Placa-Mãe VIA EPIA-V (C3 800 MHz)
Por Gabriel Torres em 19 de março de 2003

Introdução

A VIA, um dos principais fabricantes de chipset do mercado, desenvolveu há algum tempo um novo padrão de placas-mãe, chamado ITX (clique aqui para ler artigo sobre as placas-mãe ITX), que é um padrão de placas-mãe ultra-compacto, para aplicações onde seja necessário o uso de um PC com dimensões reduzidas.

Ano passado, a VIA apresentou a sua plataforma EPIA, que é uma placa-mãe ITX fabricada pela VIA com chipset VIA (naturalmente) e com um processador C3 (que também é fabricado pela VIA) soldado diretamente sobre a placa-mãe.

Com isso, a plataforma EPIA é uma placa-mãe ultra compacta para aplicações onde o tamanho reduzido seja indispensável, medindo apenas 17 x 17 cm.

Antes mesmo de testarmos o desempenho dessa plataforma, podemos dizer, de cara, que o seu desempenho não é alto, visto que todos os nossos testes com o processador C3 mostraram que esse processador é de baixo desempenho.

A plataforma EPIA, no entanto, é destinada a aplicações onde o desempenho não seja um ponto principal, e há várias aplicações onde isso é verdade.

No momento da publicação deste teste, existiam três plataformas EPIA no mercado: EPIA, EPIA-M e EPIA-V. Esse nosso teste é o da placa-mãe EPIA-V usando um processador C3 de 800 MHz (133 MHz externamente). Note que essa placa-mãe pode ser vendida com processadores de outros clocks. Entretanto, como o processador é soldado diretamente sobre a placa-mãe, não existe a possibilidade de upgrade de processador. Nós também testamos a placa-mãe EPIA-M usando um processador C3 de 933 MHz.

A diferença entre os modelos testados está no chipset (VIA VT8601A no EPIA-V e VIA CLE266 no EPIA-M), na quantidade e tipo de soquetes de memória (2x DIMM SDRAM no EPIA-V e 1x DDR-DIMM DDR-SDRAM no EPIA-M), na quantidade de portas IDE (1 no EPIA-V e 2 no EPIA-M) e na existência de duas portas FireWire na EPIA-M.

Na Figura 1 você confere a placa-mãe EPIA-V. Repare o seu tamanho reduzido e a existência de somente um slot PCI e somente uma porta IDE. Ela tem dois soquetes de memória DIMM, vídeo on-board, áudio on-board e rede on-board. Enfim, é um PC básico completo em uma placa-mãe super compacta.


Figura 1: Placa-mãe VIA EPIA-V.

Na Figura 2 você repara o processador C3 usado por essa placa-mãe. A grande vantagem desse processador é que ele consume pouca energia. Com isso, dissipa pouco calor e a fonte de alimentação pode ser pequena, facilitando a construção de um PC ultra compacto.


Figura 2: Processador VIA C3 de 800 MHz.

O chipset usado por essa placa-mãe é o VIA VT8601A, mais conhecido como Apollo PLE133A ou ainda ProMedia, que tem vídeo Trident Blade integrado.


Figura 3: Chipset VIA VT8601A, usado na EPIA-V.

Antes de irmos aos nossos testes da EPIA-V, vamos dar uma recapitulada em suas principais características.

Caracteristicas

As principais características da VIA EPIA-V são:

