Teste da Fonte de Alimentação Zalman ZM360B-APS
Por Gabriel Torres e Cássio Lima em 03 de abril de 2008

Introdução

Produto Recomendado Clube do Hardware

A Zalman tem uma linha completa de fontes de alimentação de 360 W a 1.000 W. Nós decidimos dar uma olhada no modelo mais simples, o ZM360B-APS, que custa aqui no Brasil cerca de R$ 215,00. Apesar de ser uma fonte de alimentação considerada “básica” e voltada para PCs simples, ela tem PFC ativo, uma ventoinha de 120 mm e dois conectores de alimentação para placas de vídeo, recursos normalmente encontrados em fontes de topo de linha. Mas será que esta fonte realmente pode fornecer sua potência rotulada de 360 W? Será que ela é um bom produto para o usuário médio? Vejamos.

Zalman ZM360B-APS
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Figura 1: Fonte de alimentação Zalman ZM360B-APS.

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Figura 2: Fonte de alimentação Zalman ZM360B-APS.

Como você pode ver, esta fonte de alimentação usa uma grande ventoinha de 120 mm de rolamento em sua parte inferior (a fonte de alimentação está de cabeça para baixo nas Figuras 1 e 2) e uma grande grade na parte traseira onde tradicionalmente temos uma ventoinha de 80 mm. Nós gostamos desta abordagem já que ela oferece não apenas um melhor fluxo de ar, mas a fonte de alimentação também produz menos ruído, já que a ventoinha pode girar a uma velocidade menor de modo a produzir o mesmo fluxo de ar de uma ventoinha de 80  mm.

Esta fonte de alimentação tem PFC ativo, um recurso não encontrado normalmente em fontes de alimentação mais simples. O PFC oferece uma melhor utilização da rede elétrica e permite que a Zalman venda este produto na Europa (leia nosso tutorial sobre o PFC em nosso tutorial Fontes de Alimentação). No que diz respeito a eficiência, a Zalman diz que este produto tem uma eficiência mínima de 80%. Claro que mediremos isto para ver se o que o fabricante afirma é verdade. Lembre-se que fontes de alimentação mais caras têm uma eficiência de pelo menos 80%. Quanto maior a eficiência melhor – uma eficiência de 80% significa que 80% da potência extraída da rede elétrica é convertida em potência nas saídas da fonte de alimentação e apenas 20% é desperdiçada, o que significa uma conta de luz mais baixa – só para você ter uma idéia, fontes de alimentação convencionais possuem uma eficiência inferior a 70%.

O cabo de alimentação principal da placa-mãe usa um conector de 20/24 pinos e esta fonte de alimentação tem um conector EPS12V que pode ser dividido em dois conectores ATX12V.

Esta fonte de alimentação vem com cinco cabos de alimentação para periféricos: um cabo de alimentação auxiliar para placas de vídeo com dois conectores de 6 pinos, dois cabos contendo dois conectores de alimentação para periféricos e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada e dois cabos com dois conectores SATA cada. Ela também vem com um adaptador de alimentação para ventoinhas, permitindo a você conectar qualquer ventoinha que use um conector pequeno de três pinos em qualquer plugue de alimentação padrão para periféricos.

Aqui a Zalman ZM360B-APS é um pouco diferente de outras fontes de alimentação “de marca” mais simples que vimos recentemente (Seventeam ST-420BKV, eXtream 450 W, Thermaltake PurePower 430 NP e Huntkey Green Star 450 W): esta fonte de alimentação tem dois conectores de alimentação de 6 pinos para placas de vídeo, enquanto que outras fontes oferecem apenas um ou nenhum. Além disso, este produto da Zalman tem quatro conectores de alimentação SATA, o que é perfeito para os padrões de hoje, enquanto que outros produtos que analisamos recentemente oferecem apenas dois conectores de alimentação SATA.

A única coisa que não gostamos foi a maneira como os dois conectores de alimentação para as placas de vídeo foram instalados. Em vez de usar dois cabos separados, eles são conectados juntos no mesmo cabo. Mas isto não é um problema sério para uma fonte de alimentação desta faixa de potência.

