Converta seus LPs em CDs
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 28 de setembro de 2005

Introdução

Nesse tutorial mostraremos a você um guia passo-a-passo de como converter sua coleção de discos de vinil em CDs, incluindo como conectar o seu toca-discos ao computador e como remover o ruído das gravações. Para isso, você precisará dos seguintes componentes:

  • Um toca-discos;
  • Um receiver;
  • Um computador com placa de som instalada;
  • Um cabo RCA estéreo com fio terra para conectar o toca-discos ao receiver;
  • Um cabo com conector mini (P2) estéreo em uma das pontas e na dois conectores RCA na outra para conectar o receiver ao computador;
  • Caixas acústicas para monitorar o que está sendo gravado;
  • Mídias CD-R virgens;
  • Software de gravação de áudio;
  • Software para remoção de ruído;
  • Software de gravação de CD.

Falaremos sobre cada um desses componentes durante nosso tutorial.

Primeiramente, gostaríamos de deixar bem claro para você que por melhor que seja feita essa conversão, a qualidade nunca ficará igual à de um CD profissional. O grande vilão dessa história é o ruído, e tomaremos algum tempo explicando esse problema. Assim, se você é um audiófilo, prefira comprar a versão em CD dos seus discos favoritos do que fazer esse tipo de conversão.

É claro que existem casos em que a conversão é vantajosa. O mais óbvio é quando o disco de vinil que você possui é raro e nunca foi lançado no mercado em CD. Outro caso é o custo. Sai muito mais barato converter sua coleção inteira de LPs em CDs do que comprar toda a sua coleção de discos novamente em CD. Nesse caso, a conversão de LPs em CDs é vantajosa, especialmente se você não é um audiófilo preocupado com baixos níveis de ruído.

Uma outra desvantagem da conversão é que você terá os discos gravados em mídias de CD-R, sem capa nem encarte. Se você é do tipo que realmente curte ter um CD completo, com capa e encarte, então prefira comprar o CD na loja a converter o seu equivalente de vinil.

Mas voltando ao ruído, existem dois tipos de ruído que são gerados durante o processo de conversão de um disco de vinil em um CD. O primeiro tipo de ruído é o ruído proveniente do próprio disco de vinil, tal como estalidos causados por pequenos arranhões existentes na superfície do disco. É possível apagar esse tipo de ruído através do computador e em outro momento nós veremos como isso é feito.

O segundo tipo de ruído é o ruído causado pelo próprio equipamento, chamado ruído branco. O ruído branco pode ser proveniente de vários locais: do toca-discos, do amplificador (receiver), da placa de som, dos cabos usados nas conexões, etc. Para entender o que é o ruído branco, faça a seguinte experiência em casa: em um aparelho de som com toca-fitas, coloque uma fita para tocar. Pressione a tecla pause e deixe-a pressionada. Aumente o volume do amplificador. Você escutará claramente um ruído (chiado) que não está sendo gerado pela fita cassete, mas sim pelo próprio toca-fitas. Este é o ruído branco. Obviamente quando convertermos o nosso disco de vinil para um CD não queremos a presença desse tipo de ruído.

A quantidade de ruído que um aparelho de áudio gera é chamado relação sinal/ruído ou SNR (Signal-to-Noise Ratio), que é medida em uma unidade chamada decibel. Quanto maior essa relação, melhor. Um aparelho de CD, por exemplo, possui uma relação sinal/ruído maior do que um toca-fitas. Se você fizer a mesma experiência que descrevemos acima com um CD player em vez de um toca-fitas, você perceberá que a quantidade de ruído será menor – praticamente imperceptível, se você tiver um bom aparelho de som.

Por isso, um dos principais fatores para que o resultado da sua conversão de LPs em CDs seja o mais próximo possível da perfeição é a ausência de ruído. A escolha de uma placa de som com um baixo nível de ruído (uma relação sinal/ruído alta) é o ponto de partida para a inexistência do ruído branco. Na próxima página explicaremos mais sobre esse assunto.

