Como comprar um micro sem ser enganado
Por Gabriel Torres em 02 de fevereiro de 2006
Introdução
Se você está pensando em comprar ou trocar o seu micro, é bom seguir nossas dicas para não ser passado para trás. Neste nosso tutorial falaremos sobre os problemas mais comuns encontrados quando compramos um novo micro e também a como verificar se o PC que você comprou é realmente o que você encomendou sem abri-lo.
A principal dica que damos é conferir as especificações de hardware do micro assim que você o receber, para ver se elas “batem” com as especificações que você encomendou. Como a maioria dos micros vem lacrada e se você romper o lacre a garantia é perdida, você precisará rodar um programa de identificação de hardware para listar todas as peças do seu micro (processador, placa-mãe, placa de vídeo, memória, disco rígido, etc).
Há vários programas com esta finalidade, como o Sandra, o Hwinfo e o Everest (todos disponíveis em nossa área de download). Vamos mostrar como você faz para identificar as peças do seu micro usando o programa Sandra.
Baixe, instale e rode o programa Sandra. Clique no ícone System Summary. A tela mostrada na Figura 1 será apresentada.
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Figura 1: Detectando as peças do micro usando o Sandra.Em Processor você pode ver qual é o processador instalado em sua máquina (em Model) e qual é o clock em que ele está rodando (em Speed). Lembrando que nos processadores da AMD o número informado não é o clock do processador. Como você pode ver na Figura 1, nosso processador era um Athlon XP 2800+, que roda a 2,09 GHz.
Você pode conferir o tamanho do cache L2 do processador em L2 On-Board Cache. Esta informação é importante especialmente para conferir processadores da AMD (por exemplo, existem modelos de Athlon XP 2800+ com 256 KB ou com 512 KB de memória cache, sendo que cada um roda a um clock diferente).
Em relação aos processadores da AMD, nós já escrevemos vários tutoriais com tabelas listando o clock real do processador. Se o processador da sua máquina é da AMD, confira nos tutoriais abaixo qual é o clock real do seu processador e confira se ele está ou não rodando em seu clock correto:
Pequenas diferenças entre o clock em que o processador deveria estar rodando e o que ele está realmente rodando poderão existir, isso é normal. Por exemplo, um processador cujo clock deveria ser de 3,06 GHz rodando a 3,05 GHz é normal. A diferença também pode ocorrer para cima. O Athlon XP 2800+ roda a 2,08 GHz mas em nossa máquina ele estava rodando a 2,09 GHz. O problema é quando há uma diferença absurda, por exemplo um processador de 3,2 GHz rodando a 3 GHz.
Já em Mainboard você pode ver qual é a marca e o modelo da sua placa-mãe. Em nosso exemplo da Figura 1, a nossa placa-mãe era uma Gigabyte GA-7VAXP Ultra.
Em Mainboard, Total Memory você confere a quantidade total de memória RAM que o seu micro possui. Em nosso exemplo, nossa máquina tinha 512 MB de memória.
Em Video System, Adapter você confere qual é a placa de vídeo instalada em sua máquina. Em nosso exemplo nossa placa de vídeo era uma GeForce FX 5700 Ultra.
Em Physical Storage Devices você pode conferir as unidades de disco que estão instaladas em sua máquina. Em nosso caso, tínhamos um disco rígido Maxtor de 114 GB (vendido como 120 GB) modelo 6Y120L0, um disco rígido Western Digital de 75 GB (vendido como 80 GB) modelo WD800LB, uma unidade USB (“pen drive”) e um gravador de DVD LG modelo GSA-4160B.
É importante notar que todos os fabricantes rotulam os seus discos rígidos com uma capacidade acima da sua capacidade real. Basta ver nossos exemplos reais, onde um disco de 120 GB é, na realidade, de 114 GB, e um disco de 80 GB é, na verdade, de 75 GB. Isso ocorre porque os fabricantes de disco rígido definem 1 GB como sendo 1 bilhão de bytes e 1 MB como sendo 1 milhão de bytes, só que na verdade 1 GB equivale a 2^30 (1.073.741.824 bytes) e 1 MB equivale a 2^20 (1.048.576 bytes). Essa diferença faz com que a capacidade nominal do disco rígido seja “inflada”. Ou seja, “perder” alguns gigabytes do seu disco rígido na hora de conferir as peças instaladas em seu micro é perfeitamente normal.
Você pode ainda navegar pelas demais opções do programa para pegar ainda mais detalhes do seu micro.
