Maxtor 5000XT
Por Gabriel Torres em 16 de outubro de 2003
Introdução
O Maxtor 5000XT é um disco rígido externo de 250 GB que pode ser ligado ao micro através de uma porta USB 2.0 ou uma porta Firewire. Ele é destinado a backups e também para aqueles que necessitam armazenar arquivos muito grandes e precisam transportá-los de um micro para o outro, como é o caso de profissionais que trabalham com edição de áudio e vídeo. Como funciona tanto em PCs quanto em Macs, este equipamento é ainda mais versátil do que outras soluções existentes no mercado.
Figura 1: Maxtor 5000XT.Podendo ser instalado e removido mesmo com o micro ligado, o Maxtor 5000XT torna as famosas "gavetas" de discos rígidos - que é a solução que muitos usam para o transporte de discos rígidos - em dispositivos completamente obsoletos.
O 5000XT possui um recurso realmente fantástico, que é um botão em seu painel frontal que permite que o backup do seu disco rígido seja feito com apenas um toque. Pressionando-se este botão, o software de backup que acompanha o produto, chamado Retrospect, é ativado. Quando pressionamos o botão pela primeira vez, devemos configurar os parâmetros do backup (arquivos ou diretórios de origem, por exemplo). Da segunda vez em diante, o programa executará a mesma opção que executou da última vez, fechando o programa ao final do backup. Este programa é realmente uma mão na roda.
O HD vem com um cabo USB, um cabo Firewire e uma fonte de alimentação. Seu design permite que ele seja empilhado. Se você usar a porta Firewire, como o HD tem duas portas Firewire em sua parte traseira, é possível conectar vários HDs em cascata, com apenas um cabo ligando os discos rígidos ao micro. Ou, se você preferir, você pode usar o HD em pé, usando o apoio que acompanha o produto, fazendo com que ele ocupe menos espaço em sua mesa.
Figura 2: Maxtor 5000XT, vista traseira.
Figura 3: Fonte de alimentação, cabos, CD e apoio para colocar o 5000XT em pé.Achamos o produto realmente prático. A nossa grande dúvida, porém, era em relação ao seu desempenho. Embora o padrão USB 2.0 transfira dados a 480 Mbps e o FireWire a 400 Mbps, isso equivale a transmissões a 60 MB/s e a 50 MB/s, respectivamente (a taxa de transferência do disco rígido é listada em MB/s, pois a transmissão é paralela, enquanto as taxas dessas portas são listadas em Mbps, pois as transmissões são seriais; para converter Mbps em MB/s, dividimos por oito). Na prática as taxas obtidas são ainda menores, pois a taxa divulgada é a máxima, que inclui informações de controle, além dos dados. Podemos dizer que, na prática, a taxa do USB 2.0 é na faixa de 48 MB/s e a do Firewire é na faixa de 40 MB/s. Por outro lado, as portas USB 2.0 e Firewire trazem como grande vantagem o fato do periférico (no caso, o disco rígido) poder ser instalado mesmo com o micro ligado.
Abrindo o aparelho, verificamos que ele internamente usa um disco rígido DiamondMax 16, que é ATA-133 e roda a 5.400 rpm. Ou seja, é pouco provável que este disco obtenha a mesma taxa que obteria se estivesse conectado diretamente à porta IDE do micro. Mas em contrapartida, não poderíamos desconectá-lo de um micro e conectá-lo a outro estando os PCs ligados.
Uma solução para resolver o problema do desempenho seria usar o barramento Serial ATA, como o RocketMate 1000 da HighPoint, que já testamos. A desvantagem ao nosso ver é que somente os micros mais novos e topo de linha têm portas Serial ATA, e caso esta interface fosse usada, seria necessário instalar uma placa Serial ATA no micro. Embora portas Firewire não sejam encontradas em todos os PCs, as portas USB 2.0 são padrão hoje em dia (e mais rápidas até do que as portas Firewire), mesmo para micros mais baratos.
A série 5000 de HDs externos da Maxtor consiste atualmente dos seguintes modelos: 5000XT, com disco rígido de 250 GB e portas Firewire e USB 2.0, que foi o modelo que testamos; 5000DV, com disco de 200 GB e portas Firewire e USB 2.0; e 5000LE, com disco de 80 GB e portas USB 2.0.
