Overclock com o Athlon 64
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 25 de julho de 2006
Introdução
Quer saber como fazer um overclock em seu processador Athlon 64? Neste tutorial mostraremos a você em uma linguagem clara como fazer overclock com o processador Athlon 64 com diversas dicas que até mesmo usuários com alguma experiência no assunto aprenderão algo de novo.
Antes de ensinarmos como fazer o overclock, você precisa aprender primeiro como o clock é gerado em sistemas baseados no Athlon 64 de modo que você entenda como você pode fazer o overclock e o que pode estar impedindo o seu overclock de funcionar.
O Athlon 64 (e outros processadores baseados na mesma arquitetura, como é o caso do Opteron e versões do Sempron para soquete 754 – coletivamente chamados de processadores AMD64) utiliza uma arquitetura completamente diferente da de outros processadores. Normalmente o circuito controlador de memória está embutido no chip porte norte da placa-mãe. No caso dos processadores AMD64, o controlador de memória está embutindo no próprio processador e não no chipset da placa-mãe. Portanto, em computadores baseados nos processadores Athlon 64 o tipo e a capacidade das memórias são definidos pelo processador e não pela placa-mãe, como acontece na maioria dos processadores. Por exemplo, você não pode usar memórias DDR2 com os processadores Athlon 64 soquete 939, já que seu controlador de memória aceita apenas memórias DDR. Com o Pentium 4, você precisaria trocar apenas a placa-mãe (e não o processador) para que o micro aceitasse memórias DDR2 caso permitisse apenas memórias DDR. Isto acontece porque em sistemas baseados no processador Pentium 4 o controlador de memória está no chip ponte norte da placa-mãe.
Nas Figuras 1 e 2 ilustramos isto.
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Figura 1: Arquitetura usada por outros processadores.
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Figura 2: Arquitetura usada pelos processadores AMD64.Portanto, em vez de ter apenas um barramento externo, como acontece em outros processadores (este único barramento externo é freqüentemente chamado Front Side Bus ou FSB), os processadores AMD64 têm dois barramentos: um barramento de memória e um barramento HyperTransport. O barramento HyperTransport é um barramento de entrada e saída usado para conectar o processador a um chip ponte, que por sua vez conecta o processador aos outros dispositivos, como a placa de vídeo.
Vamos falar agora sobre como o clock é gerado nesta arquitetura. Se você quer aprender mais sobre a arquitetura AMD64 não deixe de ler nosso tutorial Por Dentro da Arquitetura AMD64.
Geração de Clock
Os processadores Athlon 64 utilizam um clock base (também chamado de clock HyperTransport, HT ou HTT – algumas pessoas chamam este clock base de clock externo ou clock do FSB, apesar de tecnicamente esses nomes estarem errados) de 200 MHz para gerar seu clock interno, multiplicando-o por um valor fixo (também chamado multiplicador de clock), que varia de acordo com o modelo do processador. Para descobrir este multiplicador, basta dividir o clock interno do seu processador por 200.
Por exemplo, o Athlon 64 X2 5000+ trabalha internamente a 2,6 GHz (2.600 MHz). Este clock é obtido através da multiplicação do seu clock base, que é de 200 MHz, por 13, que é o seu multiplicador de clock. Se você não sabe o clock interno do seu Athlon 64, dê uma olhada na tabela disponível em nosso tutorial Todos os Modelos do Athlon 64.
Assim como as memórias SDRAM, as memórias DDR também são síncronas, ou seja, precisam de um sinal de clock para trabalhar. Em micros baseados no processador Athlon 64 este clock é gerado dividindo o clock interno do processador por um valor fixo (chamado divisor da memória), que varia de acordo com o processador e a memória usada.
Este divisor é um valor inteiro (arredondado para cima) necessário para fornecer o clock da memória. Para encontrá-lo, divida o clock interno do processador em MHz pelo clock real da memória. Lembre-se que nas memórias DDR e DDR2 o clock rotulado é na verdade o dobro do seu clock real: memórias DDR400 trabalham a 200 MHz, memórias DDR2-667 trabalham a 333 MHz, memórias DDR2-800 trabalham a 400 MHz e assim por diante.