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Figura 3: Como os conectores de alimentação de 6 pinos para placas de vídeo são conectados na fonte.

Nesta fonte de alimentação todos os fios são 18 AWG com exceção dos fios usados no cabo de alimentação da placa de vídeo, que são 20 AWG (isto é, mais finos). Nós gostaríamos de ver todos os fios 18 AWG.

No que diz respeito a estética, a Zalman usou acabamento de nylon em todos os cabos e eles partem de dentro da fonte.

Esta fonte de alimentação é fabricada pela SPI Electronics e em seu site não há nenhum modelo idêntico à ZM360B-APS, o que nos leva a acreditar que este modelo é fabricado exclusivamente para a Zalman.

Vamos agora dar uma olhada em mais profundidade nesta fonte de alimentação.

Por Dentro da ZM360B-APS

Nós decidimos desmontar esta fonte de alimentação para vermos qual projeto e componentes foram utilizados. Leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas para entender como uma fonte de alimentação trabalha internamente e para comparar esta fonte de alimentação com outras.

Nesta página teremos uma visão geral, enquanto que na página seguinte discutiremos em detalhes a qualidade e as características dos componentes usados.

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Figura 4: Visão geral.

O interessante nesta fonte é que ela usa sua carcaça como extensão do dissipador de calor do secundário, como você pode ver nas Figuras 5 e 6. O fabricante usou pasta térmica entre o dissipador de calor do secundário e a carcaça da fonte de alimentação.

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Figura 5: A carcaça da fonte é usada também como dissipador de calor.

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Figura 6: A carcaça da fonte é usada também como dissipador de calor.

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Figura 7: Visão geral.

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Figura 8: Visão geral.

Estágio de Filtragem de Transientes

Como mencionamos em outros testes e artigos, a primeira coisa que gostamos de ver quando abrimos uma fonte de alimentação para termos uma idéia da sua qualidade é o estágio de filtragem de transientes. Os componentes recomendados para este estágio são duas bobinas de ferrite, dois capacitores cerâmicos (capacitores Y, normalmente azuis), um capacitor de poliéster metalizado (capacitor X) e um varistor (MOV). Em fontes de alimentação genéricas são usados menos componentes do que o recomendado, normalmente removendo o varistor, que é essencial para eliminar picos de energia provenientes da rede elétrica, e a primeira bobina.

Apesar de esta fonte ter dois capacitores Y adicionais em seu estágio de filtragem de transientes e dois capacitores X e uma bobina de ferrite adicionais após a ponte de retificação, ela não tem um varistor (MOV), que é essencial para eliminar picos provenientes da rede elétrica.

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Figura 9: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).

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Figura 10: Estágio de filtragem de transientes (parte 1).

Agora vamos discutir em mais detalhes os componentes usados na ZM360B-APS.

Análise do Primário

Nós estávamos bastante curiosos para verificarmos quais componentes foram escolhidos para a seção de potência desta fonte de alimentação e também como eles foram interligados, ou seja, o projeto usado. Estávamos dispostos a ver se os componentes realmente forneceriam a potência anunciada pela Zalman.

De todas as especificações técnicas descritas no databook de cada componente, estávamos mais interessados na corrente máxima em modo contínuo, dada em ampères (A). Para encontrar a potência máxima teórica do componente em watts podemos usar a fórmula P = V x I, onde P é a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères.

Nós precisamos saber também em que temperatura o fabricante do componente mediu a sua corrente máxima (esta informação também pode ser encontrada no databook do componente). Quanto maior a temperatura, menor é a corrente que semicondutores conseguem fornecer. Correntes dadas a temperaturas menores do que 50º C não são boas, já que temperaturas abaixo desta não refletem as reais condições de trabalho da fonte de alimentação.

Lembre-se que isto não significa que a fonte de alimentação fornecerá a corrente máxima de cada componente, já que a potência máxima que a fonte de alimentação pode fornecer depende de outros componentes usados – como o transformador, bobinas, capacitores, o layout da placa de circuito impresso e a bitola dos fios – não apenas das especificações principais dos componentes que iremos analisar.