Escolhendo a Placa de Som

Como falamos anteriormente, o grande vilão da conversão de vinil para CD é o ruído. Por isso, iremos explicar a você como escolher corretamente os componentes envolvidos no processo de conversão de modo a obter o menor nível de ruído possível. Iniciaremos falando sobre a placa de som, que você já pode ter instalada em seu micro, especialmente nos dias de hoje em que a maioria dos computadores já vem com som on-board.

Apenas ter uma placa de som instalada no micro não é o suficiente. Você precisará conhecer a quantidade de ruído que ela produz e talvez tenha de instalar uma placa de melhor qualidade para obter melhores resultados.

Para que você tenha uma idéia do que estamos falando, as antigas placas de som ISA normalmente têm uma relação sinal/ruído de 80 dB. Já as placas de som PCI mais simples (incluindo aí as placas de som on-board) normalmente têm uma relação sinal/ruído de 90 dB. Placas de som profissionais começam em 98 dB.

Por isso, recomendamos que você utilize uma placa de som com uma relação sinal/ruído de pelo menos 90 dB. Se a sua placa de som for PCI, ela provavelmente terá relação sinal/ruído de 90 dB. Caso sua placa de som seja on-board, a relação sinal/ruído utilizada dependerá o chipset, como explicaremos mais adiante. Se você tiver uma antiga placa de som ISA, troque-a. Mas sinceramente, a melhor opção é se você puder comprar uma placa de som com uma relação sinal/ruído de pelo menos 95 dB para obter melhores resultados. A Sound Blaster Live!, por exemplo, tem uma relação sinal/ruído de 96 dB.

Mas onde você pode obter essas informações? Lendo as especificações da sua placa de som que podem ser encontradas em seu manual, no site do fabricante ou no site do fabricante do chip de áudio. Se a sua placa de som for on-board, você poderá ler nosso tutorial chamado Características de Placas de Som On-Board. Lá você encontrará uma extensa tabela com a relação sinal/ruído dos chips mais comuns usados em placas-mães com som on-board. Como você pode ver na tabela, existem alguns chips de áudio on-board que têm uma relação sinal/ruído maior do que 100 db, o que é muito bom! Mas preste atenção pois existem chips de áudio on-board que possuem uma relação sinal/ruído inferior a 70 db, o que é uma péssima relação sinal/ruído, já que você terá muito ruído em suas gravações. Portanto, a qualidade do áudio on-board depende do chip utilizado.

Escolhendo o Toca-Discos

Agora que você já sabe escolher uma boa placa de som, está na hora de saber como escolher um bom toca-discos. A escolha de um bom toca-discos é fundamental não só para a reprodução como também para a gravação dos seus discos. Se você tem algum amigo DJ que possa te emprestar um toca-discos profissional (como o famoso Technics SL1200 MKII) seria excelente.

No entanto, o que realmente importa para medir a qualidade de um toca discos não é a sua marca e o seu modelo, mas sim a marca e o modelo da cápsula e da agulha utilizadas. A palavra-chave aqui é resposta de freqüência. Agulhas mais simples usadas pelos toca-discos mais baratos possuem uma resposta de freqüência típica de 20 Hz a 15 kHz. O problema é que os sons mais agudos (acima de 15 kHz) não serão reproduzidos e, portanto, não serão gravados no arquivo Wav que você criará em seu micro para posteriormente transformá-lo em um CD. O ideal é você utilizar uma cápsula/agulha que permita obter uma resposta de freqüência de 20 Hz a 20 kHz, que é a faixa de freqüência que o ouvido humano é capaz de escutar. Mas se você utilizar uma cápsula/agulha com resposta de 20 Hz a 18 kHz você já obterá um resultado muito bom (porém não o "perfeito").

Note que a cápsula pode eventualmente ter uma resposta de freqüência diferente da agulha. Fica valendo o menor valor. Por exemplo, uma agulha com resposta até 15 kHz instalada em uma cápsula com uma resposta de freqüência de 20 Hz a 20 kHz fará com que a resposta de freqüência do conjunto será de 20 Hz a 15 kHz.

