Teste da Fonte de Alimentação Leadership Gamer Wireless 900 W
Por Gabriel Torres em 26 de novembro de 2008

Introdução

Produto Bomba

Chegou a hora da verdade. Nós já desmontamos a fonte Gamer Wireless 700 W da Leadership, porém na época não tínhamos os equipamentos necessários para fazermos verdadeiros testes de fontes. A única coisa que pudemos constatar foi que os componentes usados internamente não poderiam chegar nem perto de 700 W, embora não pudéssemos provar, na prática, o que estávamos falando. Mas agora é diferente. Nós temos todos os equipamentos necessários e testaremos o modelo de 900 W tal qual testamos fontes de alimentação atualmente. E então, será que a Wireless de 900 W sobrevive? Vamos ver.

É interessante notar que a Leadership recentemente baixou as potências rotuladas de suas fontes da série Wireless. Os modelos atualmente disponíveis agora no mercado são de 560 W, 640 W e 720 W. Acreditamos que estes modelos sejam simplesmente os modelos que eram vendidos  anteriormente como sendo modelos de 700 W, 800 W e 900 W, respectivamente, com uma nova etiqueta. Mesmo com este “rebaixamento” ainda continuamos achando que essas fontes possuem potência rotulada muito acima da sua potência real (é claro que testaremos isso). Nós desconfiamos que todos esses modelos sejam iguais, com diferença apenas na etiqueta. É claro que só poderemos confirmar isso no dia em que desmontarmos todas essas fontes e compará-las, mas como nós já desmontamos o modelo de 700 W poderemos compará-lo ao modelo de 900 W para ver se há qualquer diferença interna entre eles.

Nós descobrimos o verdadeiro fabricante das fontes da Leadership: é uma empresa chinesa chamada Sun Pro. Curiosamente no site deles o modelo mais potente da Wireless é de 500 W, marotamente chamado “KY-600ATX” para você pensar que se trata de um modelo de 600 W. Pensamos em fazer uma piadinha com o “KY na frente”, mas achamos que não iria pegar bem. Deixamos a piada infame por conta da sua imaginação.

Descobrimos que o nome “Wireless” não foi criado pela Leadership, mas sim pela Sun Pro. Como já dissemos anteriormente, este é um nome extremamente infeliz, já que “Wireless” significa “sem fios”, sendo possivelmente uma má-tradução do Chinês para o Inglês. É óbvio que esta fonte possui fios. O que ela possui como característica especial é um sistema de cabeamento modular, que pode ser visto nas Figuras 2 e 3. A qualidade deste sistema é questionável, ainda mais se compararmos esta fonte com outros modelos de outras marcas contendo sistema similar.

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Figura 1: Fonte de alimentação Leadership Gamer Wireless 900 W.

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Figura 2: Fonte de alimentação Leadership Gamer Wireless 900 W.

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Figura 3: Fonte de alimentação Leadership Gamer Wireless 900 W.

O cabo de alimentação principal da placa-mãe usa um conector de 20/24 pinos e parte diretamente de dentro da fonte, usando uma proteção de nylon que também parte de dentro do produto.

A fonte vem com oito cabos para ser usado em seu sistema de cabeamento modular. Um cabo ATX12V, um adaptador de ATX12V para EPS12V, um cabo de alimentação para placas de vídeo com conector de seis pinos, um cabo com dois plugues de alimentação SATA, dois cabos contendo dois plugues de alimentação padrão para periféricos e um plugue de alimentação para unidades de disquete cada, um cabo com dois plugues de alimentação padrão para periféricos e um cabo com um plugue de alimentação padrão para periféricos e dois plugues de alimentação para ventoinhas.

De cara podemos perceber que a seleção de cabos é insatisfatória com fortes indícios que este produto não pode ser uma fonte de 900 W: apenas um cabo para placas de vídeo e apenas dois plugues de alimentação SATA.

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Figura 4: Cabos do sistema de cabeamento modular.

Nesta fonte todos os fios são 18 AWG, o que é muito bom de se ver.

Este fonte de alimentação não tem PFC ativo e, portanto, não há seleção automática de tensão. A caixa diz que esta fonte possui este recurso, mas isto não é verdade.

