Processador Celeron 420
Por Rafael Otto Coelho em 15 de agosto de 2007
Introdução
Nós tivemos acesso a um exemplar do novo processador de baixo custo da Intel, o Celeron 420, que está agora usando a microarquitetura Core, a mesma do Core 2 Duo. Neste artigo "Primeiras Impressões" nós daremos uma olhada no desempenho e nos novos recursos trazidos por esta nova safra de processadores Celeron.
Como é de praxe, a Intel desde o Pentium II lança uma versão de baixo custo (e menor desempenho) de seu processador principal do momento usando o nome "Celeron", como você pode conferir em nosso tutorial Todos os Modelos de Celeron.
clique para ampliar
Figura 1: O Celeron 420 na caixa.
clique para ampliar
Figura 2: Detalhe das especificações na caixa.Inicialmente quando vimos este modelo no mercado, ficamos confusos. Os novos processadores Celeron 420, 430 e 440, com preços semelhantes aos Celeron D tinham clocks bem mais baixos, respectivamente de 1,6 GHz, 1,8 GHz e 2,0 GHz. Então notamos que a "plataforma de compatibilidade" (PCG) deles é a "06".
A Intel usa o critério "plataforma de compatibilidade" para que você possa saber se sua placa-mãe é compatível com um determinado processador, visto que nem toda placa-mãe soquete 775 funciona com qualquer processador para esse mesmo soquete. Por exemplo, os processadores Celeron D e Pentium 4 usam a compatibilidade 04, os Pentium D têm a PCG 05 e os Core 2 Duo têm PCG 06. Se uma placa-mãe tem plataforma de compatibilidade 05, significa que ela aceita os processadores Celeron D, Pentium 4 e Pentium D, mas não os Core 2 Duo.
Dessa forma, a plataforma de compatibilidade dava um indício de que esse novo Celeron usava a microarquitetura Core. No site da Intel, porém, apesar os novos Celeron constarem, não há menção a qual é o núcleo utilizado pelo processador, nem fica claro que ele é um derivado do Core 2 Duo e não do Pentium 4.
Montando, ligando e instalando o sistema operacional, testamos o Celeron 420. O CPU-Z não deixou dúvidas: o Celeron 420 usa o núcleo Conroe-L, simplesmente o mesmo núcleo dos Core 2 Duo, porém com apenas um núcleo e menos memória cache L2: os Core 2 Duo têm 2 MB ou 4 MB de memória cache L2, enquanto que os processadores Celeron baseados no núcleo Conroe-L têm 512 KB. Havia uma especulação há alguns meses sobre o lançamento do processador "Core 2 Solo", que seria a versão econômica do Core 2 Duo, mas as notícias sobre esse processador cessaram. Pois bem, esse processador está aí sob o velho (e não muito bem cotado) nome "Celeron".
clique para ampliar
Figura 3: O Celeron 420 de perto.Mais Detalhes
O Cooler do Celeron 420 nos chamou muita atenção, pelo fato de ser bem mais baixo do que os coolers tradicionais para processadores soquete 775. Isso se deve ao fato de que a dissipação térmica nominal do Celeron 420 é de apenas 35 W. Nada mau, ele permite que você monte um computador sem a necessidade de uma fonte muito potente e ainda por cima o micro fica bastante silencioso. Sem falar que essa baixa dissipação mostra um grande potencial de overclock, mas falaremos disso mais tarde.
clique para ampliar
Figura 4: O cooler do Celeron 420.Esse cooler menor, aliado ao baixo consumo de energia, tornam esse processador excelente para montagem em gabinetes slim ou ultra-compactos. Na Figura 5 vemos também que o cooler não tem a base e o núcleo de cobre como os coolers da Intel que acompanham outros modelos de processadores soquete 775.
clique para ampliar
Figura 5: A base do cooler do Celeron 420.Na Figura 6 temos a tela do CPU-Z com as especificações do Celeron 420, que deixa claro que trata-se de um processador de apenas um núcleo baseado no núcleo Conroe-L. Também notamos que ele usa barramento externo de 800 MHz (200 MHz QDR), que fica no meio do caminho entre os 533 MHz que eram usados pelos Celeron D e os 1.066 MHz que são usados pela maioria dos modelos do Core 2 Duo.
