desta fonte é controlado pelo popular circuito integrado CM6800, que é responsável por controlar os circuitos PFC e PWM. Ele está localizado na pequena placa de circuito impresso que está instalada em uma das bordas da placa principal da fonte.
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Figura 11: Circuito integrado controlador do PFC ativo e PWM.Análise do Secundário
Esta fonte de alimentação usa uma configuração um pouco diferente das que vimos até hoje, por essa razão desenhamos um esquema simplificado do seu secundário para uma melhor compreensão, como você pode ver na Figura 12.
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Figura 12: Secundário da Cooler Master Real Power Pro 850 W.Para as saídas de +5 V e de +3,3 V os dois transformadores são conectados em paralelo e cada saída usa dois retificadores Schottky em paralelo cada. Em vez de compartilhar a mesma saída do transformador com a saída de +5 V, a linha de +3,3 V usa uma saída própria do transformador, o que é excelente.
A saída de +5 V é produzida por dois retificadores Schottky STPS60L45CW conectados em paralelo, que suportam até 60 A (a 135º C) cada. Portanto a potência máxima teórica que a saída de +5 V pode fornecer é de 600 W. Esta linha está claramente superdimensionada. Claro que a corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor e da bitola do fio.
A saída de +3,3 V é produzida por outros dois retificadores Schottky STPS60L45CW conectados em paralelo, que suportam até 120 A (a 135º C) cada. Portanto a potência máxima teórica que a saída de +3,3 V pode fornecer é de 792 W. Esta linha também está claramente superdimensionada.
A saída de +12 V usa um projeto único, sendo produzia por três retificadores Schottky e dois transistores de potência MOSFET IFRS3207. Nós achávamos que esses três retificadores seriam conectados em paralelo, mas este não é o caso. Dois deles são conectados em paralelo (quatro diodos em paralelo) retificando a parte positiva da saída do transformador e o outro retificador (dois diodos em paralelo) está retificando a porta negativa da forma de onda. Dê uma olhada na Figura 12 para entender melhor.
Os retificadores Schottky usados são três 40CPQ060, que podem fornecer até 40 A (a 120º C) cada. Mas, como mencionamos, esta fonte de alimentação usa uma configuração ímpar. Dessa forma a retificação positiva (2 dispositivos) pode suportar até 80 A (960 W), enquanto que a retificação negativa (1 dispositivo) pode suportar até 40 A (480 W), para um total de 120 A ou 1.440 W. Esta seção também está claramente superdimensionada, o que é excelente.
O estágio de filtragem de +12 V desta fonte de alimentação também é diferente de outras fontes: ele tem duas seções de filtragem separadas, uma para os barramentos de +12V1, +12V2 e +12V3 e outra para os barramentos de +12V4, +12V5 e +12V6. Isto é ótimo.
Nós também vimos claramente que cada barramento virtual estava realmente conectado no circuito integrado de monitoramento (um PS232S), que é responsável pelas proteções da fonte de alimentação, como sobrecarga de corrente (OCP). A proteção OCP estava realmente ativada, como falaremos adiante.
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Figura 13: Transistor, dois retificadores da saída de +12 V, transistor, retificadores das saídas de +5 V e +3,3 V.
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Figura 14: Retificadores das saídas de +3,3 V, +5 V e +12 V.Como você pode ver na Figura 14 esta fonte de alimentação tem dois sensores térmicos presos ao dissipador de calor do secundário. Um deles é usado para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte e o outro é usado no circuito contra superaquecimento (OTP). Nós falaremos mais sobre isto mais tarde.
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Figura 15: Circuito integrado para monitoramento PS232S.Nesta fonte de alimentação os capacitores eletrolíticos grandes do circuito PFC ativo são japoneses da Chemi-Com e rotulados a 85°C, enquanto que os capacitores eletrolíticos do secundário são taiuaneses da Teapo e são rotulados a 105°C.
Análise da Potência
Na Figura 16 você pode ver a etiqueta contendo todas as especificações de alimentação desta fonte.
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Figura 16: Etiqueta da fonte de alimentação.Como mencionamos anteriormente, esta fonte de alimentação tem seis barramentos virtuais de 12 V, com os barramentos +12V3 e +12V4 rotulados com uma corrente máxima de 28 A e todos os outros rotulados com uma corrente máxima de 18 A.