Vejamos agora alguns exemplos. Em um Athlon 64 3800+ (que trabalha a 2,4 GHz) usando memórias DDR400, o divisor da memória é 12 (2400/200). Como você pode ver, no Athlon 64 usando memórias DDR400 esta conta é muito simples já que o divisor da memória tem o mesmo valor do multiplicador de clock.
Mas se as memórias DDR333 fossem utilizadas, um divisor diferente precisaria ser usado, ou caso contrário o processador forneceria um clock maior do que o máximo suportado pela memória. Como as memórias DDR333 trabalham a 166 MHz, encontramos o valor de 14,45 como resultado da divisão (2400/166). Neste caso o divisor da memória usado pelo processador será 15 (o próximo valor inteiro). Isto é realmente interessante. Se você fizer as contas novamente (2400/15) descobrirá que as memórias DDR333 com o Athlon 64 3800+ trabalham na verdade a 160 MHz (320 MHz DDR), e não a 166 MHz (333 MHz DDR).
Com os processadores Athlon 64 que suportam memórias DDR2 a idéia é a mesma. Por exemplo, o Athlon 64 X2 4800+ baseado no soquete AM2 trabalha a 2,4 GHz. Portanto, se você usar memórias DDR2-800 com este processador, o divisor da memória será 6 (2400/400). Mas se você usar memórias DDR2-667, o divisor da memória será 8 (2400/333 = 7,20, sendo que 8 é o próximo número inteiro). Com este processador as memórias DDR2-667 trabalham a 300 MHz (600 MHz DDR), e não a 333 MHz (667 MHz DDR).
Só mais um exemplo. O Athlon 64 X2 5000+ (2,6 GHz) usa um divisor da memória de 7 para as memórias DDR2-800 (2600/400 = 6,5, sendo que 7 é o próximo valor inteiro). Portanto, memórias DDR2-800 instaladas em um micro baseado no Athlon 64 X2 5000+ trabalham a 371 MHz (742 MHz DDR), e não a 400 MHz (800 MHz DDR). Com as memórias DDR2-667 o divisor será 8 (2600/333 = 7,8, sendo que 8 é o próximo número inteiro). Dessa forma as memórias DDR2-667 instaladas neste micro trabalham a 325 MHz (650 MHz), e não a 333 MHz (666 MHz DDR).
Até agora você já conhece todos clocks do seu processador: seu clock base (200 MHz), seu clock interno, seu multiplicador de clock e seu divisor da memória.
Mas todos os outros clocks usados em sua placa-mãe são gerados a partir do clock base do processador (clock HTT).
O clock do barramento HyperTransport é o clock base (clock HTT) multiplicado por 5, o que resulta em seu clock de 1.000 MHz (também conhecido como “2.000 MHz” ou “4 GB/s”). O barramento HyperTransport dos processadores Athlon 64 antigos trabalhava a 800 MHz (também conhecido como “1.600 MHz” ou “3,2 GB/s”), e nesse caso o clock do barramento HyperTransport é obtido multiplicando o clock base por 4.
Os clocks usados em todos os slots da placa-mãe também são gerados a partir do clock base (clock HTT) do processador. O clock do PCI Express é de 100 MHz, o clock do barramento AGP é de 66 MHz e o clock do barramento PCI é de 33 MHz. Todos eles são obtidos dividindo o clock base por 2, 3 e 6, respectivamente (normalmente em micros baseados no barramento AGP o clock do barramento PCI é obtido dividindo o clock do barramento AGP por dois, e em micros baseados no barramento PCI Express o clock do barramento PCI é obtido dividindo o clock do PCI Express por três). Portas Serial ATA precisam de um clock de 100 MHz, normalmente gerado a partir do clock do PCI Express, que por sua vez é gerado a partir do clock base do processador, como vimos.
Placas-mãe voltadas para overclock podem permitir a você configurar a divisão do clock para esses dispositivos ou, melhor ainda, usar um gerador de clock separado para eles. Falaremos mais sobre isto na próxima página.
Fazendo Algumas Contas
Existem duas formas tradicionais de fazer um overclock em seu processador – isto é, configurá-lo com um clock maior do que seu clock padrão. Uma é aumentar o seu clock base (ou o clock externo do processador). A outra é aumentar o seu multiplicador de clock.
