Teste da Fonte de Alimentação SilverStone Strider ST50F 500 W
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 30 de abril de 2008
Introdução
A SilverStone tem várias linhas de fontes de alimentação com potências variando de 350 W a 1.200 W e estávamos muito curiosos para testar um produto deste fabricante. Para o nosso primeiro teste de um produto da SilverStone nós decidimos dar uma olhada em um produto mais simples, como a Strider ST50F, que é uma fonte de alimentação de 500 W que custa, nos EUA, US$ 67. Como é este produto comparado a outras fontes de alimentação da mesma faixa de potência que testamos até o momento? Será que esta fonte pode realmente fornecer sua potência de 500 W? Será que ela é um bom produto para o usuário comum? Vejamos.
clique para ampliar
Figura 1: Fonte de alimentação SilverStone Strider ST50F 500 W.
clique para ampliar
Figura 2: Fonte de alimentação SilverStone Strider ST50F 500 W.Como você pode ver, esta fonte de alimentação usa uma grande ventoinha de 120 mm “de bucha” em sua parte inferior (a fonte de alimentação está de cabeça para baixo nas Figuras 1 e 2) e uma grande grade na parte traseira onde tradicionalmente temos uma ventoinha de 80 mm. Nós gostamos desta abordagem já que ela oferece não apenas um melhor fluxo de ar, mas a fonte de alimentação também produz menos ruído, já que a ventoinha pode girar a uma velocidade menor de modo a produzir o mesmo fluxo de ar de uma ventoinha de 80 mm.
Esta fonte de alimentação tem PFC ativo, que oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que a SilverStone venda este produto na Europa (leia nosso tutorial sobre o PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação). No que diz respeito a eficiência, a SilverStone diz que este produto tem uma eficiência de 80%. Claro que mediremos isto para ver se o que o fabricante afirma é verdade. Lembre-se que fontes de alimentação mais caras têm uma eficiência de pelo menos 80%. Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.
O cabo de alimentação principal da placa-mãe usa um conector de 20/24 pinos e esta fonte tem dois conectores ATX12V que juntos formam um conector EPS12V.
Esta fonte vem com cinco cabos de alimentação para periféricos: um cabo de alimentação auxiliar para as placas de vídeo com dois conectores de 6 pinos, um cabo contendo três conectores de alimentação para periféricos padrão e um conector para a unidade de disquete, um cabo contendo três conectores de alimentação para periféricos padrão e dois cabos com três conectores de alimentação SATA cada.
A quantidade de plugues de alimentação oferecida por esta fonte de alimentação é mais do que o suficiente para o usuário comum, com seis plugues de alimentação SATA e seis plugues de alimentação para periféricos. A única coisa que não gostamos foi que os dois plugues de 6 pinos para as placas de vídeo estavam conectados ao mesmo cabo. Nós achamos que teria sido melhor se a SilverStone tivesse usado dois cabos separados.
clique para ampliar
Figura 3: Como os conectores de alimentação de 6 pinos da placa de vídeo são conectados à fonte.Nesta fonte todos os fios são 18 AWG exceto os fios da saída de -12 V (azul) e “power good” (cinza), que são 24 AWG e provavelmente os fios mais finos que já vimos em uma fonte de alimentação até hoje. Isto não é exatamente um problema já que essas duas saídas não puxam muita corrente.
No que diz respeito à estética, a SilverStone não usou acabamento de nylon em todos os cabos, o que pode ter ajudado a reduzir o preço desta fonte.
Esta fonte de alimentação é fabricada pela FSP e após a termos desmontada descobrimos que ela usa o mesmo projeto da Zalman ZM360B-APS e da ZM460B-APS, possivelmente sendo idêntica à Zalman ZM460B-APS (como ainda não testamos a ZM460B-APS não podemos afirmar com certeza). Como durante os nossos testes a ZM360B-APS mostrou-se ser um excelente produto estávamos esperando que este modelo da SilverStone também se saísse bem.