Esses barramentos são distribuídos da seguinte forma:
- +12V1 (fio amarelo com listra preta): Cabo principal da placa-mãe, metade do cabo EPS12V.
- +12V2 (fio amarelo sólido): ATX12V, metade do cabo EPS12V.
- +12V3 (fio amarelo com listra azul): Plugue de alimentação da placa de vídeo de 6/8 pinos.
- +12V4 (fio amarelo com listra verde): Plugue de alimentação da placa de vídeo de 6/8 pinos.
- +12V5 (fio amarelo com listra vermelha): Plugue de alimentação da placa de vídeo de 6 pinos, cabos de alimentação para periféricos.
- +12V6 (fio amarelo com listra branca): Plugue de alimentação da placa de vídeo de 6 pinos, cabos de alimentação SATA.
Esta configuração é provavelmente a melhor que vimos até hoje. Como você pode ver, nesta fonte de alimentação cada cabo de alimentação para placas de vídeo usa um barramento separado, com um maior limite de corrente nos barramentos onde os plugues de 6/8 pinos estão instalados.
A configuração usual em outras fontes de alimentação com quatro cabos de alimentação para placas de vídeo é conectar dois cabos em um barramento e os outros dois em outro barramento. Se você instalar duas placas de vídeo “parrudas” no mesmo barramento, a proteção contra sobrecarga de corrente pode entrar em ação desligando a fonte de alimentação mesmo se as placas de vídeo estiverem trabalhando dentro de suas especificações. Para evitar que isto aconteça, alguns fabricantes simplesmente desabilitam o circuito OCP (transformando a fonte em uma com apenas um barramento) ou configuram o OCP com um valor muito alto. Em ambos os casos a fonte de alimentação não oferece nenhum tipo de proteção contra sobrecarga de corrente.
Esta fonte de alimentação da Cooler Master resolve este problema colocando cada cabo de alimentação para placas de vídeo em um barramento individual. Com isso a fonte de alimentação não desligará se você tiver com até quatro placas de vídeo trabalhando dentro de suas especificações, mas você terá a proteção contra sobrecarga de corrente caso algo de errado aconteça.
Nós testamos o circuito OCP e ele estava realmente ativo, como falaremos mais adiante.
Vamos agora ver se esta fonte de alimentação pode realmente fornecer 850 W de potência.
Testes de Carga
Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 47°C e 50°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 49°C e 52°C.
Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.
+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação (nesta fonte de alimentação o plugue EPS12V está metade conectado ao barramento de +12V1 e metade conectado ao barramento de +12V2 da fonte de alimentação).
Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.
Entrada
Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
+12V1
6 A (72 W)
13 A (156 W)
20 A (240 W)
25 A (300 W)
31 A (372 W)
+12V2
6 A (72 W)
12 A (144 W)
17 A (204 W)
25 A (300 W)
31 A (372 W)
+5V
2 A (10 W)
4 A (20 W)
6 A (30 W)
8 A (40 W)
10 A (50 W)
+3,3 V
2 A (6,6 W)
4 A (13,2 W)
6 A (19,8 W)
8 A (26,4 W)
10 A (33 W)
+5VSB
1 A (5 W)
1,5 A (7,5 W)
2 A (10 W)
3 A (15 W)
3,5 A (17,5 W)
-12 V
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,8 A (9,6 W)
Total
175,1 W
353 W
518 W
696,9 W
863 W
% Carga Máx
20,6%
41,5%
60,9%
82,0%
101,5%
Temperatura ambiente
48,7º C
47º C
46,9º C
49º C
50º C
Temperatura fonte
52º C
51,4º C
48,8º C
52º C
52º C
Resultado
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Estabilidade da tensão
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Ripple e ruído
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Potência AC
201 W
401 W
596 W
826 W
1.066 W
Eficiência
87,1%
88,0%
86,9%
84,4%
81,0%
Esta fonte de alimentação conseguiu fornecer sua potência rotulada de 850 W em uma temperatura ambiente de 50°C com eficiência acima de 80% o tempo inteiro, acima de 85% nos testes um, dois e três. Se você extrair apenas 350 W desta fonte ela funcionará com uma incrível eficiência de 88%. A Cooler Master diz que o produto tem eficiência de 81% em 170 W, 85% em 425 W e 82% em 850 W. Durante nossos testes a eficiência desta fonte foi superior ao que o fabricante disse exceto a 850 W, que vimos a eficiência 1% abaixo do que o fabricante afirma. Isto não significa que o fabricante está mentindo, já que normalmente o fabricante mede a eficiência em 220 V, que oferece uma maior eficiência ser comparado a 115 V.