O 5000XT Por Dentro
Internamente o Maxtor 5000XT usa um disco rígido Maxtor DiamondMax 16 de 250 GB ATA-133 operando a 5.400 rpm, sendo um disco rígido IDE convencional. A interface usada possui três chips: Cypress CY7C68013, que faz a interface USB 2.0, Agere FW802A, que faz a interface Firewire, e Oxford OXFW911, que faz a interface entre o barramento Firewire e a porta IDE.
Figura 4: Maxtor 5000XT: DiamondMax 16 de 250 GB ATA-133.
Figura 5: Interface do Maxtor 5000XT.Antes de irmos aos nossos testes de desempenho, vamos dar uma olhada nas principais características deste disco rígido.
Principais Características
- Capacidade: 250 GB
- Rotação: 5.400 rpm
- Tempo de acesso: 12,6 ms (máximo)
- Interface: ATA-133, conecta-se ao PC através de porta USB 2.0 ou porta Firewire
- Cache: 2 MB (memória Hynix HY57V1616100TC-5)
- Mais informações: http://www.maxtor.com
- Preço médio nos EUA*: US$ 300.
* Pesquisado em http://www.pricewatch.com no dia da publicação deste teste. Este preço é apenas uma referência para comparação com outras placas. O preço no Brasil será sempre maior, pois devemos adicionar o câmbio, o frete e os impostos, além da margem de lucro do distribuidor e do lojista.
Como Testamos
Em nossos testes de desempenho usamos a configuração listada abaixo.
Configuração de Hardware
- Processador: Pentium 4 2,4 GHz
- Placa-mãe: Chaintech CT-9CJS Zenith (Intel 875P)
- Memória: Dois módulos PC3200 TwinMOS com 256 MB cada, em configuração DDR Dual Channel
- Placa de Vídeo: Gigabyte Radeon 9800 Pro
- Resolução de vídeo: 800x600x32
Configuração de Software
- Windows XP Professional em português, instalado em NTFS
- Service Pack 1A
- Direct X 9.0A
- Versão do driver Inf Intel: 5.00.1012
- Versão do driver de vídeo ATI: 7.88 (6.14.10.6343)
Programa UsadoAdotamos uma margem de erro de 3%. Com isso, diferenças de desempenho inferiores a 3% não podem ser consideradas significativas. Em outras palavras, produtos onde a diferença de desempenho seja inferior a 3% deverão ser considerados como tendo desempenhos similares.
Testes de Desempenho
O programa que usamos para medir o desempenho do disco rígido, DiskSpeed32, é um programa que efetua testes realmente demorados, pois ele lê todos os setores do disco, registrando a taxa de transferência obtida e traçando um gráfico.
Nós fizemos os testes com o Maxtor 5000XT em três situações: usando a porta USB 2.0, usando a porta Firewire e o desempenho do disco DiamondMax 16 de 250 GB, que retiramos de dentro do gabinete do 5000XT e instalamos diretamente na porta IDE de micro. Assim, podemos ver claramente a diferença de desempenho entre as portas USB 2.0 e Firewire e também qual é a queda que temos no desempenho ao usarmos um disco rígido externo.
Testamos também outros discos IDE para verificarmos qual é o desempenho do 5000XT em comparação a outros discos encontrados no mercado. Testamos também os seguintes discos: Maxtor DiamondMax 9 de 60 GB (ATA-133, 7.200 rpm), Maxtor D740X-6L de 20 GB (ATA-133, 7.200 rpm) e Quantum Fireball LCT 15 QML20000LC-A de 20 GB (ATA-100, 5.400 rpm).
Normalmente a taxa de transferência do disco rígido varia de acordo com a parte do disco rígido que está sendo lida. A taxa de transferência do disco é maior nas bordas do disco, diminuindo à medida que se aproxima do centro do disco. Isso ocorre por conta da setorização multi-zona: em trilhas mais longas (as mais afastadas do centro do disco) cabem mais setores, e, com isso, mais dados são lidos a cada rotação do disco rígido. Por esse motivo, os programas apresentam três resultados: taxa de transferência máxima (obtida nos primeiros cilindros do disco, isto é, nas trilhas mais externas), taxa de transferência mínima (obtida nos últimos cilindros do disco, isto é, nas trilhas mais internas) e taxa de transferência média, que na maioria das vezes é o dado que o usuário comum está interessado em saber.
