Gigabyte GN-A17GU (Access Point 802.11g) e GN-WMAG (Placa de rede PCMCIA 802.11b/g)
Por Alberto Cozer em 27 de abril de 2004
Introdução
A Gigabyte vem fabricando, além de excelentes placas-mãe e placas de vídeo, também excelentes produtos de rede. Hoje nós testamos o ponto de acesso sem fio (access-point) padrão IEEE 802.11g (até 54 Mbps), modelo GN-A17GU. Como precisávamos ter em nosso micro uma placa de rede wireless deste mesmo padrão para podermos testar este equipamento, aproveitamos para testar também a placa de rede PCMCIA 802.11g da Gigabyte (modelo GN-WMAG). Desta forma, neste nosso teste estamos testando, na verdade, dois equipamentos wireless 801.11g da Gigabyte: o ponto de acesso e a placa de rede PCMCIA.
Ao contrário dos testes anteriores do Clube do Hardware para equipamentos de rede sem fio, o equipamento GN-A17GU da Gigabyte não é um roteador wireless, mas sim um ponto de acesso (access-point), ou seja, foi desenvolvido para possibilitar que estações sem fio consigam conectar-se a uma rede cabeada já existente e configurada. Por ser baseado na padronização 802.11g o equipamento da Gigabyte é compatível com outros pontos de acesso e placas de rede sem fio de outros fabricantes que sigam a mesma padronização (802.11g).
Importante notar que este ponto de acesso só funciona no padrão 802.11g (54 Mbps). Se você quiser que ele se comunique com equipamentos de 11 Mbps (802.11b) você terá de instalar um cartão PCMCIA em um slot adequado (ver Figura 4 mais adiante).
Assim como o ponto de acesso testado, a placa PCMCIA sem fio da Gigabyte também é compatível com equipamentos (roteadores, pontos de acesso e placas de rede) sem fio de outros fabricantes, nas duas padronizações sem-fio mais utilizadas (802.11b e 802.11g). Só que, ao contrário do ponto de acesso, a placa PCMCIA testada é dual, isto é, funciona tanto no padrão 802.11g quanto no padrão 802.11b.
Figura 1: Vista frontal do ponto de acesso GN-A17GU.
Figura 2: Vista lateral do ponto de acesso 802.11g da Gigabyte, com sua entrada para cabo de força e Ethernet (100 Mbps full duplex).
Figura 3: Placa wireless PCMCIA. Antena integrada e suporte a redes 802.11b e 802.11g.
Figura 4: Slot de expansão com placa PCMCIA de rede sem fio 802.11b inserida. Possibilita funcionamento nas redes 802.11b e 802.11g simultaneamente.O equipamento da Gigabyte já traz antena integrada para a conexão 802.11g, o que torna desnecessária a adição de uma placa PCMCIA no slot de expansão do equipamento. O slot é útil apenas para ampliar a capacidade do equipamento, possibilitando que ele funcione no modo 802.11b e 802.11g simultaneamente. Ou seja, ele não precisa de uma placa PCMCIA para funcionar. Este cartão só é necessário se você quiser que o equipamento funcione ao mesmo tempo no padrão 802.11g e 802.11b.
Antes de irmos aos nossos testes, vamos dar uma olhada nas principais características desses equipamentos.
Principais Características
- Slot de expansão PCMCIA
- Wireless Access-Point 802.11g (54 Mbps)
- Criptografia WEP 64/128 bits e suporte à WPA
- Interface de gerência via console própria
- Compactação de dados que permite desempenho de até 108 Mbps
- Controle de acesso por endereço MAC
- Suporte à autenticação 802.1x
- Servidor DHCP
- Suporte a SNMP
- Excelente desempenho
- Mais informações: http://www.gigabyte.com.tw
- Preço estimado nos EUA*: US$ 110 para o ponto de acesso GN-A17GU e US$ 36 para a placa de rede PCMCIA GN-WMAG.
* Pesquisado em http://www.froogle.com no dia da publicação deste teste. Este preço é uma estimativa. Infelizmente não pudemos encontrar o preço do ponto de acesso sem fio testado. Baseado nos preços de produtos concorrentes estimamos o preço do produto para o mercado americano. Há possibilidade de termos errado em nossa estimativa. Os preços indicados são uma referência para comparação com outras placas. O preço no Brasil será sempre maior, pois devemos adicionar o câmbio, o frete e os impostos, além da margem de lucro do distribuidor e do lojista.
Como Testamos
Nos testes de equipamentos de rede avaliamos sete critérios básicos: documentação, público-alvo, recursos disponíveis, desempenho, operação, estabilidade e segurança. Para cada um desses critérios será atribuída uma nota, de um a três, significando respectivamente insatisfatório, satisfatório e mais do que satisfatório.