Vamos agora dar uma olhada em mais profundidade nesta fonte de alimentação.
Por Dentro da Strider ST50F
Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.
Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.
Esta fonte de alimentação usa o mesmo projeto das fontes de alimentação Zalman ZM360B-APS e da ZM460B-APS, como você pode ver comparando as Figuras 4 e 5.
clique para ampliar
Figura 4: Visão geral da SilverStone Strider ST50F.
clique para ampliar
Figura 5: Visão geral da Zalman ZM360B-APS.O interessante nesta fonte é que ela usa sua carcaça como extensão do dissipador de calor do secundário, como você pode ver na Figura 6. O fabricante usou pasta térmica entre o dissipador de calor do secundário e a carcaça da fonte de alimentação.
clique para ampliar
Figura 6: A carcaça da fonte é usada também como dissipador de calor.
clique para ampliar
Figura 7: Visão geral.
clique para ampliar
Figura 8: Visão geral.Estágio de Filtragem de Transientes
Como mencionamos em outros testes e artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.
Apesar de esta fonte ter dois capacitores Y adicionais em seu estágio de filtragem de transientes e dois capacitores X e uma bobina de ferrite adicionais após a ponte de retificação, ela não tem um varistor (MOV), que é essencial para eliminar picos provenientes da rede elétrica.
clique para ampliar
Figura 9: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).
clique para ampliar
Figura 10: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).Os componentes usados aqui são idênticos aos usados na Zalman ZM360B-APS (e possivelmente aos da Zalman ZM460B-APS).
Agora vamos discutir em mais detalhes os componentes usados na Strider ST50F.
Análise do Primário
Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação, especialmente porque ela usa o mesmo projeto da Zalman ZM360B-APS e da ZM460B-APS.
Esta fonte de alimentação usa uma ponte de retificação GBU606 em seu primário, que pode fornecer até 8 A (a 100°C). Esta ponte está localizada no mesmo dissipador de calor dos transistores chaveadores. A Zalman ZM360B-APS usa uma ponte GBU606, que pode fornecer menos corrente (6A). Nós não podemos falar nada sobre a ZM460B-APS já que ainda não testamos esta fonte.
clique para ampliar
Figura 11: Ponte de retificação.No circuito PFC ativo dois transistores de potência MOSFET 20N60C3 são usados, cada um capaz de suportar até 20,7 A a 25°C ou 13,1 A a 100°C em modo contínuo ou até 62,1 A a 25°C em modo pulsante. Esses transistores são localizados em um dissipador de calor separado, junto com o diodo do PFC ativo. A Zalman ZM360B-APS usa dois transistores de potência MOSFET STP14NK50ZFP, que são capazes de fornecer menos corrente (14 A a 25°C ou 7,6 a 100°C em modo contínuo ou até 48 A a 25°C em modo pulsante). Mais uma vez não podemos falar sobre a ZM460B-APS já que ainda não testamos esta fonte.
clique para ampliar
Figura 12: Transistores e diodo do PFC ativo.Na seção de chaveamento esta fonte de alimentação usa dois transistores de potência MOSFET STF21NM50N na tradicional configuração de chaveamento direto com dois transistores (two-transistor forward). Cada um desses transistores pode fornecer até 18 A a 25°C ou 11 A a 100°C em modo contínuo ou até 72 A a 25°C em modo pulsante, que é o modo usado. Aqui mais uma vez foram usados componentes mais “parrudos” do que os usados na Zalman ZM360B-APS, que usa dois transistores de potência MOSFET FQPF9N50C que podem fornecer menos corrente (9 A a 25°C ou 5,4 A a 100°C em modo pulsante ou até 36 A a 25°C em modo pulsante). Mais uma vez não podemos falar sobre a ZM460B-APS já que ainda não testamos esta fonte. Como mencionamos, esses transistores estão localizados no mesmo dissipador de calor em que está a ponte de retificação.
clique para ampliar
Figura 13: Transistores chaveadores.O primário desta fonte de alimentação é controlado pelo o circuito integrado CM6800, que engloba um controlador de PFC ativo e um controlador PWM. Este circuito está localizado em uma pequena placa de circuito impresso.
