Athlon XP vs. Pentium 4 - Parte II
Por Gabriel Torres em 16 de abril de 2002
Introdução
Assim que publicamos nosso teste de desempenho comparando o Athlon XP ao Pentium 4 recebemos vários e-mails. A maioria dos e-mails elogiava nosso trabalho de esclarecimento junto ao público, já que nossos testes são imparciais, feitos por uma equipe sem qualquer relação com os fabricantes, e o desempenho informado pelo fabricante nem sempre condiz com a realidade. O fato é que os fabricantes divulgam o desempenho de seus produtos em simulações em laboratório, somente do processador, não sendo um desempenho obtido na prática, com o processador instalado em um sistema comercial. E para o público, o que interessa é o resultado prático, e não o resultado teórico.
Os e-mails com críticas que recebemos reclamavam que estávamos sendo imparciais, injustos e muitos ainda nos atacaram dizendo que estávamos sendo pagos pela AMD para divulgar resultados que favoreciam o processador deles.
A verdade é a seguinte: nós sempre divulgamos a metodologia de testes que usamos. Assim, qualquer pessoa que achar que nossos resultados estão errados podem repetir os testes em seu próprio laboratório. Vendemos inclusive um CD-ROM chamado Ferramentas Clube do Hardware que têm todos os programas que usamos (Clique aqui para conhecer este CD). Se você encontrar resultados diferentes dos nossos, escreva um teste no mesmo formato que os nossos que teremos o maior prazer em publicar aqui no Clube do Hardware. Acredite: os resultados que você encontrará serão muito parecidos com os nossos.
Quanto às acusações que recebemos dinheiro dos fabricantes, essa é uma acusação sem pé nem cabeça. Tanto a Intel quanto a AMD são nossos anunciantes, mas em momento algum recebemos dinheiro para a realização de testes nem tampouco somos obrigados a realizá-los por alguma imposição de qualquer tipo que seja. Nós somos 100% independentes e publicamos a verdade, por mais que ela possa doer.
Nós falamos somente aquilo que os números nos mostram. E os resultados dos nossos testes deixaram claro que no duelo Athlon XP vs. Pentium 4 de mesmo clock (ou PR, no caso do Athlon XP), o processador da AMD leva a melhor. O texto dos nossos testes apenas verbalizam o que os números mostram. O Athlon tem ainda a vantagem de ser mais barato, além de sua placa-mãe (soquete A) ser mais barata que a placa-mãe usada pelo Pentium 4 (soquete 478). Ou seja, como não ficar empolgado com um processador que é mais rápido e mais barato do que o concorrente?
Alguns engraçadinhos nos escreveram dizendo que, segundo os maiores sites sobre hardware do mundo, o processador mais rápido do mercado atualmente é o Pentium 4 de 2,2 GHz. Há de concordar que o Pentium 4 de 2,2 GHz não é concorrente do Athlon XP-1500+ usado em nossos testes. O intuito do nosso teste não era exatamente apontar qual era o melhor processador disponível no mercado hoje entre todos os processadores do mercado, mas sim mostrar qual é a diferença de desempenho existente entre um Athlon XP e um Pentium 4 de mesmo clock/PR. Até porque, como todo mundo que acompanha nossos testes já sabe, nós damos preferência por testes que sejam acessíveis para os usuários comuns. Não adianta nada falar que um Pentium 4 de 2,2 GHz é o mais rápido, se quase ninguém tem dinheiro para comprar um (cá entre nós, o que é melhor: comprar um PC "pelado" com o processador mais rápido do mercado ou um PC com um processador não tão rápido mas cheio de periféricos extras?).
A única crítica que faz algum sentido é em relação à plataforma usada para testarmos o processador Pentium 4. Usamos a melhor placa-mãe que testamos até hoje com cada plataforma, para que o uso de uma placa-mãe de qualidade inferior não interferisse nos resultados. Para que os demais componentes interferissem menos ainda no resultado, optamos ainda por usar um mesmo tipo de memória, a DDR-SDRAM. Assim, a diferença entre as máquinas testadas estava somente na placa-mãe e no processador, os demais componentes do micro eram absolutamente iguais.
Algumas pessoas nos escreveram reclamando que para o Pentium 4 obter o máximo de seu desempenho, o ideal seria usar uma placa-mãe com chipset Intel 850 e com memória Rambus (RDRAM), que é o único tipo de memória atualmente capaz de atingir o desempenho máximo do barramento externo do Pentium 4 (3,2 GB/s).
