Falsificação do Cache de Memória
Por Gabriel Torres em 03 de janeiro de 1997

Introdução

Admito que utilizei um termo exageradamente forte - "falsificação de placas-mãe" - para chamar atenção. E tenho conseguido, desde que publiquei vários artigos sobre o assunto no Caderno de Informática do jornal "O Dia" (RJ).

Na verdade, o único componente realmente falso em uma placa-mãe "falsificada" é o cache de memória. Neste tipo de placa-mãe, apesar do circuito existir, ele é apenas uma peça plástica, servindo de "enfeite".

Este problema alguns modelos de placas-mãe soquete 3 (para processadores 486 e 5x86) e soquete 7 (para processadores Pentium, Pentium MMX, K5, K6, 6x86, 6x86MX e MII) fabricados pela PCChips e empresas que comercializam placas-mãe deste fabricante usando sua própria marca (Alton, Eurone, Amptron, etc).

Para aqueles que não sabem, o cache de memória é um circuito indispensável para a bom desempenho do micro. Em placas-mãe soquete 3 e soquete 7 este circuito está localizado do lado de fora do processador, na placa-mãe e por isso também chamado "cache de memória externo". Nos processadores mais novos, a partir do Pentium II e do Athlon, este circuito passou a estar embutido dentro do próprio processador. Normalmente as placas-mãe desses tipos possuem 256 KB ou 512 KB de memória cache. Um micro sem este tipo de memória é extremamente lento.

Os circuitos falsos possuem escrito em cima "WRITE BACK". Todo circuito integrado com esta marcação não passa de uma mera peça plástica sem nenhuma finalidade - a não ser enganar o usuário. Desmontamos diversas peças destas e realmente não passam de um engodo, como vamos mostrar na próxima página. Nas Figuras 1 e 2 você confere o detalhe de duas placas-mãe com circuitos de cache de memória falsificados. A placa da Figura 1 é uma soquete 3 (para processadores 486) enquanto a placa da Figura 2 é uma soquete 7 (para processadores Pentium e similares). 


clique para ampliar

 Figura 1: Detalhe de uma placa-mãe soquete 3 com cache falso.


clique para ampliar

Figura 2: Detalhe de uma placa-mãe soquete 7 com cache falso.

Detalhe das Peças Plásticas

Nós removemos o "cache de memória" das placas apresentadas e pudemos conferir que, de fato, elas não passam de peças plásticas ocas, sem nada em seu interior, sendo realmente uma grande enganação.

Na Figura 3, vemos a peça plástica vista de cima e de baixo (peça do meio). O circuito presente na parte inferior é um circuito de cache verdadeiro, removido de outra placa-mãe, para que você compare com a peça falsificada e verifique que ela não passa de uma peça oca, sem qualquer efeito sobre o funcionamento da placa-mãe.


clique para ampliar

Figura 3: Detalhe do chip falsificado.

Na Figura 4 você observa outro tipo de chip falsificado. Nós simplesmente abrimos o mesmo, ele era apenas uma peça plástica de montar, tipo Lego!


clique para ampliar

Figura 4: Detalhe do chip falsificado.


clique para ampliar

Figura 5: Outro tipo de chip de memória cache falsificado.

Identificação

Você pode identificar se o cache de memória externo de sua placa-mãe é ou não falso através das seguintes técnicas:

A informação do tamanho do cache no POST

Há uma série de testes que é executada pelo seu micro toda a vez que você o liga, como, por exemplo, a contagem de memória. Após a contagem de memória, aparece um quadro mostrando o tipo de processador do micro, o tamanho da memória, o tipo do disco rígido, etc. Neste mesmo quadro aparecem listados o tipo e tamanho do cache de memória, em uma linha chamada "L2 CACHE SIZE", "MEMORY CACHE" ou similar. Nesta linha deverá aparecer obrigatoriamente o tamanho e/ou tipo do cache de memória do seu micro. Quanto ao tipo, não se preocupe muito (só para constar, há três tipos de cache de memória: Asynchronous SRAM, Synchronous Burst SRAM e Pipelined Burst SRAM).