clique para ampliar
Figura 14: Circuito integrado controlador do PFC ativo e PWM.Análise do Secundário
Esta fonte tem seis retificadores Schottky em seu secundário, dois para da cada tensão de saída positiva (+12 V, +5 V e +3,3 V). A Zalman ZM360B-APS usa apenas quatro retificadores e ainda não podemos falar sobre a Zalman ZM460B-APS, apesar de suspeitarmos que a Zalman ZM460B-APS e a SilverStone Strider ST50F são idênticas.
A saída de +12V é produzida por dois retificadores Schottky MBR2560CT conectados em paralelo. Como cada um suporta até 30 A a 130°C nós temos uma corrente máxima teórica para a saída de +12V de 60 A ou 720 W. Claro que a corrente máxima (e conseqüentemente a potência) que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola dos fios e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso.
A saída de +5 V é produzida por um retificador Schottky MBRP3045N, que suporta até 30 A (a 100° C). Portanto a corrente máxima teórica que a saída de +5 V pode fornecer é de 60 A ou 300 W. Claro que a corrente máxima (e conseqüentemente a potência) que esta linha pode realmente fornecer dependerá de outros componentes, especialmente do transformador, da bobina, do capacitor, da bitola dos fios e até mesmo da largura das trilhas da placa de circuito impresso.
A saída de +3,3 V é produzida por um retificador Schottky MBRP3045N, que suporta até 30 A (a 100° C). Portanto a corrent máxima teórica que a saída de +3,3 V pode fornecer é de 60 A ou 198 W. Como mencionamos a potência real que esta linha pode fornecer depende de outros fatores.
clique para ampliar
Figura 15: Retificadores de +12 V, +5 V e +3,3 V.Esta fonte de alimentação usa um circuito integrado PS223 para monitorar as saídas da fonte e que é o responsável pelas proteções da fonte de alimentação, como sobrecarga de corrente (OCP). A proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) realmente estava ativa, como falaremos adiante. Este circuito integrado também oferece proteção contra sobretensão (OVP), subtensão (UVP) e superaquecimento (OTP), mas não oferece proteção contra sobrecarga de potência (OPP).
clique para ampliar
Figura 16: Circuito integrado PS223 para monitoramento.O sensor térmico está localizado embaixo do dissipador de calor do secundário, como você pode ver na Figura 17 (nós tiramos esta foto com o dissipador removido). Este sensor é usado para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte de alimentação e para desligar a fonte em caso de superaquecimento. Como mencionamos, o circuito integrado para monitoramento suporta esta proteção e a SilverStone diz que esta fonte tem esta proteção. Nós, no entanto, não conseguimos testar este recurso, já que a fonte de alimentação trabalhou o tempo inteiro muito “fria”.
clique para ampliar
Figura 17: Sensor térmico.Nesta fonte de alimentação todos os capacitores eletrolíticos são taiuaneses da CapXon, com o capacitor do PFC ativo rotulado a 85°C e os capacitores do secundário rotulados a 105°C.
Análise da Potência
Na Figura 18 você pode ver a etiqueta desta fonte de alimentação contendo suas especificações de potência.
clique para ampliar
Figura 18: Etiqueta da fonte de alimentação.Como você pode ver esta fonte tem dois barramentos de +12V. Esses barramentos estão distribuídos da seguinte forma:
- +12V1 (fio amarelo): cabo de alimentação principal da placa-mãe, todos os cabos para periféricos e um dos dois conectores ATX12V.
- +12V2 (fio amarelo com listra preta): Cabo de alimentação auxiliar da placa de vídeo e o segundo conector ATX12V.
O problema com esta fonte é a contradição de informações. A etiqueta da fonte de alimentação não menciona nada a respeito da potência máxima combinada que podemos extrair dos dois barramentos de 12 V ao mesmo tempo. Na caixa do produto está escrito que a corrente máxima combinada para os dois barramentos é de 29 A (348 W), mas no site da SilverStone está escrito que a corrente máxima combinada para os dois barramentos é de 36 A ou 432 W.
