Placa-Mãe DFI AD77 Infinity
Por Gabriel Torres em 15 de novembro de 2002
Introdução
A AD77 Infinity é o lançamento mais recente da DFI para processadores AMD, sendo o seu modelo topo de linha, usando o novo chipset VIA KT400, que aceita memórias DDR400/PC3200 e barramento AGP 8x, e trazendo uma porta Serial ATA. Nós já havíamos visto essa placa na Computex 2002 em Taiwan, e chegou a hora de finalmente testá-la.
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Figura 1: Placa-mãe DFI AD77 Infinity.Essa placa-mãe traz vários recursos extras. Para começar, ela possui uma série de LEDs de diagnóstico POST, funcionando de maneira similar (porém rudimentar) aos displays de diagnóstico POST. Na Figura 2 vemos esses quatro LEDs em ação (eles ficam próximos aos slots PCI).
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Figura 2: LEDs de diagnóstico da placa-mãe DFI AD77 Infinity.Suas duas portas IDE são ATA-133 e ela tem uma porta IDE ATA-133 adicional, controlada pelo chip HighPoint HPT371 (é a primeira vez que vemos esse chip em ação). Esse chip só tem um canal IDE. Essa porta extra é RAID, mas só dá para fazer RAID com dois discos, ligados nessa porta através do esquema master/slave. Ou seja, se for usar o recurso RAID só dá para escolher entre divisão de dados (RAID 0) ou espelhamento (RAID 1), não dá para fazer os dois ao mesmo tempo, já que o uso simultâneo necessita de ao menos quatro discos rígidos IDE.
Já a porta Serial ATA existente é controlada pelo chip Marvell 88i8030. Na Figura 3 você confere o chip HighPoint HPT371 (canto inferior esquerdo), ponte sul do chipset da placa-mãe (VIA VT8235), a porta IDE extra (conector vermelho), a porta Serial ATA (conector preto) e o chip Marvell 88i8030 (acima da porta Serial ATA).
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Figura 3: Dispositivos IDE extras da placa-mãe DFI AD77 Infinity.No tocante à memória, essa placa-mãe usa o chipset VIA KT400, que suporta memórias DDR400/PC3200 e AGP 8x. Ela tem quatro soquetes DDR-DIMM, o que não é muito comum e é um indicador que a placa é de alto desempenho. Ela aceita até 4 GB, uma capacidade total acima da maioria das placas-mães do mercado, que normalmente aceitam um máximo de 2 ou 3 GB.
Ela tem seis portas USB 2.0, controladas pela ponte sul do KT400, o chip VT8235, e três portas FireWire (IEEE 1394), controladas pelo chip VIA VT6306. Estas portas não são soldadas diretamente sobre a placa-mãe, sendo necessário o uso de adaptador. A placa-mãe vem com um adaptador para duas portas FireWire. Muito bom ver cada vez mais a adoção do padrão FireWire pelas placas-mães topo de linha.
Em relação aos demais dispositivos on-board, o áudio on-board dela é de seis canais (codec Realtek ALC650) e ela tem ainda rede on-board, controlada pelo chip VT6103.
O CD que vem com a placa-mãe é careta, trazendo somente os drivers necessários.
Antes de irmos aos testes, vamos dar uma recapitulada em todos os recursos que essa placa-mãe possui.
Principais Especificações
As principais características da DFI AD77 Infinity são:
- Soquete A.
- Chipset: VIA KT400 (AGP 8x, ATA-133, DDR400/PC3200)
- Gerador de clock: ICS 94228BF.
- Super I/O: Winbond W83697HF.
- IDE: Duas portas ATA-133 e uma porta ATA-133 RAID, controlada pelo chip HighPoint HPT371. Ela ainda tem uma porta Serial ATA, controlada pelo chip Marvell 88i8030
- USB: seis portas USB 2.0 (quatro soldadas sobre a placa-mãe, duas através de cabo adaptador que vem com a placa).
- FireWire (IEE1394): três portas, acessíveis através de cabo adaptador (o cabo que vem com a placa tem somente duas portas), controladas pelo chip VIA VT6306.
- Som on-board: Produzido pelo chip Realtek ALC650 (seis canais, resolução de 20 bits para saída, resolução de 18 bits para entrada, relação sinal/ruído de 90 dB).
