Falsificação de Processadores Pentium II
Por Gabriel Torres em 15 de maio de 1998

Introdução

Parece até que está virando tradição. Após falsificarem processadores Pentium e circuitos de cache de memória, agora estão falsificando o novo processador da Intel, o Pentium II.

O método que os falsificadores estão empregando no Pentium II é o mesmo que empregavam na falsificação do Pentium Clássico: a remarcação, que consiste em remover o decalque original do processador e colocar outra inscrição em seu lugar. Assim, um Pentium II-233 pode ser adulterado e "transformado" em um Pentium II-266. O usuário tem de ficar muito alerta para não pagar caro por um processador falso.

Como a placa-mãe precisa ser configurada manualmente para informar ao processador a sua multiplicação de clock - o que é feito através de jumpers de configuração -, muitos usuários acabam iludidos com a marcação falsa do processador, configurando a placa-mãe como se o processador fosse "verdadeiro". Por exemplo, no caso da falsificação do Pentium clássico, um Pentium-133 remarcado para Pentium-166 poderia ser facilmente configurado a trabalhar internamente com 166 MHz. Inclusive, na maioria das vezes, o processador trabalhava em overclock (ou seja, com o clock acima do especificado) sem apresentar problemas.

No caso do Pentium II, ele possui proteção contra overclock: se você tentar aumentar a multiplicação de clock acima do especificado, o processador ignora os jumpers de configuração da placa-mãe. Acontece que os falsificadores são bem espertinhos. Eles abrem o cartucho do processador e tiram a proteção contra o overclock, fazendo uma "gambiarra" na plaquinha onde o processador e o cache L2 estão instalados, fazendo com que o processador consiga ser configurado com uma multiplicação de clock acima da especificada.

Como o processador falsificado trabalhará em overclock, diversos erros podem ocorrer, como congelamentos, excesso de erros de Falha Geral de Proteção e resets aleatórios.

Como identificar processadores falsificados

Como para fazer a modificação do processador é necessário abrir o seu cartucho, geralmente nos processadores falsificados há evidências de que o cartucho foi aberto com uma ferramenta (uma chave de fendas, por exemplo). As presilhas que fecham o cartucho ficam entortadas e um pouco mais abertas, como você confere em nossa ilustração.

 
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Os processadores Pentium II-300 e superiores utilizam o código de correção de erros ECC no cache de memória L2, enquanto processadores com freqüências inferiores não o utilizam. Através de um programinha você pode ler o registrador do processador que indica se o ECC está habilitado ou não. Se o processador for de 300 MHz ou superior e o ECC estiver desabilitado, muito provavelmente isso indica que o processador é na verdade, remarcado (um Pentium II-266 remarcado para 300 MHz, por exemplo).

Baixe esse programa e teste o seu processador:

Note, entretanto, que se o processador for um Pentium II-233 remarcado para 266 MHz o programa não indicará nada de anormal, bem como se o processador for um Pentium II-300 remarcado para trabalhar a uma freqüência de operação maior.

 

Dúvidas mais comuns

Tenho um Pentium II-300. Usando o programa ctp2info, que baixei do site, ele indica que o ECC está desabilitado. O meu processador é realmente falsificado ou existe a possibilidade de processadores Pentium II-300 não possuirem o modo ECC na comunicação com o cache L2?

A princípio todo Pentium II a partir de 300 MHz possui seu cache L2 trabalhando com o código de correção de erros (ECC) habilitado. Tanto que é assim que a nomenclatura estampada no processador possui um "EC" junto com as demais letras do processador. Veja o padrão de marcação dos processadores Pentium II, que vem estampada no topo do processador:

80522PXZZZLLL SYYYY
FFFFFFFF-XXXX País de origem
Número de lote (data + fábrica)

PX: No local de "X" entra a freqüência de operação do processador
ZZZ: Tamanho do cache L2 (sempre 512)
LLL: Existência ou não do ECC ("EC" quando possui, em branco quando não possui)
SYYYY: Revisão do processador

Através do número de revisão do processador, você pode checar quem ele é:

Revisão ECC Clock
SL264 non-ECC 233/66
SL265 non-ECC 266/66
SL268 ECC 233/66
SL269 ECC 266/66
SL28K non-ECC 233/66
SL28L non-ECC 266/66
SL28R ECC 300/66
SL2MZ ECC 300/66
SL2PV ECC 266/66
SL2HA ECC 300/66
SL2HC non-ECC 266/66
SL2HD non-ECC 233/66
SL2HE ECC 266/66
SL2HF ECC 233/66
SL2QA non-ECC 233/66
SL2QB non-ECC 266/66
SL2QC ECC 300/66
SL2QD ECC 266/66
SL2KA ECC 333/66

Por exemplo, tenho aqui um processador revisão "SL2QB"; através da tabela acima identifico ele como sendo um Pentium II-266, sem ECC.

Como você igualmente pode reparar na tabela, o Pentium II-300 e Pentium II-333 obrigatoriamente usam o ECC, enquanto para as demais freqüências de operação o ECC é opcional (pode tê-lo ou não).

Dessa forma: todo Pentium II acima de 300 MHz usa o código de correção de erros (ECC) no acesso ao cache L2. Ou seja, Pentium II acima de 300 MHz sem ECC é falsificado.

Não há qualquer relação do ECC do cache L2 com o ECC existente no setup, muito embora sua máquina possa ter opção de habilitar o ECC para o cache L2 - que deverá ficar habilitada. No setup geralmente podemos habilitar o ECC para o acesso à memória RAM, onde normalmente você pode optar entre ECC ou paridade.

As informações acima foram extraídas do Databook Pentium II Specificification Update, da Intel.

 

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/875

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