Nós testamos o circuito OCP e ele realmente estava ativo como discutiremos adiante.
Agora vamos ver se esta fonte pode realmente fornecer 500 W de potência.
Testes de Carga
Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação.
Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga. Esta foi a mesma configuração usada com outras fontes de alimentação de 500 W que testamos recentemente, como a Antec EarthWatts 500 W e a Enermax Liberty DXX 500 W.
Para o teste de carga de 100% nós usamos dois padrões. No primeiro, teste número cinco, nós respeitamos o limite máximo combinado para os barramentos de +12 V impresso na caixa da fonte (29 A ou 348 W). De modo a respeitar este limite, no entanto, nós testamos a fonte de alimentação com mais corrente nas linhas de +5 V e +3,3 V do que gostaríamos. Portanto nós incluímos um sexto padrão também extraindo 500 W da Strider ST50F mas extraindo mais corrente da linha de +12 V e menos corrente das linhas de +5 V e +3,3 V, usando o mesmo padrão usado nos testes das fontes de alimentação mencionadas acima.
Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.
+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação. Lembre-s que o conector é metade conectado no barramento de +12V1 da fonte e a outra metade no barramento +12V2. O plugue de alimentação auxiliar da placa de vídeo, que é conectado no barramento de +12V2 da fonte de alimentação, foi conectado na entrada +12V1 do nosso testador de carga.
Entrada
Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
Teste 6
+12V1
4 A (48 W)
8 A (96 W)
11 A (132 W)
14 A (168 W)
14,5 A (174 W)
17 A (204 W)
+12V2
3 A (36 W)
6 A (72 W)
10 A (120 W)
14 A (168 W)
14,5 A (174 W)
17 A (204 W)
+5V
1 A (5 W)
2 A (10 W)
4 A (20 W)
6 A (30 W)
16 A (80 W)
9 A (45 W)
+3,3 V
1 A (3,3 W)
2 A (6,6 W)
4 A (13,2 W)
6 A (19,8 W)
16 A (52,8 W)
9 A (29,7 W)
+5VSB
1 A (5 W)
1 A (5 W)
1,5 A (7,5 W)
2 A (10 W)
2,5 A (12,5 W)
2,5 A (12,5 W)
-12 V
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,5 A (6 W)
0,8 A (9,6 W)
0,8 A (9,6 W)
Total
103,1 W
194,6 W
296,7 W
398,5 W
501,2 W
499,8 W
% Carga Máx.
20,6%
38,9%
59,3%
79,7%
100,2%
100,0%
Temp. Ambiente
46,8º C
48,1º C
47,6º C
46,9º C
49,9º C
49,2º C
Temp. Fonte
46,8º C
48,1º C
47,6º C
46,9º C
49,9º C
49,2º C
Resultado
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Estabilidade da tensão
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Ripple e ruído
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Aprovada
Potência CA
120 W
225 W
346 W
474 W
622 W
609 W
Eficiência
85,9%
86,5%
85,8%
84,1%
80,6%
82,1%
A boa notícia é que esta fonte pode realmente fornecer 500 W a uma temperatura ambiente de 50°C em ambos os padrões usados para 100% da carga (testes cinco e seis).
Mas, como você já deve saber se você acompanha nossos testes de fontes de alimentação, potência não é tudo.
A eficiência desta fonte de alimentação foi sensacional, acima de 85% quando extraímos dela 60% sua capacidade máxima rotulada (ou seja, até 300 W) e 84% quando extraímos 80% da sua capacidade máxima oficial (400 W). Mas quando extraímos 500 W desta fonte nós obtivemos dois resultados. Usando o padrão cinco, onde extraímos menos potência da linha de +12 V e mais potência das linhas de +5 V e +3,3 V, a eficiência foi de 80,6% – nada mal, mas poderia ter sido melhor, especialmente quando vimos uma eficiência acima de 85% em outros padrões. Mas usando o padrão seis, onde extraímos mais potência da linha de +12 V e menos potência das linhas de +5 V e +3,3 V, a eficiência aumentou para 82,1%.