Saber a resposta de freqüência de uma cápsula ou agulha é relativamente fácil. Primeiro, você precisa saber a marca e o modelo da cápsula e da agulha do seu toca-discos. Isso é fácil porque na maioria das vezes está escrito. Em seguida, veja no manual da cápsula e da agulha essa característica. Você pode ainda encontrar esses dados na Internet, no site do fabricante. Por exemplo, no site da Stanton (http://www.stantonmagnetics.com), um dos mais famosos fabricantes de cápsulas e agulhas, encontramos que a resposta de freqüência da cápsula/agulha 680 EL II é de 20 Hz a 18 kHz, por exemplo.

Um outro macete para descobrir a resposta de freqüência de uma agulha é procurar por uma agulha igual nas lojas especializadas. Na caixinha em que a agulha vem há discriminado essa informação, inclusive com um gráfico.

Se o seu toca-discos utilizar uma cápsula do tipo que vem presa ao próprio braço do toca-discos, então essas especificações estão no manual do próprio toca-discos.

Por falar nisso, o ideal é que você utilize uma agulha nova para converter seus LPs para CDs, para evitar que o som saia imperfeito (abafado, por exemplo) por causa de uma agulha velha.

Conectando o Toca Discos

Agora que você já sabe como identificar uma boa placa de som e um bom toca-discos para que a sua conversão fique perfeita, falaremos agora sobre como o toca-discos deve ser conectado ao micro. Para isso, você precisará dos seguintes componentes:

  • Um toca-discos;
  • Um receiver;
  • Um computador com placa de som instalada;
  • Um cabo RCA estéreo com fio terra para conectar o toca-discos ao receiver;
  • Um cabo com conector mini (P2) estéreo em uma das pontas e na dois conectores RCA na outra para conectar o receiver ao computador;
  • Caixas acústicas para monitorar o que está sendo gravado.

Primeiro vamos dar uma olhada no cabo que conecta o toca-discos ao receiver. Este cabo é mostrado na Figura 1 e possui três plugues em cada ponta, sendo que um deles é um conector padrão RCA vermelho (ou amarelo), outro é um conector padrão RCA branco (ou preto) e o outro é um fio terra com um terminal no formato de um “Y”.


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Figura 1: Cabo usado para conectar o toca-discos ao receiver.

Localize na parte traseira do seu toca-discos onde os plugues devem ser conectados. Você encontrará dois conectores RCA fêmea e um parafuso de rosca manual (isto é, que não precisa de uma chave de fenda para ser aparafusado) para ligar o fio terra, veja na Figura 2.


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Figura 2: Plugues do toca-discos.

Conecte o plugue macho vermelho (ou amarelo) do cabo no conector fêmea vermelho (ou amarelo ou que esteja rotulado como “R” ou “Right”) do toca-discos. O plugue macho branco (ou preto) do cabo deve ser encaixado no conector fêmea branco (ou preto ou que esteja rotulado como “L” ou “Left”), e por fim você deve aparafusar o fio terra no parafuso de rosca manual do toca-discos. O correto aterramento é muito importante, já que se este fio não estiver conectado ou conectado de forma indevida (mal-contato) você terá problemas de ruído. Esse esquema de cores para a conexão do cabo será o mesmo daqui por diante.


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Figura 3: Plugues devidamente encaixados no toca-discos.

Conectando o Toca Discos (Cont.)

A outra ponta do cabo você precisará conectar ao receiver. Você não pode conectar o toca-discos diretamente ao seu micro, você precisa usar um receiver. Isto acontece por dois motivos. Primeiro, a impedância da saída do toca-discos e da entrada da placa de som são diferentes, o que significa que o volume do som será muito baixo. Segundo, a saída do toca-discos não tem equalização RIAA. Falaremos sobre isto daqui a pouco.

Olhando na parte traseira do seu receiver você encontrará vários plugues. O toca-discos deve ser conectado aos plugues rotulados como “Phono” e a sua placa de som deve ser conectada aos plugues rotulados como “Tape Out” ou “Record Out”. Veja isso na Figura 4.