clique para ampliar
Figura 6: Especificações do Celeron 420.As características básicas do Celeron 420 são, portanto:
- Soquete 775
- Barramento externo de 800 MHz (200 MHz transferindo quatro dados por pulso de clock)
- Clock interno de 1,6 GHz
- Apenas um núcleo de processamento
- 512 KB de memória cache L2
- Baseado no núcleo Conroe-L, o mesmo do Core 2 Duo
- Processo de fabricação de 65 nm
- Microarquitetura Core
Infelizmente a Intel não mandou esse processador para testes (pegamos ele emprestado com um amigo que estava montando um novo computador), então não tivemos disponibilidade de fazer nossa habitual bateria de testes comparativos em nosso laboratório. Porém, para termos uma idéia do desempenho desse novo processador, fizemos alguns testes rápidos comparando o Celeron 420 (de 1,6 GHz) a um Celeron D 326 (de 2,56 GHz) de forma a termos um comparativo entre o modelo mais barato do novo Celeron e o modelo mais barato do Celeron D.
Também colocamos esse Celeron D 326 e o Celeron 420 em overclock, para sabermos o quanto o desempenho pode ser melhorado com essa prática.
Veja os resultados nas próximas páginas.Como Testamos
Em nossos testes de desempenho usamos a configuração listada abaixo. Entre as nossas sessões de teste o único dispositivo diferente era o processador que estava sendo testado.
Configuração de Hardware
- Placa-mãe: ASUS P5N-E SLI (BIOS 0608, 11 de junho de 2007).
- Memória: Dois módulos 512 MB da Kingston Value RAM DDR2-667 PC2-5300 instalados em configuração de dois canais, temporizações 5-5-5-31.
- Disco Rígido: Seagate ST3802110A (7.200 rpm, 80 GB, ATA-133).
- Placa de Vídeo: NVIDIA Geforce 7900GT CO 256 MB PCI Express x16 eVGA.
- Resolução de vídeo: 1280x1024x32 75Hz.
- Fonte de alimentação: Seventeam ST350BKV.
Configuração de Software
- Windows XP Professional em inglês, instalado em NTFS.
- Service Pack 2.
- Direct X 9.0c.
Versão dos drivers utilizados
- Versão do driver de vídeo NVIDIA : 94.24 WHQL.
- Versão do driver do chipset NVIDIA: 8.43.
Programas Usados
Adotamos uma margem de erro de 3%. Com isso, diferenças de desempenho inferiores a 3% não podem ser consideradas significativas. Em outras palavras, produtos onde a diferença de desempenho seja inferior a 3% deverão ser considerados como tendo desempenhos similares.
Testes de Desempenho
Executamos três programas simples de teste de desempenho: o 3DMark03, o Super Pi e o DVD Shrink. Primeiramente utilizamos o Celeron 420 no seu clock padrão de 1,6 GHz. Depois testamos com o Celeron 420 com overclock de 3 GHz. Em seguida substituímos o processador pelo Celeron D 326, que foi testado em seu clock original de 2,53 GHz e posteriormente em overclock a 3,5 GHz. Em todos os testes as memórias estavam em seu clock original de 667 MHz.
Veja nos gráficos abaixo os resultados dos testes.
No teste do DVD Shrink compactamos o filme "Titanic", já gravado em uma partição do disco rígido, para outra pasta, usando a opção de "análise profunda" desligada e a "compensação de erro adaptativa de alta qualidade" ligada. O Celeron D 326 levou 87 minutos para completar o teste, enquanto o Celeron 420 levou 61 minutos, sendo 30% mais rápido. Com o nosso overclock de 3 GHz o Celeron 420 completou esta tarefa em apenas 35 minutos, um impressionante aumento de 42% no desempenho por conta do overclock.
