Mídias CD-R
Por Alberto Cozer em 08 de dezembro de 1999
Introdução
Todo mundo acha uma grande bobagem todas aquelas informações que acompanham cada CD em suas embalagens, sobre velocidades de gravação, leitura, cor da mídia, garantia e, no fim das contas, acabam comprando os famosos "spindles" de 100 CDs a R$ 1,99 cada no camarada do jornal. Será que a cor da mídia é uma mera característica de cada fabricante?
Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que não existe "a mídia" que vai servir a você em todos os seus trabalhos. Você não pode olhar para um CD e dizer se ele é bom ou não simplesmente por sua cor ser prata, dourado, verde ou azul. Para cada trabalho, gravador e leitor existe uma mídia mais recomendada. Por mais que as cores da superfície de gravação sejam iguais ou muito parecidas, dois CDs de um mesmo fabricante podem ser completamente diferentes.
Muita tecnologia se esconde por trás das cores das faces de gravação. Vamos detalhar a maneira como eles são feitos e quais são as principais características de cada um, para que você fique bem informado e não confie quando o piratão da esquina disser que o CD dele é melhor porque é "gold".
Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos pensam, o material usado na constituição da mídia nada interfere em sua capacidade de armazenamento. Aquele papo de que não existe CD de 680 MB de uma cor ou de outra é pura balela. No CD esta capacidade está ligada basicamente ao tamanho do disco, principalmente da camada de gravação e pode comportar 21 minutos de áudio, ou 184 MB, 63 minutos de áudio, ou 553 MB, 74 minutos de áudio, ou 650 MB ou 80 minutos de áudio e 700 MB. Tudo em número aproximados.
Este último, também conhecido como CD-R80 é um produto especial que foi desenvolvido pela TDK para auxiliar a indústria de software e por sua dificuldade em se encontrar no mercado mundial de uma forma geral acabou se tornando um eficaz impecílio à pirataria em muitos países, inclusive o Brasil, onde são raros e caros esses CDs. Infelizmente não é todo equipamento que é capaz de gravar e/ou ler nesta mídia, uma vez que ela pede calibragem especial na velocidade de leitura e gravação.
A constituição do CD
Basicamente, todos os CDs são constituídos em cima de uma superfície plástica, que pode variar muito de fabricante para fabricante. Isso não importa muito para nós e aqui basta saber que existem plásticos mais rígidos, outros menos rígidos, alguns mais quebradiços, outros com características que o tornam opaco com o tempo, etc. Felizmente, a grande maioria de fabricantes acaba optando por material de qualidade, até porque não encarece tanto a produção. Ainda assim existem casos de CDs esquecidos no carro que, com o calor excessivo, liberaram gases corrosivos provenientes desse plástico que os danificaram e o pior: danificaram a cabeça de leitura do CD Player.
Geralmente os CDs que garantem durabilidade maior são feitos com ligas plásticas de melhor qualidade e menos suscetíveis a alterações climáticas. Ligas mais vagabundas (normalmente encontradas em mídias mais baratas, abaixo de R$ 2,50) são naturalmente mais vulneráveis à dilatação térmica. Assim, o simples fato de colocar o CD em um drive que esquente muito pode reduzir sua vida útil em meses e fazer com que ele não seja mais lido em outras unidades.
Em cima deste plástico, em uma só face, é aplicado uma camada sensível a determinados comprimentos de onda. É a camada de gravação propriamente dita.
No CD de face azul esta camada é feita de um material especial denominado cianino. Esse material é um composto metálico com propriedades eletromagnéticas especiais cuja composição não é revelada pelos fabricantes. Por tratar-se de uma tecnologia comercial, provavelmente só teríamos acesso a seus componentes se pagássemos por isso. O cianino tem uma cor predominantemente azulada (ciano).
Nos CDs de face dourada, prateada e esverdeada, esta camada é formada por uma variação do composto cianino, denominado fitohalocianino que pode ser mais ou menos azulado de acordo com as concentrações dos compostos básicos do material. Alguns especialistas estipulavam que CDs com fitohalocianino devam ser necessariamente mais baratos, uma vez que sua concentração de cianino é menor e que estes CDs seriam voltados para o mercado de baixo custo, mas isso não é verdade. O que ocorre é que alguns dos compostos do cianino original foram substituídos e outros foram acrescentados nesse novo cianino, por motivos não revelados, mas que está ligado à durabilidade e que já estaremos vendo. A fama de "CDs de baixo custo" criou uma cultura que ainda hoje pode ser facilmente detectada que afirma que os CDs de coloração azul são os melhores sem embasamento técnico e científico algum.
