Teste do Mouse Lachesis da Razer
Por André Gordirro em 29 de outubro de 2008

Introdução

A Razer acaba de estabelecer um novo teto de resolução para mouses com os 4.000 dpi com o Lachesis, periférico voltado para games cheio de bossas como base de teflon, pegada ambidestra, iluminação pulsante e cobertura de borracha. Como todos os produtos da empresa, a apresentação é impecável, assim como o desejo de dar aos jogadores as armas mais letais para a matança virtual. Vamos agora detalhá-lo fisicamente, para depois comentarmos seu desempenho como mouse de jogos.


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Figura 1: O Lachesis.

Para começar, o mouse tem um desenho pouco usual. Em vez de terminar em uma cabeça estreita, como o igualmente ambidestro Avatar da NZXT (já testado por nós), o Lachesis tem uma ponta quase em Y, além de uma respeitável traseira larga. Se fosse uma pessoa, o mouse seria daquelas que ocupam dois bancos de ônibus para sentar. Em mãos pequenas, é possível apoiar até três dedos sobre seus botões. A traseira larga e alta também implica em uma pegada diferente (boa ou ruim, dependendo do gosto de cada um).


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Figura 2: Visão de cima.

Como é ambidestro, há botões em ambas as laterais. Ao contrário do Avatar, que tem um botão bem pronunciado em cada lado, o Lachesis oferece dois mais sutis situados em ambas as laterais. Por conta de eles serem menores e mais rentes ao corpo, os botões na posição do dedo mindinho (tanto faz de destros ou canhotos) são praticamente impossíveis de acionar. O desenho do mouse também não cria nichos emborrachados para descanso do polegar e mindinho: as laterais são de plástico.

No topo, encontramos os tradicionais dois botões para alteração no DPI do mouse e a roda de navegação. Ela é transparente e fica acesa pela mesma luz azul que faz pulsar a logomarca da Razer na traseira gorda do mouse (a luz pode ser apagada pelas configurações do programa do mouse). Na parte de baixo, há um botão para troca de perfis (o mouse tem memória interna de 32kb para gravar até cinco perfis), os três pés brancos de teflon que permitem deslize perfeito, e, finalmente, o canhão do laser que chega a impressionantes 4.000 dpi.


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Figura 3: Visão de baixo.

Configurando o Lachesis

Como um bom mouse para games que se preza, o Lachesis é altamente configurável através do aplicativo proprietário da Razer. É possível alterar a função de oito botões, além da roda de navegação; ligar/desligar as luzes do mouse; e ainda realizar ajustes avançados. A mudança de DPI ocorre em incrementos de 125 em 125 dpi, e não tem escalas fixas como em outros mouses – o Lachesis pode ir de 125 a 4.000 dpi. O programa consiste de uma tela principal de onde podem ser abertas quatro abas para salvar até cinco perfis diferentes; controlar a sensibilidade no eixo X/Y; velocidade do clique e de navegação; e, finalmente, gravar macros de macros (uma longa seqüência de comandos que pode ser resumida a um apertar de botão) de até 16 teclas. Uma vez dominada a interface (apesar de visualmente confusa e pequena), é possível verificar de uma vez só as personalizações feitas ao Lachesis.


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Figura 4: O programa de configuração.

Para nos prepararmos para o teste, mexemos no mouse ao nosso gosto, colocando um botão lateral para a função de abaixar nosso pistoleiro em Team Fortress 2 e outro para acionar a comunicação por rádio. De resto, alteramos troca de armas e afins. Infelizmente, quando tentamos alterar os botões laterais que ficam no mindinho, descobrimos a dificuldade de acioná-los. As macros funcionaram perfeitamente para execução de tarefas em programas complexos como Photoshop. O mouse conta com uma memória interna de 32kb que serve para gravar suas configurações, tornando o Lachesis plenamente funcional em qualquer computador, seja o de um amigo, lan house, trabalho etc.

Jogando e trabalhando com o Lachesis

Antes da diversão vem o trabalho. Usamos o Lachesis para atividades normais no Windows e descobrimos um grave problema: com toda precisão etc e tal, o ponteiro do mouse tende a andar um pouco, mesmo com o mouse parado, além de ele errar por milímetros a abertura de um programa ou página, o que causa pequenos transtornos. Mudamos a superfície (usamos sempre um mouse pad da própria Razer, o Destructor), mexemos na sensibilidade e ainda assim ocorria o efeito, em maior ou menor grau. Deixado por si para digitar esse texto, por exemplo, vemos o cursor do Word andar um pouco, sem ficar estático como deveria.

Quando fomos jogar nossas partidas-teste de Team Fortress 2 (sempre no mesmo mapa e servidor), notamos que a mira precisa continuava escapando em momentos-chave, em menor grau que no ambiente de trabalho. Ainda assim, foram alguns tiros perdidos, o que gera frustração (e, não raro, a “morte” no campo de batalha). Durante os momentos de ação incessante, com correria e tiros a esmo, o Lachesis respondeu com a velocidade de resolução. Mas o conj unto ergonômico do mouse não é bom: a cabeça larga e a traseira alta e gorda não permitem uma pegada firme, como, por exemplo, o formato mais enxuto e pontudo do Avatar proporciona.

Em uma avaliação final, apesar de todos os predicados, o Lachesis deixou a desejar, o que nos entristeceu por conta do currículo da Razer no setor de mouses para jogos. Está longe de ser péssimo, mas o comportamento ao trabalhar e jogar não é compatível com o esperado.

Especificações

As principais especificações do mouse Lachesis da Razer são:

  • Mouse laser com conexão USB
  • Design ambidestro
  • Botões ajustáveis: 9
  • Memória interna de 32 kb para gravar 5 perfis de uso
  • Resolução de rastreamento: 125 a 4.000 dpi (ajustável pelo usuário em incrementos de 125 dpi)
  • Velocidade máxima: 254 cm/segundo (dependendo da superfície)
  • Tempo de resposta: 1ms
  • Cabo de 2,15 metros
  • Dimensões: 129 x 71 x 40 mm (C x L x A)
  • Mais informações: http://www.razerzone.com.br
  • Preço médio nos EUA*: US$ 65,00

* Pesquisado em http://www.shopping.com no dia da publicação deste teste.

Conclusões

Pontos Fortes

  • Ambidestro
  • Jogo de luzes de bom gosto
  • Programa de configuração bem completo
  • Ajuste de resolução por incrementos, em vez de números fixos
  • Memória interna permite usá-lo em qualquer ambiente mantendo as configurações

Pontos Fracos

  • Botões laterais do mindinho são de difícil acesso
  • Falha na precisão do ponteiro e mira em jogos
  • Programa tem interface confusa
  • Formato do corpo impede pegada precisa
  • Um produto que custa US$ 65,00 nos EUA é revendido no Brasil pelo obsceno e impraticável preço de R$ 380,00. Deve vir em uma caixa de ouro...

Originalmente em http://www.clubedohardware.com.br/artigos/Teste-do-Mouse-Lachesis-da-Razer/1581

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