- Vídeo on-board: Não tem.
- Modem on-board: Não tem.
- Rede on-board: Sim, chip VIA VT6103.
- Buzzer: Não.
- Fonte de alimentação: ATX convencional.
- Slots: 1 slot AGP 8x, 5 slots PCI e 1 slot CNR.
- Memória: 4 soquetes DDR-DIMM (máximo de 4 GB até DDR400/PC3200).
- Quantidade de CDs que acompanha a placa: 1 CD
- Programas que acompanham a placa: VirusScan da Macafee, que só funciona com sistema operacional em inglês.
- Recursos extras: LEDs de diagnóstico.
- Mais informações: http://www.dfi.com.
- Preço médio nos EUA*: US$ 110,00
* Pesquisado em http://www.pricewatch.com no dia da publicação deste teste. Este preço é apenas uma referência para comparação com outras placas. O preço no Brasil será sempre maior, pois devemos adicionar o câmbio, o frete e os impostos, além da margem de lucro do distribuidor e do lojista.
Desempenho da Porta Serial ATA
A porta Serial ATA tem uma taxa de transferência máxima teórica de 150 MB/s, ou seja, em teoria mais rápida do que a porta IDE ATA-133. A nossa maior curiosidade em relação à essa placa-mãe era sobre sua porta Serial ATA. Nossa pergunta básica era: "Qual é o desempenho, na prática, da porta Serial ATA?".
Para fazer esse teste, usamos o dispositivo conversor Serillel, que vem junto com a placa-mãe ABIT AT7-MAX2, que converte discos rígidos IDE convencionais em Serial ATA, visto que não temos nenhum disco rígido Serial ATA.
Fizemos testes de desempenho de disco conectando o nosso disco rígido Samsung SV2001H (20 GB ATA-100) na porta IDE primária ATA-133, anotamos os resultados, e depois o instalamos na porta Serial ATA, usando o adaptador Serillel.
Os resultados foram muito claros - e frustrantes, repetindo o que ocorreu nos testes da porta Serial ATA da placa-mãe ABIT AT7-MAX2. No HDTach (http://www.tcdlabs.com) o nosso disco rígido obteve uma taxa de transferência máxima de 79 MB/s quando instalado na porta ATA-133, mas sua taxa caiu para ridículos 15,3 MB/s quando instalamos o disco rígido na porta Serial ATA, uma queda de 80,63% no desempenho de disco.
O mesmo foi repetido em outros programas que testamos. O Winbench 99 2.0 tem dois testes de disco, um chamado business e outro chamado high-end, que é mais pesado. No primeiro, o disco conectado à porta ATA-133 obteve uma taxa de transferência de 6.430 KB/s, enquanto que o disco conectado à porta Serial ATA obteve uma taxa de 942 KB/s, ou seja, a porta Serial ATA dessa placa-mãe é 85,35% mais lenta que a ATA-133, segundo esse teste. No teste high-end, o disco conectado à porta ATA-133 obteve uma taxa de 15.700 KB/s, enquanto que quando conectamos o disco à porta Serial ATA essa taxa foi de 3.970 KB/s, ou seja, de acordo com este teste a porta Serial ATA dessa placa-mãe é 74,71% mais lenta que a porta ATA-133.
No PCMark2002, o nosso disco rígido conectado à porta ATA-133 obteve 742 pontos (unidade própria do programa), enquanto que quando o conectamos à porta Serial ATA ele obteve apenas 229 pontos, um desempenho 69,14% inferior.
Ou seja, de acordo com esses números fica claro que é melhor usar discos rígidos convencionais conectados às portas IDE convencionais da placa-mãe do que ligá-lo à porta Serial ATA.
Mas isso quer dizer que a porta Serial ATA é ruim e mais lenta que a porta IDE convencional? Não necessariamente. Há vários fatores que devem ser considerados.
Usamos um disco rígido IDE convencional, que foi conectado à porta Serial ATA através de um conversor. Em nossa opinião, essa série de conversões é que fez com que o desempenho caísse. Para ter uma conclusão mais correta sobre o desempenho das portas Serial ATA dessa placa-mãe só mesmo se tivéssemos um disco rígido Serial ATA (infelizmente não temos esse tipo de disco rígido).