Acontece que nós julgamos uma comparação de um Athlon XP com memória DDR-SDRAM vs. Pentium 4 com memória RDRAM completamente injusta. Primeiro, porque com uma memória de desempenho superior, o sistema com o processador Pentium 4 terá o seu desempenho aumentado não por causa do processador, mas por causa da memória. Assim, estaríamos prejudicando o processador da AMD, já que não há placa-mãe para esse processador que aceite memória RDRAM (pelo menos não é de nosso conhecimento a existência desse tipo de placa no momento da publicação deste teste). Segundo, porque a faixa de preço que uma máquina com Pentium 4 com memória RDRAM custa faz com que ela não seja exatamente um concorrente direto de um Athlon XP com memória DDR-SDRAM. Deixe-nos colocar em outras palavras: com a diferença de preço daria para montar uma máquina baseada no Athlon XP ainda mais poderosa.
Por causa desses motivos, nós havíamos decidido não incluir a comparação do Athlon XP com memória DDR-SDRAM com um Pentium 4 com memória RDRAM.
Mas, para tirarmos a prova dos nove, resolvemos testar um Pentium 4 de 1,5 GHz com 256 MB de memória Rambus e placa-mãe Intel D850GB. Assim, inclusive, podemos analisar qual é o ganho de desempenho oferecido pela memória Rambus sobre a memória DDR-SDRAM.
Como vocês verão, o Athlon XP continua deixando o Pentium 4 comendo poeira.
A memória Rambus
O Pentium 4 trabalha externamente a 100 MHz transferindo quatro dados por pulso de clock. Isso faz com que ele trabalhe "como se" estivesse a 400 MHz, embora fisicamente falando isso não ocorra. A taxa de transferência pode atingir, portanto, picos de 3.200 MB/s. A memória SDRAM PC100 pode atingir uma taxa máxima de 800 MB/s, enquanto a PC133 atinge 1.064 MB/s. A memória DDR-SDRAM é capaz de transferir dois dados por pulso de clock, dobrando a taxa de transferência. A memória DDR200/PC1700 atinge uma taxa máxima de 1.700 MB/s e a DDR266/PC2100, 2.100 MB/s. As novas memórias DDR333/PC2700 atingem, no máximo, 2.700 MB/s, mas são poucas placas-mães que aceitam esse novo tipo de memória.
Assim, como você pode perceber, há uma diferença de desempenho entre o máximo que o processador pode atingir (3.200 MB/s) e o máximo que a memória pode transferir (2.100 MB/s, no caso da memória DDR266/PC2100 que foi usada em nossos testes). Isso faz com que o micro não atinja o máximo de seu desempenho possível.
No caso da memória Direct Rambus (D-RDRAM), que é aceita pela placa-mãe Intel D850GB usada em nossos testes, ela utiliza dois canais Rambus de 1.600 MB/s cada. Pela maneira que a tecnologia Rambus funciona, esse desempenho é multiplicado pelo número de canais usados. Assim, a taxa de transferência máxima dessa plataforma é de 3.200 MB/s, conseguindo fazer com que o processador comunique-se com a memória na taxa máxima possível, ao contrário do que ocorre com o uso da memória DDR-SDRAM.
Desempenho de Processamento
O desempenho de processamento do Pentium 4 1,5 GHz medido através do programa Winbench 99 usando memória RDRAM é praticamente o mesmo do Pentium 4 usando memória DDR-SDRAM. Aliás, incrivelmente o micro Pentium 4 com memória DDR-SDRAM foi 1,21% mais rápido do que o Pentium 4 com memória RDRAM. Isso ocorre possivelmente por conta da diferença de placa-mãe utilizada.
Assim, temos que o Athlon XP-1500+ é 37,74% mais rápido do que o Pentium 4 1,5 GHz com memória DDR-SDRAM e 39,41% mais rápido do que o Pentium 4 1,5 GHz com memória RDRAM. Um Athlon-1000 continua sendo, de acordo com os nossos testes, mais rápido do que um Pentium 4 1,5 GHz: 3,69% mais rápido que um Pentium 4 com memória DDR-SDRAM e 4,94% mais rápido do que o nosso Pentium 4 com memória Rambus.