Para uma melhor compreensão do que iremos falar aqui, sugerimos que você leia nosso tutorial Anatomia das Fontes de Alimentação Chaveadas.

Esta fonte de alimentação usa uma ponte de retificação GBU606 em seu primário, que pode fornecer até 6 A (a 100°C). Esta ponte está localizada no mesmo dissipador de calor dos transistores chaveadores. Este estágio está mais do que adequado para uma fonte de 360 W. O motivo é que em 115 V esta unidade poderia puxar até 690 W da rede elétrica; assumindo uma eficiência típica de 80%, essa ponte permitiria esta fonte de alimentação entregar até 552 W sem a queima desse componente. É claro que estamos falando especificamente deste componente e o limite real vai depender de todos os demais componentes usados nesta fonte de alimentação.

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Figura 11: Ponte de retificação.

No circuito PFC ativo dois transistores de potência MOSFET STP14NK50ZFP são usados, cada um capaz de suportar até 14 A a 25°C ou 7,6 A a 100°C em modo contínuo ou até 48 A a 25°C em modo pulsante. Esses transistores são localizados em um dissipador de calor separado, junto com o diodo do PFC ativo.

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Figura 12: Transistores e diodo do PFC ativo.

Na seção de chaveamento esta fonte de alimentação usa dois transistores de potência MOSFET FQPF9N50C na tradicional configuração de chaveamento direto com dois transistores (two-transistor forward). Cada um desses transistores pode fornecer até 9 A a 25°C ou 5,4 A a 100°C em modo contínuo ou até 36 A a 25°C em modo pulsante, que é o modo usado. Como mencionamos, esses transistores estão localizados no mesmo dissipador de calor em que está a ponte de retificação.

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Figura 13: Transistores chaveadores.

O circuito integrado responsável por controlar os circuitos PFC e PWM é o popular CM6800.

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Figura 14: Circuito integrado controlador do PFC ativo e PWM.

Análise do Secundário

Esta fonte usa quatro retificadores Schottky em seu secundário com a mesma configuração usada por fontes de alimentação topo de linha.

A saída de +12V é produzida por dois retificadores Schottky MBR2060CT conectados em paralelo, cada um suportando até 20 A (10 A por diodo interno) a 125°C. A corrente máxima teórica que a linha de +12 V pode fornecer é dada pela fórmula I / (1 – D), onde D é o ciclo de trabalho usado e I é a corrente máxima suportada pelo diodo responsável pela retificação (neste caso, formado por dois diodos de 10 A em paralelo). Apenas como um exercício teórico podemos assumir um ciclo de carga de 30%. Isto nos daria uma corrente máxima teórica de 29 A ou 343 W para a saída de +12 V. A corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer depende dos demais componentes usados, em particular da bobina.

A saída de +5 V é produzida por um retificador Schottky MBRP3045N, que suporta até 30 A (15 A por diodo interno a 100° C). A corrente máxima teórica que a linha de +12 V pode fornecer é dada pela fórmula I / (1 – D), onde D é o ciclo de trabalho usado e I é a corrente máxima suportada pelo diodo responsável pela retificação (neste caso, formado por um diodo de 15 A). Apenas como um exercício teórico podemos assumir um ciclo de carga de 30%. Isto nos daria uma corrente máxima teórica de 21 A ou 107 W para a saída de +5 V. A corrente máxima que esta linha pode realmente fornecer depende dos demais componentes usados, em particular da bobina.

A saída de +3,3 V é produzida por um retificador Schottky MBR3045PT, que suporta até 30 A (15 A por diodo interno a 100° C). Usando a mesma matemática nós teríamos uma potência máxima teórica de 71 W para esta saída.

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Figura 15: Retificadores de +3.3 V, +5 V e +12 V.

Esta fonte de alimentação usa estágios de filtragem separados para cada barramento virtual de 12 V, o que é excelente.