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Figura 4: Plugues localizados na parte traseira do receiver.

Conecte a outra ponta do cabo do toca-discos na entrada Phono. O conector RCA macho vermelho (ou amarelo) do cabo deve ser conectado ao plugue RCA fêmea “Phono” vemelho (ou amarelo ou que esteja rotulado como “R” ou “Right”) do receiver e o conector RCA macho branco (ou preto) do cabo deve ser conectado ao plugue RCA fêmea “Phono” branco (ou preto ou que esteja rotulado como “L” ou “Left”) do receiver. O fio terra deve ser aparafusado no parafuso de rosca manual rotulado como “Ground” ou “GND” no receiver. Mais uma vez, esta conexão é muito importante. Se você não conectar o fio terra ou se a conexão não for bem feita, você terá problemas de ruído.

Na Figura 5 você pode verificar a instalação do cabo.


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Figura 5: Toca-discos conectado ao receiver.

Conectando o Receiver

Você agora precisará conectar o receiver ao seu micro. Para isso, você precisará de um cabo que possui em uma das pontas um plugue mini estéreo (também chamado P2 e é o mesmo plugue usado por walkmans, discmans e MP3 players para conectar o fone de ouvido) e na outra ponta dois plugues RCA. Se você tiver dificuldade para encontrar este cabo, procure por um “cabo para conectar meu discman ao meu som” nas lojas. Veja esse cabo na Figura 6.


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Figura 6: Cabo usado para conectar o receiver ao micro.

Os plugues RCA serão instalados nas saídas rotuladas como “Tape Out” do seu receiver, enquanto que o plugue mini (P2) será instalado na entrada rotulada como “Line In” do seu micro. Conecte o plugue macho vermelho (ou amarelo) do cabo no conector fêmea vermelho (ou amarelo ou que esteja rotulado como “R” ou “Right”) do receiver e o conector RCA macho branco (ou preto) do cabo no conector fêmea branco (ou preto ou que esteja rotulado como “L” ou “Left”) do receiver. Preste atenção para conectar o cabo no lugar certo – “Tape Out”. Você precisará de um receiver com este tipo de saída disponível.


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Figura 7: Cabo conectado ao receiver.

Na Figura 8 você pode ver o aspecto final da instalação do cabo no receiver.


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Figura 8: Aspecto final da instalação do cabo no receiver.

Conectando o Receiver (Cont.)

Agora você precisa instalar a outra ponta do cabo – o plugue mini (P2) – na entrada “Line In” da sua placa de som. Esta entrada geralmente usa um plugue azul. Dê uma olhada na parte traseira do seu computador e localize-a com ajuda da Figura 9.


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Figura 9: Plugues da placa de som.

Simplesmente conecte o plugue na entrada Line In (conector azul), como você pode ver na Figura 10.


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Figura 10: Cabo instalado.

Como você precisará de uma par de caixas de som para monitorar o que está sendo gravado, a instalação dos cabos na placa de som ficará como mostramos na Figura 11. As caixas de som devem ser conectadas na saída “Speaker Out”, que usa um conector verde.


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Figura 11: Aspecto final da instalação do cabo na placa de som.

Equalização RIAA

Agora que você já conectou seu toca-discos ao micro, é hora de explicarmos alguns detalhes técnicos envolvidos no processo de conversão.

No processo de gravação dos discos de vinil, o som é equalizado de acordo com uma curva chamada RIAA (Record Industry Association of America) ou CCIR (Comite Consultatif International des Radiocommunications, que era o órgão europeu equivalente ao RIAA; atualmente o CCIR chama-se ITU, International Telecomunications Union). Essa equalização faz com que os sons abaixo de 500 Hz sejam atenuados e os sons acima de 2.120 Hz sejam aumentados. Em outras palavras, no processo de gravação dos discos de vinil, os sons graves são cortados e os sons agudos, aumentados. Esse processo passou a ser feito a fim de facilitar e padronizar a gravação de discos em larga escala, permitindo que todos os fabricantes utilizassem um mesmo padrão de equalização para a gravação dos discos de vinil.