O multiplicador é normalmente travado na maioria dos processadores, o que significa que você não pode aumentá-lo. Esta característica é chamada “proteção contra overclock” e foi introduzida para evitar que pessoas falsificassem processadores (no passado algumas pessoas apagavam a marcação original do processador e escreviam outra coisa, vendendo-o com se ele tivesse um clock maior). Atualmente apenas os processadores Athlon 64 FX têm o multiplicador de clock destravado, e por isso esta técnica de overclock é uma opção para esses processadores. Os processadores Athlon 64, no entanto, podem ser configurados com um multiplicador de clock inferior ao seu multiplicador padrão. Combinar um multiplicador de clock menor com um clock base maior é uma técnica de overclock muito eficiente e falaremos mais sobre ela adiante.
A técnica de overclock mais popular é a de aumentar o clock base do processador ou o seu clock externo. Mas como todos os clocks do micro estão interligados, quando você aumenta o clock base do processador você também aumenta todos os clocks usados em seu PC. Dessa forma, o seu overclock pode ser limitado não pelo processador, mas sim por outro dispositivo.
Vejamos um exemplo real (por enquanto assuma que a sua placa-mãe não tem opções avançadas de overclock, já que falaremos mais sobre elas depois): considere um processador Athlon 64 3800+ usando memórias DDR400. Este processador trabalha originalmente a 2.400 MHz e tanto seu multiplicador de clock quanto o divisor da memória é 12.
O que aconteceria se aumentássemos o seu clock base para 225 MHz? Bem, o processador trabalharia internamente a 2.700 MHz, um aumento de 12,50% em relação ao seu clock interno original.
O problema é que sua memória trabalharia a 225 MHz (450 MHz DDR), o barramento HyperTransport trabalharia a 1.125 MHz, os barramentos PCI Express trabalhariam a 112,50 MHz, as portas Serial ATA também trabalhariam a 112,50 MHz, o barramento AGP (caso sua placa-mãe seja mais antiga) trabalharia a 75 MHz e o barramento PCI trabalharia a 37,50 MHz.
Tudo em seu micro trabalharia em overclock. A primeira vista isto parece interessante: um desempenho maior, você poderia achar. Mas se você não conseguir aumentar o clock base do processador além de um determinado ponto você não saberá qual dispositivo está impedindo que você faça um overclock ainda maior. Será que é a memória? A placa de vídeo? O chipset da placa-mãe? O disco Serial ATA? Uma das placas de expansão?
É por esse motivo que placas-mãe voltadas para overclock permitem que você configure o clock para cada dispositivo individualmente. Esta configuração pode ser uma simples trava (ou seja, travar o clock do dispositivo em seu valor padrão), pode ser pode ser um gerador de clock totalmente configurável ou pode ser uma configuração do multiplicador ou divisor de clock a ser usado.
Se sua placa-mãe tem tais configurações, recomendamos que você use-as e tente fazer um overclock em outros dispositivos, como o barramento PCI Express (isto é, o barramento da sua placa de vídeo), após ter encontrado o maior clock base suportado pelo seu micro. É isto que mostraremos a você como fazer agora.
Aula Básica de Overclock
O procedimento exato para efetuar o overclock depende muito da placa-mãe que você está usando, já que cada uma tem seu próprio conjunto de opções de configuração. Tentaremos generalizar ao máximo, dando informações que podem ser aplicadas para todas as placas-mãe encontradas no mercado.
Basicamente você precisará:
- 1. Travar o clock de todos os dispositivos, exceto o processador, em seus valores padrão, se sua placa-mãe tiver esta opção.
- 2. Mudar a configuração do clock base do processador de “auto” para “manual”, se necessário.
- 3. Aumentar o clock base do processador passo-a-passo verificando se o micro está funcionando de forma estável.
- 4. Mudar o multiplicador de clock do barramento HyperTransport de 5 para 4 uma vez que você consiga um clock maior do que 220 MHz. Isto se sua placa-mãe fornecer esta opção e você usar um processador com barramento HyperTransport de 1.000 MHz (também conhecido como “2.000 MHz” ou “4 GB/s”).
