Gigabyte Storage + Wireless LAN Card GN-WLBZ201
Por Alberto Cozer em 30 de janeiro de 2004

Introdução

Produto Recomendado Clube do Hardware

O Gigabyte Storage + Wireless LAN Card (GN-WLBZ201) é uma placa de rede wireless padrão 802.11b (até 11 Mbps) feita para ser carregada no bolso, isso porque além de placa de rede wireless ela é também um dispositivo de armazenamento USB com capacidade para até 128 MB (testamos o modelo de 32 MB).

Seu design é bastante conveniente para uma placa de rede wireless de bolso, mas é um pouco maior do que a maioria dos dispositivos de armazenamento USB encontrados no mercado (Figura 1).


Figura 1: Gigabyte Storage + Wireless LAN Card. Dimensões de uma caneta.


Figura 2: O equipamento sem a tampa.

O dispositivo acompanha software que permite transformar o PC no qual a placa está ligada em um access point para que outras estações wireless tenham acesso à rede cabeada de uma empresa ou residência. Não é, entretanto, um recurso exclusivo. Qualquer PC com uma placa de rede wireless pode ser transformado em access point, bastando fazer pequenas alterações nas configurações de rede do sistema operacional. A vantagem no caso do equipamento da Gigabyte que testamos é que o software já vem junto, tornando o processo muito mais simples.

Nossa principal preocupação antes de testarmos o dispositivo era em relação ao seu alcance. O equipamento testado (modelo GN-WLBZ201) não permite conexão com uma antena externa e não possui um recurso chamado auto-fallback, que permite estender o alcance de uma rede wireless reduzindo a taxa de transmissão da rede (normalmente cai de 11 Mbps para 5,5 Mbps, 2 Mbps ou 1 Mbps).

A ausência de um conector para antena externa não afeta os usuários que planejam utilizar o equipamento para conectar-se a um access point já existente ou a um outro micro em conexão ponto a ponto wireless. Mas quem planeja usar o equipamento para servir de access point pode ser obrigado a ter sua rede com alcance bastante reduzido. Outro ponto negativo para quem planeja empregar o equipamento como access point é a dificuldade de instalá-lo no ponto de melhor visada do ambiente, já que ele necessariamente deverá estar conectado a um PC. Essa limitação pode ser parcialmente contornada com um cabo extensor USB, mas não totalmente eliminada.

Após conectado à interface USB o equipamento pode ser rotacionado em qualquer direção, a fim de adaptar-se a mesas pequenas e melhorar a transmissão e recepção dos dados, como mostramos na Figura 3.


Figura 3: Capacidade de rotação da Gigabyte Storage + Wireless LAN Card.

Nós recebemos este produto antes dele ter sido lançado no mercado e, por este motivo, não temos idéia de qual será o seu preço quando ele chegar ao mercado.

Antes de irmos aos nossos testes, vamos dar uma olhada nas principais características deste produto.

 

Principais Especificações

  • Wireless LAN 802.11b, 11 Mbps
  • Acompanha software que o transforma em um access point.
  • Criptografia WEP 64/128 bits
  • Plug and Play
  • Armazenamento de 32 MB a 128 MB, dependendo da versão.
  • Display com LEDs que indicam o sinal
  • Rotação do dispositivo, melhorando o sinal
  • Proteção dos dados armazenados por senha
  • Preço médio nos EUA: Não disponível.
  • Mais informações: http://www.gigabyte.com.tw.

 

Como Testamos

Nos testes de equipamentos de rede avaliamos sete critérios básicos: documentação, público-alvo, recursos disponíveis, desempenho, operação, estabilidade e segurança. Para cada um desses critérios será atribuída uma nota, de um a três, significando respectivamente insatisfatório, satisfatório e mais do que satisfatório.