Sobre esta camada é aplicado o material reflexivo unicamente metálico. Essa camada pode ser constituída de duas diferentes ligas: uma liga de prata ou uma liga de ouro 24 K. Naturalmente, o ouro possui maior durabilidade e menor suscetibilidade a danos do que a prata.
A cor final resultante da face de gravação do CD é determinada pela camada reflexiva e pela camada de gravação e por suas concentrações.
As mídias azuis são feitas de cianino em alta concentração com uma camada reflexiva a base de prata. As mídias douradas e prateadas são feitas com uma camada de fitohalocianino sobre uma camada a base de ouro. Isso joga por água abaixo aquele velho raciocínio de que os CDs prateados são feitos de prata. Alguns modelos levam nessa liga de ouro uma determinada proporção de alumínio, que ajuda a gerar a cor final resultante. Praticamente todas as mídias prateadas são feitas de camadas com ligas de ouro e a indústria não se manifestou para desdizer esta afirmativa, o que significa que ainda não existem no mercado mídias prateadas feitas com camada reflexiva com ligas unicamente de prata.
Especificamente no caso do CD esverdeado, é preciso saber que ele tanto pode ser feito com o fitohalocianino quanto com o cianino. Sempre com camada reflexiva em liga de ouro.
A constituição do CD (continuação)
Na Figura 1 você pode observar o esquema de camadas em um CD. A cabeça de leitura do drive está na figura apenas para demonstrar qual é a face de leitura.
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Figura 1: Esquema de básico camadas em um CD-R.A camada de adesivo ilustrada na Figura 1, nos CDs mais baratos pode simplesmente não existir, o que faz com que tanto a camada de gravação quanto a camada metálica possam ser arrancadas quando cola-se e retira-se uma etiqueta do CD. Desconfie de CDs que tenham o lado contrário ao da gravação muito brilhosas nas cores prata e ouro. Os grandes fabricantes de CD fazem questão de inserir camadas adesivas em seus CDs com suas propagandas, nome e informações sobre o CD. Um arranhão nessa superfície quando ela não está protegida por um adesivo qualquer é inúmeras vezes pior do que um arranhão na face de leitura.
O primeiro CD gravável foi produzido para a Mitsui, pela Taiyo Yuden, que desenvolveu uma liga de ouro com cianino resultando na coloração esverdeada. O processo que produz os CDs dourados a base de ouro e fitohalocianino foi desenvolvido pela Toatsu Chemicals. Já a Verbatim desenvolveu a mídia azulada, composta por ligas de prata e uma camada de cianino. Os CDs prateados - que só chegaram ao mercado em 1998 - foram inventados pela Ricoh e trata-se de uma camada de ouro sobre um "advanced" fitohalocianino. Isso explicaria a coloração prateada do CD apesar de uma base reflexiva de ouro. Outros fabricantes que entraram posteriormente no mercado começaram a produzir mídias prata com o fitohalocianino convencional, mas acrescentando concentrações mais altas de alumínio à liga reflexiva. São os CDs prata/esverdeada, mais baratos do que os irmãos com a tecnologia da Ricoh.
Existem dois motivos básicos para essa riqueza de mídias encontradas no mercado. O primeiro motivo é que como cada um destes compostos é um composto comercial, nenhuma empresa que deseje produzir CDs pode usar livremente a tecnologia de outra sem pagar nada. Parece ser lógico acreditar que nenhuma empresa vai querer vender sua tecnologia para uma concorrente, por mais que isso custe. Assim, se uma nova empresa deseja produzir CDs tem que criar suas novas ligas e camadas, apesar de todas serem baseadas em conceitos fundamentais que permitem generalizar o cianino e o fitohalocianino para todas.
Alguns CDs, como o "Infoguard" da Kodak possuem ainda camadas extra que têm unicamente a função de aumentar a vida útil do CD. Essas camadas são basicamente sistemas que protegem contra arranhões e alguns que permitem arranhões até determinada profundidade. Hoje em dia quase todas as mídias (exceto as extremamente baratas) possuem sistemas como este, não necessariamente com a mesma tecnologia, mas com intuito semelhante.