No teste do Super Pi é notória a vantagem que os processadores Core 2 Duo têm sobre os Pentium 4. Nesse nosso teste entre os "irmãos menores" a mesma história se repete. O Celeron D 326 levou 66 segundos para completar o teste com 1 milhão de casas decimais , enquanto que o Celeron 420 levou 46 segundos sendo, portanto, 30% mais rápido. Com o nosso Celeron 420 em overclock de 3 GHz o tempo baixou para 33 segundos, um aumento de 28% no desempenho do processador por conta do overclock.
No 3Dmark03 o desempenho do processador não é o fator mais importante para a pontuação: aqui a placa de vídeo apresenta um papel mais importante. Mesmo assim o Celeron 420 foi 7,88% mais rápido do que o Celeron D 326. Com o nosso overclock a 3 GHz o desempenho do nosso Celeron 420 aumentou 10,57%.
Overclock
Assim como seu antecessor Celeron D o Celeron baseado no núcleo Conroe-L também tem o multiplicador de clock travado. Desta forma, o aumento do barramento externo é a única forma de elevar o clock do processador. Na placa-mãe que usamos (ASUS P5N-E SLI) as memórias podem ter o seu clock travado em um valor fixo, bem como é possível travar o clock do barramento PCI Express, e isso ajuda a atingir bons níveis de overclock. Por conta disso, tínhamos uma grande espectativa sobre o potencial de overclock desse Celeron.
E essa espectativa foi justificada. Usamos um cooler um pouco mais eficiente do que o original do Celeron 420, mas equivalente aos coolers originais dos processadores mais "esquentadinhos" da Intel, nada de cooler especiais, gigantes ou a água. Mesmo assim atingimos a impressionante marca de 87,5% de overclock, pois conseguimos aumentar o clock externo do processador de 200 MHz para 375 MHz, o que fez o nosso Celeron 420 rodar a 3 GHz internamente.
Testamos a estabilidade do nosso overclock com o programa Prime95. E isso sem forçar a barra, sem aumentarmos a tensão de alimentação do processador. Nem sequer tentamos aumentar ainda mais essa marca, então é possível que com paciência e sorte se consiga colocar um processador desses rodando a mais de 3 GHz.
clique para ampliar
Figura 7: Celeron 420 rodando a 3 GHz.Conclusões
O Celeron 420 é o mais novo processador de baixo custo voltado ao mercado de micros baratos da Intel. Mesmo sendo o modelo mais básico de sua linha (os outros modelos têm clock mais alto), ele tem um desempenho bem superior ao modelo antecessor mais básico, o Celeron D 326. E olha que o Celeron 420 roda a apenas 1,6 GHz, contra 2,56 GHz do modelo Celeron D 326. E pela comparação com o Celeron D em overclock é possível inferirmos que, pelo menos em algumas aplicações, o Celeron de clock mais baixo da nova linha da Intel pode até mesmo ser mais rápido do que um Celeron D com o clock mais alto disponível.
Além disso, o potencial de overclock desse Celeron é simplesmente impressionante se você tiver uma placa-mãe com boas opções. Dessa forma, esse processador apresenta uma das melhores relações custo/benefício para que curte overclock.
Só fica a dúvida do porquê da Intel lançar essa nova linha de processadores praticamente na surdina, sem qualquer alarde. Mesmo em sites internacionais especializados são raras as notícias sobre este novo processador. Seria porque o nome "Celeron" tem um conceito já um tanto desgastado entre os entusiastas? Mas nesse caso porque então não lançar esse processador com o nome de "Core 2 Solo" como previam as especulações? Será que esse processador é vendido no mundo todo ou apenas em mercados "emergentes"? Infelizmente, não temos respostas a essas perguntas.
Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Processador-Celeron-420/1397
© 1996-2012, Clube do Hardware. Todos os direitos reservados.
É expressamente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site e dos textos disponíveis, seja através de mídia eletrônica, impressa, ou qualquer outra forma de distribuição. Os infratores serão indiciados e punidos com base na lei nº 9.610 de 19/02/1998.
Não nos responsabilizamos por danos materiais e/ou morais de qualquer espécie promovidos pelo uso das informações contidas no Clube do Hardware.