Desempenho de Processamento Matemático
Como dissemos na primeira parte desse nosso teste, o ponto fraco dos processadores da AMD era o desempenho matemático. Mas isso é passado. Mesmo usando memória RDRAM o desempenho matemático do Pentium 4 continua inferior ao do Athlon XP. O nosso Athlon XP-1500+ obteve um desempenho matemático no Winbench 99 40,50% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz com memória DDR-SDRAM e 42,41% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz com memória Rambus. Um Athlon-1000 obteve um desempenho matemático 2,50% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz com memória DDR-SDRAM e 3,89% superior ao do Pentium 4 com memória RDRAM.
Mais uma vez, uma curiosidade: o nosso micro montado com memória RDRAM obteve um desempenho inferior ao nosso micro montado com memória DDR-SDRAM. Essa diferença de desempenho foi possivelmente causada pela diferença nas placas-mães usadas. O Pentium 4 1,5 GHz com memória DDR-SDRAM obteve um desempenho matemático 1,36% superior ao do Pentium 4 1,5 GHz usando memória RDRAM.
Desempenho 3D
O desempenho 3D foi o maior beneficiado com o uso da memória Rambus em vez da memória DDR-SDRAM. Isso significa que esse tipo de memória aumenta o desempenho do micro de verdade somente para aplicações que exijam um alto desempenho, como é o caso de jogos 3D, que com certeza atualmente é o tipo de aplicação que mais exige de todos os componentes da máquina.
Desempenho 3D no Quake III
O desempenho 3D no Quake III do Pentium 4 aumentou consideravelmente com o uso da memória Rambus em vez da DDR-SDRAM, passando de 175,7 quadros por segundo para 194,8 quadros por segundo no Demo 1, um aumento de 10,87%. Mas o nosso Athlon XP-1500+ continuou sendo mais rápido: 6,37% superior ao Pentium 4 1,5 GHz com memória RDRAM.
Desempenho 3D no 3DMark
O 3DMark2001, assim como ocorreu em nossos testes anteriores, é o único programa que aponta um desempenho superior para o Pentium 4. Com o uso da memória RDRAM, o desempenho do Pentium 4 aumentou 9,12% nesse programa, atingindo um desempenho 16,13% superior ao nosso Athlon XP-1500+.
Como Testamos
Como o Athlon XP e o Pentium 4 utilizam tipos diferentes de placas-mães (o primeiro usa placas-mães soquete A, enquanto o segundo, soquete 478), fizemos nossos testes usando a melhor placa-mãe que já testamos para esses processadores (você pode ver todas as placas-mães que já testamos para esses processadores em http://www.clubedohardware.com.br/testes.html). Para o processador da AMD, a escolha foi a placa-mãe Soltek SL-75DRV4, enquanto que para o processador da Intel a escolha foi a placa-mãe VIA P4XB-RA. Os demais componentes do micro foram os mesmos durante os testes, para que a configuração da máquina não influenciasse os resultados: 256 MB de memória DDR-SDRAM DDR266/PC2100, placa de vídeo Chaintech AGP-RI93 (GeForce 2 GTS Pro com 64 MB de memória de vídeo DDR-SDRAM) e disco rígido Seagate ST310212A (10 GB). Com o Pentium 4 usamos um cooler ADDA B66-1 e com o Athlon XP usamos um cooler ADDA B53.
Para os testes com a memória Rambus (RDRAM), usamos dois módulos de 128 MB de memória D-RDRAM PC800 e placa-mãe Intel D850GB.
Os nossos testes foram realizados com o auxílio dos programas Winbench 99 (http://www.etestinglabs.com/main/services/zdmbmks.asp), 3DMark2001 (http://www.futuremark.com), Quake III Arena (http://www.quake3arena.com), GLMark (http://www.vulpine.de) e Sandra ( http://www.sisoftware.demon.co.uk/sandra/index.htm).
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Athlon-XP-vs-Pentium-4-Parte-II/708
© 1996-2012, Clube do Hardware. Todos os direitos reservados.
É expressamente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site e dos textos disponíveis, seja através de mídia eletrônica, impressa, ou qualquer outra forma de distribuição. Os infratores serão indiciados e punidos com base na lei nº 9.610 de 19/02/1998.
Não nos responsabilizamos por danos materiais e/ou morais de qualquer espécie promovidos pelo uso das informações contidas no Clube do Hardware.