- 5. Mudar o multiplicador de clock do barramento HyperTransport de 4 para 3 uma vez que você consiga um clock maior do que 225 MHz. Isto se sua placa-mãe fornecer esta opção e você usar um processador com barramento HyperTransport de 800 MHz (também conhecido como “1.600 MHz” ou “3,2 GB/s”).
- 6. Mudar o multiplicador de clock do barramento HyperTransport de 4 para 3 uma vez que você consiga um clock maior do que 275 MHz, caso você consiga essa façanha. Isto se sua placa-mãe fornecer esta opção e você usar um processador com barramento HyperTransport de 1.000 MHz (também conhecido como “2.000 MHz” ou “4 GB/s”).
- 7. Mudar o multiplicador de clock do barramento HyperTransport de 3 para 2 uma vez que você consiga um clock maior do que 300 MHz, caso você consiga essa façanha. Isto se sua placa-mãe fornecer esta opção e você usar um processador com barramento HyperTransport de 800 MHz (também conhecido como “1.600 MHz” ou “3,2 GB/s”).
Essas configurações são feitas no setup da placa-mãe, pressionando a tecla Del logo após a inicialização do micro. O nome e a localização exata de cada opção varia muito. Apresentaremos agora alguns exemplos reais.
Na Figura 3 você pode ver o setup da placa-mãe Biostar K8VHA Pro, que fornece apenas uma única opção para overclock – mudar o clock base do processador. A maioria das placas-mãe de baixo custo tem apenas esta opção, dificultando fazer um overclock acima de 225 MHz, já que todos os componentes da placa-mãe também trabalharão em overclock.
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Figura 3: Fazendo um overclock no processador em uma placa-mãe de baixo custo (Biostar K8VHA Pro).Nas Figuras 4 e 5 você ver uma placa-mãe antiga baseada no barramento AGP, a EpoX 8KDA3+, que tem mais opções para overclock do que a placa anterior. Como você pode ver, nesta placa-mãe você pode configurar o clock do barramento AGP individualmente, ou seja, você pode travá-lo em 66 MHz. Nesta placa-mãe você pode ainda configurar o multiplicador de clock do barramento HyperTransport, mas esta opção está escondida em “Advanced Chipset Features”, e você pode não relacionar esta opção com overclock.
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Figura 4: Fazendo um overclock no processador em uma placa-mãe antiga baseada no barramento AGP (EpoX 8KDA3+).
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Figura 5: Configuração do multiplicador de clock do barramento HyperTransport (EpoX 8KDA3+).Aula Básica de Overclock (Cont.)
Como exemplo final, mostraremos uma placa-mãe topo de linha da ASUS, a M2N32 SLI De Luxe, que tem muitas opções para overclock, como você pode ver nas Figuras 6 a 8. Primeiro você precisa habilitar as opções de overclock mudando seus valores de “auto” para “manual” (veja na Figura 6). Em seguida você precisa efetuar as configurações listadas na página anterior.
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Figura 6: Fazendo um overclock no processador em uma placa-mãe topo de linha (ASUS M2N32 SLI De Luxe).Nesta placa-mãe podemos travar o clock do PCI Express em 100 MHz (veja na Figura 7) – que travará também o clock do Serial ATA – e também mudar o multiplicador do barramento HyperTransport. Esta configuração deve seguir as regras mostradas anteriormente.
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Figura 7: Fazendo um overclock no processador em uma placa-mãe topo de linha (ASUS M2N32 SLI De Luxe).Como você pode ver na Figura 8, esta placa-mãe tem um gerador de clock separado para o link entre o chip porte norte (NB) e o chip ponte sul (SB). Por padrão este gerador de clock é configurado como “Auto”, mas recomendamos que você trave-o em seu clock padrão, 200 MHz. O multiplicador do barramento HyperTransport, aqui chamado “CPU<->NB HT Speed” (em outras placas-mãe esta opção pode usar um nome diferente, como “CPU<->nForce SPP”), deve ser alterada de “Auto” para “5x”, e então para outros valores dependendo do clock base sendo utilizado (veja as regras apresentadas na página anterior).
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Figura 8: Configuração do multiplicador de clock do barramento HyperTransport (ASUS M2N32 SLI De Luxe).Agora que você sabe o básico, pode estar se perguntando, “ok, o que devo fazer agora?”. Isto é o que veremos na próxima página.