Outro detalhe sobre a caixa do produto é que há a logomarca do Inmetro, o que pode levar consumidores a acharem que este produto foi testado e certificado por este sério órgão, o que não é verdade. Somente o cabo de força é certificado pelo Inmetro.

Sua refrigeração é feita por uma ventoinha de 120 mm instalada em seu lado inferior. Como você já sabe, nós preferimos este tipo de solução em vez de o uso de uma ventoinha de 80 mm no lado traseiro da fonte.

Vamos agora dar uma olhada no interior desta fonte.

Por Dentro da Gamer Wireless 900 W

Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.

Nossa impressão inicial foi a de que esta fonte tinha componentes de menos, se assemelhando a uma fonte de alimentação genérica. Veja como há muito espaço livre entre a placa de circuito impresso e a carcaça da fonte na Figura 5. É claro que faremos uma análise bem mais aprofundada para verificarmos se isto é só uma impressão ou se é uma realidade.

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Figura 5: Visão geral.

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Figura 6: Visão geral.

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Figura 7: Visão geral.

Estágio de Filtragem de Transientes

Como mencionamos em outros testes e artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X, componente normalmente amarelo) e um varistor. Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.

Na placa de circuito impresso desta fonte há o local para a instalação de dois varistores entre os dois capacitores eletrolíticos do dobrador de tensão, mas esta fonte não traz esses componentes. De resto o estágio de filtragem de transientes é adequado, com um capacitor X a mais do que o necessário.

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Figura 8: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).

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Figura 9: Estágio de filtragem de transientes (parte 2).

Agora vamos falar em mais detalhes sobre os componentes usados na Gamer Wireless 900 W.

Análise do Primário

Vamos agora dar uma olhada em profundidade no primário da Gamer Wireless 900 W. Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.

Em vez de usar uma ponte de retificação pronta em um único componente, esta fonte usa quatro diodos 1N5408, cada um suportando até 3 A a 105º C. Aqui já temos prova o suficiente de que esta fonte não poderia ser nunca uma fonte de 900 W ou perto disso. Os diodos da ponte de retificação são limitados a 3 A. Em uma rede de 115 V isso significa que a fonte só agüentaria puxar, no máximo, 345 W da rede elétrica (115 V x 3 A), enquanto que em uma rede de 230 V isso significa que a fonte só agüentaria puxar, no máximo, 690 W da tomada (230 V x 3 A). Se supormos uma fonte com eficiência de 80%, isso significaria que a fonte só poderia entregar até 276 W em 115 V ou 552 W em 230 V. Mais do que isso os diodos da ponte de retificação estourariam. Curiosamente durante os nossos testes eles sobreviveram (falaremos mais sobre isso).

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Figura 10: Ponte de retificação.

Os capacitores usados no dobrador de tensão são de uma empresa chamada Metacon e rotulados a 85º C.

Na seção de chaveamento esta fonte utiliza dois transistores de potência NPN 2SD209L, cada um agüentando, no máximo, 12 A a 25º C. O projeto usado é o de meia-ponte, que é o projeto mais comum em fontes sem PFC ativo. O transistor no lado esquerdo da Figura 11 é o transistor chaveador da saída +5VSB.

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Figura 11: Transistores chaveadores.

Até aqui a Wireless 900 W é idêntica à Wireless 700 W. Vamos ver se há diferença no secundário dessas duas fontes.

Análise do Secundário

Esta fonte de alimentação utiliza quatro retificadores Schottky em seu secundário. Como ela é baseada no projeto meia-ponte saber o limite máximo teórico de cada saída é muito simples: basta somar as correntes máximas de cada diodo conectado a cada saída.

A saída de + 12 V é produzida por dois retificadores Schottky F16C20C conectados em paralelo, cada um sendo capaz de fornecer até 16 A a 125º C (8 A por diodo interno). E aqui é que está a única diferença entre a Leadership Wireless de 700 W para a Wireless de 900 W. Apesar de os componentes serem iguais, no modelo de 700 W só há um retificador para a saída de +12 V (limite máximo teórico de 16 A ou 192 W) mas no modelo de 900 W há dois retificadores em paralelo, dobrando a corrente/potência máxima teórica desta saída para 32 A ou 384 W.

