Teste do Neural Impulse Actuator da OCZ
Por André Gordirro em 17 de novembro de 2008
Introdução
A literatura cyberpunk é repleta de citações a implantes neurais que dão habilidades especiais ou tornam seus usuários praticamente ciborgues. Ainda não chegamos lá, mas no que depender da OCZ esse futuro está mais próximo com o lançamento do Neural Impulse Actuator (Ativador de Impulsos Neurais, ou NIA, como a empresa apelidou e também usaremos daqui em diante). Ele é um sistema de controle que traduz as ondas cerebrais e movimentos dos músculos da face para sinais a serem entendidos por jogos, tornando possível que um personagem em uma partida de Counterstrike atire ou corra comandado pelo pensamento do jogador. A idéia do conceito é aumentar as reações em até 60%, eliminando o gasto de tempo entre o comando que nasce no cérebro e a execução por parte da mão sobre o mouse. Se o NIA cumpre sua função ou não veremos adiante; agora é hora de destrinchar a engenhoca.
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Figura 1: O conjunto completo do NIA.O NIA é composto por dois elementos: o aparelho em si, no formato de uma bela caixa de alumínio escovado, e uma faixa de cabeça, que capta as ondas cerebrais e movimentos do rosto, e os envia por cabo até a caixa, onde os sinais serão interpretados e enviados ao PC por meio de uma conexão USB. A faixa é feita de borracha flexível, com ajuste para tamanho de cabeça atrás, e três sensores em forma de losango que ficam logo acima da linha da sobrancelha, na testa do usuário.
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Figura 2: A caixa ativadora.
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Figura 3: Detalhe dos sensores.Instalando e Calibrando o NIA
Instalar o NIA é simples, pois basta plugá-lo a uma porta USB 2.0 disponível e ajustar a faixa na cabeça. Mas a simplicidade parou por aí: é preciso calibrar o aparelho através do software da OCZ para entender oito diferentes sinais enviados pela mente e corpo do usuário. O NIA capta sinais da tensão dos músculos da face, do movimento lateral dos olhos e, finalmente, do cérebro (três sinais de ondas alfa e outros três para ondas beta). A partir daí, basta associar esses sinais e reações a comandos de jogos. Mas não imagine que basta pensar “correr” ou “atirar” para o NIA funcionar: na verdade, ele sente os impulsos elétricos por trás de reações que você grava em seu aplicativo, como, por exemplo, trincar o maxilar para abaixar seu personagem na tela do jogo.
Tudo é feito por um programa tutorial que guia o usuário através de uma assistente virtual. Ele é bastante abrangente e complexo, o que pode assustar o marinheiro de primeira viagem ou decepcionar quem quer logo pôr o brinquedo novo em ação. O primeiro passo é a calibração, que deve ser feita sempre que o NIA for ser usado, para garantir a perfeição do sinal recebido da mente do usuário. Basta relaxar o rosto e olhar para a imagem de um giroscópio por um minuto.
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Figura 4: Calibração pelo giroscópio.Uma vez calibrado, é hora de conhecer o conceito dos “brainfingers” – na verdade, uma metáfora da OCZ para o controle que pode ser exercido pelas ondas alfa e beta do cérebro, como se fossem dedos em uma marionete. A tela dos Brainfingers mede o alcance dessas ondas. Depois, basta praticar seu poder mental em uma partida de Pong (o velho e jurássico telejogo).
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Figura 5: Os brainfingers.Dominado o controle sobre o NIA, o usuário tem que selecionar eventos como clicar o botão esquerdo do mouse ou acionar a barra de espaço e relacioná-los a atitudes como, por exemplo, relaxar o rosto para seu personagem andar para trás, ou franzir o cenho para ele correr. É o conceito de joystick facial. Apesar de termos resumido a experiência, essa parte é bem complexa e não exatamente bem documentada no manual da OCZ. Fomos com a cara e a coragem, errando e testando, ou simplesmente apelando para uma configuração básica dentre os perfis oferecidos pelo programa (tem para jogos como Half-Life 2, Gears of Wars e uma opção genérica WASD). Afinal, não dá para usar um dispositivo neural com a dor de cabeça de uma configuração complexa...