A regulação da tensão durante todos os testes (incluindo os testes de sobrecarga que mostraremos na próxima página) foi sensacional, com todas as saídas dentro de 3% de suas tensões nominais – a especificação ATX define que todas as saídas devem estar dentro de 5% de suas tensões nominais (exceto em -12 V onde o limite é de 10%). Em outras palavras, nesta fonte de alimentação as tensões estavam mais próximas aos valores nominais do que o determinado pela especificação ATX.
O ripple (oscilação) e o ruído foram outros destaques deste produto, já que eles foram muito abaixo do máximo definido pela especificação ATX (120 mV para +12 V e 50 mV para +5 V e +3,3 V). Durante nosso teste de número cinco – ou seja, com a fonte de alimentação fornecendo 860 W – o nível de ruído na entrada de +12V1 do nosso testador de carga era de 49 mV, em +12V2 era de 44,8 mV, em +5 V era de 33,2 mV e em +3,3 V era de 28,6 mV. Resultados impressionantes.
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Figura 17: Nível de ruído na entrada de +12V1 do nosso testador de carga com a fonte de alimentação fornecendo 860 W.
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Figura 18: Nível de ruído na entrada de +12V2 do nosso testador de carga com a fonte de alimentação fornecendo 860 W.
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Figura 19: Nível de ruído na linha de +5 V com a fonte de alimentação fornecendo 860 W.
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Figura 20: Nível de ruído na linha de +3,3 V com a fonte de alimentação fornecendo 860 W.O único “problema” que nos deparamos durante os testes foi com a proteção contra superaquecimento (OTP). Nesta fonte de alimentação este circuito lê o estado do sensor de temperatura apenas quando você liga a fonte. Enquanto a fonte está funcionando parece que este circuito fica desativado.
Se você carregar a fonte com uma carga alta durante alguns minutos e desligá-la, ela não ligará novamente até que o dissipador de calor do secundário esfrie. Durante nossos testes chegamos a achar que tínhamos queimado a fonte, mas nós aguardamos alguns minutos e a fonte voltou a ligar.
Nós instalamos nosso termômetro no dissipador de calor do secundário para ver como a proteção contra superaquecimento (OTP) estava configurada. Se a temperatura no dissipador estiver acima de 60°C, a fonte de alimentação não liga. O problema, como dissemos, é que aparentemente a proteção contra superaquecimento não lê o sensor enquanto a fonte está funcionando, já que durante a operação normal com a carga máxima a temperatura no dissipador do secundário foi maior do que 80°C e a fonte não desligou. Ou então o circuito contra superaquecimento está configurado para desligar a fonte caso a temperatura no dissipador atinja um nível muito alto que não conseguimos obter durante a operação normal em carga máxima.
Portanto se você comprar esta fonte e ela não ligar, aguarde até que ela fique “fria”.
Vamos agora ver se conseguimos extrair mais potência deste produto.
Testes de Carga (Cont.)
Nós estávamos realmente curiosos para ver qual era a quantidade de potência que esta fonte poderia realmente fornecer, especialmente porque o fabricante diz que esta fonte pode fornecer 1.000 W de pico. Abaixo você pode ver a quantidade máxima de potência que conseguimos extrair desta fonte mantendo-a funcionando com suas tensões e nível de ruído elétrico dentro da faixa de funcionamento normal.
Entrada
Máximo
+12V1
32 A (384 W)
+12V2
32 A (384 W)
+5V
24 A (120 W)
+3,3 V
24 A (79,2 W)
+5VSB
3,5 A (17,5 W)
-12 V
0,8 A (9,6 W)
Total
998 W
% Carga máx
117,4%
Temperatura ambiente
60º C
Potência CA
1.248 W
Eficiência
80,0%
Aqui o nível de ruído aumentou para 58 mV em +12V1, 42,8 mV em +5V e 40 mV em +3,3V, como você pode ver abaixo.
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Figura 21: Nível de ruído na entrada de +12V1 do testador de carga.