As notas de cada critério serão somadas e divididas por sete. Essa média representa a avaliação final geral do equipamento, mas não recomendamos que ela seja usada como único critério na hora de comparar dois ou mais equipamentos similares. Por exemplo, um equipamento pode oferecer melhor estabilidade e outro melhor documentação, mesmo assim ambos podem apresentar avaliação final geral rigorosamente iguais. Para decidir qual dos dois atende melhor a você ou ao seu cliente é preciso identificar qual critério é mais importante dentro da sua realidade.
O critério “documentação” refere-se à facilidade ou dificuldade de encontrar informações técnicas, guias de instalação e manuais de gerenciamento do equipamento, além de endereçar a facilidade ou dificuldade de colocar o equipamento testado em operação em um ambiente real. Todo equipamento testado deve dispor de pelo menos um guia de instalação simples de entender e fácil de ler, impresso ou em meio eletrônico (disquete ou cd-rom) acompanhando a caixa do produto. Dentro desse critério também serão avaliados os manuais técnicos fornecidos pelo fabricante, estejam eles em meio eletrônico (disquete, cd-rom ou Internet) ou impressos, acompanhando a caixa do equipamento ou não.
O critério “público-alvo” avalia se o equipamento é adequado ou não para o mercado ao qual se destina. Dentro desse critério é avaliado o preço final para o consumidor, a estratégia de marketing adotada pela fabricante e a compatibilidade da apresentação do equipamento com o público-alvo dele (por exemplo, equipamentos para usuários domésticos devem ter interface de gerenciamento simplificada).
O critério “recursos” descreve os principais recursos disponíveis no equipamento e qual a função de cada um eles. A nota desse critério baseia-se na avaliação do critério “público-alvo”, já que a quantidade e os recursos disponíveis podem ser suficientes ou insuficientes de acordo com o usuário ao qual se destina o equipamento.
O critério “desempenho” avalia a velocidade com que os dados passam pelo equipamento, determinando se a taxa real de transferência de dados suportada pelo equipamento é compatível com o que o fabricante afirma na documentação técnica. Características que, direta ou indiretamente, possam interferir no desempenho da rede quando o equipamento está em uso, como, por exemplo, baixo desempenho de um filtro de pacotes embutido também são avaliados dentro desse critério.
O critério “operação” avalia a facilidade ou dificuldade de gerenciar o equipamento quando ele estiver funcionando e em produção.
O critério “estabilidade” avalia a disponibilidade do equipamento quando submetido a testes de carga ou estresse de rede. Além disso, neste critério também são avaliadas as funcionalidades de redundância de conexão ou alta-disponibilidade e balanceamento de carga, nos equipamentos que têm essas funcionalidades.
O critério “segurança” avalia características gerais de segurança adequadas para uso ao qual o equipamento se destina, de acordo com o público-alvo. Detalhes técnicos dos recursos de segurança disponíveis são testados e avaliados dentro deste critério.
Documentação
Os dois dispositivos testados acompanham documentação impressa e CD-ROM contendo documentação extra, além de drivers e guias de instalação ilustrados. O manual que acompanha o ponto de acesso GN-A17GU é um dos mais completos com os quais já tivemos contato. Endereça todos os detalhes de configuração do equipamento, que possui funcionalidades avançadas.
Com a riqueza de detalhes da documentação, mesmo usuários sem experiência com equipamentos wireless conseguirão configurar a placa PCMCIA e o ponto de acesso sozinhos. Além disso o manual que acompanha o produto cobre inteiramente todas as suas funcionalidades, facilitando a vida de administradores e técnicos mais experientes.
A instalação da rede wireless testada (PCMCIA) depende de drivers e software especiais, ou seja, o sistema operacional usado nos testes (Windows XP Professional) não reconhece os equipamentos nativamente. Mas todos os drivers e softwares necessários são fornecidos pela Gigabyte em um CD-ROM que acompanha a placa. O processo de instalação dos drivers e software da placa de rede PCMCIA está muito bem documentado.
A documentação do produto é mais do que suficiente (nota 3).
Público-alvo
O produto destina-se a empresas de pequeno e médio porte (SMB). O preço do produto nos Estados Unidos é barato para esse público-alvo e não deixa nada a desejar para a maioria dos concorrentes de qualidade.
O marketing, a documentação e o suporte técnico, além da apresentação do kit estão totalmente de acordo com o público ao qual ele se destina. O produto é mais do que suficiente (nota 3) para seu “público-alvo”.
Recursos
O kit vem com todos os recursos que seu público alvo pode precisar e mais um pouco. O mais interessante é o recurso de Turbo, que possibilitam que o usuário tenha o dobro do desempenho máximo teórico (2x 54 Mbps = 108 Mbps).