Esta fonte de alimentação usa um circuito integrado PS223 para monitorar as saídas da fonte. Este circuito é responsável pelas proteções da fonte de alimentação, como sobrecarga de corrente (OCP, que estava realmente ativado, como falaremos adiante), sobretensão (OVP), subtensão (UVP) e superaquecimento (OTP), mas não oferece proteção contra sobrecarga de potência (OPP).

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Figura 16: Circuito integrado PS223 para monitoramento.

O sensor térmico está localizado embaixo do dissipador de calor do secundário, como você pode ver na Figura 16 (nós tiramos esta foto com o dissipador removido). Este sensor é usado para controlar a velocidade de rotação da ventoinha de acordo com a temperatura interna da fonte de alimentação e para desligar a fonte em caso de superaquecimento. Como mencionamos, o circuito integrado para monitoramento suporta esta proteção e a Zalman diz que esta fonte tem esta proteção. Nós, no entanto, não conseguimos testar este recurso, já que a fonte de alimentação trabalhou o tempo inteiro muito “fria”.

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Figura 17: Sensor térmico.

Nesta fonte de alimentação todos os capacitores eletrolíticos são taiuaneses da CapXon, com o capacitor do PFC ativo rotulado a 85°C e os capacitores do secundário rotulados a 105°C.

Distribuição da Potência

Na Figura 18 você pode ver a etiqueta desta fonte de alimentação contendo suas especificações de potência.

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Figura 18: Etiqueta da fonte de alimentação.

Como você pode ver esta fonte tem dois barramentos de +12V. Esses barramentos estão distribuídos da seguinte forma:

  • +12V1 (fio amarelo): cabo de alimentação principal da placa-mãe e todos os cabos para periféricos.
  • +12V2 (fio amarelo com listra preta): cabo EPS12V/ATX12V.

Nós testamos o circuito OCP e ele realmente estava ativo como discutiremos adiante.

Agora vamos ver se esta fonte pode realmente fornecer 360 W de potência.

Testes de Carga

Nós fizemos vários testes com esta fonte de alimentação como descrevemos em nosso artigo Nossa Metodologia de Testes de Fontes de Alimentação. Todos os testes descritos abaixo foram feitos com uma temperatura ambiente entre 44°C e 48°C. Durante nossos testes a temperatura da fonte de alimentação ficou entre 49°C e 53°C.

Primeiro nós testamos esta fonte com cinco padrões diferentes de carga, tentando extrair em torno de 20%, 40%, 60%, 80% e 100% da sua capacidade máxima rotulada (na linha “% Carga Máx” nós listamos a porcentagem usada), observando como a fonte testada se comportava em cada carga. Na tabela abaixo nós listamos os padrões de carga usados e os resultados para cada carga.

+12V2 é a segunda entrada de +12V do nosso testador de carga e neste teste ela foi ligada ao conector EPS12V da fonte de alimentação, que é a única coisa conectada no barramento virtual +12V2. Portanto as entradas +12V1 e +12V2 do nosso testador de carga estavam conectadas nos barramentos virtuais +12V1 e +12V2 da fonte de alimentação.

Se você somar todas as potências listadas para cada teste você pode encontrar um valor diferente do que publicamos na linha “Total” abaixo. Como cada saída pode ter uma pequena variação (por exemplo, a saída de +5V trabalhando a 5,10 V) a quantidade total de potência sendo fornecida é um pouco diferente do valor calculado. Na linha “Total” estamos usando a quantidade real de potência sendo fornecida, medida pelo nosso testador de carga.

Entrada

Teste 1

Teste 2

Teste 3

Teste 4

Teste 5

+12V1

2 A (24 W)

5 A (60 W)

7 A (84 W)

9 A (108 W)

11 A (132 W)

+12V2

2,5 A (30 W)

5 A (60 W)

7 A (84 W)

10 A (120 W)

13,5 A (162 W)

+5V

1 A (5 W)

2 A (10 W)

4 A (20 W)

5 A (25 W)

6 A (30 W)

+3,3 V

1 A (3,3 W)

2 A (6,6 W)

4 A (13,2 W)

5 A (16,5 W)

6 A (19,8 W)

+5VSB

1 A (5 W)

1 A (5 W)

1,5 A (7,5 W)