A saída de +5 V é produzida por um retificador Schottky SBL3045PT, capaz de fornecer até 30 A a 105º C (15 A por diodo interno). Isso nos dá uma corrente máxima teórica de 30 A ou 150 W para a linha de 5 V.

A saída de +3.3 V é produzida por outro retificador Schottky SBL3045PT. Isso nos dá uma corrente máxima teórica de 30 A ou 99 W para a linha de 3,3 V.

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Figura 12: Retificadores das saídas de +12 V, +5 V e +3,3 V.

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Figura 13: Segundo retificador de +12 V.

Outro detalhe importante é que você não precisa ser nenhum gênio para chegar à conclusão que a potência máxima teórica que as principais saídas dessa fonte podem fornecer é de 508,5 W (384 W + 75 W + 49,5 W). Se considerarmos que a saída de +5VSB possa entregar 2 A (10 W, valor típico) e a saída de -12 V possa entregar 0,5 A (6 W, valor típico), temos aí em teoria uma fonte de 524,5 W. Veremos na prática qual é a potência máxima que ela pode entregar.

O secundário é monitorado por um circuito integrado AT2005B que fornece algumas proteções: sobretensão (OVP) e subtensão (UVP).

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Figura 14: Circuito integrado de monitoramento AT2005B.

Distribuição da Potência

Na Figura 15 você pode ver a etiqueta desta fonte contendo todas suas especificações de potência.

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Figura 15: Etiqueta da fonte de alimentação.

Esta é uma etiqueta falsa, obviamente, já que calculamos uma potência máxima teórica de 524,5 W para esta fonte, tendo sempre em mente que na prática fontes atingem potências máximas abaixo do valor máximo teórico. Enganar consumidores rotulando uma fonte com uma potência muito acima da sua potência real é um absurdo que infelizmente ocorre em países como o nosso.

Agora vamos ver o quanto esta fonte realmente consegue fornecer.

Testes de Carga

Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação.

Como nós não tínhamos idéia de quanto a Gamer Wireless 900 W realmente poderia fornecer, nós fizemos o seguinte. Nós definimos um padrão de carga de 85 W para o primeiro teste, um padrão de carga de 100 W para o segundo teste e daí por diante padrões em incrementos de 50 W.

Como coletamos muitos dados e todos como muita coisa a ser dita, nós dividimos os nossos testes de carga em duas páginas. Nesta página analisaremos os quatro primeiros padrões: 85 W, 100 W, 150 W e 200 W. Na próxima página lidaremos com os demais padrões.

Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.

+12V1 e +12V2 são as entradas independentes do nosso testador de carga e como esta fonte tem apenas um barramento de +12 V elas estavam conectadas ao único barramento da fonte.

Entrada

Teste 1

Teste 2

Teste 3

Teste 4

+12V1

3 A (36 W)

3 A (36 W)

5 A (60 W)

6,5 A (78 W)

+12V2

2,5 A (30 W)

3 A (36 W)

5 A (60 W)

6 A (72 W)

+5V

1 A (5 W)

2 A (10 W)

3 A (15 W)

4,5 A (22,5 W)

+3,3 V

1 A (3,3 W)

2 A (6,6 W)

3 A (9,9 W)

4,5 A (14,85 W)

+5VSB

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1 A (5 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

Total

85 W

100 W

155 W

198 W

% Carga Máx.