O slot de expansão do equipamento suporta a placa de rede sem fio PCMCIA GN-WLMA101, o que possibilita que o ponto de acesso funcione nas padronizações 802.11b e 802.11g simultaneamente.
No que diz respeito às funcionalidades de software, o kit é excelente. Traz filtragem por endereço MAC, servidor DHCP, suporte a gerência SNMP, suporte a STP (redundância de caminho de comunicação entre estações), suporte a conexões sem fio ponto-a-ponto e multiponto e suporte a WDS (sistema por meio do qual é possível configurar um ponto de acesso para falar apenas com outros pontos de acesso, com objetivo de aumentar o alcance de uma rede sem fio sem sofrer interferência de outras estações).
Entre os recursos wireless devemos destacar a criptografia de conexões wireless por meio de WEP 64 bits, 128 bits e 152 bits e a disponibilidade do equipamento para atuar como repetidor wireless em vez de ponto de acesso, aumentando o alcance de uma rede wireless já existente na empresa e permitindo que usuários de uma rede wireless já instalada e em operação consigam compartilhar o acesso de banda larga sem fazer alterações em suas estações de trabalho. Além disso, por se tratar de um equipamento baseado no padrão 802.11g, mais recente, o roteador e a placa de rede wireless PCMCIA testados trazem recursos de segurança WPA (Wi-Fi Protected Access), que resolve problemas de segurança do padrão WEP e introduz melhorias que facilitam a troca de chaves criptográficas.
O kit traz recursos adequados para o seu público-alvo. Os recursos disponíveis são mais do que suficientes (nota 3).
Desempenho
O desempenho de uma rede Ethernet quase nunca atinge a taxa máxima (100 Mbps para fast Ethernet ou 54 Mbps para wireless 802.11g). Há inúmeras razões para que isso aconteça: interferência eletromagnética, placas mal configuradas, excesso de tráfego inútil na rede e até mesmo o projeto do equipamento (problemas de hardware ou software), entre outras razões. Além disto, temos que nos lembrar que a taxa de transferência máxima teórica inclui a transmissão de dados de controle (tais como cabeçalhos), ou seja, a banda disponível é tanto usada para transmitir dados quanto informações de controle.
Usamos o programa Qcheck ( http://www.ixiacom.com/products/performance_applications/pa_display.php?skey=pa_q_check) para fazer a medição da taxa de transferência máxima suportada pelo equipamento da Gigabyte. Passamos a empregar o Qcheck para realizar os testes de desempenho de rede devido à sua simplicidade de operação, sem que haja alterações no método empregado na medição de desempenho, o que impossibilitaria comparações com nossos testes antigos.
Em nossos testes o equipamento atingiu uma taxa de transferência de 2.830 KB/s com a criptografia WEP 128 bits habilitada. As taxas médias obtidas foram rigorosamente iguais nos dois equipamentos testados (roteador wireless e placa PCMCIA). O desempenho do equipamento realmente nos impressionou e foi tipicamente 527% superior à média do desempenho de equipamentos wireless padrão 802.11b (até 11 Mbps) já testados aqui no Clube do Hardware, como você pode conferir no gráfico abaixo. Por outro lado o desempenho do equipamento foi 16% inferior aos equipamentos X-Micro padrão 802.11g que testamos.
Desempenho wireless (em MB/s) Ao habilitarmos o modo “Turbo”, recurso de compressão de dados por meio do qual o fabricante assegura o desempenho máximo teórico de 108 Mbps, tivemos outra surpresa ao constatar uma taxa de transferência de 5.590 KB/s, que nos permitiu transferir a imagem (ISO) de um CD-ROM (648 MB) em bem menos de 3 minutos, garantindo que o algoritmo de compressão de dados utilizado pela Gigabyte em seu equipamento é realmente bom. O modo “Turbo” deu um ganho de 198% de desempenho sobre a taxa de transferência típica que obtivemos sem esse modo habilitado, mas foi 7% inferior ao desempenho obtido com o modo Turbo do equipamento 802.11g da X-Micro.
O desempenho do ponto de acesso da Gigabyte é mais do que suficiente (nota 3).
Operação
Depois de configurados, os dispositivos testados praticamente não precisaram de gerenciamento. A interface de configuração via software proprietário da Gigabyte não é muito simples, mas é organizada. É uma interface agradável de usar, que assim como outros equipamentos Gigabyte testados pelo Clube do Hardware.
A instalação da console de gerência do equipamento, em uma estação Microsoft Windows XP Professional transcorreu sem problemas e a configuração do equipamento foi realizada em menos de 10 minutos, com ajuda do manual.
Na conexão testada as máquinas da rede interna (1 PCs por cabo e 1 laptops em wireless PCMCIA) estavam configuradas para obter endereços IP e servidores de DNS por DHCP, do servidor DHCP disponível no equipamento.
