Câmeras Digitais
Por Gabriel Torres em 29 de maio de 1998

Introdução

Este mês montamos uma verdadeira operação de guerra para realizarmos um teste completo sobre máquinas fotográficas digitais. Formamos uma equipe de testes e levamos até o nosso laboratório no Instituto de Tecnologia ORT as marcas de câmeras mais conhecidas no mercado nacional: Casio, Epson, Kodak, Olympus e Sony. Chegamos à mesma conclusão que milhares de outros micreiros já chegaram: vale a pena ter uma máquina digital. Antes de sair fotografando por aí, confira nossos testes.

Foto 1: Foto da nossa equipe executando os testes das câmeras digitais, tirada com a máquina Casio QV-100. Da esquerda para a direita: Fabiano, Walter, Gabriel, Mário (em pé), Adriano, Ricardo e Alfredo.

O que mais existe no mercado de informática são "besteirinhas" para você comprar e conectar ao micro, na esperança de ter um equipamento mais útil às suas necessidades. Dessas "bugigangas", as câmeras digitais são as que talvez mais façam sucesso entre os "micreiros".

Devido à sua portabilidade e peso (a maioria pesa em torno de 265 gramas), a câmera digital pode ser levada para cima e para baixo igual a uma máquina fotográfica comum, com a vantagem de você não gastar filme nem dinheiro com a revelação. A maioria das câmeras possui um display de cristal líquido colorido, permitindo que você visualize a foto na hora em que ela é tirada. Não gostou da foto? Basta apagá-la da máquina!

As câmeras digitais são extremamente práticas para quem trabalha com fotos no micro, pois acaba com a trabalheira de ter que tirar fotos com câmeras convencionais, revelar as fotos e finalmente transferi-las para o micro através de um scanner. Todas as câmeras digitais podem ser conectadas ao micro através de um cabo que acompanha a própria máquina, que é conectado à porta serial do micro. Através de um programa que também vem junto com a câmera, você pode transferir e fazer a manutenção das fotos. Uma vez no micro, a foto é uma imagem gráfica e pode ser editada através de qualquer aplicativo gráfico, como o Photoshop, Photostyler, Paint Shop Pro, Photo Paint, etc.

No caso da Mavica da Sony, ela possui ainda uma característica fantástica: as fotos são armazenadas em disquete, pois ela possui um disk-drive embutido. No caso desta máquina, não é necessário nem conectá-la ao micro, basta ler os arquivos do disquete, que são gravados no formato JPG.

No micro você pode editar as fotos livremente, adicioná-las em documentos, imprimi-las, etc. Algumas máquinas, como as da Casio e as da Olympus possuem saída para TV, fazendo com que não seja necessário um micro para a visualização das fotos em uma tela maior do que o display de cristal líquido da máquina. Existem também impressoras próprias para essas câmeras, fazendo com que não seja necessário um micro para a impressão das fotos.

Só o fato de não gastar dinheiro com filme nem com revelação já pagam por si só o preço da câmera, muito embora a resolução obtida seja pior que a resolução de fotos convencionais. O Ricardo Barreiros, que faz parte de nossa equipe de testes e trabalha na Secretaria de Obras do Estado do RJ, dá um bom exemplo de uso profissional para essas câmeras: "Iremos utilizar uma câmera Casio para fazer vistoria em obras. São inúmeras vantagens sobre câmeras convencionais. Além do fato de não necessitarem de revelação, não precisamos ficar guardando fotos antigas, pois em nosso caso a maioria das fotos são temporárias, durando apenas o tempo para fazer a apresentação para os responsáveis."

Capacidade e resolução

A quantidade de fotos que cada máquina armazena depende da resolução em que as fotos foram tiradas. A maioria das máquina possui duas resoluções, uma de melhor qualidade e uma de qualidade mais baixa. A QV-100 da Casio, por exemplo, armazena 92 fotos usando resolução 640 x 480 ou 192 fotos usando a resolução 320 x 240.

Dentro da máquina as fotos são armazenadas em uma memória RAM. Algumas máquinas, como as da Olympus, permitem que você instale mais memória na máquina, aumentando a sua capacidade. Por exemplo, o modelo D-320L da Olympus armazena apenas 10 fotos em resolução 1024 x 768, mas esta capacidade pode até triplicar dependendo do cartão de memória que for adicionado.

Já o caso da Mavica (Sony) é bastante peculiar: como ela armazena as fotos em disquete, quando sua capacidade acaba basta trocar o disquete cheio por outro que contenha espaço disponível.

Foto 2: Gabriel Torres (ao centro) discute os detalhes da realização do teste com a Fernanda e o Fabiano. Foto tirada com a máquina Kodak DC-50.