9,4%

11,1%

17,2%

22,0%

Temp. Ambiente

40,3º C

38,1º C

38,4º C

39,1º C

Temp. Fonte

41,4º C

40,1º C

39,1º C

40,6º C

Estabilidade da Tensão

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Ripple e Ruído

Aprovada

Reprovada

Reprovada

Reprovada

Potência CA

109 W

126 W

195 W

248 W

Eficiência

78,0%

79,4%

79,5%

79,8%

Resultado Final

Aprovada

Reprovada

Reprovada

Reprovada

Para início de conversa, como não sabíamos a potência máxima que iríamos conseguir extrair desta fonte, tivemos que ser um pouco mais generosos com a temperatura. Normalmente testamos fontes a uma temperatura dentro de nossa câmara térmica entre 45º C e 50º C. Para atingirmos esta temperatura nós deixamos a fonte funcionando a 60% da sua carga máxima que a temperatura atinge o nosso ponto de trabalho em poucos minutos. Mas no caso da fonte testada, não queríamos de cara colocá-la para trabalhar em qualquer carga diferente da primeira (85 W), pois não sabíamos se ela agüentaria o tranco ou não. Com isso, a temperatura dentro da câmara ficou um pouco abaixo do desejado pois uma fonte fornecendo pouca potência a temperatura não é muito alta.

O problema desta fonte foi que com ela fornecendo entre 100 W e 200 W as saídas estavam com um altíssimo nível de ruído, muito acima do limite imposto pela especificação ATX. Só para lembrar, os limites são 120 mV para as saídas +12 V e -12 V e 50 mV para as saídas +5 V, +5VSB e +3,3 V. Esses valores são de pico-a-pico.

No teste dois, a saída +3,3 V estava apresentando um nível de ruído de 227 mV, que pulou para 440 mV no teste três e aumentou ainda mais para 500 mV no teste quatro.

Enquanto as demais saídas estavam com os níveis de ruído dentro do normal nos testes um e dois, a saída +12 V (entrada +12V2 do nosso testador) estava com ruído em 143 mV no teste três e 166 mV no teste quatro; a saída +5 V estava com ruído de 61 mV no teste três e 80 mV no teste quatro; e a saída -12 V estaca com ruído de 123 mV no teste três e 130 mV no teste quatro.

Ruído é algo que sobrecarrega especialmente os capacitores da placa-mãe, levando-os ao famoso problema de vazamento ou estufamento, além de causar instabilidade no micro tais como travamentos, resets aleatórios, telas azuis da morte, etc por conta de tensões que não estão sendo fornecidas "limpas".

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Figura 16: Nível de ruído na entrada +3,3 V do nosso testador de carga com a fonte fornecendo 100 W (227 mV).

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Figura 17: Nível de ruído na entrada +12V2 do nosso testador de carga com a fonte fornecendo 150 W (143 mV).

Vamos ver agora o que aconteceu quando tentamos extrair mais de 200 W desta fonte.

Testes de Carga (Cont’d)

Veja abaixo os demais testes que efetuamos com a Wireless 900 W. Quando tentamos extrair mais de 400 W ela explodiu. Analisando os componentes verificamos que os transistores chaveadores foram os componentes danificados, mostrando que eles não foram capaz de fornecer a corrente/potência que a fonte estava exigindo.

Entrada

Teste 5

Teste 6

Teste 7

Teste 8

+12V1

8 A (96 W)

9.5 A (114 W)

11,5 A (138 W)

13 A (156 W)

+12V2

8 A (96 W)

9.5 A (114 W)

11,5 A (138 W)

13 A (156 W)

+5V

6 A (30 W)

7 A (35 W)

8 A (40 W)

9 A (45 W)

+3,3 V

6 A (30 W)

7 A (23,1 W)

8 A (26,4 W)

9 A (29,7 W)

+5VSB

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1 A (5 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

Total

251 W

294 W

347 W

389 W

% Carga Máx.

27,9%

32,7%

38,6%

43,2%

Temp. Ambiente

41,4º C

40,2º C

42,6º C

47,1º C

Temp. Fonte

42,0º C

41,3º C

43,4º C

47,8º C

Estabilidade da Tensão

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Ripple e Ruído

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Reprovada

Potência CA

318 W

381 W

470 W

568 W

Eficiência

79,0%

77,2%

73,9%

68,5%

Resultado Final

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Reprovada

No teste de 400 W podemos ver claramente que algo não ia bem, a eficiência caiu abaixo de 70% e o nível de ruído na saída de 3,3 V ficou fora das especificações a 360 mV.

Curiosamente nos testes entre 250 W e 350 W o nível de ruído de todas as saídas caiu para dentro dos seus limites.