  • Processador: VIA C3 de 800 MHz internamente e 133 MHz externamente (no modelo testado).
  • Chipset: VIA VT8601A, também conhecido como Apollo PLE133A ou ProMedia (Vídeo on-board Trident Blade, ATA-100)
  • Gerador de clock: ICS 9248AF.
  • Super I/O: Sipex SP3243ECA.
  • IDE: uma porta ATA-100.
  • USB: 4 portas USB 1.1 (duas soldadas na placa-mãe, duas através de cabo adaptador que acompanha a placa-mãe).
  • FireWire (IEEE 1394): Não.
  • Som on-board: Produzido pelo próprio chipset em conjunto com o Codec VIA VT1612 (dois canais, resolução de 18 bits).
  • Vídeo on-board: Sim, produzido pelo chipset (Trident Blade).
  • Modem on-board: Não.
  • Rede on-board: Sim, chip VIA VT6103.
  • Buzzer: Sim
  • Fonte de alimentação: ATX
  • Slots: 1 slot PCI.
  • Memória: 2 soquetes DIMM (máximo de 1 GB SDRAM).
  • Quantidade de CDs que acompanha a placa: 1 CD
  • Programas que acompanham a placa: nenhum além dos drivers e utilitários da placa.
  • Recursos extras: Saídas de TV S-Vídeo e vídeo composto opcional (chip VIA VT1621), não presentes no modelo testado.
  • Mais informações: http://www.viavpsd.com
  • Preço médio nos EUA*: US$ 110,00.

* Pesquisado em http://www.pricewatch.com no dia da publicação deste teste. Este preço é apenas uma referência para comparação com outras placas. O preço no Brasil será sempre maior, pois devemos adicionar o câmbio, o frete e os impostos, além da margem de lucro do distribuidor e do lojista.

Como Testamos e Desempenho

Os testes foram realizados com o auxílio dos programas Winbench 99 (http://www.etestinglabs.com/main/services/zdmbmks.asp), PCMark2002 (http://www.futuremark.com), 3DMark2001SE (http://www.futuremark.com), Quake III Arena (http://www.quake3arena.com) e Sandra 2003 ( http://www.sisoftware.demon.co.uk/sandra/index.htm). Em nossos testes de desempenho usamos os processadores indicados, um módulo SDRAM PC133 256 MB (com exceção do Duron-600 e da EPIA-M9000, que usaram um módulo DDR-SDRAM PC2100 256 MB), placa-mãe Epox EP-3VSA2 (nos testes com os processadores C3 e Celeron) e placa-mãe Epox EP-8K3A+ (nos testes com o processador Duron-600), disco rígido Seagate ST310212A (10 GB) e placa de vídeo Chaintech AGP-RI93 (GeForce 2 GTS Pro com 64 MB de memória de vídeo DDR-SDRAM). A resolução de vídeo usada foi 800 x 600 x 16 bits.

Entre as sessões de teste reformatamos o disco rígido e reinstalamos todos os softwares, em seguida desfragmentamos o disco rígido. Os drivers utilizados foram os seguintes: driver de vídeo nVidia 4.13.01.3082; driver VIA 4-in-1 4.43v, para placas-mãe com chipset VIA; driver de vídeo VIA 4.13.01.3124, na placa-mãe EPIA-V, e 4.13.01.0030-01.28.02, na placa-mãe EPIA-M; driver SiS AGP 1.12 e driver de vídeo SiS 4.13.01.2081, para placas-mãe com chipset SiS (este último driver somente nas placas-mãe com vídeo on-board SiS). O bus mastering foi corretamente ativado e testado com o programa HDTach (http://www.tcdlabs.com) e o sistema operacional utilizado foi o Windows 98 SE em português com o Direct X 8.1 em português instalado (no momento de publicação deste teste o DirectX 9 já estava disponível, mas como os resultados antigos já tinham sido obtidos com o DirectX 8.1 e como não tínhamos mais a maioria das placas-mãe e processadores testados no passado, preferimos manter o uso do Direct X 8.1).


Desempenho

As comparações de nossos testes são apenas uma referência, já que para um teste de desempenho perfeito teríamos de mudar a menor quantidade possível de periféricos entre as sessões de teste, o que não é possível já que as placas-mãe EPIA possuem o processador soldado sobre a placa-mãe.

Aproveitamos também e incluímos em nossa comparação o DeskNote A900 da PCChips, pois esse equipamento utiliza um processador C3 de 730 MHz e tem a mesma finalidade da plataforma EPIA: ser um PC completo de baixo custo.

Lembramos que os demais processadores que colocamos como referência usaram outra placa-mãe e outra placa de vídeo (GeForce 2 GTS), enquanto que as placas EPIA e o DeskNote têm vídeo on-board.