Câmeras Testadas

Marca Modelo Resolução Máxima Capacidade
(resolução máxima)
Flash Display LCD
Casio QV-100 640 x 480 92 fotos Não Sim
Casio QV-11 320 x 240 96 fotos Não Sim
Epson 500 640 x 480 32 fotos Sim Não
Kodak DC-50 756 x 504 7 fotos Sim Não
Olympus D-320L 1024 x 768 10 fotos Sim Sim
Sony Mavica MVC-FD5 640 x 480 20 fotos por disquete Sim Não

Resultados de nossos testes

Para realizarmos um teste comparativo de qualidade de imagem, tiramos várias fotos de um mesma situação com todas as máquinas testadas e comparamos as imagens obtidas. Para tirarmos as fotos, colocamos todas as máquinas em local fixo. As diferenças de distância foram provocadas pelas próprias máquinas. Há máquinas que aproximam mais e outras que aproximam menos a imagem. Todos os recursos extras das máquinas foram desligados (zoom, macro, etc) e todas as fotos foram tiradas com a resolução máxima de cada máquina.

De posse das fotos, classificamos as máquinas de acordo com a qualidade das imagens obtidas. Os resultados foram:

1º Lugar: Olympus D-320L

A melhor câmera digital que testamos. Com uma impressionante resolução de 1024 x 768, a qualidade das fotos que tiramos foi a melhor de todas, principalmente a nitidez e a definição dos objetos usados como referência nas fotos tiradas. Possui flash e display de cristal líquido colorido. Seu único ponto fraco é a memória, capaz de armazenar apenas 10 fotos com qualidade máxima. Entretanto podemos adquirir cartões de memória adicionais, capazes de expandir em até 3 vezes a capacidade da máquina.

Foto 3: Teste com a Olympus D-320L

2º Lugar: Casio QV-100

Essa câmera possui uma qualidade muito boa, perdendo somente para a Olympus. Possui uma excelente resolução e uma memória bem grande, capaz de comportar até 92 fotos em sua resolução máxima. Também possui um display de cristal líquido colorido e pode ser conectada a aparelhos de TV. Apesar de não possuir flash como a Olympus, a Sony, a Epson ou a Kodak, sua sensibilidade realmente impressiona, conseguindo tirar excelentes fotos mesmo em ambientes com pouca iluminação.

Foto 4: Teste com a Casio QV-100

3º Lugar: Epson 500

Seu grande ponto fraco é não ter um display de cristal líquido colorido como as demais, apesar da qualidade de suas fotos ser muito boa. A câmera Epson 500 que testamos puxou bastante para o vermelho. A qualidade de suas fotos é inferior à qualidade da Olympus e da Casio QV-100, porém bem melhor que as demais.

Foto 5: Teste com a Epson 500

4º Lugar: Sony Mavica MVC-FD5

A grande vantagem dessa máquina sobre as demais é utilização de disquetes comuns como mídia de armazenamento. Com isso, não há o problema de capacidade de armazenamento que existe nas demais máquinas. Comparando a qualidade das fotos, observando que as fotos tiradas com a Mavica ficaram sem muita definição no contorno dos objetos, como se estivesse um pouco "fora de foco". Mas, como comentamos, o grande atrativo dessa máquina não é sua qualidade, mas a possibilidade de gravar fotos diretamente em disquetes.

Foto 6: Teste com a Sony Mavica MVC-FD5

5º Lugar: Kodak DC-50

Além de ter puxado para o verde, as fotos tiradas com essa câmera apresentaram baixa qualidade, principalmente com a cor da pele, que ficou com leves pontos verdes e azuis (você já viu pele com essas cores?). Sua memória é muito pequena, comportando apenas 7 fotos em qualidade máxima, além de não ter um display de cristal líquido colorido.

Foto 7: Teste com a Kodak DC-50

6º Lugar: Casio QV-11

Essa foi a câmera mais simples que testamos. Como possui uma resolução de apenas 320 x 240, sua qualidade é muito inferior a todas as outras câmeras testadas. Em contrapartida, é também a mais barata. Possui um display de cristal líquido e pode ser conectada à aparelhos de TV através de um cabo que vem com ela.

Foto 8: Teste com a Casio QV-11

Cor é o grande problema

Todas as câmeras tendem a mudar um pouco as cores em relação à imagem real. A câmera Epson, por exemplo, puxou um pouco mais para o vermelho, enquanto a Kodak, para o verde. Isso é percebido principalmente na cor da pele, que é uma cor difícil de ser reproduzida. "Câmeras digitais profissionais conseguem reproduzir cores fielmente à imagem original, mas custam mais de dez mil dólares. Não teria o menor sentido testarmos câmeras desse tipo.", complementa Alfredo Epstein.

Nossa Equipe

Participaram deste teste: Adriano Brigagão, Afonso Costalonga, Alfredo Epstein, Fabiano Alves Pinheiro, Fernanda Menezes, Gabriel Torres, Mário de Castro Bráz, Ricardo Barreiros, Tadeu Barbosa e Walter Corrêa.

Foto 9:Foto da nossa equipe executando os testes das câmeras digitais, tirada com a máquina Epson 500. Da esquerda para a direita: Mário, Alfredo (em pé), Walter, Fabiano, Afonso, Adriano e Ricardo.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/890

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