2 A (10 W)

2,5 A (12,5 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

Total

67,4 W

147,5 W

214,5 W

284,1 W

358,8 W

% Carga Máx

18,7%

41,0%

59,6%

78,9%

99,7%

Temperatura ambiente

43,9º C

45,7º C

45,1º C

45,6º C

48,1º C

Temperatura da fonte

48,9º C

50,8º C

49,5º C

50,1º C

51,3º C

Resultado

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Estabilidade da tensão

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Ripple e ruído

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Aprovada

Potência AC

81,8 W

173 W

254 W

344 W

448 W

Eficiência

82,4%

85,3%

84,4%

82,6%

80,1%

Os resultados desta fonte foram realmente impressionantes, especialmente quando assumimos que esta é uma fonte de alimentação para PCs básicos. Após termos testado muitas fonte simples e que não conseguiram obter eficiência acima de 80% ou fornecer a potência rotulada, nós ficamos realmente felizes em ver uma fonte de alimentação simples que atende às atuais exigências do mercado.

Primeiro, esta fonte conseguiu fornecer sua potência rotulada a 48°C, o que é excelente.

Segundo, sua eficiência manteve-se o tempo inteiro acima de 80%, atingindo o máximo de 85% quando extraímos 40% da sua potência rotulada (cerca de 150 W).

A regulação da tensão durante todos os nossos testes (incluindo os testes de sobrecarga que mostraremos na próxima página) foi sensacional, com todas as saídas dentro de 3% de suas tensões nominais – a especificação ATX define que todas as saídas precisam estar dentro de 5% de suas tensões nominais – exceto na saída de -12V durante os teste um, dois e três, onde esta saída ficou em -11,38V, -11,5V e -11,63V respectivamente. Esses números, no entanto, ainda estão dentro da margem de 10% que é definida pela especificação ATX para esta saída. Claro que também queremos ver esses valores próximos a tensão nominal.

O ripple (oscilação) e o ruído foram outros destaques neste produto, já que eles ficaram muito abaixo do limite máximo definido pela especificação ATX (120 mV para +12V e 50 mV para +5V e +3,3V – valores de pico-a-pico). Durante nossos teste de número cinco – ou seja, com a fonte de alimentação fornecendo 360 W – o nível de ruído em +12V1 foi de 25,4 mV, o nível de ruído em +12V2 foi de 18,4 mV, o nível de ruído na saída +5 V foir de 23 mV e o nível de ruído na saída +3,3 V foi de 28,8 mV. Resultados impressionantes.

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Figura 19: Nível de ruído na entrada +12V1 com a fonte de alimentação fornecendo 360 W.

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Figura 20: Nível de ruído na entrada +12V2 com a fonte de alimentação fornecendo 360 W.

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Figura 21: Nível de ruído na entrada +5 V com a fonte de alimentação fornecendo 360 W.

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Figura 22: Nível de ruído na entrada +3,3 V com a fonte de alimentação fornecendo 360 W.

Vamos ver agora se conseguimos extrair mais potência deste produto.

Testes de Sobrecarga

Nós estávamos realmente curiosos para ver a quantidade de potência que esta fonte poderia realmente fornecer. Isto por causa do projeto usado que nos levou a acreditar que esta fonte poderia fornecer mais potência do que a rotulada.

Na tabela abaixo você pode ver vários testes de sobrecarga que realizamos.

Entrada

400 W

423 W

440 W

460 W

475 W

+12V1

14 A (168 W)

15 A (180 W)

15 A (180 W)

15 A (180 W)

15 A (180 W)

+12V2

14 A (168 W)

15 A (180 W)

15 A (180 W)

15 A (180 W)

15 A (180 W)

+5V

6 A (30 W)

6 A (30 W)

8 A (40 W)

10 A (50 W)

12 A (60 W)

+3,3 V

6 A (19,8 W)

6 A (19,8 W)

8 A (26,4 W)

10 A (33,3 W)

12 A (39,6 W)

+5VSB

2,5 A (12,5 W)