De qualquer forma, estamos publicando todos os resultados numéricos para que você mesmo, em casa ou em seu laboratório particular, possa testar uma máquina qualquer e comparar o desempenho dela com o desempenho da plataforma EPIA-V e EPIA-M, bastando executar os mesmo programas que usamos em nossos testes.

Escolhemos usar em nossas comparações processadores mais antigos, como o Celeron-566 e o Duron-600, além do próprio VIA C3 de 750 MHz "avulso", instalado em uma placa-mãe sem dispositivos on-board. Como a plataforma EPIA usa o VIA C3, que é um processador de baixo desempenho destinado a PCs baratos, não faz sentido compará-lo a um Athlon XP ou a um Pentium 4, já que esses processadores não são concorrentes diretos.

Mais uma vez lembramos que a placa EPIA-V usada em nossos testes estava equipada com um C3 de 800 MHz e a EPIA-M estava equipada com um C3 de 933 MHz, ambos com clock externo de 133 MHz. Existem placas-mãe EPIA usando outros modelos de C3.

 

Desempenho de processamento

Para testar o desempenho da placa-mãe EPIA-V usamos dois programas, o PCMark 2002 e o Sandra. O PCMark mede o desempenho do micro como um todo, efetuando operações como descompactação de arquivos e coisas do gênero, dando o resultado em uma unidade própria. Já o Sandra mede o desempenho de processamento interno do processador, isto é, a quantidade de instruções que ele pode efetivamente realizar por segundo, o que não depende do resto do micro.

Veja no gráfico abaixo os resultados do PCMark. Repare como o desempenho do C3 varia de acordo com o seu clock (o DeskNote A900 utiliza um C3 rodando a 730 MHz). Assim, a EPIA-V que testamos, por usar um processador C3 de 800 MHz, ficou com um resultado entre o C3 de 750 MHz e o C3 de 900 MHz. Já a EPIA-M, por usar um C3 de 933 MHz, obteve o melhor desempenho entre os processadores C3 que testamos.

Apesar de a EPIA-V de 800 MHz ter um desempenho 23,87% maior que o do DeskNote A900, a EPIA-M de 933 MHz foi 18,59% mais rápida do que a EPIA-V. Entretanto o C3 continua sendo um processador de baixo desempenho. O Celeron-566 usado em nossos testes foi 88,06% mais rápido do que o EPIA-V de 800 MHz e 58,58% mais rápido do que o EPIA-M de 933 MHz. Como você pode ver nitidamente, o maior clock não necessariamente significa o maior desempenho.

Já os resultados do Sandra foram um pouco diferentes. Nele, a EPIA-V de 800 MHz obteve um desempenho 73,90% maior que o DeskNote A900 e 21,29% maior que o desempenho do C3 de 900 MHz. O EPIA-M de 933 MHz por sua vez foi 28,41% mais rápido do que o EPIA-V de 800 MHz. Em compensação, o Celeron-566 continuou dando um banho no C3: 134,42% mais rápido do que o EPIA-V de 800 MHz e 82,55% mais rápido do que o EPIA-M de 933 MHz.



Desempenho de video 2D e 3D e Memória

As plataformas EPIA, por serem altamente integradas, usam vídeo on-board. O DeskNote também. Já os demais micros de nossos testes foram montados com uma placa de vídeo GeForce 2 GTS. Portanto, para as placas EPIA, o desempenho do vídeo 2D reflete o chipset usado na placa-mãe. E os nossos testes indicaram que, pelo menos para vídeo 2D, os chipsets escolhidos tanto para o EPIA-V quanto para o EPIA-M foram boas escolhas. Repare que o vídeo on-board da EPIA-V de 800 MHz (Trident Blade, VIA VT8601A) foi apenas 4,69% mais lento que a placa de vídeo GeForce 2 GTS espetada no Celeron-566, tendo sido 10,93% mais rápido do que o vídeo on-board do DeskNote A900 (que usa o chipset SiS 630). Já o vídeo on-board da EPIA-M de 933 MHz (ProSavage CLE266) foi 26,78% mais rápido do que o vídeo on-board do DeskNote A900 (SiS 630), 8,92% mais rápido do que a GeForce 2 GTS espetada no Celeron-566 e 14,29% mais rápido do que o vídeo on-board da EPIA-V de 800 MHz. Em compensação o vídeo do Duron-600 (GeForce 2 GTS) foi 25,86% mais rápido.