No que diz respeito à eficiência esta fonte foi muito melhor do que a Enermax Liberty DXX 500 W (cuja eficiência foi entre 76,1% e 82,5%), mas a Antec EarthWatts 500 W e a Corsair VX450W (que é a mesma fonte que a Antec EarthWatts 500 W porém com uma carcaça diferente) obteve uma eficiência um pouco melhor.
A regulação da tensão durante todos os testes (incluindo os testes de sobrecarga apresentados na próxima página) foi excelente, com todas as saídas dentro de um limite de 3% da tensão nominal – a especificação ATX define que todas as saídas precisam estar dentro de um limite de 5% da tensão nominal – exceto a saída de -12V, que estava entre -11,10 V e -11,43 V durante todos os testes. Esses números, no entanto, ainda estão dentro da margem de 10% que é definida pela especificação ATX para esta saída. Claro que sempre queremos ver valores próximos ao da tensão nominal.
Esta fonte obteve baixos níveis de ruído e ripple, mas a Antec EarthWatts 500 W, a Corsair VX450W e a Enermax Liberty DXX 500 W obtiveram níveis menores aqui. Durante nosso teste número cinco – ou seja, com a fonte de alimentação fornecendo 500 W – o nível de ruído na entrada +12V1 do nosso testador de carga estava em 56 mV, o nível de ruído na entrada de +12V2 do nosso testador de carga estava em 46,6 mV, o nível de ruído em +5V estava em 23,6 mV e o nível de ruído em +3,3V estava em 26,5 mV. Com o padrão número seis os resultados foram similares. Só para lembrar, todos os valores são de tensão de pico-a-pico e o máximo permitido pelo padrão ATX é 120 mV para +12V e 50 mV para +5V e +3,3V.
clique para ampliar
Figura 19: Nível de ruído na entrada de +12V1 do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.
clique para ampliar
Figura 20: Nível de ruído na entrada de +12V2 do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.
clique para ampliar
Figura 21: Nível de ruído na entrada de +5V do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.
clique para ampliar
Figura 22: Nível de ruído na entrada de +3,3V do testador de carga com a fonte fornecendo 500 W.O nível de ruído na saída de -12V, no entanto, estava muito alto. É comum a saída de -12 V obter um nível de ruído muito maior do que a saída de +12V, mas até o momento não vimos nada igual a isto. Durante os padrões de uma a quatro, o nível de ruído nesta saída ficou entre 50 mV e 53 mV, mas quando extraimos 500 W da fonte o nível de ruído pulou para 93,6 mV. Isto reflete o aumento de corrente de 0,5 A para 0,8 A nesta saída, e o uso de um fio muito fino de 24 AWG nesta saída não facilitou as coisas.
Vamos agora ver se conseguimos extrair mais potência desta fonte.
Testes de Carga (Cont.)
Como de costume nós fizemos com que esta fonte trabalhasse acima de suas especificações para ver o que acontecia.
Primeiro nós tentamos ver se a proteção contra sobrecarga de corrente estava ativa e em que nível. Para testar isto nós instalamos apenas os cabos do barramento virtual de +12V1 na entrada de +12V1 do nosso testador de carga. Isto incluiu o cabo de alimentação principal da placa-mãe, os dois cabos de alimentação para periféricos e um dos cabos ATX12V. Feito isto nós aumentamos a corrente em +12V1 até que a fonte desligasse. Isto aconteceu quando extraímos mais de 20 A, o que significa que a proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) estava ativada e configurada para desligar a fonte caso mais de 20 A seja extraído de qualquer barramento de +12V. Isto é excelente porque de acordo com a etiqueta da fonte de alimentação cada linha de +12V tem um limite de 18 A, portanto a proteção OCP estava realmente configurada com um valor próximo ao que estava impresso na etiqueta. Várias fontes de alimentação no mercado têm o circuito OCP configurado com um valor muito alto e que provavelmente nunca entrará em ação, o que significa que a fonte de alimentação realmente não estará protegida.