As notas de cada critério serão somadas e divididas por sete. Essa média representa a avaliação final geral do equipamento, mas não recomendamos que ela seja usada como único critério na hora de comparar dois ou mais equipamentos similares. Por exemplo, um equipamento pode oferecer melhor estabilidade e outro melhor documentação, mesmo assim ambos podem apresentar avaliação final geral rigorosamente iguais. Para decidir qual dos dois atende melhor a você ou ao seu cliente é preciso identificar qual critério é mais importante dentro da sua realidade.

O critério “documentação” refere-se à facilidade ou dificuldade de encontrar informações técnicas, guias de instalação e manuais de gerenciamento do equipamento, além de endereçar a facilidade ou dificuldade de colocar o equipamento testado em operação em um ambiente real. Todo equipamento testado deve dispor de pelo menos um guia de instalação simples de entender e fácil de ler, impresso ou em meio eletrônico (disquete ou CD-ROM) acompanhando a caixa do produto. Dentro desse critério também serão avaliados os manuais técnicos fornecidos pelo fabricante, estejam eles em meio eletrônico (disquete, CD-ROM ou Internet) ou impressos, acompanhando a caixa do equipamento ou não.

O critério “público-alvo” avalia se o equipamento é adequado ou não para o mercado ao qual se destina. Dentro desse critério é avaliado o preço final para o consumidor, a estratégia de marketing adotada pela fabricante e a compatibilidade da apresentação do equipamento com o público-alvo dele (por exemplo, equipamentos para usuários domésticos devem ter interface de gerenciamento simplificada).

O critério “recursos” descreve os principais recursos disponíveis no equipamento e qual a função de cada um eles. A nota desse critério baseia-se na avaliação do critério “público-alvo”, já que a quantidade e os recursos disponíveis podem ser suficientes ou insuficientes de acordo com o usuário ao qual se destina o equipamento.

O critério “desempenho” avalia a velocidade com que os dados passam pelo equipamento, determinando se a taxa real de transferência de dados suportada pelo equipamento é compatível com o que o fabricante afirma na documentação técnica. Características que, direta ou indiretamente, possam interferir no desempenho da rede quando o equipamento está em uso, como, por exemplo, baixo desempenho de um filtro de pacotes embutido também são avaliados dentro desse critério.

O critério “operação” avalia a facilidade ou dificuldade de gerenciar o equipamento quando ele estiver funcionando e em produção.

O critério “estabilidade” avalia a disponibilidade do equipamento quando submetido a testes de carga ou estresse de rede. Além disso, neste critério também são avaliadas as funcionalidades de redundância de conexão ou alta-disponibilidade e balanceamento de carga, nos equipamentos que têm essas funcionalidades.

O critério “segurança” avalia características gerais de segurança adequadas para uso ao qual o equipamento se destina, de acordo com o público-alvo. Detalhes técnicos dos recursos de segurança disponíveis são testados e avaliados dentro deste critério.

 

Documentação

Por ser uma amostra pré-produção, isto é, enviada antes de a Gigabyte ter lançado o produto comercialmente, ele não veio com nenhuma documentação, o que é normal em casos como este.

Infelizmente, no CD-ROM que acompanha o produto também não veio nenhuma documentação extra, apenas os drivers e softwares de instalação estavam lá.

Embora tenhamos sentido falta de documentação, ela praticamente não foi necessária durante os nossos testes. Entretanto, usuários inexperientes podem encontrar dificuldades para instalar o produto. Isso nos ajudou a determinar que a documentação fornecida é insuficiente (nota 1), com a ressalva de que o modelo que testamos é uma amostra pré-produção e que o modelo final que será posto no mercado deve vir com os manuais e guias de instalação necessários.

 

Público-alvo

O produto destina-se ao usuário final, seja para uso doméstico ou no ambiente de trabalho. Infelizmente, como o produto ainda não foi lançado, não conseguimos encontrar revendedores que já estejam trabalhando com o produto para saber se o preço é compatível com o o que o equipamento oferece. Acreditamos que um preço justo para o equipamento esteja compreendido entre US$ 35 e US$ 70 (dependendo da quantidade de memória disponível). Teremos, então, de aguardar a chegada deste produto ao mercado para verificar se ele corresponde à esta expectativa ou não.