Já os CDs-RW possuem uma composição completamente diferente, excetuando-se a camada plástica. Em substituição ao composto de cianino e à liga metálica reflexiva é colocado uma espécie de cristal que torna-se opaco ou translúcido de acordo com o comprimento de onda que o atravessa. Esses CDs refletem apenas 30% do raio incidente, o que impossibilita que eles sejam lidos em qualquer drive de CD (os CDs convencionais refletem de 70% a 80% do raio incidente). A leitura dos CD-RW só é possível em drives que possuam um circuito denominado AGC, ou em português, Controle Automático de Ganho, que compensa esta "má reflexão". Os fabricantes nunca emitiram uma nota sequer comentando a composição destes CDs e qualquer coisa que você encontre sobre esse material especial de gravação é mera especulação.
A Qualidade e Utilidade das Mídias
Como já foi dito, não existe "a mídia" que você vai usar para todas as situações. Cada uma delas serve bem para com uma ou outra necessidade. Vamos começar descrevendo a qualidade de cada mídia de acordo com preço, material e adicionais por fabricante para então darmos utilidade a elas.
Quando falei dos CDs-RW pode ter ocorrido a você que existem diferentes preços para eles, desde R$ 9,00 até R$ 50,00. E não é difícil entender o motivo dessa variação toda: qualidade do material. Quanto mais barato o CD-RW, menor a vida útil e potencial de uso do CD, ou seja, os CDs-RW mais baratos deixam de ser regraváveis com o tempo. O cristal que torna-se transparente ou opaco de acordo com o comprimento de onda vai perdendo gradativamente esta capacidade com a gravação/desgravação do disco. Os discos mais caros são feitos com cristais que envolvem maior tecnologia e durarão mais. Tenho um CD-RW da Ricoh que comprei por R$ 14 e que me permitiu apenas 2 regravações do backup. Hoje ele nada mais é do que um CD-R comum! Com a desvantagem de não ser lido em qualquer drive. Esse problema da reflexão de 30% é outro que tende a piorar com o tempo.
Além disso - e agora falando de todos os tipos de CD - quanto mais barato o CD, pior sua qualidade em todos os sentidos. O material plástico base pode passar pelos problemas que relatamos e ainda outros como extrema rigidez com o tempo, que torna o CD quebradiço ou pode ainda empená-lo. O empenamento pode ser causado também por temperatura, uma vez que o coeficiente de dilatação térmica da camada metálica e de gravação é diferente da plástica. Você não se lembra de algum CD-R que começou a fazer barulho depois de um tempo dentro do drive? Pois é, isso ocorre porque a camada metálica e de gravação dilata menos do que a camada plástica, fazendo com que o CD se abaule para cima, formando um "U" muito sutil que não chega a interferir na leitura, mas pode arrastar em algum ponto do drive ou mesmo fazer barulho movimentando o ar a sua volta.
A cor da mídia pode dar um indício do uso que podemos dar a um CD. As mídias esverdeadas, por exemplo, eram inicialmente feitas com cianino sobre ouro. Só que a concentração desse cianino é muito menor do que em um CD azul. Isso faz com que esse tipo de CD quando usado para música pule com mais facilidade, uma vez que ele tem uma menor densidade de superfície de gravação e é mais reflexivo. Se o feixe de laser não acertar justo na trilha de gravação, que nesse caso é bem menos densa, o CD vai pular.
Atualmente praticamente todas as mídias esverdeadas são feitas de fitohalocianino sobre ouro. Como o fitohalocianino é menos azulado que o cianino, para resultar um verde forte a concentração desse material tem que ser muito maior, reduzido a reflexividade e aumentando a densidade da superfície de gravação, que por sua vez torna as trilhas de gravação mais densas e faz com que o CD pule menos.
Quando o fitohalocianino foi lançado os especialistas levantaram a hipótese de que o cianino reagisse com o ouro, o que não foi desmentido pela indústria. Isso faz com que o CD com essa combinação (primeiros CDs verdes) tenha uma durabilidade muito menor do que os atuais. Além do mais, esse tipo de mídia conquistou uma má fama devido aos primeiros CDs verde da TDK não apresentarem uma camada contra arranhões tão eficiente quanto deveria ser: qualquer mínimo arranhão fazia com que o disco incorresse em erros de leitura.