Por conta desse efeito podemos explicar também a necessidade de desfragmentarmos o disco rígido e o porque desfragmentadores profissionais, como o Norton Speed Disk, permitem que você desfragmente movendo os arquivos do sistema operacional para o início do disco rígido. Como explicamos, dados armazenados no início do disco rígido são lidos a uma taxa de transferência maior do que no restante do disco.
O que observamos de interessante em nossos testes é que o gráfico do 5000XT no DiskSpeed32 ficou praticamente uma linha reta quando ele foi usado tanto com a porta Firewire quanto com a porta USB 2.0. O valor da taxa de transferência média é praticamente igual ao da taxa de transferência máxima. Fica claro, portanto, que a taxa de transferência deste produto é limitada à interface usada.
No gráfico abaixo você verifica os resultados de nossos testes (em KB/s) e, em seguida, a nossa análise.
Como você pode ver, a interface USB 2.0 é mais rápida do que a Firewire (taxa de transferência máxima 20,21% maior). Portanto, se o seu micro tiver tanto porta USB 2.0 quanto Firewire, recomendamos que você conecte o Maxtor 5000XT à uma porta USB 2.0. Ao conectarmos o disco rígido do Maxtor 5000XT à porta IDE da placa-mãe, vimos que a sua taxa de transferência máxima é muito maior, isto é, tanto a porta Firewire quanto a porta USB 2.0 limitam a taxa máxima do disco: a taxa máxima do disco conectado diretamente na porta IDE do micro é 63,88% maior do que quando ele é conectado via USB 2.0 e 97% maior do que quando ele é conectado via Firewire. Já a taxa de transferência média é 33,23% maior do que quando ele é conectado via USB 2.0 e 58,57% maior do que quando ele é conectado via Firewire. Mas como já discutimos anteriormente, em contrapartida quando o disco é conectado via Firewire ou USB 2.0 você pode instalar e remover o disco com o micro ligado, além da facilidade de transporte.
Comparado a outros discos rígidos, o Maxtor 5000XT tem um bom desempenho. O disco rígido Quantum Fireball LCT 15 20 GB, que também gira a 5.400 rpm, foi mais lento que o disco da Maxtor, mesmo quando este estava conectado às portas USB 2.0 (taxa máxima 25,29% maior e taxa média 45,91% maior) e Firewire (taxa máxima 4,22% maior e taxa média 22,59% maior).
Outros discos obtiveram taxas maiores, mas temos de levar em conta que eles rodam a 7.200 rpm, enquanto o modelo testado roda a 5.400 rpm, além de estar conectado a um barramento que limita o desempenho (USB 2.0 e Firewire). Por exemplo, o Maxtor D740X-6L de 20 GB obteve uma taxa máxima 61,86% maior do que o 5000XT conectado na porta USB 2.0 e 94,57% maior do que o disco testado conectado na porta Firewire, e uma taxa média 37,33% maior do que o 5000XT conectado na porta USB 2.0 e 63,45% maior do que o disco testado conectado na porta Firewire.
Conclusões
Em nossa opinião, o Maxtor 5000XT é um excelente produto, cumprindo o que promete: ser um disco rígido externo de alta capacidade, com bom desempenho e fácil de ser usado como dispositivo de backup.
A facilidade de se pressionar um botão e o software entrar automaticamente em ação e efetuar o backup é realmente o ponto forte do aparelho.
Apesar de o 5000XT não apresentar um desempenho tão alto quanto se o seu disco rígido estivesse conectado diretamente na porta IDE interna do micro, o seu desempenho não é ruim, sendo inclusive mais rápido do o desempenho de discos rígidos populares ATA-100 de 5.400 rpm. Em desempenho, ele só perde mesmo para discos ATA-133 tanto de 5.400 rpm quanto de 7.200 rpm.
O desempenho da unidade está de bom tamanho se levarmos em conta que o aparelho é feito para ser conectado a uma porta USB 2.0 ou Firewire.
Por falar nisso, entre usar o aparelho na USB 2.0 ou na Firewire, escolha, se possível, conectá-lo a uma porta USB 2.0, pois, segundo nossos testes, esta porta ofereceu desempenho superior ao da porta Firewire.
Se você está procurando por uma solução para backup de alta capacidade e/ou para o transporte de arquivos muito grandes sem a necessidade de se abrir o micro para instalar nem configurar nada, o Maxtor 5000XT é uma excelente opção, especialmente porque você pode instalá-lo e removê-lo mesmo com o micro ligado - o que não é possível de ser feito com discos rígidos ligados ao micro através de "gavetas".
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/154
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