O marketing, o suporte técnico e a apresentação do produto são adequados para o seu público alvo, embora a documentação tenha deixado a desejar, pelo motivo exposto anteriormente. No critério “público-alvo” o produto é suficiente (nota 2).

 

Recursos

Para uma placa wireless o dispositivo testado tem muito mais recursos do que o necessário. Armazenamento de até 128 MB, software para transformá-lo facilmente em um access point e ainda por cima é totalmente plug & play.

Recursos básicos como suporte a WEP (em 64 bits e 128 bits) e avançados como a possibilidade de rotação do equipamento e display indicando o sinal (Figura 4) da rede wireless também estão presentes, fazendo com que o os recursos do equipamento sejam mais do que suficientes (nota 3).


Figura 4: LEDs indicam o sinal da rede wireless.
 
 

Desempenho

O desempenho de uma rede Ethernet quase nunca atinge a taxa máxima (100 Mbps para fast Ethernet ou 11 Mbps para wireless 802.11b). Há inúmeras razões para que isso aconteça: interferência eletromagnética, placas mal configuradas, excesso de tráfego inútil na rede e até mesmo o projeto do equipamento (problemas de hardware ou software), entre outras razões. Além disto, temos de nos lembrar que a taxa de transferência máxima teórica inclui a transmissão de dados de controle (tais como cabeçalhos), ou seja, a banda disponível é tanto usada para transmitir dados quanto informações de controle.

Para testar o desempenho do Gigabyte Sotrage + Wireless LAN card fechamos uma conexão de rede com um access point Dell Truemobile Wireless 1170 (11 Mbps, chipset Intel, antena externa dupla, 6 dBi). O access point foi conectado a uma estação Windows XP por meio de um cabo cross-over certificado da Cisco (a mesma estação e cabo usados em nossos outros testes de equipamento wireless).

Usamos o programa Qcheck ( http://www.ixiacom.com/products/
performance_applications/pa_display.php?skey=pa_q_check
) para fazer a medição da taxa de transferência máxima suportada pelo equipamento da Gigabyte. Passamos a empregar o Qcheck para realizar os testes de desempenho de rede devido à sua simplicidade de operação, sem que haja alterações no método empregado na medição de desempenho, o que impossibilitaria comparações com nossos testes antigos.

Em nossos testes o equipamento atingiu uma taxa de transferência de 448 KB/s com a criptografia WEP 128 bits habilitada. Embora ele tenha atingido uma taxa de transferência máxima 27,97% inferior ao roteador wireless SK811 da Compex, seu desempenho foi praticamente o mesmo do roteador wireless Aerielink SWKR 1401U1 da Soyo, conforme você pode conferir no gráfico abaixo.

Desempenho wireless (em MB/s)

Como dessa vez o equipamento testado também é um dispositivo de armazenamento USB (de 32 MB de capacidade, no caso da amostra que recebemos), realizamos também testes de desempenho de leitura e escrita de dados no dispositivo. Para esse teste empregamos o Sandra 2004 versão 9.89 (http://www.tech-pc.co.uk/sandra.php).

Ao trabalharmos com arquivos de 2 MB o dispositivo testado alcançou 922 KB/s para leitura e 478 KB/s para escrita dos dados.

O desempenho do Gigabyte Storage + Wireless LAN Card foi suficiente (nota 2).

 

Operação

Depois de configurados, os dispositivos testados praticamente não precisaram de gerenciamento. O equipamento é realmente plug and play e as interfaces de configuração, tanto a do sistema operacional quanto a do software fornecido com o equipamento são simples.

Uma vez instalado e em funcionamento não há mais nada a mexer na na configuração e mesmo depois de desconectar e conectar novamente o usuário continua operando normalmente como se nada tivesse acontecido.