Quando um toca-discos é ligado na entrada Phono de um amplificador ("receiver"), o circuito pré-amplificador existente faz o inverso da curva RIAA: amplifica mais os sons graves e atenua os sons agudos, de modo a cancelar a equalização "errada" feita quando o disco foi gravado, de modo que a reprodução do som saia perfeita, isto é, com os graves e agudos em seus níveis corretos e não exageradamente atenuados ou amplificados.

Por falar na curva RIAA, encontraremos um grande problema na gravação de discos gravados antes de 1955. Foi neste ano que o processo RIAA passou a ser adotado pela indústria fonográfica. Antes deste ano, a curva RIAA não era usada. Isso significa que ao tocar LPs gravados antes de 1955, os sons graves serão amplificados e os sons agudos, cortados, pelo circuito pré-amplificador. Como o som não foi gravado com os graves atenuados nem com os agudos amplificados, o som ficará desequalizado. A solução é aplicar, no programa usado para gravar os sons, uma equalização RIAA inversa, anulando a equalização feita pelo circuito pré-amplificador, fazendo com que os graves e os agudos sejam colocados em seus níveis corretos de equalização. Isso pode ser feito através do programa DC Art (http://www.diamondcut.com), usando a função "Reverse RIAA" de seu equalizador paramétrico.

Gravando o LP

Finalmente chegou a hora de gravarmos os nossos discos de vinil no disco rígido do micro. O processo se resume ao seguinte:

  • Gravar o LP em formato Wav;
  • Editar o arquivo gerado para normalizar seu nível de volume;
  • Editar o arquivo gerado de forma a eliminarmos os ruídos inerentes aos discos de vinil;
  • Gravar os arquivos Wav em um CD, no formato CD-DA (CD de áudio), fazendo com que o CD possa ser tocado em qualquer aparelho de CD.

Para a gravação, você precisará usar um programa de gravação de arquivos Wav. No mercado existem inúmeros programas e você pode até mesmo usar o programa que acompanha a sua placa de som. Caso você não tenha um programa desse tipo, você pode fazer uma procura em http://www.shareware.com por "wav editor" e você encontrará vários de programas desse tipo. Nós particularmente recomendamos o Cool Edit (http://www.syntrillium.com) e o Sound Forge (http://www.sonicfoundry.com), que são os mais usados por profissionais do ramo.

Após ter instalado o programa de gravação Wav em sua máquina, o restante do processo é relativamente simples.

O primeiro passo que você deverá dar é configurar o mixer do micro. O mixer é acessado dando um duplo clique sobre o ícone do alto-falante existente na barra de tarefas (canto inferior direito). Existem duas telas de configuração que você precisará mexer. Primeiro, a configuração dos controles de reprodução. Para isso, selecione a opção Propriedades do menu Opções. Na tela que aparecerá, selecione "Reprodução" no campo "Ajustar volume para" e marque todas as caixas existentes no campo "Mostrar os seguintes controles de volume". Isso fará com que todos os controles de volume existentes em sua placa de som sejam mostrados. O mixer será mostrado com todos os ajustes de nível de volume para reprodução. Você deverá marcar a caixa "Sem áudio" para todas as entradas que não serão utilizadas: Microfone, Auxiliar, Modem, Vídeo, Sintetizador, CD, etc. As entradas Controle de Volume, Linha e Onda são as únicas que deverão permanecer desmarcadas, para que você possa escutar o seu trabalho durante o processo de gravação e edição.

Em seguida, configure qual entrada será usada para gravar o arquivo Wav. Para isso, selecione a opção Propriedades do menu Opções do mixer. Na tela que aparecerá, selecione "Gravação" no campo "Ajustar volume para". Em seguida aparecerá um mixer igual ao anterior, porém dessa vez você está ajustando qual entrada será usada para gravar. Selecione Linha (marcando a caixa "Selecionar" existente). O controle de volume Linha controla o nível do volume do toca-discos. Recomendamos que ele fique ajustado no meio.