Outro ponto importante de ser pensado é em relação à taxa de transferência máxima teórica da porta Serial ATA, de 150 MB/s. Como o chip Marvell 88i8030 é conectado ao barramento PCI, cuja taxa máxima é de 133 MB/s, nos parece ser impossível atingir a taxa máxima do Serial ATA, pelo menos de forma sustentada, isto é, durante muito tempo. De qualquer forma, com os dados que temos e de acordo com os nossos testes, infelizmente não vale a pena usar a porta Serial ATA dessa placa-mãe em conjunto com disco rígidos convencionais usando o dispositivo conversor Serillel da placa-mãe ABIT AT7-MAX2.
Como Testamos
Nós mudamos nossas configurações de teste e nossos procedimentos. Como a diferença de desempenho entre as placas-mães de boa qualidade raramente passa de 4%, não vemos mais a necessidade de executarmos inúmeros testes de desempenho. Afinal, diante de uma placa-mãe desconhecida, o que queremos saber é se o desempenho dela está ou não dentro do "normal".
Passamos a utilizar somente quatro programas para medir o desempenho das placas-mães testadas: PCMark2002 (http://www.futuremark.com), 3DMark2001 SE (http://www.futuremark.com) em sua configuração padrão (1024x768), Quake III Arena (http://www.quake3arena.com) em sua configuração padrão (640x480) e Sandra (http://www.sisoftware.demon.co.uk/sandra/index.htm), em seu teste de taxa de transferência da memória RAM.
Em nossos testes de desempenho usamos um processador Athlon XP 1500+ (1.333 MHz) com cooler ADDA B53. O micro foi montado com 256 MB DDR-SDRAM DDR400/PC3200 TwinMOS, disco rígido Samsung SV2001H (20 GB ATA-100) e placa de vídeo Chaintech AGP-RI93 (GeForce 2 GTS Pro com 64 MB de memória de vídeo DDR-SDRAM). A resolução de vídeo usada foi 800 x 600 x 16 bits.
Entre as sessões de teste, o único periférico diferente era a placa-mãe testada e reformatamos o disco rígido e reinstalamos todos os softwares, em seguida desfragmentamos o disco rígido. Os drivers utilizados foram os seguintes: driver de vídeo nVídia 4.13.01.3082 e driver VIA 4-in-1 4.43v. O sistema operacional utilizado foi o Windows 98 SE em português.
Desempenho de processamento
O desempenho de processamento das placas-mães que testamos foi muito parecido (ver gráfico). Apesar de a Soyo KT333 Dragon Ultra Platinum ter obtido o melhor desempenho, este só foi 3,44% maior que a última colocada, a DFI AD77. Ou seja, podemos considerar que todas essas placas-mães testadas possuem desempenho similar (ver gráfico).
Desempenho de vídeo 3D
Como falamos várias vezes, hoje em dia a melhor forma de se realmente testar o desempenho de uma máquina é através de seu desempenho 3D, já que este tipo de teste exige o máximo de processamento, processamento matemático, vídeo e disco. Usamos dois programas para testar o desempenho 3D: o 3DMark2001SE e o Quake III, sendo que o primeiro usa a API DirectX e o segundo, OpenGL.
3DMark2001 SE
No 3DMark2001 SE a DFI AD77 Infinity obteve o menor desempenho entre as placas testadas, tendo sido 5,59% mais lenta que a MSI KT3 Ultra, 6,14% mais lenta que a ABIT AT7-MAX2, 7,11% mais lenta que a AD76 também da DFI, 8,36% mais lenta que a Soyo KT333 Dragon Ultra Platinum Edition e 8,52% mais lenta que a EPoX 8K3A+.
Quake III
No Quake III a placa-mãe testada ficou na faixa dos 174 quadros por segundo, resultado bem abaixo das demais placas-mães testadas. Aqui é interessante notar que as duas placas-mães com chipset KT400 (DFI AD77 e ABIT AT2-MAX2) que testamos tiveram resultados inferiores à maioria das placas com chipset KT333 que testamos. Como a VIA já pronunciou que o KT400 terá de ser redesenhado e relançado como KT400A por problemas de desempenho, procede a informação que o KT400 não é tão bom quanto deveria ser. A EPoX 8K3A+ foi 22,83% mais rápida, a Soyo KT333 Dragon Ultra Platinum foi 21,51% mais rápida, a DFI AD76 foi 16,81% mais rápida, a ABIT AT7-MAX2 foi 12,85% mais rápida e a MSI KT3 Ultra foi 12,56% mais rápida do que a placa-mãe testada no demo 1.
