TechTrends Brazil 2004
Por Cláudia Catherine em 05 de abril de 2004

Introdução

Estivemos presentes ao evento Tech Trends Brazil 2004, promovido em São Paulo pelas empresas NVIDIA, Gigabyte, AMD e Digitron no dia 16 de março de 2004. Vejam o que foi falado por lá.

NVIDIA: Evoluções Tecnológicas de Chips

A apresentação da NVIDIA, sob o comando de Joe Gorfinkle, seu vice-presidente de vendas, teve como base as novidades e evoluções tecnológicas na área de chips gráficos, com ênfase no barramento PCI Express e suas vantagens. Para saber mais sobre essa arquitetura, leia nossos artigos sobre o assunto em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/146/3

 


Figura 1: Joe Gorfinkle, vice-presidente de vendas da NVIDIA.

Hoje em dia as placas de vídeo necessitam ter cada vez mais recursos para rodar os novos jogos que chegam ao mercado. Podemos ver isso claramente colocando um jogo de 1994 ao lado de outro de 2004, como vemos na Figura 2.

 


Figura 2: Comparação de jogo de 1994 com jogo de 2004.

Ao compararmos os 5 mil polígonos de 1994 com os 5 milhões de polígonos de 2004, podemos ver que os jogos de hoje rodam 100 vezes mais rápido que os de 10 anos atrás. A questão é que muitos dos chips gráficos atuais são ainda para os gráficos de 1994. Eles vêm de graça, integrados ao chipset. E a diferença é percebida visualmente, mas muitos usuários estão perdendo o prazer de vivenciar todo o realismo dos jogos atuais porque um bom equipamento para rodar esses jogos ainda é muito caro para a maioria das pessoas.

Para aumentar a capacidade de processamento e conferir mais realismo aos jogos, a NVIDIA faz uso de GPU (Graphics Processing Unit - Unidade de Processamento Gráfico), ou simplesmente processador gráfico, que melhora muito a qualidade da renderização 3D. As cenas, portanto, ficam mais realistas, como mostra a Figura 3.

 


Figura 3: Na imagem da esquerda, a pedra parece meio borrada e até mesmo macia; já na da direita, ela é mais rica em detalhes e a grama parece mais real.

A NVIDIA criou, há cerca de dois anos, um recurso chamado Shaders programáveis, na série GeForce. Com a introdução, pela Microsoft, do Pixel Shader 3.0 no DirectX 9, temos uma precisão de 64 bits no processamento gráfico. Na Figura 4 podemos ver o grau de realismo das imagens, onde, por exemplo, a aparência translúcida de um rosto é obtida através da simulação de dispersão de luz dentro do objeto.

 


Figura 4: Recursos possíveis com o Pixel Shader 3.0.

Sobre o futuro dos gráficos, vimos que o PCI Express é a arquitetura de barramento da próxima geração. Esta mudança é a mais significativa desde a mudança do ISA para o PCI. Durante o Intel Developers Fórum, realizado em fevereiro, a série GeForce foi apresentada com um chip chamado HSI (High Speed Interconnect), que converte os sinais do barramento PCI Express em sinais compatíveis com o chip gráfico AGP 8x (ver http://www.clubedohardware.com.br/artigos/128/4). A proposta dos chips HSI, que possuem largura de banda de 4 GB/s, é pegar os sinais AGP e convertê-los para o PCI Express e, mais importante ainda, converter os sinais do PCI Express de volta para o AGP, usando transferências isócronas e com total gerenciamento de potência.

O lançamento dos novos produtos PCI Express está previsto para maio deste ano e os modelos são: GeForce PCX 5950 (baseada na arquitetura DirectX 9, proporciona aos entusiastas alta potência e desempenho gráfico, especialmente para gamers exigentes); GeForce PCX 5750 (elaborada para jogos de alto desempenho, com efeitos cinemáticos); GeForce PCX 5300 (bom desempenho a preço justo) e GeForce PCX 4300 (para o mercado voltado a usuários iniciantes, desempenho com preço acessível e boa qualidade visual).

 


Figura 5: Infraestrutura PCI Express.