Após ter configurado o mixer, basta você escolher a opção Rec (Record Sound ou similar) no programa, clicar no ícone que indica início de gravação e colocar o lado A do LP para tocar. Mas antes, você deverá verificar o nível de gravação, para que o som não fique nem baixo demais nem alto demais (o que acarreta em distorção sonora). Essa verificação varia de programa para programa. No Sound Forge, isso ocorre de maneira automática: você clica para gravar e aparece uma janela contendo barras indicadoras verticais do nível de gravação. Basta colocar o disco para tocar lá pelo meio dele e ajustar o controle de volume de Linha (na configuração de gravação do mixer, o tal controle que recomendamos que ficasse no meio de seu curso). O ideal é ajustar esse controle de modo que o áudio fique na média batendo na faixa de -3 dB do gráfico, com picos máximos de 0 dB. Obviamente esse ajuste não é tão simples.

Mas, para a nossa sorte, a maioria dos programas editores de Wav possuem uma função chamada Normalize, que analisa o áudio gravado e ajusta o volume do arquivo adequadamente. Ou seja, com o ajuste que recomendamos (controle do mixer posicionado no meio), o som será gravado com volume abaixo do recomendado, e depois iremos, através do programa editor, corrigir o volume do arquivo. Nossa recomendação é que você grave sempre com um nível abaixo (e nunca acima) e depois corrija o volume com a função Normalize do editor.

Gravando o LP (Cont.)

Após ter ajustado corretamente o nível de volume de gravação, coloque o lado A do LP para gravar. Quando o lado A terminar, clique no ícone de parar gravação (stop). Ao final da gravação você deverá estar vendo na tela uma forma de onda. Caso isso não ocorra, reveja o processo, principalmente a configuração do mixer. Em seguida, você deverá gravar o lado B do LP. Recomendamos que isso seja feito no mesmo arquivo Wav, ao final. Isto é, grave o lado B ao final do lado A, de modo que todas as músicas fiquem gravadas em um mesmo arquivo. Para isso, basta clicar sobre a onda na tela e pressionar as teclas Control e End. Em seguida, coloque o programa para gravar novamente.

O ideal é sempre você começar a gravar um pouco antes e terminar de gravar um pouco depois das músicas do LP. Isso fará com que você não perca nenhum pedaço das músicas. Depois, dentro do próprio editor de Wav, nós cortaremos esses pedaços não desejados.

Salve o seu arquivo através da opção Save do seu editor. Pronto, o seu disco de vinil foi totalmente convertido para um arquivo Wav.

O próximo passo é corrigir o volume do arquivo através da função Normalize do editor de Wav. No Sound Forge essa função está no menu Process. Essa função analisa o arquivo e pega os picos dele e os "estica" (se você gravou o som com volume mais baixo, como recomendamos), fazendo com que o pico máximo fique em 0 dB. Isso fará com que o volume das músicas fique no mesmo nível dos CDs gravados comercialmente. Não se esqueça de salvar o arquivo após aplicar essa função.

Após o áudio estar em seu nível correto de volume, você deverá aplicar filtros para apagar os ruídos inerentes aos discos de vinil. Os ruídos podem ser classificados em basicamente dois tipos: o chiado de fundo e estalos. Existem no mercado vários programas para eliminar esses tipos de ruído, como o DC Art (http://www.diamondcut.com). Se você usa o Sound Forge (ou outro programa que aceite os filtros do Sound Forge), poderá usar um pacote de filtros chamado Noise Reduction. Há vários sharewares com essa mesma finalidade (entre em http://www.shareware.com e faça uma procura por "noise reduction" para conhecer vários programas desse tipo), como o DePopper (http://www.droidinfo.com). O DePopper ainda tem como facilidade ter embutido a opção Normalize, fazendo todo o processo de normalizar o som e eliminar ruídos automaticamente.