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Figura 22: Nível de ruído na entrada de +5 V do testador de carga.O problema aqui foi que a temperatura dentro da nossa “caixa térmica” aumentou muito rápido, chegando a 60°C e nós não descobrimos uma maneira de diminuirmos esta temperatura. Nós deveríamos ter desligado a fonte e ter aguardado ela resfriar, mas não, nós continuamos a manter esta fonte de alimentação de 850 W fornecendo 1.000 W a 60°C por alguns minutos até que... bum! Nós explodimos a fonte de alimentação. Nós queimamos os transistores e o diodo do PFC ativo, como você pode ver nas Figuras 23 e 24.
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Figura 23: Nós queimamos os transistores do PFC ativo.
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Figura 24: Placa de circuito impresso “torrada”.Basicamente o fabricante relaxou na configuração da proteção contra sobrecarga de potência (OPP) para você conseguir atingir 1.000 W – especialmente porque todos os retificadores usados nesta fonte estão superdimensionados, como vimos quando analisamos o secundário desta fonte – mas o lado negativo é que você pode explodir a fonte se continuar extraindo continuamente 1.000 W.
Por causa disto não conseguimos ver em que nível a proteção contra sobrecarga de potência estava configurada.
Durante nossos testes nós vimos claramente o circuito contra sobretensão (OCP) em ação. Quando nós configuramos a entradas +12V1 ou +12V2 do nosso testador de carga com 33 A a fonte de alimentação automaticamente desligou as saídas de +12V. Portanto nós deixamos apenas o cabo de alimentação principal da placa-mãe conectado no nosso testador de carga e aumentamos a corrente até que a proteção contra sobretensão entrasse em ação e desligasse a saída de +12 V para ver em que nível ela estava configurada. Isto aconteceu toda vez que tentamos extrair mais do que 27 A. A etiqueta da fonte de alimentação, no entanto, diz que +12V1 – que é o barramento onde o cabo de alimentação principal da placa-mãe está conectado – pode fornecer apenas até 18 A. É normal o fabricante configurar a proteção contra sobrecarga de corrente um pouco acima do que está escrito na etiqueta – por exemplo, configurar a proteção em 20 A quando a etiqueta diz 18 A – mas 9 ampères acima do valor rotulado! Como esta fonte tem seis barramentos e a potência está perfeitamente distribuída, nós achamos que a Cooler Master poderia usar configurar o circuito de proteção contra sobrecarga de corrente com os valores presentes na etiqueta.
A proteção contra curto-cirtuito (SCP) funcionou bem para ambas as linhas de +5V e +12 V.
Durante nossos testes nós vimos a velocidade de rotação da ventoinha mudar de acordo com o aumento de temperatura da fonte. Abaixo de 30°C ela girou lentamente, praticamente não produzindo ruído, e acima desta temperatura ela começou a girar mais rápido, o que também fez com que aumentasse um pouco o nível de ruído, mas mesmo quando ela estava girando em sua velocidade de rotação máxima ela era muito silenciosa.
Outra coisa boa nesta fonte é que ela realmente trabalha muito “fria”, apenas 2 a 3 graus Celsius acima da temperatura dentro da nossa “caixa térmica”. Esta temperatura refere-se a temperatura da carcaça da fonte, medida com nosso termômetro instalado no lado superior externo da fonte (o mesmo lado onde dentro da fonte a placa de circuito impresso está localizada).
Principais Características
As principais especificações técnicas da fonte de alimentação Cooler Master Real Power Pro 850 W (RS-850-EMBA) são:
- ATX12V 2.3.
- EPS12V 2.91
- Potência nominal rotulada: 850 W a 50°C com 1.000 W de potência de pico.
- Potência máxima medida: 998 W a 60°C.
- Eficiência rotulada: entre 81% a 170 W, 85% a 425 W e 82% a 850 W.
- Eficiência medida: entre 81% e 88% em 115 V.
- PFC ativo: Sim.
- Conectores de alimentação da placa-mãe: um conector de 24 pinos, um conector ATX12V e um conector EPS12V.
- Conectores de alimentação da placa de vídeo: quatro, dois conectores de 6/8 pinos e dois conectores de 6 pinos.
- Conectores de alimentação para periféricos: seis, dois cabos com três conectores de alimentação para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada.
- Conectores de alimentação SATA: oito, dois cabos com quatro conectores de alimentação SATA cada.
- Proteções: sobretensão (OVP, não testada), sobrecarga de corrente (OCP, testada e funcionando), superaquecimento (OTP, testada, funcionando parcialmente, veja o texto para explicação) e sobrecarga (OLP, não testada).