Aula Básica de Overclock (Cont.)
Após ter travado todos os clocks possíveis e habilitado as opções para overclock, o próximo passo é aumentar o clock base do processador. Praticamente todas as placas-mãe permitem que você aumente o clock base em incrementos de 1 MHz. Claro que se você for aumentar o clock base de 1 em 1 MHz seu overclock vai demorar uma eternidade para ser feito. Portanto, você pode aumentar o clock base de 200 MHz para 220 MHz, salvar todas as configurações, e carregar o Windows. Dentro do Windows você precisará executar o que é chamado “teste de estabilidade”, isto é, verificar se o seu micro irá travar enquanto estiver em overclock.
Existem diversos programas que você pode usar. Mas como ainda estamos no meio do processo de overclock (tentaremos aumentar o clock base do processador ainda mais), você possivelmente vai querer usar um programa que não demore muito para ser executado. Em nosso laboratório nós rodamos o PCMark05 uma vez e o Quake 4 três vezes (clique aqui para aprender como usar o Quake 4 para esta tarefa).
Se o seu micro ficou estável o suficiente, reinicie, entre no setup e aumente o clock base do processador em 5 MHz. Salve as alterações, carregue o Windows e repita o teste de estabilidade.
Se o Windows não iniciar ou você observar que o micro ficou instável, então você precisará diminuir o clock base do processador – recomendamos fazer isto a 1 MHz por vez – até você encontrar o clock base máximo que o seu processador consegue trabalhar sem travar.
Se você tem uma placa-mãe como a da Figura 3, você terá que parar aqui, já que sua placa-mãe não tem mais opções para overclock. Se este é o seu caso, recomendados rodar um programa de teste de estabilidade pesado, caso queira manter o seu micro em overclock (o PassMark BurnIn Test é uma ótima opção). Se o seu micro travar, você precisará reduzir o clock base do processador em 1 MHz até encontrar um clock base onde o seu micro não trave durante o teste de estabilidade.
Mas se sua placa-mãe tiver mais opções para overclock, como configurações de tensão de alimentação ou de multiplicador do processador, você provavelmente você vai querer brincar um pouco mais de modo a obter melhores resultados em seu overclock.
Outras Técnicas de Overclock
O macete mais comum para fazer um overclock é aumentar a tensão de alimentação do processador e da memória de modo a permitir que esses componentes atinjam clocks mais elevados. Para fazer isso você precisa conhecer primeiro as tensões de alimentação atuais do processador e da memória. Você pode verificar esta informação no setup do micro na opção Hardware Monitoring, ou através de um programa de identificação de hardware, como o CPU-Z.
O problema é que se você aumentar muito a tensão de alimentação do dispositivo, poderá danificá-lo (apesar disso nunca ter acontecido conosco, já aconteceu com vários conhecidos nossos). Sugerimos que você aumente em 0,1 V as tensões do processador e da memória para ver se consegue aumentar o clock base do processador. Se você for muito corajoso, pode aumentar a tensão ainda mais.
Nas telas que mostramos anteriormente a tensão de alimentação do processador era chamada “CPU Voltage” ou “CPU Vcore Voltage”, enquanto que a tensão de alimentação da memória era chamada “DIMM Voltage” ou “DDR2 Voltage Control”. Como você pode ver, apesar do nome da opção ser diferente de uma placa-mãe para outra, é muito fácil identificá-la.
A idéia é muito simples: aumente a tensão, aumente o clock base do processador, carregue o Windows e rode o teste de estabilidade. Faça isso até que você descubra o clock máximo que pode usar com estabilidade em seu micro.
Depois de ter encontrado o clock base máximo aumentando tanto a tensão de alimentação do processador quanto a da memória, recomendamos que você diminua a tensão do dispositivo que não melhorou com o aumento da tensão.