2,5 A (12,5 W)

2,5 A (12,5 W)

2,5 A (12,5 W)

2,5 A (12,5 W)

-12 V

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

0,5 A (6 W)

Total

400 W

422,8 W

440 W

457,8 W

475 W

% Carga Máx

111,1%

117,4%

122,2%

127,2%

131,9%

Potência AC

500 W

536 W

564 W

594 W

623 W

Eficiência

80,0%

78,9%

78,0%

77,1%

76,2%

Deixe-nos explicar o que fizemos. Primeiro nós testamos para ser se o circuito de proteção contra sobrecarga de corrente estava realmente habilitado. De modo a verificar isto nós conduzimos dois testes. Primeiro nós só deixamos conectado o cabo de alimentação principal da placa-mãe em nosso testador de carga e aumentamos a corrente em +12V1 até que a fonte de alimentação desligasse. Isto aconteceu com 17 A. Dessa forma o circuito de proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) no barramento +12V1 estava configurado a 16 A. Feito isto, nós ligamos o conector EPS12V de volta na entrada +12V2 do nosso testador de carga, configuramos +12V1 para extrair apenas uma pequena quantidade de corrente (1 A) e aumentamos a corrente em +12V2 até que a fonte de alimentação desligasse. Isto aconteceu novamente com 17 A. Portanto ambos os barramentos virtuais tinham o circuito de proteção contra sobrecarga de corrente (OCP) habilitado e funcionando, configurados para desligar a fonte se extraíssemos mais do que 16 A de qualquer um desses dois barramentos.

Durante nossos testes de sobrecarga nós tentamos extrair 16 A de cada barramento ao mesmo tempo, mas não poderíamos pois a fonte de alimentação desligava, tanto por causa do circuito OCP quanto por causa das tensões que estavam fora da faixa e as proteções contra sobretensão (OVP) ou subtensão (UVP) estava entrando em ação. O máximo que poderíamos extrair dos dois barramentos de +12 V ao mesmo tempo era 15 A.

Após configuramos os barramentos com 15 A nós decidimos extrair ainda mais das saídas +5 V e +3,3 V para ver qual era o limite desta fonte de alimentação. Nós tentamos extrair um valor muito alto nessas duas linhas, tipo 20 A de cada, cada ver se esta fonte de alimentação tinha proteção contra sobrecarga de potência. Nesta configuração a fonte de alimentação não ligava, mas provavelmente porque as tensões estavam fora das especificações e as proteções contra sobretensão (OVP) ou subtensão (UVP) entraram em ação, porque esta fonte não tem proteção contra sobrecarga de potência (OPP) – continue lendo para entender como sabemos disto.

O máximo que conseguimos puxar das saídas +5V e +3,3 V e que manteve a fonte de alimentação testada ligada foi 17 A cada. Isto fez com que nossa fonte fornecesse 517 W e consumisse 705 W da rede elétrica, o que se traduz em uma eficiência de 73,3%. O problema, no entanto, é que após um minuto a fonte de alimentação “morreu” silenciosamente. Quando a abrimos para testar seus principais componentes e para nossa surpresa todos os componentes testados estavam funcionando, o que significa que nenhum semicondutor principal queimou, e nós não descobrimos o que exatamente queimou (provavelmente o transformador).

Como nós extraímos até 44% acima da potência rotulada desta fonte sabemos com certeza que ela não tem proteção contra sobrecarga de potência (OLP ou OPP, essas duas siglas significam a mesma coisa).

Durante todos os nossos testes de carga o nível de ruído esteve dentro das especificações, porém nós não capturamos telas.

A proteção contra curto-circuito (SCP) funcionou bem para ambas as linhas de +5V e +12V.

Esta fonte de alimentação é realmente silenciosa, mesmo quando fornece toda sua carga.