Nos espantou apenas o fato do equipamento esquentar muito durante a operação. Em nossas medições (realizadas com um termômetro caseiro de pouca precisão) o equipamento atingiu a temperatura de 40,8o C, após uma hora de uso.

A operação do equipamento é simples e mais do que satisfatória (nota 3).

 

Estabilidade

Os equipamentos testados passaram por rigorosa avaliação de disponibilidade que objetivou não só determinar a manutenção da conexão Internet em caso de quedas de link ou problemas com o provedor ou a rede, mas também determinar se o próprio equipamento estava preparado para funcionar por vários dias seguidos, sem ser desligado, sob diferentes condições climáticas, desde o frio de um ambiente com ar condicionado até o calor de um escritório sem ar condicionado ou ventilador no verão carioca.

O equipamento não deixou a rede indisponível em nenhum momento, mesmo tendo esquentado muito durante sua operação. A transmissão de 2 GB de dados foi realizada durante um longo período sem que o fluxo de dados fosse interrompido em nenhum instante.

Apesar de, como dissemos na introdução, o dispositivo testado não dispor do recurso de auto fall-back, conseguimos que ele funcionasse a uma distância bastante satisfatória (aproximadamente 20 metros, com paredes de alvenaria no entre a base e o equipamento) da base sem que a conexão fosse interrompida.

A estabilidade e disponibilidade do equipamento são mais do que suficientes (nota 3) para uma placa de rede wireless.

 

Segurança

Qualquer equipamento wireless deve possuir, no mínimo, recursos que permitam criptografar o tráfego transmitido entre as estações wireless e o access point. Esse recurso é fundamental porque conexões wireless não limitam a propagação dos dados às dimensões físicas da sala onde o acess point está instalado. É possível detectar uma rede wireless a partir da rua e com pouco investimento de tempo e dinheiro começar a capturar os dados que estão sendo transmitidos. Em casos mais graves, pode ser possível até mesmo estabelecer uma conexão com a rede wireless exatamente como um usuário autorizado faria.

O principal recurso de criptografia presente em equipamentos wireless chama-se WEP, sigla para “Wired Equivalent Privacy” (privacidade equivalente a rede cabeada).

Como a própria sigla diz, o WEP não nasceu para garantir confidencialidade das informações trafegadas (garantir que apenas as duas máquinas envolvidas numa comunicação conheçam o conteúdo das mensagens trocadas). O WEP foi criado com o objetivo de impedir que usuários externos tenham facilidade para conectar-se a uma rede sem fio, pelo menos fornecer um nível de dificuldade equivalente ao que um usuário não autorizado teria para conectar-se na rede cabeada padrão. Mas exatamente como numa rede cabeada padrão, embora seja complicado para quem não faz parte da rede capturar os dados que trafegam, isso é extremamente fácil para quem está conectado na rede, possibilitando ataques internos.

O Gigabyte Storage + Wireless LAN Card suporta criptografia WEP 128 bits e 64 bits. Além disso, os dados armazenados na memória do equipamento testado podem ser protegidos por meio de uma senha de modo bastante simples.

Os recursos de segurança oferecidos pelo equipamento e a segurança do equipamento em si são suficientes (nota 2) para as necessidades do seu público-alvo.

 

Avaliação Final e Conclusões

O equipamento testado atingiu a nota 7,2 (a nota máxima é 10) no nosso quadro de testes (16 pontos em 21 possíveis). Nos agradou bastante a portabilidade do equipamento e a convergência de duas tecnologias (wireless e USB storage). Com o Gigabyte Storage + Wireless LAN Card você pode ter seus dados e sua rede wireless no bolso, sempre com você. O produto certamente vai agradar muito a quem está pensando em comprar uma placa de rede wireless 802.11b ou um dispositivo de armazenamento USB.

 

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Gigabyte-Storage-+-Wireless-LAN-Card-GN-WLBZ201/777

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