Você deve se ligar no que aparece escrito em relação ao tamanho do cache de memória. Os micros normalmente possuem 128 KB, 256 KB ou 512 KB de cache de memória e um destes valores deverá obrigatoriamente aparecer no quadro, ou então em uma linha abaixo do quadro, como por exemplo "256 KB MEMORY CACHE". Se, ao invés do tamanho do cache de memória, aparecer escrito "WRITE BACK ON", "W/B ON", "MEMORY CACHE WRITE BACK" ou similar, a sua placa-mãe corre o sério risco de ser falsificada. Só teremos certeza da falsificação seguindo o próximo passo.

Conferindo os circuitos do cache de memória

Se você está desconfiado que a sua placa-mãe é falsa, este passo lhe dará a certeza. Com o micro aberto, olhe a sua placa-mãe. Observe bem todos os seus circuitos integrados. Caso você encontre algum circuito integrado com a inscrição "WRITE BACK", trata-se de circuito falsificado. Cuidado: esta marcação na maioria das vezes é encontrada em baixo relevo, o que dificulta a visualização de longe. Observe cada circuito bem de perto. Para exemplos, veja as fotos das páginas anteriores.

Utilizando um programa de diagnóstico

Se o passo anterior lhe deu certeza que a sua placa-mãe é falsificada, este passo lhe dará a certeza absoluta. Utilizando um programa de diagnóstico de hardware, você poderá saber com certeza se a sua placa-mãe é falsa ou não. Basta você utilizar qualquer programa que teste o cache de memória externo (o tal de 128 KB, 256 KB ou 512 KB). Há diversos programas para esta finalidade, tais como o PC-Config, o Sandra, o Hwinfo e o Everest, todos disponíveis em nossa área de download.

Através deste tipo de programa programa, você observará dois pontos em uma placa-mãe falsificada: o programa acusa que não há cache de memória instalado no micro e o desempenho do seu micro será muito abaixo do esperado.

Por que falsificar?

Conseguimos contatar alguns fabricantes de placa-mãe em Taiwan, e eles admitiram que utilizam peças plásticas no lugar do circuito de memória estática que compõe o cache de memória. Porque eles fazem isto?

Na verdade, estes fabricantes querem é produzir placas baratas, sem cache de memória. Entretanto, a linha de produção é automatizada, com todo o processo de montagem e soldagem das placas-mãe sendo feito por robôs. A mesma linha de produção fabrica placas com cache e sem cache.

Acontece que para produzir placas-mãe sem cache, a linha de produção deveria ser parada e os robôs, reprogramados. Para não perderem tempo e dinheiro com isto, os fabricantes simplesmente substituem nas máquinas os circuitos de memória estática pelos circuitos de plástico que imitam memória estática. A linha de produção não precisa ser parada e as máquinas não precisam ser desligadas nem reprogramadas.

É claro que os fabricantes agem de má-fé. Tanto que alteram o BIOS de forma que, ao invés apontar que não existe memória cache instalada no micro, apontam que há uma fictícia memória "Write Back" instalada...

O que fazer?

Não há muito o que fazer. A maioria dos vendedores se esquiva dizendo que o cliente não especificou que queria um micro ou uma placa mãe com cache de memória. Neste caso, realmente não há muito o que fazer pois, do ponto de vista do vendedor, ele está correto.

Entretanto, caso o vendedor tenha garantido que o micro teria 256 KB ou 512 KB de cache de memória, exija que seja feita a troca! Caso o vendedor se recuse, imprima este artigo, junte com a nota fiscal do micro ou da placa-mãe é vá ao Procon e ao Tribunal de Pequenas Causas. Afinal, você foi enganado!

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/851

© 1996-2008, Clube do Hardware. Todos os direitos reservados.

É expressamente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site e dos textos disponíveis, seja através de mídia eletrônica, impressa, ou qualquer outra forma de distribuição. Os infratores serão indiciados e punidos com base na lei nº 9.610 de 19/02/1998.

Não nos responsabilizamos por danos materiais e/ou morais de qualquer espécie promovidos pelo uso das informações contidas no Clube do Hardware.