Como a maioria das pessoas que lida com informática já deve saber, a escolha de um programa é puro gosto pessoal. Nós daremos nossos exemplos usando o programa Sound Forge com o pacote de filtros Noise Reduction instalado apenas por uma questão de comodidade, já que esse programa é um dos mais famosos na área de edição de áudio. Isso não quer dizer, em hipótese alguma, que não existam no mercado programas tão bons quanto ele.

No Sound Forge com o Noise Reduction instalado, escolha a opção Sonic Foundry Noise Reduction do menu DirectX. Na janela que abrirá, você poderá clicar na caixa Preview para escutar como o som ficará depois de você aplicar o filtro. Devemos ter muito cuidado no uso de filtros, pois eles poderão, além de eliminar ruídos, eliminar parte da música, tornando o resultado final muito ruim. Daí a importância da função Preview, para você escutar se o filtro funcionará a contento ou não. Em muitos casos, o som ficará abafado ou "metálico". Como você poderá ver, esse filtro permite inúmeros ajustes e eventualmente o ajuste configurado poderá ser ruim. Em nossos testes, a pré-configuração de fábrica removeu corretamente o ruído de dezenas de LPs que convertemos em CDs. Sugerimos que você a use. Só mexa nos ajustes se realmente o arquivo Wav que você gravou estiver com um nível muito alto de ruído, não se esquecendo de usar sempre a função Preview para ouvir se a sua configuração não está piorando o som em vez de melhorá-lo. Ao encontrar o "ponto certo", aplique o filtro e salve o seu arquivo Wav.

Removendo Estalos

A remoção dos estalos pode ser feita de forma automática ou de forma manual. O problema de usar filtros que automaticamente removem estalos é que muitas vezes o filtro, se estiver configurado inadequadamente, remove também pedaços da música, deixando o som abafado ou "metálico" (com pequeno eco). Se o som gravado não possuir estalos, não há a necessidade de usar esse filtro, passando diretamente para a etapa seguinte, que é separar as músicas gravadas em um único arquivo Wav em vários arquivos Wav distintos.

Você pode experimentar usar o filtro "Sonic Foundry Click and Crackle Removal" do menu DirectX do Sound Forge. Use a opção Preview para ouvir se o filtro funcionará a contento. Experimente alterar o filtro pré-configurado para ver se o resultado melhora. Em nossos testes, obtivemos mais sucesso usando a pré-configuração 2 (colocando "Click removal 2" no campo Preset). Você também poderá experimentar outros programas para a remoção automática de estalos, como o DePopper que citamos na página anterior.

Se a quantidade de estalos for baixa, você poderá simplesmente removê-los de forma manual, o que normalmente gera uma qualidade final melhor. O processo é simples e consiste em selecionar o estalo e aplicar o filtro Sonic Foundry Click and Crackle Removal do Sound Forge só na área selecionada. Com isso, somente o estalo é realmente eliminado e você garante que o restante da música não ficará abafada nem "metálica", já que o filtro só será aplicado no estalo.

Na figura nós vemos claramente um grande estalo no canal direito. Em geral, estalos são facilmente visíveis como o da figura. Basta selecionar com o mouse a área do estalo e aplicar o filtro para que ele suma.


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Figura 12: Estalo grande.

Para estalos menores, basta você colocar o arquivo Wav para ser executado e parar a execução no momento em que você ouvir um estalo (não se esqueça de ir acompanhando o cursor que vai indicando o ponto da música que está sendo executado para você conseguir visualizar mais ou menos onde o estalo está localizado). Em seguida, marque a região que acabou de ser tocada e aplique um zoom. Você verá claramente o estalo. Veja, na próxima figura, um exemplo, onde temos um pequeno estalo no início do trecho selecionado (em cima, canal esquerdo) e um estalo um pouco maior no canal direito, aproximadamente no meio do trecho selecionado. Basta selecionar cada estalo e aplicar o filtro para que o estalo suma.


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Figura 13: Dois pequenos estalos.

