IDF Brasil 2005
Por Gabriel Torres em 09 de dezembro de 2005
Introdução
No dia 6 de dezembro passado a Intel realizou a segunda edição brasileira do seu Intel Developer Forum (IDF), em São Paulo, no Hotel Meliá World Trade Center. O IDF reúne especialistas de tecnologia em uma série de palestras, aulas e eventos que ocorre em paralelo. A edição Brasileira segue o mesmo perfil das edições que ocorrem fora dos EUA (são nove edições fora dos EUA, sendo que a do Brasil é a única que ocorre no hemisfério sul), sendo um evento de apenas um dia, contra os três dias para cada edição do IDF norte-americano, que ocorre duas vezes por ano em São Francisco.
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Figura 1: Palestra do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, na abertura do IDF Brasil 2005.O número de participantes deste IDF paulista foi o dobro do evento realizado no ano passado: 975 pessoas prestigiaram o evento. Além do maior número de participantes e de palestras ocorrendo simultaneamente, a edição deste ano contou com temas mais voltados ao mercado Brasileiro, tais como “Definindo Plataformas para Mercados Emergentes”, “Programa de Empreendedorismo Tecnológico na Universidade”, “Painel Sobre Capital Empreendedor no Brasil”, só para citarmos alguns. Os eventos mais técnicos foram um “repeteco” do que já havíamos visto em outras edições do IDF que participamos nos EUA e Israel, mas sem dúvida uma excelente oportunidade para quem não pode viajar para o exterior para assistir a apresentações deste calibre.
Além disso, foi interessante ver a estudos de casos brasileiros nas palestras, como foi o caso da palestra Tendências das Tecnologias Móveis para 2007, sobre a qual falaremos na próxima página, que contou com um estudo de caso da implementação de solução wireless para os gerentes de campo da filial brasileira do Citibank.
A celebridade convidada pela Intel para abrir o IDF Brasil 2005 foi o ministro das comunicações, Hélio Costa, que explicou muitas coisas interessantes sobre a implementação da TV digital no Brasil.
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Figura 2: O Exmo. Sr. Ministro das Comunicações Hélio Costa.A grande pergunta que continuávamos sem resposta sobre a implementação da TV digital no Brasil foi finalmente respondida pelo ministro: porque tanta demora na definição de um padrão de TV digital para o Brasil e porque o Ministério das Comunicações está gastando tanto dinheiro com a pesquisa e desenvolvimento da TV digital no Brasil (só esse mês o ministério deve gastar mais R$ 52 milhões). Não seria caso de simplesmente escolher um padrão já existente (ASTC, DVB-T ou ISDB-T, leia nosso tutorial sobre o assunto) e implementá-lo?
A questão toda é que 80% das transmissões de TV no Brasil ainda são terrestres, isto é, usando antenas comuns, uma realidade completamente diferente dos EUA, Europa e Japão, onde os atuais padrões de TV digital foram desenvolvidos. No exterior a TV digital só existe por cabo ou satélite e a proposta do governo é que a TV digital no Brasil seja terrestre, isto é, via antena comum, daí o motivo de tantos testes de campo e tanto dinheiro gasto em testes e desenvolvimento de ferramentas para garantir que a TV digital funcione corretamente no Brasil, país com uma realidade mercadológica e geográfica completamente diferente de outros países.
Após a abertura do IDF houve a apresentação de Bill Siu, exatamente a mesma apresentada por Paul Otellini no IDF Fall 2005 realizado em agosto deste ano em São Francisco, então não vamos repeti-la aqui. Neste IDF Brasil 2005 também houve várias apresentações sobre a tecnologia Wi-Max, que já falamos aqui na cobertura do IDF Fall 2004.
A Intel está realmente apostando firme no Wi-Max como solução de rede sem fio para áreas metropolitanas e também para a idéia do “rádio que se adapta”, isto é, dispositivos móveis como celulares e notebooks capazes de detectar qual tipo de rede sem fio está disponível no local e usar automaticamente a que seja melhor. Prova disso é que a Intel comprou a empresa israelense Envara, que liderava o desenvolvimento do padrão Wi-Max, e também os testes com o Wi-Max que a Intel está fazendo no mundo todo, inclusive no Brasil (testes em Belo Horizonte começarão em breve em parceria com a TVA).
Das sessões apresentadas, a que mais no interessou foi a “Tendências das Tecnologias Móveis Para 2007”, sobre a qual falaremos na próxima página.
Tendências das Tecnologias Móveis Para 2007
Esta apresentação foi dada por Gary Forni, diretor do departamento de habilitação dos fornecedores independentes de software do grupo de telefonia celular e handhelds da Intel, um dos convidados internacionais do evento. Forni apresentou números muito interessantes sobre o mercado de notebooks e celulares no Brasil e no mundo.Primeiro, as vendas dos PCs estão crescendo novamente e a Intel acredita que neste ano serão vendidos 200 milhões de PC no mundo.
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Figura 3: Projeção de vendas de PCs no mundo.Das vendas de PC no mundo, neste ano os notebooks estão vendendo mais do que PCs, veja o gráfico abaixo.
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Figura 4: Vendas de desktops vs. vendas de notebooks (mercado mundial).Na América Latina, as vendas de PCs crescem a uma taxa maior que a média mundial. Enquanto no mundo as vendas de PCs estão crescendo 15% ao ano, no Brasil este crescimento é de 22% ao ano. Interessante notar que o crescimento na venda de PCs é alto mas não tão alto quanto o observado em determinados nichos de mercado, tais como o de tocadores de MP3 (crescimento de 30 a 40% ao ano) e tocadores de vídeo portáteis (crescimento de 79% ao ano). É claro que tais mercados são menores e ainda pouco explorados, daí as altas taxas de crescimentos.
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Figura 5: Crescimento na venda de PCs na América Latina.Tendências das Tecnologias Móveis Para 2007 (Cont.)
O crescimento do mercado de celulares no Brasil é espantoso e no Brasil temos mais celulares do que linhas fixas.
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Figura 6: Crescimento do mercado de celulares no Brasil.Apesar desses indicadores, na América Latina a venda de notebooks ainda é baixa.
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Figura 7: Penetração de notebooks no mercado latino-americano.Forni falou também do novo processador para celulares Monahans, que vimos pessoalmente no IDF TelAviv 2005 (leia nossa cobertura deste IDF para detalhes completos sobre este novo chip). Com este novo processador, celulares terão um novo nível de poder de processamento, podendo executar diversas aplicações que atualmente não rodam direito, especialmente vídeo. Os processadores da série PXA26x rodam vídeo entre 7 e 10 quadros por segundo, processadores da série PXA27x rodam vídeo na faixa dos 15 quadros por segundo, enquanto o Monahans roda vídeos a 30 quadros por segundo.
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Figura 8: Comparação do poder de processamento do Monahans com outros chips de celulares da Intel.O diretor da Intel falou ainda da convergência das tecnologias móveis sem fio, que já explicamos em detalhes em nossa cobertura do IDF Fall 2003.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/IDF-Brasil-2005/1135
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