Nosso próximo passo foi descobrir qual era a quantidade máxima de potência que esta fonte poderia fornecer mantendo-a funcionando dentro de suas especificações.
Começando do padrão número seis (veja na página anterior) nós aumentamos a corrente em ambos as entradas de +12 V do nosso testador de carga para 19 A. Acima disto a fonte de alimentação desarmava.
Nós sabemos que esta fonte não tem proteção contra sobrecarga de potência (OPP ou OLP, ambas siglas significam a mesma coisa) porque o circuito integrado responsável pelas proteções da fonte não traz esta proteção.
Portanto basicamente a proteção contra sobrecarga desta fonte está sendo feita por um circuito OCP muito bem configurado. Nós sabíamos que poderíamos queimar os retificadores de +5 V ou +3,3 V se tentássemos sobrecarregá-los. Este é um cenário irreal, já que atualmente um computador sobrecarregaria as linhas de +12 V, devido aos componentes que mais consomem no micro, que são as placa de vídeo e o processador.
Desta vez nós fomos um pouco conservadores em nossos testes de sobrecarga já que já tínhamos descoberto que poderíamos extrair um máximo de 38 A (456 W) das saídas de +12 V. Com isso nós aumentamos a corrente em +5 V e +3,3 V para 15 A cada. Nós achamos que este aumento já representa uma boa situação de sobrecarga. Neste cenário obtivemos os resultados apresentados na tabela abaixo.
Entrada
Máximo
+12V1
19 A (228 W)
+12V2
19 A (228 W)
+5V
15 A (75 W)
+3,3 V
15 A (49,5 W)
+5VSB
2,5 A (12,5 W)
-12 V
0,8 A (9,6 W)
Total
598,5 W
% Carga Máx.
119,7%
Temp. Ambiente
45,6º C
Temp. Fonte
48,1º C
Potência CA
756 W
Eficiência
79,2%
Neste cenário o ruído e o ripple estavam no mesmo nível apresentados na página anterior.
Nós pudemos extrair ainda mais corrente das saídas de +5 V e +3,3 V (20 A cada, para um total de 641,4 W e extraindo 823 W da rede elétrica, uma eficiência de 78%), mas nesta configuração a fonte “morreu”. Após abrirmos a fonte testamos todos os semicondutores principais e nenhum deles estava queimado. Não conseguimos descobrir qual componente havia queimado.
O circuito de proteção contra curto-circuito (SCP) funcionou para ambas as linhas de +5 V e +12 V.
A ventoinha usada nesta fonte de alimentação é realmente silenciosa, mesmo quando a fonte de alimentação estava quente e fornecendo 500 W.
Principais Características
As principais especificações técnicas da fonte de alimentação SilverStone Stride ST50F são:
- Potência nominal rotulada: 500 W.
- Potência máxima medida: 598,5 W a 45,6°C.
- Eficiência rotulada: Mínimo de 80%.
- Eficiência medida: 80,6% e 86,5% em 115 V.
- PFC ativo: Sim.
- Conectores da placa-mãe: Um conector 20/24 pinos e dois conectores ATX12V que juntos formam um conector EPS12V.
- Conectores de alimentação da placa de vídeo: Dois conectores de 6 pinos.
- Conectores de alimentação para periféricos: Seis, dois cabos com três conectores de alimentação para periféricos cada.
- Conectores de alimentação para a unidade de disquete: Um.
- Conectores de alimentação SATA: Seis, dois cabos com três conectores de alimentação SATA cada.
- Proteções: sobretensão (OVP, não testada), subtensão (UVP, não testada), sobrecarga de corrente (OCP, testada e funcionando), superaquecimento (OTP, não testada) e curto-circuito (SCP, testada e funcionando).
