K6-III vs. K6-2, Pentium II e Celeron
Por Gabriel Torres em 08 de dezembro de 1999
Introdução
Com tantas opções de processador no mercado, como saber qual é o melhor? Será que dá para acreditar no que o fabricante diz? Para descobrirmos qual é o melhor processador disponível no mercado hoje, testamos em nosso laboratório no Instituto de Tecnologia ORT, os processadores K6-2 e K6-III, da AMD, e Pentium II e Celeron, da Intel, todos de 400 MHz. Como você verá, o K6-III dá um banho na concorrência.
O K6-III é, disparado, o melhor processador para PCs hoje
Os resultados de nossos testes não deixam dúvidas. O processador K6-III da AMD é muito mais rápido do que o Pentium II e o do que o Celeron, e o que é melhor: custa quase a metade do preço dos processadores concorrentes. Como você pode ver no gráfico, em desempenho de processamento o K6-III-400 é 46,06% mais rápido que o Pentium II-400, 53,82% mais rápido que o Celeron-400 e 58,02% mais rápido que o seu "primo" K6-2-400.
Já em desempenho de vídeo, o K6-III-400 também foi o melhor processador de nossos testes, obtendo um desempenho 9,09% maior que o Pentium II-400, 15,38% maior que o Celeron-400 e 23,08% maior que o K6-2-400.
Nos testes de desempenho de disco, o Pentium II-400 mostrou ser o melhor processador neste quesito, atingindo um desempenho 14,08% maior que o do K6-III-400, 18,09% maior que o do Celeron-400 e 38,24% maior que o do K6-2-400.
O grande problema dos processadores não-Intel é com o desempenho matemático. Tanto o K6-2 quanto o K6-III possuem desempenho matemático muito inferior ao obtido por processadores Intel. O desempenho matemático mede a velocidade de processamento do co-processador matemático do processador, que está embutido dentro dele, e é também chamado de unidade de ponto flutuante. O desempenho matemático influi em aplicações que usem muito o co-processador matemático, como o AutoCAD e jogos 3D, por exemplo. No caso de jogos 3D, a situação é um pouco contornada com o uso das instruções 3Dnow! que o co-processador tem, desde que o jogo seja otimizado para essa tecnologia ou então use o DirectX 6 ou 7, que são otimizados para essa tecnologia. Para usuários "normais", no entanto, o desempenho matemático não influi quase no desempenho geral do micro, já que as aplicações mais corriqueiras - como o uso de um processador de textos - não usam a unidade de ponto flutuante do processador.
O Celeron é, dos processadores que testamos, o processador com melhor co-processador matemático, tendo um desempenho 60,90% maior que o do K6-2-400, 58,52% maior que o do K6-III-400 e 3,88% maior que o do Pentium II-400.
Por que não testamos o Athlon nem o Pentium III?
Os leitores mais atentos deverão ter sentido a falta dos processadores Pentium III, da Intel, e do Athlon, da AMD. O propósito de nossos testes era apontar o melhor processador disponível no mercado a um custo acessível. Além disso, para o teste ser o mais preciso possível, todos os processadores deveriam ser da mesma freqüência de operação, no caso 400 MHz. O Pentium III é um processador que entrou no mercado para substituir o Pentium II. Acontece que não existe versão de 400 MHz deste processador e, por isso, ele não pode entrar em nossos testes. O mesmo motivo deixou de fora o Athlon da AMD, que só existe em versões a partir de 500 MHz.
O Pentium III é, internamente, praticamente igual ao Pentium II e, por isso, acreditamos que o desempenho desses processadores sejam iguais. Já o Athlon tem uma estrutura interna bem diferente do K6-III e deve ser ainda mais rápido do que o Pentium III. Tentaremos publicar brevemente um teste comparando o desempenho entre esses dois processadores.
Diferença entre processadores
Muita gente não consegue entender porque quatro processadores trabalhando a uma mesma freqüência de operação conseguem ter desempenhos tão diferentes. O que ocorre é que esses processadores usam arquiteturas completamente diferentes. Ao contrário do que muitos leigos pensam, clock não mede velocidade, e daí a confusão. A seguir explicamos as principais características e diferenças entre esses processadores.
- Pentium II: A partir da versão de 350 MHz esse processador trabalha externamente a 100 MHz. Possui uma memória cache L2 de 512 KB dentro de seu cartucho sendo acessado à metade de sua freqüência de operação. No Pentium II-400 o barramento externo é de 100 MHz e o cache é acessado a 200 MHz. O cartucho onde estão alojados o processador e o cache de memória é instalado na placa-mãe através de um conector chamado slot 1.
