Athlon XP vs. Pentium 4 - Parte I
Por Gabriel Torres em 12 de abril de 2002
Introdução
Afinal, qual é o melhor processador existente no mercado hoje: o Athlon XP da AMD ou o Pentium 4 da Intel? Para tirarmos essa dúvida, fizemos uma bateria de testes em nosso laboratório, confrontando diretamente um Pentium 4 de 1,5 GHz com um Athlon XP 1500+. O Athlon XP se saiu melhor que o Pentium 4: ele é mais rápido e mais barato. Confira os nossos resultados.
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Figura 1: Athlon XP vs. Pentium 4Diferenças no Desempenho
Por que dois processadores podem obter desempenhos diferentes? Por causa da maneira com que são construídos internamente. Um processador pode executar instruções mais rapidamente do que outro, por exemplo. Um erro comum é pensar que clock mede velocidade. O clock é um sinal de sincronismo para o processador. Se um processador demora cinco pulsos de clock para executar uma determinada instrução e outro processador demora quatro pulsos, este será mais rápido.
O problema é que o mercado está disseminado com a "cultura do clock". Os leigos não conseguem entender como um Athlon-1000 pode ser mais rápido do que um Pentium 4 de 1,5 GHz - o que é verdade, de acordo com os nossos testes. O fato é que o Athlon funciona internamente de maneira diferente do que o Pentium 4 e, ao que tudo indica, é muito mais eficiente.
Para tentar mudar essa idéia, a AMD voltou a utilizar, no processador Athlon XP, a nomenclatura PR (Performance Reference), que indica o desempenho do processador não em clock, mas comparado a um processador Intel. O processador Athlon XP 1500+ que usamos em nossos testes não é de 1,5 GHz, mas sim de 1,33 GHz. E mesmo assim é mais rápido do que um Pentium 4 de 1,5 GHz.
Placa-mãe influencia - e muito - no desempenho do micro
Antes de você ficar empolgado com os resultados dos nossos testes e sair para comprar um Athlon XP, é importante saber que os demais componentes do micro influenciam diretamente o seu desempenho, especialmente a placa-mãe. Em testes que fizemos em nosso laboratório, uma placa-mãe de baixa qualidade (dessas mais baratas com tudo on-board) têm um desempenho muito inferior a placas-mães topo de linha, podendo essa diferença de desempenho chegar a 30% ou mais.
Dizer que um micro é um "Athlon XP" ou um "Pentium 4" não significa que ele seja necessariamente um micro de alto desempenho. Dependendo da placa-mãe utilizada, um Athlon XP pode ter um desempenho prejudicado em até 30%, fazendo com que ele fique muito mais lento que um Pentium 4 equipado com uma placa-mãe de boa qualidade.
Para que a placa-mãe influenciasse o menos possível os resultados dos nossos testes, nós utilizamos a placa-mãe que obteve o maior desempenho dentre todas as placas-mães para Athlon e para Pentium 4 que já testamos. A escolha recaiu na Soltek SL-75DRV4 e na VIA P4XB-RA, respectivamente.
O tipo de memória utilizada também pode influenciar no desempenho. Por isso, utilizamos em nossos testes o mesmo módulo de memória, de 256 MB de DDR-SDRAM (DDR266, PC2100), para que isso não ocorresse.
Superaquecimento: mito ou verdade?
Com os novos processadores passando da casa de 1 GHz de freqüência de operação interna, o aquecimento do processador é inevitável. O uso de um bom dissipador de calor acoplado a uma boa ventoinha é de suma importância para o correto funcionamento do micro.
O problema é que no mercado há um mito de que os processadores da AMD se aquecem muito, causando travamentos, congelamentos, etc na máquina.
Na realidade, o superaquecimento só irá ocorrer se você utilizar uma ventoinha de baixa qualidade. Em nossos testes com o Athlon XP 1500+, sentimos isso na pele. Usamos uma ventoinha comum, dessas mais baratas, e a própria placa-mãe desligava o micro automaticamente após um tempo de uso, pois o processador atingia uma temperatura muito alta (essa temperatura é configurada no setup da máquina), na casa dos 90º C. Esse recurso de desligamento automático está presente em todas as placas-mães mais novas e serve justamente para proteger o micro no caso de superaquecimento, evitando que o processador se queime.
Mas bastou trocar a ventoinha por uma de melhor qualidade (uma ADDA B53) que o superaquecimento parou. Repare na foto que inclusive a base do dissipador de calor é bem maior do que o próprio processador. O uso de pasta térmica entre o processador e o dissipador de calor é indispensável.
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Figura 2: Cooler ADDA B53. Repare como é bem maior que o processador.A questão toda é que ventoinhas de boa qualidade são bem mais caras do que as ventoinhas de baixa qualidade encontradas em qualquer esquina. A questão toda é: porque economizar R$ 30 ou R$ 40 (que representa 2% ou menos do valor total do micro) na ventoinha do micro, se este componente irá proteger o processador e fará com que ele dure mais, além de evitar travamentos?
Dessa forma, a afirmação de que "os processadores da AMD sofrem de problema de superaquecimento" não passa de uma afirmação criada por aqueles que nunca compraram uma ventoinha de boa qualidade (muitas vezes por total desconhecimento do mercado de ventoinhas).