Memória
Resolvemos incluir também o teste de taxa de transferência da memória RAM efetuado pelo Sandra. Como usamos uma memória DDR400/PC3200, a taxa de transferência da memória deveria ser 3.200 MB/s. Só que obviamente não são todos os chipsets que suportam essa memória. O KT400, usado pela placa-mãe testada, aceita memórias DDR400/PC3200 e, com isso, ele deveria acessar essa memória a 3.200 MB/s.
Só que, na prática, não é bem assim que a banda tem tocado. Nenhuma das placas-mães testadas sequer passou de 2.100 MB/s, a taxa de transferência da memória DDR266/PC2100. A DFI AD77 Infinity obteve uma taxa ridícula, de 1.477 MB/s, um uso de apenas 46,16% da banda disponível. Realmente fica muito claro que há algo errado com o chipset KT400 e, como comentamos, a VIA parece que vai redesenhar esse chipset e relançá-lo com o nome KT400A, supostamente para corrigir essa baixa taxa de transferência.
Cogitamos ainda algum problema de configuração no setup, mas conferimos duas vezes o setup e a configuração de memória estava corretamente configurada em DDR400. Rodamos esse teste três vezes e os resultados se mantiveram iguais.
Overclock
Essa placa-mãe tem vários ajustes para o overclock e o fato dela ser topo de linha realmente prometia muito. Nela você pode regular o clock externo até 250 MHz de um em um MHz, além da tensão de alimentação do processador (de 1,000 V a 2,000 V em incrementos de 0,025 V), da tensão de alimentação da memória (2,5 V ou 2,63 V), da tensão do barramento AGP (1,5 V, 1,6 V, 1,7 V ou 1,8 V) e ainda a tensão de alimentação do chipset (2,5 V, 2,6 V, 2,7 V e 2,8 V), recurso este encontrado em poucas placas. Ainda é possível configurar o fator de multiplicação do processador até 12x, para quem destravou o processador.
Nós conseguimos colocar nosso Athlon XP 1500+ rodando externamente a 167 MHz (internamente a 1.670 MHz), a maior marca que conseguimos até hoje, quebrando por apenas 1 MHz a marca que havíamos obtido em várias placas-mães nota 10 para overclock: ABIT AT7-MAX2, DFI AD75, DFI AD76 e MSI KT3 Ultra. Conseguimos até mesmo colocar essa placa-mãe rodando a 170 MHz, só que o micro travava.
Mas devemos lembrar que nós não forçamos a barra (não mudamos as configurações de tensão de alimentação) e você, com mais paciência, com certeza obterá resultados ainda melhores do que os nossos.
Conclusões
A AD77 Infinity da DFI traz recursos que farão com que você não precise de um upgrade por muitos anos: seis portas USB 2.0, três portas FireWire e porta Serial ATA. Em termos de overclock, essa é a melhor placa-mãe para overclock de processadores AMD que vimos até hoje. Outro ponto forte dessa placa-mãe é o seu preço, sendo uma placa-mãe mais barata do que as suas principais concorrentes.
Entretanto, ficamos decepcionados com o desempenho dessa placa-mãe e, por esse motivo, não estamos recomendado essa placa-mãe em nossa lista de produtos recomendados, apesar de ela ser uma placa topo de linha. Isso nos parece ser o problema do chipset VIA KT400, e que a VIA parece estar corrigindo e deverá lançar, em breve, o chipset KT400A, que possivelmente terá um desempenho melhor no acesso à memória RAM e, com isso, aumentar o desempenho de placas-mães baseadas nesse novo chipset.
Não é que essa questão do desempenho a rotule como uma placa-mãe "horrível" e que você fará uma péssima escolha se comprar uma, mas acreditamos que pelo mesmo preço você poderá comprar uma placa-mãe com chipset KT333 cheia de recursos e com melhor desempenho.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Placa-Mae-DFI-AD77-Infinity/389
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