Desempenho de vídeo 3D

O desempenho de vídeo 3D de placas-mãe com vídeo on-board costuma ser muito ruim, e as placas EPIA não foram exceção. Embora as placas EPIA consigam mostrar jogos 3D, o desempenho é tão baixo que não dá para jogar. Fica mais como uma curiosidade. Interessante notar que o desempenho 3D da EPIA-M foi maior que o da EPIA-V, significando que o desempenho 3D do chip ProSavage CLE266 é melhor que o do Trident Blade, VIA VT8601A. Além disso, como a EPIA-M testada usava um processador mais rápido, isso deve ter colaborado para que essa plataforma se mostrasse mais rápida do que a EPIA-V.

Usamos dois programas para medir o desempenho 3D: o 3DMark2001 SE e o Quake III.

3DMark2001 SE

Como você pode conferir no gráfico, o desempenho 3D da EPIA-V de 800 MHz é muito ruim, 73,11% inferior ao desempenho da EPIA-M de 933 MHz e 87,32% inferior ao do Celeron-566 usando a GeForce 2 GTS. Já o desempenho 3D da EPIA-M de 933 MHz é um pouco melhor, mas 52,84% inferior ao do Celeron-566 usando a GeForce 2 GTS.

Quake III

No Quake III, a EPIA-V foi muito mal, com apenas 13,9 quadros por segundo no demo 1 e ridículos 5,7 quadros por segundo no demo 2. Já a EPIA-M se saiu um pouco melhor, com resultados na faixa dos 37 quadros por segundo no demo 1, o que não é essa maravilha toda mas dá para ver como o jogo é. Só para você ter uma idéia, o C3-750 com um GeForce 2 GTS obteve um desempenho 63,4% maior, enquanto que o Celeron-566 foi 88,59% mais rápido.


Memória

Resolvemos incluir também o teste de taxa de transferência da memória RAM efetuado pelo Sandra. Como o EPIA-V utiliza soquetes DIMM e usamos uma memória PC133, a taxa de transferência da memória deveria ser 1.064 MB/s. Lembramos ainda que o C3 trabalha externamente a 133 MHz, freqüência suficiente para atingir essa taxa.

Entretanto, a taxa máxima obtida foi muito inferior à esta: 206 MB/s, ou seja, um uso de apenas 19,36% da banda disponível! O baixo uso da banda também ocorreu com os demais processadores testados.

No caso da EPIA-M, que utiliza soquetes DDR-DIMM e usamos uma memória DDR266, a taxa de transferência da memória deveria ser 2.100 MB/s, mas nessa placa-mãe a taxa obtida foi de 248 MB/s, um uso de apenas 11,81% da banda disponível!


Conclusões

Em teoria, a idéia de fazer uma plataforma que é um PC básico quase pronto de tamanho reduzido para aplicações que não demandem tanto desempenho é muito boa. Só que quando cai no campo prático, essa idéia pode ser inviável.

É o caso da plataforma EPIA. A EPIA-V de 800 MHz que testamos é encontrada na faixa dos US$ 110 nos EUA. Isso é um absurdo de caro. Basta parar para pensar que uma placa-mãe PCChips M810 com um Duron-850 é vendida na faixa dos US$ 75 nos EUA, e com um detalhe importante: esse conjunto é muito mais rápido do que a plataforma EPIA-V de 800 MHz (preços pesquisados em http://www.pricewatch.com no dia da publicação deste teste).

Ou seja, a plataforma EPIA acaba sendo uma mera curiosidade. Em nossa opinião, só vale a pena usá-la caso a aplicação onde ela seja usada necessite ser a menor possível, onde os apenas 17 x 17 cm da placa-mãe mini-ITX da VIA farão diferença.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/534

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