É fácil entender também que os CDs com menor densidade de superfície de gravação não são ideais para drives de maiores velocidades. Quando um fabricante recomenda a velocidade de gravação e leitura do seu CD, faz isso baseado em cálculos que envolvem a densidade do material de gravação e do material reflexivo. Escolher um CD de acordo principalmente com a sua velocidade de gravação, começa a ser fundamental quando a gravação ocorre a mais de 8x, também chamada de velocidade crítica.
Entretanto, a mídia verde tem a vantagem de ser mais permissiva a variações de potência do que as outras, fazendo ela ser mais legível em diferentes drives, principalmente os mais antigos. Ainda hoje a mídia da TDK é uma das melhores dessa categoria.
As mídias dourada e prateada são feitas de camadas de fitohalocianino sobre ouro. Como qualquer mídia com camada reflexiva dourada, essas duas mídias possuem uma durabilidade maior, porque o ouro dura mais do que a prata. Outra vantagem dessas mídias é o fato de trabalharem melhor em altas velocidades de leitura e gravação do que os discos verde.
Isso ocorre porque o fitohalocianino usado nessas mídias é mais incolor e portanto tem que ser muito mais concentrado para tornar a camada dourada reflexiva muito mais clara do que a cor natural do ouro. Nos CDs prateados essa camada reflexiva leva outros metais na liga que o tornam menos dourado, principalmente o alumínio que é encontrado em CDs mais baratos, mas ainda assim possuem predominantemente ouro 24 K. Obviamente existem os maus fabricantes, que compensam a cor diminuindo a concentração de fitohalocianino e abaixando o ouro de 24 K para 20 K, 18 K e mesmo absurdos 16 K! É o caso da maioria dos CDs prata/esverdeado vendidos no Brasil a R$ 2,90 a unidade. Não bastasse a inclusão de prata, cobre e outros metais na liga de ouro, eles são praticamente 50% de alumínio. Tome cuidado! Além desses CDs serem os piores em durabilidade, são os menos recomendados para áudio e leitura/gravação em drives acima de 8x.
A Qualidade e Utilidade das Mídias (continuação)
Mas, voltando às qualidades dos bons CDs dourados e prateados, em testes informais e não científicos realizados por especialistas norte-americanos, estes CDs provaram ser os melhores para CD Players de automóveis, devido a sua maior densidade de trilha e relação de reflexividade fora das trilhas ser menor. Entre as melhores mídias para esta finalidade estão a Prata da Ricoh e a Gold da Mitsui.
As mídias a base de ouro são as mais tolerantes à variação de temperatura, o que, voltando no que já foi dito, é mais um ponto positivo para seu uso em automóveis. Quando alia-se a isso um bom material plástico do disco, que tenha o mesmo coeficiente de dilatação (apenas em discos de boa qualidade, como os Mitsui), torna-se muito difícil perder-se dados devido à dilatação/contração do CD.
A mídia Gold da Maxell ganhou uma reputação detestável pela Internet e principalmente na Usenet há alguns anos atrás. Em Abril de 1997 a empresa anunciou que havia reformulado suas composições e linha de produção e que seus CDs dali por diante funcionariam muito melhor. Realmente, hoje a Maxell é uma das melhores mídias gold do mercado.
Existem ainda cálculos que determinam o chamado BLER, ou Block Error Rate. Na Internet você pode encontrar uma variedade de BLER de gravadores e mídias em http://www.digido.com/chart.html. Um mídia com uma taxa de erro por bloco muito alta não pode ser usada para "simular CDs de 700 MB", por exemplo, que veremos adiante.
Mídias com um BLER alto podem apresentar distorções no som que são completamente indesejáveis e que muitas vezes passam despercebidos a ouvidos menos treinados. Quanto maior a densidade da superfície de gravação menor o BLER do CD. Cabe lembrar que esse cálculo inclui ainda o gravador utilizado, que pode ser de boa ou má qualidade, tornando uma excelente mídia material imprestável.
Por último, temos a mídia azul que é formada por uma camada de cianino em alta concentração sobre prata. Esse tipo de mídia geralmente é indicada para drives com maior velocidade seja de leitura ou gravação. Por ser basicamente cianino e um metal incolor, é mais fácil identificar quando um CD destes é de boa qualidade ou não, principalmente depois de gravados porque os CDs que "simulam" um azulão através de corantes na camada perdem todos estes corantes na gravação e ficam com as trilhas gravadas muito visíveis e bem mais claras no CD.