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Figura 6: Seleção de eventos.Jogando com o NIA
Como o NIA firme na cabeça, nos sentimos o próprio Professor Xavier comandando o Cérebro, seu ampliador telepático. Mas o que nos veio mesmo à mente foram as palavras de mestre Yoda: “você tem que desaprendar o que você aprendeu”. O conselho dado pelo velho Jedi a Luke Skywalker nos pântanos de Dagobah nunca foi tão apropriado. A primeira sensação é de completa estranheza e, ao mesmo tempo, assombro com a capacidade de controlar um jogo com a cabeça apenas. Há uma curva de aprendizado de alguns dias, e apesar de termos passado umas duas semanas jogando Team Fortress 2 com o NIA, ainda temos a impressão de que não dominamos por completo o equipamento.
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Figura 7: NIA na cabeça.A experiência é meio estranha de explicar. É bizarro atirar sua arma virtual fazendo caretas ou comandar o caminhar de seu pistoleiro relaxando os pensamentos ou ficando “nervoso”. Que tal desviar de um míssil vindo em sua direção com um olhar para o lado? A sensação de imersão é bem maior do que a forma convencional via mouse e teclado. Vale aqui um parêntese: a OCZ afirma que o NIA não veio para aposentar o mouse e teclado, mas complementar seu uso. De fato, testamos o aparelho em conjunto com nossos dois velhos companheiros de trincheira, porém evitamos seu uso ao máximo para melhor absorver a novidade.
Durante o teste, algumas reações equivocadas, como cair de uma plataforma por uma má interpretação do aparelho (ou uma careta errada da sua parte), frustram. E também há um problema não pensado pela OCZ: como o ato de falar movimenta a face, ficamos impossibilitados de usar a comunicação entre os outros participantes da partida via headset, assim como beber uma água ou fazer um lanche rápido.
Especificações
As principais especificações do Neural Impulse Actuator da OCZ são:
- Ativador de impulsos neurais
- Conexão USB 2.0
- Faixa de cabeça de borracha flexível
- Unidade de alumínio escovado
- Dimensões: 10,5 cm x 8 cm x 3 cm (P x L x A)
- Mais informações: http://www.ocztechnology.com
- Preço médio nos EUA*: USD 126.00
* Pesquisado em http://www.shopping.com no dia da publicação deste teste.
Conclusões
Os jogadores mais novos lembrarão um desengonçado capacete virtual lançado à época do Doom que permita ver o jogo e ao mesmo tempo movimentar o herói com a cabeça. Foi anunciado como o futuro dos games, mas era mais um (válido) experimento científico do que mesmo o prenúncio de uma nova era. Podem nos chamar de antiquados, mas por mais que o mercado lance leitores de e-books, os chamados livros digitais, o velho e bom livro – aquele analógico, de papel – continua imbatível. O mesmo vai para o duo teclado-e-mouse quando se fala de games.
Claro que a OCZ merece palmas pelo desenvolvimento do NIA. Não foi um esforço científico pequeno. É um grande e revolucionário produto que vai ganhar fãs ferrenhos, apesar de dificilmente conquistar o mercado por conta de seu preço e grau de dificuldade. Ele dá a sensação de que, se um dia realmente controlarmos um videogame com o pensamento, o aparelho será lembrado pelo pioneirismo com o devido respeito. Mas, infelizmente, ainda não é o implante neural que Neuromancer, Matrix e outras obras do gênero cyberpunk nos prometeram.
Pontos Fortes
- Faixa de cabeça confortável
- Não precisa de fonte externa de energia
- Promove maior imersão nos jogos
- Inovação científica louvável
Pontos Fracos
- Longo tempo de aprendizado
- Difícil de dominar
- Torna complicado beber/comer/falar durante a partida
- Tecnologia é claramente um protótipo do que a por vir
- Preço praticado no Brasil (R$ 1.956) chega a ser 600% mais caro do que o custo em loja dos EUA. Isso é mais ficção científica do que o conceito do produto...
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Teste-do-Neural-Impulse-Actuator-da-OCZ/1590
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