- Garantia: Três anos nos EUA. No Brasil a garantia dependerá do distribuidor e/ou lojista.
- Verdadeiro fabricante: FSP.
- Mais informações: http://www.silverstonetek.com
- Preço médio nos EUA*: US$ 67,00.
*Pesquisado no Newegg.com no dia da publicação desse teste.
Conclusões
A SilverStone Strider ST50F oferece uma das melhores relações custo/benefício para os usuários que estão procurando por uma fonte de alimentação simples de 500 W. Primeiro, ela pode realmente fornecer 500 W a 50°C, o que é excelente. Segundo, a quantidade de plugues de alimentação que esta fonte tem é mais do que o suficiente para os usuários comuns: dois plugues de alimentação auxiliar de 6 pinos para placas de vídeo, seis plugues de alimentação SATA e seis plugues de alimentação para periféricos. E o terceiro destaque desta fonte é a sua eficiência, acima de 85% se você extrair até 300 W, 84% se você extrair 400 W e 80% ou 82% se você extrair 500 W, dependendo do padrão de carga. Sem falar que a fizemos fornecer até 598,5 W a 45º C.
Comparada com outras fontes de 500 W que testamos recentemente, a Antec EarthWatts 500 W e a Corsair VX450 W (que é a mesma fonte deste modelo da Antec, mas com uma carcaça diferente) são produtos melhores já que oferecem uma maior eficiência, têm proteção contra sobrecarga e oferecem melhores níveis de ruído e ripple.
Por outro lado, a SilverStone Strider ST50F é um produto melhor do que a Enermax Liberty DXX 500 W, que, incrivelmente, é mais cara do que o produto testado, nos EUA.
Quando comparamos preços, esta fonte é imbatível: ela custa, nos EUA, apenas US$ 67, enquanto que a Antec EarthWatts 500 W custa US$ 90, a Corsair VX450W custa US$ 75 e a Enermax Liberty DXX 500 W custa US$ 100, todos esses preços cotados nos EUA (usamos os preços nos EUA porque nem todas essas fontes são facilmente encontradas no Brasil). Ela também é mais barata do que a Zalman ZM460B-APS (que custa US$ 85), uma fonte de alimentação que usa o mesmo projeto da fonte testada e que suspeitamos serem idênticas (nós testaremos esta fonte da Zalman assim que possível para ser se isto é verdade).
O único problema que vimos com esta fonte é a falta de um varistor (MOV) no estágio de filtragem de transientes e a falta de um circuito de proteção contra sobrecarga.
Esta é uma excelente fonte para o mercado brasileiro. Mesmo com o tradicional “custo Brasil” ela deve chegar aqui custando na faixa de R$ 250 – desde que, é claro, não haja nenhum empresário ganancioso no meio do caminho –, custando bem menos do que fontes que são piores do que ela, como é o caso da Enermax Liberty DXX 500 W. Comparar esta fonte com outras fontes populares no Brasil na mesma faixa de preço é até piada. Comparada à Seventeam ST-420BKV e à eXtream 450 W ela traz como vantagens a maior eficiência (o que significa menor consumo elétrico e, conseqüentemente, conta de luz mais baixa) e a maior quantidade de conectores de alimentação, e comparada à Huntkey Green Star 450 W e à Thermaltake PurePower 430 W NP ela traz, além das mesmas vantagens, a capacidade de realmente conseguir entregar a sua potência rotulada. Ficamos apenas devendo o teste da Zalman ZM460B-APS para ver se ela usa ou não os mesmos componentes da SilverStone Strider ST50F.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1489
© 1996-2008, Clube do Hardware. Todos os direitos reservados.
É expressamente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site e dos textos disponíveis, seja através de mídia eletrônica, impressa, ou qualquer outra forma de distribuição. Os infratores serão indiciados e punidos com base na lei nº 9.610 de 19/02/1998.
Não nos responsabilizamos por danos materiais e/ou morais de qualquer espécie promovidos pelo uso das informações contidas no Clube do Hardware.