As mídias azuis mais baratas quase nunca são confiáveis, porque levam muito alumínio (algumas até 88%) na liga reflexiva e isso reduz a vida útil em muitos anos, apesar de agüentar maiores variações de temperatura.
Os CDs azuis também são indicados para gravação de som, mas não são indicados para o uso em CD Player de automóveis. Por terem uma camada reflexiva composta por prata, sua durabilidade é muito menor e muito mais metal se desprende desse tipo de CD. Os que possuem altas doses de alumínio desprendem ainda mais metal (desprende prata apenas). Esse metal pode se acumular na cabeça de leitura do CD Player o que faz com que ele leia incorretamente o disco e muitas vezes não reconheça que existe um disco lá, recusando-se a ejetá-lo! Se isso ocorre em um CD Player de painel de carro, por exemplo, haverá um imenso trabalho para retirar o disco de lá.
Esses discos também são menos tolerantes à variação de temperatura e normalmente perdem muito de sua vida útil quando expostos a esses fenômenos. Optar por um bom fabricante, que coloque o material plástico do disco com o mesmo coeficiente de dilatação ou um coeficiente muito próximo é sempre bom para manter a integridade dos dados e aumentar a durabilidade do disco.
Mas a mídia azul também tem suas vantagens. Depois da mídia verde é a que está menos suscetível a erros por variações de potência e as suporta muito bem. Se exposto a uma fonte de diferentes freqüências como o sol, por exemplo, é muito menos provável que venha a dar erro do que outras mídias, porque o cianino responde a menos comprimentos de onda do que o fitohalocianino.
São menos sensíveis a pequenos arranhões, mesmo sem camadas sem proteção especiais, devido à concentração do cianino e alta densidade das trilhas e normalmente esses discos são recomendados para backups. É a melhor mídia para gravação e leitura em altas velocidades.
A Vida Útil Real
Existem duas vidas úteis do seu CD-R novo. A vida útil depois de gravado e a vida útil antes de gravar. Normalmente os CDs sem estarem gravados possuem uma vida útil entre 5 e 10 anos. Essa vida útil reduzida deve-se ao fato de que as propriedades eletromagnéticas do cianino e do fitohalocianino perdem-se com o tempo.
Depois de gravados, os CDs porem durar 75 anos, nos casos das mídias verde e azul, 100 anos quando a mídia é a dourada e 200 anos quando a mídia é a prateada. Entretanto esses dados são fornecidos por fabricantes sem que nenhum teste tenha sido feito e podem variar bastante.
Uma mídia prateada com alumínio, por exemplo, dura muito menos da metade do tempo que um CD prateado sem alumínio na camada reflexiva. Isso pode ser aplicado a outras ligas metálicas e é outro componente importante que não é levado em consideração nos cálculos que consideram 75, 100 e 200 anos e que lidam apenas com as meias vidas do cianino.
Uma coisa é certa. Seguir à risca as condições de armazenagem e manutenção do disco garantem um aumento considerável da vida útil dele, tanto enquanto virgem quanto depois de gravado.
Se compararmos estes prazos de garantia com os dos CDs prensados, veremos toda a diferença. Um CD de áudio convencional tem garantia de durabilidade entre 10 e 25 anos! Isso porque, apesar de serem prensados e não "gravados", a camada de alumínio praticamente puro que repousa na base deles começa a se corroer mais rapidamente. Isso pode ser observado se você comparar, com auxílio de um microscópio, CDs de música novos e de 10 anos atrás. Você poderá notar rachaduras entre as trilhas e atravessando elas.
Para finalizar esta parte vou lembrar que apesar de haver uma padronização muito séria em relação à mídia, não existe qualquer padronização em relação às dimensões de CDs e leitores de CD. Assim, um drive que não lê o seu CD mas toca um CD prensado perfeitamente pode trazer muita dor de cabeça. A solução nesses casos é trocar ou o drive ou a mídia.
CDs com Mais de 650 MB
Os CDs que encontramos hoje no mercado brasileiro são os de 640 MB e 650 MB. Dificilmente encontraremos CDs de menor ou maior capacidade, principalmente a preços acessíveis. Na hora de gravar um CD desse tipo cria-se um problema: como fazê-lo?