Desempenho de Processamento
No testes de desempenho de processamento usando o programa Winbench 99, o Athlon XP 1500+ deixou o Pentium 4 1,5 GHz comendo poeira, com um desempenho 37,74% superior. Mesmo um Athlon-1000 conseguiu obter um desempenho 3,69% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz. Como fica bem claro, clock não é sinônimo de desempenho. Nós nos questionamos se o desempenho exageradamente superior do Athlon XP não estaria sendo causado pelo fato de usarmos um programa antigo para medir o desempenho desses processadores. No Sandra 2001, no entanto, confirmou a superioridade do processador da AMD: o Athlon XP 1500+ obteve um desempenho 23,15% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz.
Desempenho de processamento no WinBench 99
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Desempenho de processamento no Sandra 2001
Desempenho de Processamento Matemático
No passado, o grande ponto fraco dos processadores não-Intel era o desempenho matemático. Com isso, criou-se o estigma que processadores da AMD não eram bons para aplicações gráficas e aplicações científicas de uma forma geral. AMD, no entanto, redesenhou a unidade de ponto flutuante (o famoso co-processador matemático que os processadores têm embutido) de seus processadores no lançamento do Athlon. Com isso, o Athlon XP obteve um desempenho matemático superior ao Pentium 4. No Winbench 99, o desempenho matemático da Athlon XP superou o do Pentium 4 em incríveis 40,50%. O Athlon de 1 GHz obteve inclusive um desempenho 2,50% superior ao do Pentium 4 de 1,5 GHz. Mais uma vez, para termos certeza que esse resultado não estava sendo gerado erroneamente pelo programa, confirmamos com o resultado com outro programa, o Sandra 2001. Nesse programa, no entanto, deu empate nos testes de desempenho da unidade de ponto flutuante. Porém, os resultados do desempenho matemático nesse programa sem o uso da unidade de ponto flutuante deu vitória ao Athlon XP, com um desempenho matemático 30,74% superior ao do Pentium 4.
Desempenho de processamento matemático no WinBench 99
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Desempenho de processamento matemático no Sandra 2001
Desempenho 3D
Hoje em dia a melhor forma de se testar o desempenho um computador é através do uso de jogos 3D. Os jogos exigem o máximo de desempenho da máquina: desempenho de processamento, desempenho de processamento matemático, desempenho de vídeo e desempenho de disco. Existem uma infinidade de programas para efetuar esse tipo de teste. Resolvemos utilizar três programas: o jogo Quake III, o programa 3Dmark2001, que utiliza a interface Direct3D para se comunicar com a placa de vídeo, e o programa GLmark, que utiliza a interface OpenGL para se comunicar com a placa de vídeo. Com o uso de três programas diferentes temos uma noção mais exata do verdadeiro desempenho da máquina.
Desempenho 3D no Quake III
No Demo 1 do Quake III o Athlon XP 1500+ obteve um desempenho 17,93% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz (207,2 vs. 175,7 quadros por segundo), enquanto que no Demo 2 a diferença de desempenho diminui para 7,78% (206,5 vs. 191,6 quadros por segundo), ainda em favor do Athlon XP.
Desempenho 3D no 3Dmark2001
Nesse programa o desempenho obtido pelos dois processadores foi similar, com uma vantagem de 6,43% para o processador da Intel.
Desempenho 3D no GLmark
O GLMark apresenta seus resultados de desempenho com três número: número mínimo de quadros por segundo (FPS) apresentado, número médio e número máximo. O número mínimo obtido pelos dois processadores foi igual (20 FPS). O número médio obtido pelo Athlon XP foi 32,62% maior (55,7 vs. 42 FPS), enquanto que o número máximo obtido foi igual para os dois processadores (86 FPS).
Como Testamos
Como o Athlon XP e o Pentium 4 utilizam tipos diferentes de placas-mães (o primeiro usa placas-mães soquete A, enquanto o segundo, soquete 478), fizemos nossos testes usando a melhor placa-mãe que já testamos para esses processadores (você pode ver todas as placas-mães que já testamos para esses processadores em http://www.clubedohardware.com.br/testes.html). Para o processador da AMD, a escolha foi a placa-mãe Soltek SL-75DRV4, enquanto que para o processador da Intel a escolha foi a placa-mãe VIA P4XB-RA. Os demais componentes do micro foram os mesmos durante os testes, para que a configuração da máquina não influenciasse os resultados: 256 MB de memória DDR-SDRAM DDR266/PC2100, placa de vídeo Chaintech AGP-RI93 (GeForce 2 GTS Pro com 64 MB de memória de vídeo DDR-SDRAM) e disco rígido Seagate ST310212A (10 GB). Com o Pentium 4 usamos um cooler ADDA B66-1 e com o Athlon XP usamos um cooler ADDA B53.
Os nossos testes foram realizados com o auxílio dos programas Winbench 99 (http://www.etestinglabs.com/main/services/zdmbmks.asp), 3DMark2001 (http://www.futuremark.com), Quake III Arena (http://www.quake3arena.com), GLMark (http://www.vulpine.de) e Sandra ( http://www.sisoftware.demon.co.uk/sandra/index.htm)
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Athlon-XP-vs-Pentium-4-Parte-I/707
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