A operação do equipamento é simples e mais do que satisfatória (nota 3).
Estabilidade
Os equipamentos testados passaram por rigorosa avaliação de disponibilidade que objetivou não só determinar a manutenção da conexão Internet em caso de quedas de link ou problemas com o provedor ou a rede mas também determinar se o próprio equipamento estava preparado para funcionar por vários dias seguidos, sem ser desligado, sob diferentes condições climáticas, desde o frio de um ambiente com ar condicionado até o calor de um escritório sem ar condicionado ou ventilador no verão carioca.
Em nenhum momento em que o equipamento esteve em testes foi necessário reiniciá-lo por causa de travamentos ou mesmo superaquecimento. Durante um mês sem desligar os equipamentos submetemos o roteador wireless e as placas testadas às diferenças de temperatura causadas por longos períodos de funcionamento em ambiente com ar condicionado seguido de períodos menores de funcionamento em ambiente sem ar condicionado, normalmente encontradas em um pequeno escritório.
A estabilidade e disponibilidade do equipamento são mais do que suficientes (nota 3).
Segurança
Todo equipamento wireless deve possuir, no mínimo, recursos que permitam criptografar o tráfego transmitido entre as estações wireless e o access-point. Esse recurso é fundamental porque conexões wireless não limitam a propagação dos dados às dimensões físicas da sala onde o acess-point está instalado. É possível detectar uma rede wireless a partir da rua e com pouco investimento de tempo e dinheiro começar a capturar os dados que estão sendo transmitidos. Em casos mais graves pode ser possível até mesmo estabelecer uma conexão com a rede wireless exatamente como um usuário autorizado faria.
O principal recurso de criptografia presente em equipamentos wireless chama-se WEP, sigla para “Wired Equivalent Privacy” (privacidade equivalente a rede cabeada).
Como a própria sigla diz, o WEP não nasceu para garantir confidencialidade das informações trafegadas (garantir que apenas as duas máquinas envolvidas numa comunicação conheçam o conteúdo das mensagens trocadas). O WEP foi criado com o objetivo de impedir que usuários externos tenham facilidade para conectar-se a uma rede sem fio, pelo menos fornecer um nível de dificuldade equivalente ao que um usuário não autorizado teria para conectar-se na rede cabeada padrão. Mas exatamente como numa rede cabeada padrão, embora seja complicado para quem não faz parte da rede capturar os dados que trafegam, isso é extremamente fácil para quem está conectado na rede, possibilitando ataques internos.
Pudemos perceber que a Gigabyte está comprometida com a segurança. O equipamento testado, além do suporte ao protocolo WEP (152 bits, 128 bits e 64 bits, à escolha do usuário), também traz recursos de controle de acesso baseados no endereço MAC das placas de redes das estações-cliente.
Além do WEP a Gigabyte introduziu em seus equipamentos 802.11g o recurso de segurança WPA (Wi-Fi Protected Access), que adiciona funcionalidades de segurança para corrigir problemas conhecidos do padrão WEP e elevar o nível geral de segurança do ambiente.
O equipamento testado ainda traz suporte à autenticação das estações (padrão IEEE 802.1x). Recursos de autenticação como esse podem dar ao administrador da rede a certeza de que uma estação realmente pertence a um determinado usuário e com base nessa certeza garantir ou negar acessos.
Os recursos de segurança oferecidos pelo equipamento e a segurança do equipamento em si são suficientes (nota 2) para as necessidades do público-alvo.
Avaliação Final e Conclusões
O equipamento testado atingiu a nota 9,5 (a nota máxima é 10) no nosso quadro de testes (20 pontos em 21 possíveis). O equipamento nos encantou desde o primeiro momento. É robusto, poderoso e traz recursos e opções que normalmente só encontramos em equipamentos caros da Cisco ou da Proxim.
Se você está disposto a adicionar uma “perna” wireless na sua rede cabeada atualmente em funcionamento, não pense duas vezes e adquira logo o GN-A17GU da Gigabyte e a placa GN-WMAG Dual-mode.
Para quem ainda não tem uma placa de rede wireless a GN-WMAG é uma excelente opção para entrar no mundo wireless: barata, simples de configurar e compatível com o padrão 802.11b e 802.11g. Certamente vai ser a sua placa de rede wireless por um bom tempo sem necessidade de atualização.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/776
© 1996-2008, Clube do Hardware. Todos os direitos reservados.
É expressamente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site e dos textos disponíveis, seja através de mídia eletrônica, impressa, ou qualquer outra forma de distribuição. Os infratores serão indiciados e punidos com base na lei nº 9.610 de 19/02/1998.
Não nos responsabilizamos por danos materiais e/ou morais de qualquer espécie promovidos pelo uso das informações contidas no Clube do Hardware.