Em primeiro lugar é preciso entender como os dados são gravados nos CDs. Eles são gravados em setores de 2352 bytes. Sendo que, destes, apenas 2048 ficam para os dados. Os 304 bytes restantes são usados para correção de erros e outras coisas mais. Algo extremamente importante para evitar erros de leitura do disco que são normalmente resolvidos com comando de "retry", principalmente se sua mídia possuir altas taxas de erro por leitura de bloco (BLER).
CDs gravados neste formato DADO + CRC + INF são também chamados de Modo 1. É devido ao Modo 1 que você só pode gravar 650 MB em um CD fisicamente desenvolvido para 740 MB de áudio.
Um erro comum nesses cálculos é assumir que o fabricante do seu CD entende megabyte como os fabricantes de HD, ou seja, 1000 x 1000 (10^6). Megabyte para os fabricantes de CD é o que realmente é, ou seja, 1024 x 1024 (2^20). Isso também explica o fato do aparecimento de curiosos CDs de 680 MB no mercado brasileiro. Esses CDs não são de 680 MB! São de 650 MB como qualquer outro, a diferença é como o megabyte é interpretado. No caso desses CDs é exatamente como os fabricantes de HD fazem e geralmente estes CDs são de fabricantes de HD, como a Samsung. É até interessante, porque existem CDs da Samsung com etiquetas de 650 MB e de 680 MB. Parecem tratar-se de CDs diferentes, mas são o mesmo CD, só que um é produzido por uma unidade que também produz HDs e outra não. Resumindo, um CD de 680 milhões de Bytes tem 650 MB e não 680 MB.
Como então um CD de 650 MB pode suportar até 740 MB? Simples, basta usar o espaço reservado para CRC + INF para gravar dados também. O que dá 80 MB a mais em um CD. CDs gravados desta maneira são referidos por CDs em Modo 2.
Alguns programas permitem realizar este tipo de gravação, mas nem todos os gravadores permitem fazê-lo. Alguns gravadores (entenda-se a maioria vendida no Brasil) estão programados para gravar o CRC + INF no disco, independente da ordem do programa. É preciso tomar cuidado com isso, porque se o programa não souber tratar este erro e corrigir o tamanho da imagem de CD gerada, você pode perder um CD e até mesmo danificar seu gravador. Ainda não vi um manual que fizesse referência a esse tipo de característica do gravador, e os manuais que informam que gravam CDs de até 680 MB estão normalmente errando as contas explicadas acima.
CDs gravados em Modo 2 não são lidos tão facilmente em qualquer drive de CD e podem apresentar inúmeros erros de um micro para outro de acordo com a configuração e montagem/cabeamento dos dispositivos internos. Antes de gravar um CD em Modo 2 e economizar alguns reais com este procedimento é preciso pensar quanto tempo isso pode custar.
Ao gravar CDs em Modo 2 dê preferência a mídias de alta densidade de superfície de gravação, desenvolvidas para drives de gravação de alta velocidade e grave o CD em 1x. Tudo isso a fim de prevenir erros. É preciso lembrar que este tipo de gravação acaba reduzindo a vida útil do CD, pelo número de vezes que o feixe de laser passará pelos mesmos pontos do disco procurando por informações que não existem e relendo setores que deram erro.
Outras mídias
Existem mídias de CDs com outras colorações, tanto no mercado quanto em laboratórios de pesquisa. Uma delas que apareceu há alguns meses atrás é a mídia vermelha. Essa mídia, assim como qualquer outra que não seja prata, ouro, azul ou verde, é nada mais nada menos do que uma dessas quatro mídias convencionais com um corante qualquer ou com uma liga metálica diferente e até mesmo um fruto de corantes e liga metálica não convencional ao mesmo tempo.
Por serem raros, estes CDs passaram por poucas análises, mas parecem ser de qualidade inferior, principalmente pelo fato de levarem corantes! Alguns fabricantes fazem testes com ligas a base de cobre em substituição ao alumínio nos CDs prata, o que acaba resultando em um CD alaranjado e mesmo vermelho, mas que possui basicamente as mesmas características dos CDs prata de baixa qualidade mas com uma durabilidade e reflexividade maior, que faz eles serem lidos mais facilmente em drives diferentes.
Não se engane, estas tecnologias ainda não estão no Brasil e desconfie de qualquer mídia diferente dos padrões citados neste artigo. CDs muito velhos não usados podem trocar de coloração com o tempo e o vendedor acaba passando como "uma nova mídia" e muitas vezes a um preço de nova mídia também.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Midias-CD-R/614
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