Entrevista com o Inventor da Psyko Labs
Por André Gordirro em 25 de maio de 2009
Introdução
De vez em quando alguém resolve romper com o marasmo e repensar coisas simples como, por exemplo, o headphone. Uma dessas pessoas é James Hildebrandt, engenheiro mecânico com especialização em acústica e métodos de simulação de física. Ele é o fundador e CEO do Psyko Audios Labs, que vai lançar o Psyko 5.1 PC Gaming Headset System. O equipamento usa dutos de ventilação para simular um home theater na cabeça do usuário (sistema chamado de WaveGuide), evitando a latência e o processamento digital de sinais (Digital Signal Processing, ou DSP) completamente. A idéia é promover uma imersão sonora natural e um direcionamento preciso do que é ouvido.
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Figura 1: O Psyko 5.1 PC Gaming Headset System.O toque revolucionário está na concepção do equipamento, cujas caixas de som propriamente ditas não estão nos fones, para começar. Elas ficam acima da cabeça do usuário, na alça do headphone. O sistema WaveGuide direciona os sons frontais para que cheguem pela frente dos ouvidos, fazendo o contrário com os sons traseiros, da mesma forma como o som interage com os ouvidos de uma pessoa em uma sala.
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Figura 2: Como funciona.A Entrevista – Parte 1
Nós falamos com James Hildebrandt para que nos explicasse as inovações de sua criação, e como compará-la aos headphones 5.1 para jogos já existentes no mercado. E não se preocupe com o nome do produto – pode parecer coisa de louco, mas não tem nada de psicótico sobre ele. Na verdade, o nome vem de psicoacústica, ramo da ciência que estuda como ouvimos e interpretamos os sons.
Quanto tempo levou o processo de criação e teste do Psyko 5.1 PC Gaming Headset System?
Tive a inspiração há nove anos, e venho desenvolvendo, construindo e testando protótipos desde então. Nem todo esse tempo foi gasto com essas etapas, porque também foi preciso encarar todos os aspectos de começar uma empresa do zero, mas fizemos muitos testes, envolvendo provavelmente umas mil pessoas.É possível dizer que o sistema WaveGuide tenta recriar a experiência das ondas sonoras viajando pelo ar de um aposento comum? Essa era a idéia por trás do projeto?
É exatamente isso. A idéia do sistema era direcionar o som corretamente a cada ângulo à volta dos ouvidos, como o ar de uma sala comum.Claro que recriar a experiência do som 5.1 em um headphone foi o centro das atenções do projeto. Mas e sobre o microfone do Pysko headset? É inovador ou apenas um modelo comum?
Realmente a inovação está no headphone. Testamos vários microfones e escolhemos o melhor.Como vocês evitaram o processamento digital de sinais?
Ao criar algo que funciona exatamente como o sistema de caixas de som de uma sala. Isso significa que pegamos o sinal que normalmente iria para a caixa de som pendurada em uma sala e o levamos para a caixa equivalente na alça do headphone. O sistema WaveGuide cuida da precisão, volume e direcionamento. Assim como o som em um ambiente, isso é pura física, e totalmente eficaz.O aparelho parece meio grande. Você acha que os fãs de games não prefeririam um headphone mais leve e confortável, especialmente depois de horas jogando?
O Psyko é mais pesado que os headphones tradicionais, mas ele é composto por câmaras do sistema WaveGuide, que conduzem ar, então são mais leves do que a maioria das pessoas pensaria ao olhá-lo.Além da ciência por trás do produto, é notável que o design futurista do Pysko também ganhou atenção por parte de vocês. Foi uma decisão consciente para apelar ao senso estético de quem curte games, e assim evitar um headphone grandalhão e feioso?Sim, demos muita atenção ao design e contamos com uma equipe de gente bem talentosa nesse sentido.
A Entrevista – Parte 2
Há outros sistemas de headphone 5.1 no mercado, como o EarForce HPA2 da Turtle Beach. Como eles se comparam ao Psyko 5.1 PC Gaming Headset System?
As diferenças entre eles e o Psyko são imensas, especialmente no funcionamento, que resultam em grande disparate na experiência auditiva.Vou falar um pouco sobre psicoacústica, a tecnologia de como interpretamos o som. Quando você ouve algo em um ambiente, há três elementos sonoros que seu cérebro usa para determinar a localização; se não forem reproduzidos fielmente, você não saberá a direção de onde vêm: 1) a sincronia entre o ouvido esquerdo e direito; 2) a diferença de volume entre o canal direito e esquerdo indica para o cérebro o ângulo de onde vem o som, que pode estar à sua frente ou atrás de você; 3) como o som flui pela frente ou por trás dos ouvidos. O som refletido pela parte exterior da orelha informa se o som está vindo de trás ou pela frente. Agora, vamos ver como outros headphones tentam fazer com que o usuário pense que está ouvindo som surround.
Um método clássico é colocar várias saídas de som ao redor do ouvido. Há dois problemas nesse sistema: primeiro, elas só reproduzem sons do canal esquerdo em seu ouvido esquerdo, e o contrário no direito, o que é artificial. Segundo, o som não flui vindo pela frente ou por trás do seu ouvido. As saídas de som apenas apontam diretamente para ele.
A segunda saída é usar processamento digital de sinais (Digital Signal Processing, ou DSP) para alterar o som. Algumas freqüências do canal frontal ganha um reforço, e outras do canal traseiro passam pelo mesmo processo. O problema é que o formato da orelha de cada um é tão singular quanto uma impressão digital, então as freqüências que seu cérebro está acostumado a interpretar para saber de onde o som vem são específicas para cada pessoa. Se o formato de seu ouvido casa com aquele para o qual as freqüências foram alteradas, ótimo. Mas para a maioria das pessoas não funciona tão bem.
Então, o que o Psyko faz de diferente? Cada som é produzido em uma das cinco caixas de som localizadas na alça e descem pelos dutos, pelo sistema WaveGuide. A localização de cada uma dá uma noção precisa de tempo e de diferença de volume entre os dois ouvidos, como se você estivesse em um ambiente onde as caixas de som foram corretamente posicionadas. Então o sistema WaveGuide conduz o som ao ponto correto ao redor dos ouvidos, fazendo com que o som frontal venha da frente, e o traseiro chegue por trás. O som é refletido pela orelha como aconteceria numa sala, no tempo certo, com o volume diferenciado para cada ouvido, e o som soa completamente natural.
Dessa forma, os demais headphones estão deixando de lado informações essenciais que seu cérebro precisa receber para detectar a direção do que está sendo ouvido. O Pysko o informa da mesma forma que o som que flui em um ambiente.
Pretendem lançar um modelo para os audiófilos, saindo do nicho de mercado de jogos?
Estamos realmente concentrados em surround 5.1 para jogos, mas fiquem ligados.Ainda assim, é possível ligar o Psyko 5.1 PC Gaming Headset System no home theater da sala?
A versão atual tem conectores analógicos para as saídas 5.1 das placas de som. Não recomendamos ligar esse modelo ao home theater, porque se você colocar o aparelho a todo vapor pode sobrecarregar o headphone e o amplificador do Psyko.
Seu currículo diz que você é viciado em jogos para PC. Quais são seus favoritos, e em qual deles testou o Psyko 5.1 PC Gaming Headset System?
Meus favoritos são Unreal Tournament, Battlefield 1942 e Call of Duty. Houve ocasião em que fui alterar alguma coisa em um protótipo e pensei em testá-lo por alguns minutos, e eis que quatro horas se passaram e já eram duas da madrugada.Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Entrevista-com-o-Inventor-da-Psyko-Labs/1664
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