Por exemplo, se ao aumentar a tensão de alimentação da memória de 2,2 V para 2,3 V houve um aumento em seu overclock, mas aumentar a tensão para 2,4 V não trouxe melhora em seu clock, mantenha a tensão em 2,3 V. A mesma idéia é válida para o processador. Desta forma você reduz o risco de queimar ou superaquecer seu dispositivo.Falando em superaquecimento, você precisa monitorar a temperatura de seu processador, que deve estar abaixo de 70º C. Se ela estiver acima de 65º C você deve considerar a possibilidade de trocar o cooler do seu processador por um mais potente. Clique aqui para aprender como monitorar a temperatura do processador.
Uma outra técnica de overclock disponível é diminuir o multiplicador do processador. Como mencionamos anteriormente, todos os processadores modernos (exceto o Athlon 64 FX na família da AMD) não permitem que você aumente o seu multiplicador de clock. No entanto, os processadores Athlon 64 permitem que você o diminua. Dessa forma você talvez possa obter um melhor overclock diminuindo o multiplicador do processador (se sua placa-mãe tiver esta opção) e aumentando o clock base do processador. Normalmente você conseguirá obter um clock base maior fazendo isto.
Não se deixe enganar por clocks menores. Reduzindo o multiplicador do processador ele trabalhará com um clock interno menor do que o clock máximo obtido usando o multiplicador padrão, mas você pode na verdade obter um desempenho maior devido ao aumento do clock base. Portanto, você precisa rodar um teste de desempenho nessas duas condições para ver qual delas oferece o maior desempenho em seu micro – seu processador com o multiplicador de clock padrão e aumentar o seu clock base ao máximo, ou seu processador com o menor multiplicador e aumentar seu clock base ainda mais. Normalmente rodamos o PCMark05 e o Quake 4 para verificarmos isto.
Algumas placas-mãe permitem que você configure o multiplicador do processador em intervalos de 1x, já outras permitem que você configure em intervalos de 0,5x. Você deve diminuir uma posição (1x ou 0,5x), encontrar o clock base máximo possível, rodar um teste de desempenho e fazer tudo de novo, diminuindo o multiplicador em mais uma posição. E de novo, e de novo, até você rodar todas as opções de multiplicador. É um trabalho que exige paciência. Algumas vezes você pode obter um ótimo resultado em seu overclock com um multiplicador muito baixo. Com os dados de desempenho em mãos você pode dizer exatamente qual a configuração de overclock ofereceu o melhor desempenho para o seu micro.
Em micros baseados no Athlon 64 FX você tem uma terceira opção, que é de aumentar o multiplicador de clock do processador, já que ele vem de fábrica destravado. Claro que você pode combinar esta opção com a de aumentar o clock base do processador. Mais uma vez você precisará rodar um programa de teste de desempenho para ver qual configuração de overclock proporciona o maior desempenho em seu micro.
Dicas Finais
Se você se viciar em overclock, considere comprar módulos de memória especiais. Como você viu, ao fazer um overclock em seu processador você está fazendo com que seus módulos de memória também trabalhem em overclock, e talvez o que esteja impedindo você de obter clocks mais elevado seja as memórias que está usando.
Por exemplo, suponhamos que o overclock máximo que você obteve com o seu Athlon 64 3800+ foi de 230 Hz com seu multiplicador de clock padrão (12). Nesta configuração, seus módulos de memória também trabalharão a 230 MHz (460 MHz DDR). Se você estiver usando módulos DDR400 comuns, eles trabalharão 15% acima de seu clock padrão. Talvez se você instalar módulos DDR500 poderá obter melhores resultados.
Por outro lado, se você tiver módulos de memória de alto desempenho mas não esteja conseguindo obter clocks maiores (vamos assumir que você trocou a memória do sistema acima por módulos DDR500 mas não conseguiu nenhum aumento no clock base), isto significa que o que está impedindo você de obter melhores resultados em seu overclock é o seu processador, não a memória. No entanto, como a memória foi trocada, faríamos nossos procedimentos de overclock novamente, especialmente diminuindo o multiplicador do processador.
Após ter encontrado a melhor configuração de overclock para o seu micro, é hora de destravar todos os componentes que você havia travado, como o barramento PCI Express, o barramento AGP, etc. O procedimento aqui é basicamente o mesmo, aumentar o clock, carregar o Windows, executar o teste de estabilidade e repetir o processo todo novamente. Este passo é especialmente importante se você quer aumentar o desempenho de vídeo do seu micro.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/521
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