O PCI Express apresenta uma nova arquitetura de barramento, já que não temos o AGP e o PCI Express ao mesmo tempo na mesma placa-mãe - ou é um ou é o outro. O que significa uma nova geração de placas-mães e novos chipsets. O risco do PCI Express é bem alto: "novo" geralmente significa "mais caro": o AGP e o PCI Express são processos incompatíveis, já que não se encaixam no mesmo slot.

Chipsets

A linha nForce 3 da NVIDIA possui apenas um chip. No nForce 2 existiam dois chips e assim era difícil atingir o mercado de PCs baratos, que constitui grande parte do mercado brasileiro. No nForce 3-150 temos um único chip. No nForce 3-250 Gb teremos também um único chip.

Drivers e Utilitários

Foi apresentado também o ForceWare Software: pacote de drivers e compiladores, ferramentas de gerenciamento de sistema (NVSystemUtilities, NVIDIA RAID, Personal Firewall, etc) e de área de trabalho (nView, NVRotate, NVKeystone, PowerMizer, etc) e software multimídia (captura de TV e vídeo, DVD, etc). Tudo bem fácil de usar, para todos os tipos de usuários, segundo o fabricante.

Sobre drivers, a arquitetura UDA (Unified Driver Architecture, Arquitetura de Driver Unificada) usa um único driver para todas as placas de vídeo. Os usuários que comprarem um produto NVIDIA hoje poderão fazer upgrade de driver mais facilmente, se assim desejarem. Além disso, se um cliente desejar fazer um upgrade para outro produto NVIDIA mais moderno mas não quiser fazer o upgrade de driver, seu driver antigo funcionará com o novo hardware.

O nView é uma ferramenta de desktop que permite o gerenciamento de múltiplas telas, proporcionando vários usos para múltiplos monitores, que estão se tornando cada vez mais comuns à medida que seu preço diminui. O nView permite a ligação de vários monitores em uma única placa de vídeo: pode-se ter um aplicativo diferente rodando em cada monitor (com um único monitor é necessário manter várias janelas abertas e alternar entre elas; com monitores múltiplos podemos ter um aplicativo rodando em um monitor diferente).

Já que nem todo mundo pode ter múltiplos monitores, há também o Gridlines, que possibilita a definição da quantidade de sub-regiões em qualquer monitor. Veja na Figura 6 que o usuário simplesmente escolhe quantas janelas ele quer ver simultaneamente na sua tela, evitando assim ter que redimensionar as janelas de aplicativos a cada momento que desejar visualizá-las.

 


Figura 6: Uso do recurso Gridlines.

Na área de armazenamento, vimos o NV-rebuild, que roda em segundo plano enquanto você está usando o computador e você nem nota que ele está lá, fazendo backup do sistema.

Outra ferramenta interessante é o Game Profiles (perfis de jogos): o usuário pode ter uma configuração de aplicativo diferente para cada jogo sem ter que refazê-las a cada vez que for jogar. As configurações ficam armazenadas e basta carregar o jogo e o perfil estará lá, exatamente como o usuário determinou para aquele jogo específico.

Muito útil é o overclock automático: para aqueles que não possuem um bom sistema de resfriamento, que em muitos casos é bem caro, o overclock automático detecta a melhor freqüência baseado nas condições de operação do chip. Se o chip aquecer muito, o programa baixa o clock automaticamente.

AMD: Evolução do Mercado de 64 bits

Muitas pessoas ainda perguntam se 64 bits realmente é algo necessário ou se 32 bits já é o suficiente, mas as aplicações de vídeo estão ficando cada vez mais complexas. Existe uma tendência para tornar a experiência com o micro cada vez mais real.

Segundo Otto Stoeterau, diretor de tecnologia da AMD, o objetivo da empresa é criar algo que seja mais confortável para o usuário final, trabalhando vários aspectos como garantia, segurança (proteção anti-vírus no processador) e gerenciamento de potência. A intenção é fazer um desktop funcionar de maneira semelhante a um notebook, no que tange a poder variar freqüência e tensão de alimentação para que tenhamos esse desktop trabalhando da forma mais silenciosa possível, executando as funções sob demanda.


Figura 7: Otto Stoeterau, diretor de tecnologia da AMD.