A eficiência desta fonte até que não foi mal. Pelo seu projeto estávamos esperando algo horrível na faixa dos 70% mas a fonte manteve uma eficiência de 79% quando puxamos até 250 W dela, ou seja, quase 80%, o que é o mínimo exigido hoje em dia.

De acordo com os nossos testes a Leadership Gamer Wireless 900 W é na realidade uma fonte de 350 W.

Principais Especificações

As principais características técnicas da Leadership Gamer Wireless 900 W são:

  • ATX12V 2.x (versão exata não divulgada)
  • Potência nominal rotulada: 900 W.
  • Potência máxima medida: 389 W a 47º C.
  • Eficiência medida: entre 68,5% e 79%.
  • PFC ativo: Não.
  • Sistema de cabeamento modular: Sim.
  • Conectores de alimentação da placa-mãe: Um conector de 20/24 pinos e um conector ATX12V com adaptador para transformá-lo em um conector EPS12V.
  • Conectores de alimentação da placa de vídeo: Um conector de seis pinos.
  • Conectores de alimentação para periféricos: Sete.
  • Conectores de alimentação para a unidade de disquete: Dois.
  • Conectores de alimentação SATA: Dois.
  • Proteções: Não divulgado.
  • Garantia: Um ano.
  • Mais informações: http://www.leadership.com.br
  • Preço médio no Brasil: Compramos a fonte testada por R$ 200 no Rio de Janeiro/RJ.

Conclusões

Só uma palavra resume a Leadership Gamer Wireless. E começa com a letra “M”.

Para começo de conversa, a fonte testada está longe de ser uma fonte de 900 W. Ela é na realidade uma fonte de 350 W. Ou seja, menos da metade da potência rotulada.

O modelo de 900 W usa os mesmos componentes do que o modelo de 700 W, porém com a adição de um segundo retificador na saída de +12 V, dobrando a corrente máxima que esta saída pode fornecer. Se o modelo de 900 W é na verdade uma fonte de 350 W, não ousamos "chutar" quanto o modelo de 700 W poderia entregar.

Aí vem o preço. Esta fonte é muito cara para o que é. Pelo mesmo preço você compra uma fonte decente de marca conhecida que consegue não só fornecer a potência rotulada, mas com baixo nível de ruído e boa eficiência (a eficiência da Wireless até que não foi tão ruim se você puxar até 250 W dela).

O usuário desavisado certamente será iludido a pensar que esta é uma boa fonte pois concorre em preço com fontes mil vezes superiores e possui uma etiqueta dizendo que ela possui uma alta potência.

O problema é que mesmo se a Leadership vendesse essa fonte com a sua potência real (350 W) e baixasse o seu preço, ela continuaria sendo um péssimo produto. Se você puxar entre 100 W e 200 W dela os níveis de ruído em suas saídas estão muito acima do máximo admissível, em alguns casos 10x acima. Isso sobrecarregará os capacitores eletrolíticos dos seus componentes, especialmente da placa-mãe, podendo levar ao famoso problema de capacitores estufados ou vazados, fora erros intermitentes tais como travamentos, tela azul da morte, reset aleatório etc pela baixa qualidade das tensões que estão alimentando os componentes do micro. Detalhe importante para caso você não tenha pego a sutileza: a maioria dos computadores consome entre 100 W e 200 W!

Sem contar para o detalhe da caixa informando características que o produto não apresenta (seleção automática de tensão) e a logomarca do Inmetro, o que certamente pode levar consumidores a acharem que este produto foi testado e certificado por este sério órgão, o que não é verdade. Somente o cabo de força é certificado pelo Inmetro.

Em qualquer lugar do mundo o nome disso é trambicagem e em países sérios uma empresa dessas não sobreveria no mercado (tanto por causa de usuários negando-se a comprar este tipo de produto quanto a processos movidos por órgãos de defesa do consumidor para tirar este tipo de produto do mercado). Realmente não sabemos o que é mais triste: uma empresa que sobrevive no mercado enganando usuários ou usuários não procurando se informar e exigindo produtos de melhor qualidade e boicotando produtos como este.

Até quando teremos de aturar este tipo de coisa?

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Teste-da-Fonte-de-Alimentacao-Leadership-Gamer-Wireless-900-W/1596

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