Vamos falar agora, em detalhes, dos problemas mais comuns que usuários encontram na hora de comprarem um PC novo.
Placa de Vídeo
A placa de vídeo é a peça mais fácil de ser enganado, especialmente se você optou por uma placa mais simples, como GeForce FX 5200, GeForce FX 5500, GeForce 6200 ou GeForce 6600.
Praticamente todas as placas de vídeo intermediárias e topo de linha seguem as mesmas especificações. Isso significa que se você comprar uma GeForce 6600 GT do fabricante A ela terá as mesmas especificações e desempenho de uma GeForce 6000 GT do fabricante B.
O problema das placas de vídeo mais simples é que a nVidia não especifica clocks padrão nem quantidade de bits para o acesso à memória para os chips listados acima.
Para as placas listadas, você pode encontrar modelos acessando a memória a 32 bits, 64 bits ou 128 bits. Há diferença também entre clocks. Há no mercado modelos de GeForce 6600 acessando a memória a 400 MHz, 500 MHz, 550 MHz e 600 MHz, por exemplo.
O que acontece: você compra uma GeForce 6600 sem se atentar para este fato para depois descobrir que a sua GeForce 6600 é mais lenta que a GeForce 6600 do seu amigo, primo ou vizinho, por usar outra configuração de clock ou memória – e de repente você optou por uma GeForce 6600 justamente porque queria um micro igual ao do seu primo.
A solução? Especificar ao vendedor a marca e o modelo exato de placa que você quer. “GeForce” é o nome do chip, e a nVidia fabrica somente os chips, não as placas. As placas de vídeo são fabricadas por outras empresas, tais como XFX, Prolink/Pixelview, Gigabyte, Leadtek, eVGA, MSI, ASUS, etc. Indo no site do fabricante, você pode obter o número exato do modelo que você quer comprar e pedir aquele exato modelo ao vendedor, conferindo depois se o micro veio com a placa encomendada.
As placas mais simples da ATI neste ponto são mais fáceis de serem identificadas, já que os modelos que acessam a memória a 64 bits são identificados pelas letras “SE” (por exemplo, Radeon 9200 SE) e a ATI não permite que os fabricantes de placa alterem o clock da placa.
Para conferir o clock da sua placa de vídeo você deve rodar o programa PowerStrip, que pode ser baixado em nossa área de download. As placas de vídeo possuem dois clocks: o clock no qual o processador de vídeo roda (também chamado “core clock”) e o clock em que a memória de vídeo roda. Você precisa conferir os dois. Na Figura 2 você pode ver que a nossa GeForce FX 5700 Ultra estava rodando a 500 MHz com a sua memória rodando a 1 GHz.
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Figura 2: Conferindo os clocks da sua placa de vídeo.Como saber qual é o clock correto para a sua placa de vídeo? Confira em nossos tutoriais Tabela Comparativa dos Chips da nVidia e Tabela Comparativa dos Chips da ATI. Neles há uma lista completa de todos os chips gráficos e seus clocks.
Note que às vezes o clock reportado pelo programa PowerStrip é a metade do clock listado em nossa tabela. O que ocorre é que atualmente as placas de vídeo usam memórias com a tecnologia DDR, em que dois dados são transferidos por pulso de clock, dobrando o desempenho em relação a um sistema rodando sob o mesmo clock porém transferindo apenas um dado por pulso de clock. Com isso, os fabricantes em geral divulgam os clocks da memória “dobrados”. Por exemplo, a GeForce FX 5700 Ultra na realidade acessa a memória a 500 MHz, mas como ela obtém um desempenho como se estivesse acessando a memória a 1 GHz (pois usa o esquema DDR), o fabricante diz que seu clock é de 1 GHz, enquanto que isso não é verdade. Em nossas tabelas divulgamos os clocks “dobrados”.
Assim, se o PowerStrip listar um clock de memória como sendo exatamente a metade do mostrado em nossas tabelas, o clock está correto (este comportamento do PowerStrip ocorre sobretudo em placas de vídeo com chip da ATI). Note que isso só é válido para o clock da memória, não sendo válido para o clock do processador de vídeo.
Lembramos ainda que se você pretende rodar jogos em seu micro você não deve comprar um PC com vídeo on-board (isto é, onde o vídeo é produzido pela própria placa-mãe).