Principais Especificações

As principais especificações técnicas da fonte de alimentação Zalman ZM360B-APS são:

  • ATX12V 2.2.
  • Potência nominal rotulada: 360 W.
  • Potência máxima medida: 475 W.
  • Eficiência rotulada: Mínimo de 80%.
  • Eficiência medida: 80,1% e 85,3% em 115 V. 
  • PFC ativo: Sim. 
  • Conectores da placa-mãe: Um conector 20/24 pinos e um conector EPS12V que pode ser dividido em dois conectores ATX12V.
  • Conectores de alimentação da placa de vídeo: Dois conectores de 6 pinos.
  • Conectores de alimentação para periféricos: Quatro, dois cabos com dois conectores de alimentação e um conector de alimentação para a unidade de disquete cada.
  • Conectores de alimentação SATA: Quatro, dois cabos com dois conectores SATA cada.
  • Proteções: sobretensão (OVP, não testada), subtensão (UVP, não testada), sobrecarga de corrente (OCP, testada e funcionando), superaquecimento (OTP, não testada) e curto-circuito (SCP, testada e funcionando).
  • Garantia: Três anos nos EUA. No Brasil a garantia dependerá do distribuidor e/ou lojista.
  • Verdadeiro fabricante: SPI Electronics.
  • Mais informações: http://zalmanusa.com
  • Preço médio nos EUA*: US$ 60,00.
  • Preço médio no Brasil: R$ 215,00.

* Pesquisado no Shopping.com no dia da publicação deste teste.

Conclusões

Após termos testado várias fontes de alimentação “de marca” usando projetos completamente obsoletos foi uma surpresa agradável ver uma fonte de alimentação simples que usa um projeto atualizado e tem PFC ativo, transistores de potência MOSFET, quatro conectores de alimentação SATA (e não apenas dois), dois conectores de alimentação de seis pinos para placas de vídeo (e não apenas um ou até mesmo nenhum) e o melhor de tudo, capaz de fornecer sua potência rotulada e eficiência acima de 80% o tempo inteiro.

E não é só isto. Nós conseguimos facilmente extrair mais do que 360 W desta fonte. Se a Zalman quisesse, eles poderiam ter rotulado esta fonte como sendo de 400 W mantendo uma eficiência acima de 80%. Acima de 400 W, no entanto, a eficiência caiu para menos de 80%. Mas é sempre bom saber que sua fonte de alimentação pode fornecer muito mais do que a potência rotulada, e com esta fonte nós conseguimos extrair até 475 W com ela funcionando bem. Que tal?

Para o usuário médio que está montando um micro simples, esta fonte de alimentação oferece uma das melhores relações custo/benefício do mercado: ela fornece não apenas o que o fabricante promete, mas muito mais: ela tem um projeto atualizado, traz a quantidade de conectores necessária que o usuário médio vai precisar e tem um excelente preço. Quer mais?

Esta fonte custa R$ 215 aqui no Brasil, que é o preço correto se pensarmos no tradicional custo Brasil de 100% – finalmente uma fonte com preço correto por aqui.

Os únicos pontos negativos desta fonte são a ausência de um varistor no estágio de filtragem de transientes e do circuito de proteção contra sobrecarga de potência.

Mas mesmo assim estamos dando a ela o nosso selo de produto recomendado, visto que em nossa opinião esta é até o momento a melhor fonte de alimentação disponível no Brasil na faixa de 400 W, não tendo a menor comparação com as demais fontes que testamos recentemente. Comparada à Seventeam ST-420BKV e à eXtream 450 W ela traz como vantagens a maior eficiência (o que significa menor consumo elétrico e, conseqüentemente, conta de luz mais baixa) e a maior quantidade de conectores de alimentação, e comparada à Huntkey Green Star 450 W e à Thermaltake PurePower 430 W NP ela traz, além das mesmas vantagens, a capacidade de realmente conseguir entregar a sua potência rotulada – veja bem, a fonte testada é rotulada como sendo um produto de 360 W porém consegue entregar mais potência do que essas duas fontes que são rotuladas com valores bem maiores!

Ele custa de R$ 30 a R$ 50 a mais do que essas outras fontes, mas vale a pena pagar um pouco mais para ter uma fonte de melhor qualidade.

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Teste-da-Fonte-de-Alimentacao-Zalman-ZM360B-APS/1477

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