- Garantia: Cinco anos nos EUA. No Brasil a garantia dependerá do distribuidor e/ou do lojista.
- Verdadeiro fabricante: Enhance Electronics
- Mais informações: http://www.coolermaster.com
- Preço médio nos EUA*: US$ 162,50
*Pesquisado no Shopping.com no dia da publicação desse teste.
Conclusões
Nós ficamos realmente impressionados com esta fonte de alimentação. Ela não apenas conseguiu fornecer 850 W a 50°C como o fabricante disse, mas nós conseguimos extrair dela 1.000 W. A Cooler Master poderia facilmente rotular esta fonte como sendo de 1.000 W, mas eles decidiram agir com prudência e rotularam ela como sendo uma fonte de 850 W, provavelmente porque a eficiência cai abaixo de 80% quando extraímos 1.000 W.
Todos os retificadores desta fonte foram superdimensionados e isto explica o porquê desta fonte pode facilmente fornecer mais potência do que a rotulada.
Esta fonte é claramente voltada para usuários que querem montar um micro “parrudo” voltado para jogos com três ou quatro placas de vídeo, um processador topo de linha e vários discos rígidos.
O bom desta fonte é que ela oferece seis barramentos virtuais e cada cabo de alimentação para placas de vídeo é conectado a um barramento diferente. A configuração usual em fontes de alimentação com quatro cabos de alimentação para placas de vídeo é conectar dois cabos em um barramento e outros dois em outro barramento. Se você instalar duas placas de vídeo potentes no mesmo barramento, a proteção contra sobrecarga de corrente pode entrar em ação e desligar a fonte mesmo se as placas de vídeo estiverem trabalhando dentro de suas especificações. Para evitar que isto aconteça alguns fabricantes simplesmente desabilitam o circuito OCP (transformando a fonte em uma com um único barramento) ou configura o OCP com um valor muito alto. Em ambos os casos a fonte de alimentação não oferece nenhum tipo de proteção contra sobrecarga de corrente.
Esta fonte da Cooler Master resolve este problema colocando cada cabo de alimentação para placas de vídeo em um barramento individual. Com isso a fonte não desligará se você tiver até quatro placas de vídeo trabalhando dentro de suas especificações, mas você terá proteção contra sobrecarga de corrente caso algo de errado aconteça.
Durante nossos testes esta fonte manteve baixos níveis de oscilação (ripple) e ruído, muito abaixo dos valores máximos permitidos. A regulação da tensão também foi perfeita. A eficiência também esteve acima de 81%, ficando na faixa de 87%-88% se você extrair menos de 520 W desta fonte.
Sua ventoinha é muito silenciosa e esta fonte trabalha muito “fria” – a temperatura em sua carcaça era apenas 2 a 3 graus Celsius acima da temperatura ambiente.
O único “problema” que você pode ter com esta fonte é em relação a sua proteção contra superaquecimento (OTP). Aparentemente o sensor térmico é lido apenas quando você liga a fonte de alimentação. Se a temperatura do secundário estiver acima de 60°C a fonte de alimentação não ligará. Portanto se você desligar o micro e então ligá-lo novamente e ele não ligar, aguarde alguns minutos até que a fonte de alimentação fique “fria”. Nós achamos que um LED indicando que a proteção contra superaquecimento está ativa seria uma ótima idéia, já que usuários podem ficar desesperados achando que eles queimaram a fonte. Pelo menos foi isto que passou em nossas cabeças quando isto ocorreu.
Nos EUA esta fonte pode ser encontrada custando pouco mais de US$ 160, com garantia de cinco anos (no manual do produto está escrito equivocadamente que a garantia é de três anos). Sem dúvida esta fonte de alimentação oferece uma excelente relação custo/benefício para usuários norte-americanos e europeus que querem uma fonte de alimentação topo de linha. O problema é que não estamos nos EUA nem na Europa. Se essa fonte chegar ao Brasil, por quanto ela será vendida? E como será a sua garantia?
Apesar de esta fonte fornecer o que o fabricante promete, ela pode explodir se você extrair 1.000 W continuamente. Por causa disto nós achamos que o fabricante deveria ter configurado a proteção contra sobrecarga de potência (OPP) em um nível menor de modo a evitar que isto ocorra. Como resultado desta medida você não conseguiria obter 1.000 W de pico, mas pelo menos levaria para casa um produto mais seguro.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1480
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