- Celeron: Trabalha externamente a 66 MHz e possui uma memória cache L2 de apenas 128 KB embutida no próprio processador. Em compensação, essa memória é acessada na mesma freqüência de operação do processador, ou seja, 400 MHz no caso do Celeron-400 que testamos. Com isso, esse processador consegue um bom desempenho. Os modelos mais novos desse processador - como é o caso do Celeron-400 que testamos - usam um novo tipo de pinagem, chamado soquete 370, necessitando de uma placa-mãe que possua esse tipo de soquete. Em nossos testes o processador Celeron foi instalado em uma placa-mãe slot 1 através de uma plaquinha adaptadora, de forma a usarmos a mesma placa-mãe tanto nos testes com o Pentium II quanto nos testes do Celeron, para que o uso de outro tipo de placa-mãe não influenciasse nos resultados.
- K6-2: Os modelos a partir de 300 MHz trabalham externamente a 100 MHz (com exceção do K6-2-333 que trabalha externamente a 95 MHz) e não possui memória cache L2 dentro do processador. A memória cache L2 fica localizada na placa-mãe e, por isso, o processador só consegue acessá-la na sua freqüência de operação externa (100 MHz). Mesmo assim esse processador mostrou ser bastante rápido em nossos testes, tendo um desempenho similar ao do Celeron. Utiliza uma placa-mãe chamada Super 7. Como o cache L2 está localizado na placa-mãe e não no processador, a escolha de uma boa placa é essencial para um bom desempenho do micro. Em nossos testes usamos a placa-mãe FIC VA-503+, que tem 1 MB de memória cache L2 e, segundo testes que realizamos anteriormente, é a melhor placa-mãe para processadores K6-2.
- K6-III: Esse é um processador K6-2 "turbinado". Nele, o fabricante colocou 256 KB de memória cache L2 dentro do próprio processador. Essa memória cache é acessada na mesma freqüência de operação do processador, assim como ocorre no Celeron. Há duas vantagens técnicas da arquitetura do K6-III sobre os demais processadores testados. Primeiro, o seu cache L2 é maior do que o do Celeron (que só tem 128 KB) - e, com isso, o processador consegue ser mais rápido. O Pentium II tem um cache maior (512 KB), mas ele é acessado na metade da freqüência de operação interna do processador. E, segundo, esse é o primeiro processador para PCs que permite o uso de três níveis de cache de memória. Como o tipo de placa-mãe usado por esse processador é o mesmo do K6-2 - Super 7 - o processador também pode usar o cache de memória existente na placa-mãe. Esse cache será acessado a somente 100 MHz, mas devido à sua quantidade (como dissemos, usamos uma placa-mãe com 1 MB de cache) e também ao fato de o processador já ter embutido dois outros caches de memória (L1 e L2), essa arquitetura tornou esse o processador mais rápido disponível para PCs atualmente. Da mesma forma que o K6-2, o grande segredo do K6-III é a escolha de uma boa placa-mãe, como a FIC VA-503+.
Como testamos
Os testes foram realizados com o programa Winbench 99 (que pode ser baixado em http://www.etestinglabs.com/main/services/zdmbmks.asp), usando uma placa de vídeo Diamond Viper v330, 64 MB de memória RAM PC-100 e um disco rígido Quantum Fireball de 3,2 GB. Para os testes com os processadores K6-2 e K6-III, usamos uma placa-mãe FIC VA-503+, que é a melhor placa-mãe para esses processadores, de acordo com testes que publicamos em 13 de outubro de 1999 (disponível em http://www.clubedohardware.com.br/plsuper7.html). Já para os processadores Pentium II-400 e Celeron-400, usamos uma placa-mãe Soyo SY-6BE+ que, segundo testes que publicamos em 02 de julho de 1999, é a melhor placa-mãe para processadores Intel (este teste está disponível em http://www.clubedohardware.com.br/slot1.html). Como o processador Celeron usa um padrão de pinagem incompatível com o do Pentium II, teríamos de usar uma placa-mãe especial para o Celeron. Isso, porém, faria com que a placa-mãe influenciasse no resultado. Para que isso não ocorresse, usamos uma plaquinha adaptadora da ABIT, que permite a instalação do processador Celeron em placas-mãe slot 1, isto é, placas-mãe para os processadores Pentium II e Pentium III.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/764
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