Segundo a AMD, o Athlon 64 3400+ é processador de maior desempenho no mercado de PCs atualmente (embora em nossos testes tenhamos chegado a outra conclusão). A migração para 64 bits proporciona vídeos mais realistas, rodando aplicativos e jogos mais pesados. O usuário hoje adquire um perfil muito mais profissional e o desktop subiu de nível e não é mais o mesmo de quatro anos atrás. Hoje temos acesso a ferramentas cada vez mais profissionais dentro de casa e pode-se fazer uma edição de vídeo sem precisar de uma estação de trabalho gigante.

A tecnologia AMD 64 traz a uniformidade de 64 bits desde notebooks até servidores, trazendo quatro conceitos principais: tecnologia Hyper-Transport (a idéia principal é trazer um barramento capaz de suportar até 6,4 Gigabits por segundo - 40 vezes mais rápido do que o padrão PCI suporta - lembrando que este número oficial da AMD é exagerado e errado) para as novas evoluções que estão vindo no mercado – PCI Express, PCI-X, Gigabit Ethernet e novas placas de vídeo com tecnologia que demanda cada vez mais capacidade de processamento.

Do ponto de vista de acelerar o processamento, o controlador de memória está integrado ao processador, ou seja, não existe mais a necessidade do processador recorrer ao chipset para acessar a memória – ele passa a controlar a memória diretamente. Isso faz com que o tempo de acesso à memória seja reduzido, diminuindo a latência.

Mais detalhes sobre as tecnologias do Athlon 64 você encontra no artigo sobre o lançamento do processador Athlon 64.

Gigabyte: Convergência Tecnológica

A Gigabyte apresentou suas inovações tecnológicas junto com a AMD, NVIDIA e Digitron, seu grande parceiro na distribuição de placas no Brasil. A maior parte da apresentação de Eric Lu, gerente geral da Gigabye USA consistiu basicamente em dar informações aos revendedores sobre as vantagens de seus produtos, baseando-se no máximo suporte possível ao usuário brasileiro, proporcionando conforto através de website em português, bem como o manual e a caixa das placas que são vendidas no Brasil.

 


Figura 8: Eric Lu, gerente geral da Gigabyte USA.

Um dos focos foi na tecnologia Xpress3, um conjunto de três programas exclusivos: Xpress Install, para facilitar a instalação de drivers, detectando quais são os drivers necessários; Xpress BIOS Rescue, que restaura a BIOS caso ela seja corrompida, criando uma cópia de segurança numa área segura do HD; e Xpress Recovery, que faz backup ou recuperação de HDs através da BIOS, já que o backup fica gravado numa área segura do HD. O software acompanha as placas e é gratuito.

A tecnologia 6-Dual Miracle foi o outro ponto importante da apresentação. A Gigabyte dobrou seis características das placas-mães que possuem essa tecnologia, portanto a GA-K8NNXP usada na demonstração vem com dois BIOS: se o BIOS principal for apagado, pode-se recuperá-lo através do BIOS de backup. Veja nas Figuras 9 a 11 como funcionam o Express BIOS Rescue e o Xpress Recovery.

 


Figura 9: Express BIOS Rescue.


Figura 10: Funcionamento do Xpress Recovery.


Figura 11: Funcionamento do Xpress Recovery.

Nós já testamos a placa GA-K8NNXP e seus detalhes podem ser vistos em http://wwwclubedohardware.com.br/artigos/580

Digitron

No Brasil, o Canal Gigabyte de Distribuição é a Digitron, cuja apresentação foi feita por seu gerente de marketing, Alexandre Parlangeli.


Figura 12: Alexandre Parlangeli, gerente de marketing da Digitron.

A Digitron tem sua sede administrativa em São Paulo e atualmente possui fábricas em Manaus e Ilhéus. Sua capacidade de produção mensal está em torno de 65 mil placas-mães e 180 mil placas de expansão – a fábrica chega a produzir duas placas-mães por minuto, que são inspecionadas visualmente através de equipamentos de alta resolução ainda em sua linha SMD (Surface Mounted Device, Dispositivos Montados em Superfície)


Figura 13: Uma das linhas SMD da Digitron.

No mesmo evento, a Digitron foi homenageada com um troféu pela Gigabyte por ser seu maior parceiro na América do Sul.


Figura 14: Digitron é homenageada pela Gigabyte.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/TechTrends-Brazil-2004/123

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