A remoção de estalos pode ser um processo realmente muito trabalhoso, especialmente se o disco gravado estiver com muitos estalos e se você não estiver conseguindo com que nenhum filtro de eliminação automática de estalos funcione a contento, isto é, esteja fazendo com que o som perca qualidade (fique abafado ou "metálico").

Separando as Faixas

Após remover os estalos, as suas músicas estarão prontas para serem gravadas em CD. Só não se esqueça de salvar o seu trabalho. Antes de passar as músicas para CD teremos de separá-las em vários arquivos Wav, um para cada música, pois afinal por enquanto todas as músicas estão gravadas em um único arquivo. Esse processo pode ser feito através do próprio Sound Forge ou então através de um shareware muito interessante chamado LP Ripper (http://www.cfbsoftware.com.au).

O LP Ripper analisa o seu arquivo Wav e procura pelos espaços em branco normalmente existente entre as músicas, marcando automaticamente onde começa e onde termina cada faixa. Ao usar esse programa, após a análise, é bom conferir para ver se ele marcou corretamente o início e o final de cada faixa. Use a opção Trim Tracks do menu Edit. Com essa função você pode fazer o ajuste fino, indicando exatamente onde começa e onde termina cada faixa. O LP Ripper só não consegue analisar muito bem discos onde as faixas são contínuas, isto é, não há o famoso espaço em branco entre elas. Nesse caso, a dica é você entrar manualmente o número de faixas e o tempo de cada uma delas (esse tempo está escrito nos rótulos do disco), fazendo em seguida o ajuste fino com a opção Trim Tracks.


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Figura 14: LP Ripper.

Se você for usar o Sound Forge você deverá marcar cada faixa como sendo uma região. Para isso, você deve selecionar o início e o fim de cada faixa e marcar a região. O início da faixa deve ser marcado de modo que não sobre nenhum "espaço em branco" antes da música, enquanto o final da faixa deve ser marcado de modo que você não corte o efeito "fade" (que é aquele efeito da música ir abaixando o volume até chegar a zero no final de cada faixa) nem tampouco deixe espaço em branco após o final da faixa. Por isso, o ideal é você ir escutando sempre na medida em que vai marcando. Com o tempo você pegará a prática necessária para esse processo. As regiões são marcadas através do menu Special opção Region List, selecionando Add do menu que aparecerá. Depois de marcar, confira se o início e o final foram marcados nos locais corretos. Use a ferramenta de zoom para conferir isso e ajuste a região (movendo o marcador de região para a esquerda ou direita) caso você precise fazer um ajuste fino na marcação.


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Figura 15: Usando o Sound Forge para separar as faixas.

Após as regiões estarem marcadas, o próprio Sound Forge as transforma em arquivos Wav independentes, através da opção Extract Regions no menu Tool.

Gravando o CD

Com as faixas do seu disco de vinil gravado em arquivos Wav diferentes, você poderá gravar o seu CD (ou então converter os arquivos para o formato MP3, caso deseje – o próprio Sound Forge faz isso, bastando abrir o arquivo e salvá-lo usando a opção Save As alterando o tipo de arquivo para MP3).

Se você usa um programa como o Easy CD Creator, basta iniciar um novo projeto de CD de áudio (CD-DA) e arrastar para o projeto os arquivos Wav que representam as faixas de seu disco de vinil, não se esquecendo de colocar os arquivos na mesma ordem que eles foram gravados no disco original.

Uma dica importante na hora da gravação: você tem duas opções para gravar CDs de áudio, Track-at-once e Disc-at-once. A primeira opção deve ser usada caso você queira um espaço de 2 segundos em branco entre cada faixa. Já a segunda opção elimina esse espaço e é especialmente recomendado para discos onde suas músicas originalmente eram contínuas e você apenas separou os arquivos para criar um sistema de indexação (isto é, permitir que você pule diretamente para uma faixa do disco e não criar um disco com uma única faixa contínua). Não se esqueça de mandar fechar o disco, ou o seu CD não conseguirá ser lido por CD players convencionais.

Figura 16: Escolhendo o método de gravação do CD.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Converta-seus-LPs-em-CDs/510

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