Fonte de Alimentação
Outro componente que merece atenção para que você não compre gato por lebre é a fonte de alimentação do micro. Para PCs básicos, com vídeo on-board ou placas de vídeo bem simples como a GeForce 6200 ou a Radeon X300, a escolha da fonte de alimentação não é crítica. Mas se você tiver em seu micro uma placa de vídeo que necessite de alimentação extra (da GeForce 6600 GT para cima, da GeForce FX 5700 Ultra para cima, da Radeon 9700 para cima e da Radeon X700 XT para cima), a escolha de uma boa fonte é essencial.
O grande problema é que a maioria das fontes de alimentação encontradas no mercado informa erroneamente a sua potência. Cansamos de ver fontes de 180 W sendo vendidas como se fossem de 400 W (e o erro não é do vendedor, em sua etiqueta há realmente escrito “400 W”). Assim, você pode comprar um micro com uma fonte dessas crente que tem uma fonte de 400 W e começar a encontrar problemas de “travamentos” e computador reiniciando sozinho por causa da fonte que não está sendo capaz de suprir corrente suficiente para o micro.
Para saber qual é a potência real de uma fonte basta somar a potência individual de cada saída da fonte. Em uma determinada fonte, você pode encontrar as seguintes potências escritas em sua etiqueta: 100 W (para as saídas +5 V e +3,3 V), 96 W (+12 V), 2,5 W (-5 V), 6 W (-12 V) e 10 W (+5VSB). Somando esses valores, temos que a potência dessa fonte é de 214,5 W. Impressionantemente esta fonte é vendida como se fosse de 400 W.
Se você estiver montando um micro “topo de linha”, nossa sugestão é que você não economize na fonte e escolha uma “de marca” (também conhecidas como “fontes com potência real”), como TTGI, Thermaltake, Cooler Master, Enermax, OCZ, Seventeam, etc.
Saiba mais sobre este assunto lendo nosso tutorial Calculando a Potência Real de uma Fonte.
Memória RAM
A memória RAM é um ponto importante de você prestar atenção na hora de comprar um micro novo, pois atualmente quase todos os micros permitem operar em um esquema chamado “dual channel” (dois canais), que dobra o desempenho da memória.
Mas, para esse esquema funcionar, além da placa-mãe ter de suportá-lo, você terá de instalar a memória RAM em dois módulos separados. Por exemplo, se você estiver comprando um micro com 512 MB de memória, o ideal é usar dois módulos de 256 MB. Estes dois módulos deverão estar instalados em canais de memória separados. Isto normalmente é obtido pulando-se um soquete de memória: se você instalar um módulo no primeiro soquete da placa, o segundo módulo deverá ser instalado no terceiro soquete (e não no segundo).
Por isso, ao comprar um computador novo, é bom certificar-se que a memória RAM foi instalada dessa forma.
Atualmente todos os computadores novos baseados no Pentium 4, Celeron D, Pentium D, Athlon 64 (soquete 939), Athlon 64 FX e Athlon 64 X2 suportam esse esquema.
Computadores baseados no Sempron soquete 754 e Athlon 64 soquete 754 não suportam o esquema “dual channel”. Os processadores Sempron soquete 462 e Athlon XP podem suportar ou não, pois nesse caso tudo vai depender da placa-mãe (com esse processador você terá de usar uma placa-mãe baseada no chipset nForce 2 Ultra ou VIA KT880 para poder usar este recurso).
Há duas formas de saber se seu micro está ou não usando o esquema DDR dual channel sem abri-lo. Uma é observando o POST, que é aquela tela que aparece logo quando você liga o computador. Nela quando a memória está configurada no esquema de dois canais normalmente aparece escrito “Dual Channel Enabled” ou similar (ver Figura 3). O micro da Figura 3 está com o esquema DDR dual channel corretamente habilitado.
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Figura 3: Conferindo a quantidade de canais de memória no POST.A segunda forma é através de software. O Everest é muito bom para isso. Nele, vá em Placa mãe, Placa mãe e observe o que há abaixo de “Propriedades da memória do bus” (sim, esta é uma tradução errada feita pelo programa). No item “Largura de bus” poderá aparecer “64 bits”, significando que o micro está configurado a usar apenas um canal, ou “128 bits”, significando que o micro está corretamente configurado para usar o esquema DDR dual channel. Na Figura 4 vemos um micro usando apenas um canal de memória e, na Figura 5, um micro usando dois canais de memória.
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Figura 4: Este micro está usando apenas um canal de memória.
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Figura 5: Este micro está corretamente usando dois canais de memória.Para mais informações sobre este assunto, leia nosso tutorial Memórias DDR Dual Channel.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/661
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